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2.1. KURAMSAL AÇIKLAMALAR

2.1.5. DERS KİTAPLARININ HAZIRLANMASINDA BELİRLEYİCİ BİR

6.1.1: Sujeitos de Humores: a marca das ocorrências

O trabalho do PM se apresentou marcado pelos humores das pessoas atendidas. E, estas, configuraram-se como pessoas num “bom dia” e pessoas “totalmente transtornadas” para Renato, por exemplo:

[Renato] ...às vezes você pega uma pessoa que tá num bom dia, né, mesmo o cara que batendo o carro dele, a pessoa tá tranquila, de repente você pega uma pessoa bate o carro e tá totalmente transtornada e começa a até a achar que você policial é culpado...

Pessoas que Renato “pega” “tranquilas” ou “culpando você policial”.

Para Elza, é o humor das pessoas que também indica o grau de dificuldade das ocorrências. Perguntada sobre um exemplo de ocorrência difícil:

[Elza](...) A gente chega lá tá todo mundo alterado, você tem tipo uma faca, e então e ninguém quer ceder e, né, e a gente tem que lidar com uma atitude assim, aí a pessoa já vai contra você, (...)

A dificuldade aqui está em “ter” de “lidar” com uma “atitude” desta “pessoa (que) já vai contra você”, “todo mundo alterado” onde “ninguém quer ceder”; ou seja, a dificuldade está na relação da clientela com a PM. Paulo também mostra isso na sua fala abaixo, logo no início de seu relato a respeito de sua rotina:

[Elza] Primeiramente (inaudível) a partir do momento que você sai de casa pra vim trabalhar, tal, a gente mora no interior, leva quatro horas pra chegar, é estressante.

(...)

[Entrevistadora] Mas é estressante por causa da distância, ou...?

[Elza] Distância também, em relação ao estresse de dirigir.

[Entrevistadora] U-hu.

[Elza] Além de você resolver os seus problemas particulares você tem que resolver os problemas

particulares de outras pessoas.

[Entrevistadora] U-hu

[Elza] E nem todo mundo entende.

“Estressante” e a não compreensão das “outras pessoas” cujos problemas “você tem que resolver” estão diretamente associados ao dia a dia de Paulo marcando o nível de estresse da ocorrência.

Da mesma forma, Laércio não acha que tenha

dificuldades no seu trabalho, ou estresse, mas há “pessoa

[que] não entende”:

[Laércio] Às vezes atrapalha porque algumas

divergências que você vai atender, não é que você se estressa, mas você acaba tendo que respirar um pouco mais fundo dependendo da situação porque você que a pessoa não entende o que você tá falando e ( ), e insiste em uma coisa que não tem fundamento. Não é que você se estressa, mas você acaba tendo que respirar um pouco mais fundo pra não, entendeu? Porque você tá explicando, a pessoa não tá entendendo; você tá explicando e a pessoa não tá entendendo, você respira um pouco mais fundo e tenta, de outra forma, outros caminhos, pra que ela entenda.

“Não é que você se estressa”, é apenas que você tem

que “respirar um pouco mais fundo”. Várias vezes Laércio tem que fazer isso. Essa repetição parece ser o índice que na fala de Laércio mostra o tamanho do desagrado que a situação lhe causa; o contato com uma clientela que não é capaz de o entender. A situação se repete e ele se repete em seus atos para, ao que parece, manter a relação em níveis aceitáveis; “você respira um pouco mais e tenta”.

Para Miro, a facilidade em seu trabalho não se relaciona diretamente ao humor das pessoas, mas, também, na relação direta com elas, ou melhor, relaciona-se a um

contexto específico em que o contato com elas se dá.

[Entrevistadora] E, bom, agora um momento ou uma atividade que você considera mais fácil no seu dia à dia.

