2019-2020 EĞİTİM-ÖĞRETİM YILI DÖNEM III ÖĞRENCİLERİ
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As procissões são grandes eventos que também fazem parte dos ritos da festa de São Cristóvão. Ao todo, são três procissões: de “tiração” do mastro, a fluvial e a terrestre, sendo as duas últimas as mais importantes. Os amaturaenses consideram as procissões como um momento de veneração, um momento em que todos os adeptos e participantes da festa de São Cristóvão podem demonstrar sua fé no santo padroeiro, pagando suas promessas, agradecendo e pedindo por bênçãos.
É nas procissões que, para muitos amaturaenses, ocorrem as maiores demonstrações de fé no santo padroeiro. Elas simbolizam também as caminhadas diárias, o intinerário dos viajantes e rememora também a história do santo.
Assim, as procissões também são uma forma de repetir os passos do santo padroeiro. São Cristóvão foi um peregrino, por tudo que andou a procura de um mestre forte e poderoso para servir e como parte de sua busca incumbiu-se de ajudar as pessoas na travessia do rio, de uma margem à outra. Dessa forma, através das procissões que compõem a festa do padroeiro, principalmente nas dos dias 24 e 25 de julho, fluvial e terrestre, respectivamente, os participantes dizem-se pôr em caminhada simbolizando os passos de São Cristóvão a quem seguem com tanta dedicação, celebrando e rememorando o modelo de fé e de vida do padroeiro.
Tal como na história de São Cristóvão, a procissão fluvial simboliza para o amaturaense a proteção e condução que o santo dava aos que necessitavam atravessar o rio. A procissão, então, que acontece no dia 24 de julho, rememora esse gesto do padroeiro e possibilita o participante pedir as bênçãos do santo para si e para sua embarcação, principal meio de transporte no município.
Assim, a procissão fluvial representa uma homenagem a São Cristóvão por ele ser o padroeiro dos viajantes. Em Amaturá, a história do santo se identifica mais com o povo e com o município por estarem localizados ribeiros ao rio, personagem também na história do santo. O fato de São Cristóvão auxiliar os viajantes na travessia do rio, de uma margem à outra encontra em Amaturá seu ponto máximo de identificação.
Na procissão fluvial, que acontece no dia 24 de julho, as pessoas saem com seus barcos, canoas, “rabetas”, motores e todo tipo de embarcação
pedindo bênçãos e proteções para mais um ano e agradecendo ao padroeiro suas graças concedidas ao longo do ano que passou. Assim, a procissão fluvial é um dos momentos máximos de veneração e respeito ao santo padroeiro que protege e acompanha os ribeirinhos que tem no rio o seu principal sustento e meio de transporte.
E o pedido de proteção e de bênçãos também se estende às águas. Além de pedir bênçãos para seus barcos, os participantes também agradecem pela riqueza das águas no município, pelos rios e igarapés, que além de permitir o transporte, também fornece a principal alimentação e a principal atividade econômica do município, tanto no setor terciário com a pesca, mas também o único meio em que os produtos comercializáveis podem chegar na cidade, abastecendo o comércio local.
Já na procissão terrestre, que acontece no dia 25 de julho, dia de São Cristóvão no calendário amaturaense, as pessoas celebram a data rememorando a peregrinação do padroeiro numa grande caminhada pelas ruas da cidade, pedindo bênçãos e graças tanto para o município quanto para os moradores. Assim como na procissão fluvial, muitas pessoas de outros municípios também chegam na cidade para participar dessa grande procissão.
Assim, a procissão terrestre é considerada pelos amaturaenses como uma demonstração de fé na caminhada e peregrinação do santo padroeiro. Ao rememorar, eles pedem também proteção e orientação na caminhada durante a vida, para eles e para o município.
A procissão terrestre é também o último evento religioso e acontece também no último dia de festividades. Terminada a procissão terrestre é iniciado o último e também mais animado dia do festejo de São Cristóvão. É dizer que após vários dias de eventos, dedicação e ritos para o santo
padroeiro, este é o dia em que se comemora com aquela sensação de “dever cumprido”.
As pessoas contam que antes, após a procissão terrestre havia a derrubada do mastro do padroeiro, no mesmo dia. A procissão saia em peregrinação, voltada para a igreja, celebrava seu último dia de novena e derrubava o mastro de São Cristóvão, marcando a última noite de arraial. Hoje, o rito de derrubada do mastro é realizado no dia 26, as 17 horas, após o anúncio do resultado da disputa entre os partidos, a declaração do partido campeão do ano e da festa da vitória.
Em todas as procissões há pagamento de promessas, das mais diferentes, como forma de agradecimento, de sacrifício, de homenagem e veneração ao santo padroeiro. A promessa para o padroeiro é, para o amaturaense, a certeza que alcançou uma graça concedida pelo seu santo e a certeza que São Cristóvão está presente em sua vida.
Na festa, correm histórias próprias, ou de parentes, de vizinhos, amigos próximos que foram tocados pela presença do santo e foram abençoados por ele devido às promessas que pagaram para São Cristóvão.
Batizar as crianças na época da festa do padroeiro, ou mesmo no dia 25 de julho, dia de São Cristóvão é outra maneira de fazer e pagar promessas e pedir bênçãos e proteção ao santo. As pessoas deixam para batizar na época do festejo como forma de oferecer seus filhos ao santo padroeiro e assim conseguir que ele “apadrinhe” as crianças, cuidando-as e protegendo-as na vida. Neste período são realizados muitos batizados.
As pessoas dedicam-se na sua festa, dedicam seus filhos para o padroeiro e transformam o santo em mais do que um companheiro para a vida, mas em um membro de sua família.