[Miro] Um, mais fácil?! Ah, o mais, não diria mais fácil, mas eu tenho prazer em trabalhar no policiamento comunitário. Porque, trabalhando assim, você convive com pessoas, eu gosto de trabalhar com pessoas e ver que tá tudo bem. Então a gente preservando assim a boa convivência, sabendo que tá tudo bem pra mim eu acho o

mais fácil. Porque eu não tenho problema de parar,

de conversar, fazer amizade, eu gosto disso aí.

“Não diria mais fácil”, mas, para além disso, dá “prazer” a modalidade de policiamento que exerce porque “você convive com as pessoas (...) preservando (...) a boa convivência”. Coisa que não é “problema” para Miro, “parar, conversar, fazer amizade”. Aqui, o contexto da modalidade de policiamento comunitário favorece esta resposta. Contudo, vejamos que, de qualquer forma, a clientela e sua conduta (adversa ou não) é que são apontadas como pontos de pressão para o estresse que ronda o trabalho que o PM descreve.

No exemplo seguinte, a questão era sobre uma “situação bem representativa do seu trabalho, um bom exemplo”. A resposta de Elza parece indicar uma ideia de “bom” que, novamente, é determinado não pelo tipo de ocorrência em si, mas pela clientela:

[Entrevistadora] E tem algum, você lembra alguma situação que você passou no seu trabalho como PM que você acha que seja bem representativa do seu trabalho, que seja um bom exemplo do que você faz?

[Elza] ...Tem, é, as pessoas, tipo o reconhecimento das pessoas, né, da população. De repente vir agradecer (...) então assim, acho que é um reconhecimento da população, (...)

“Situação” é “as pessoas”, o ato do “reconhecimento das pessoas, da população”, o “vir agradecer”; com as

pessoas marcando o fazer do policial. Neste discurso, pessoas que “respeitam a polícia”, ou “agradecem” são associadas aos “bons exemplos”.

Miguel, a quem o “momento mais marcante” na carreira de treze anos relaciona-se com as amizades que fez, segue também assim:

[Entrevistadora]“Uhum. Nesse seu tempo como policial, qual foi a situação mais marcante pra você?

[Miguel] Marcante? (...) Então nesse trajeto que eu

tenho treze anos, o que eu peguei de bom foi amizade

e conhecimento.”

Situação mais marcante foram “as amizades e conhecimentos” que “pegou”. Respondeu a questão de “uma situação representativa” da mesma forma:

[Entrevistadora](...)tem alguma situação que você lembra que você pode me contar e que você considera mais característica do que é ser PM, do seu trabalho? Alguma ação sua que represente bem o que é ser PM?

[Miguel] É aquele atendimento que quando você vai,

a pessoa ela parabeniza você pela, pelo seu

profissionalismo, pela maneira como você chega na

ocorrência, “bom dia, boa tarde, boa noite”, você

chega na ocorrência, por mais tumultuado que tá, você é

imparcial, você escuta todas as partes.”

A situação que Miguel “pode me contar” que “considera mais característica do que é ser PM” é uma situação onde ele é “parabenizado” por fazer seu trabalho com “profissionalismo”. E, isto quer dizer, antes de tudo, os “bom dia, boa tarde, boa noite”. O PM trabalha para garantir o bom humor da clientela, que se reverte em reconhecimento de seu trabalho, ou dele, como policial.

Na sequência do trecho citado; entretanto, os humores da clientela servem à uma análise interessante de Miguel:

[Miguel] você chega na ocorrência, por mais tumultuado que tá, você é imparcial, você escuta todas as partes(...) Você faz o seu serviço na imparcialidade e na legalidade. (...) eu chego na ocorrência e eu escuto as partes, não as testemunhas. (...) E dou total

liberdade pros dois desabafarem o que tá acontecendo.

Não dando resultado no momento, trago pro DP e

apresento pro delegado de plantão, (...) Aí cabe ao delegado.

[Entrevistadora] Quer dizer que você faz também um pouco uma mediação? Antes de, você não traz tudo pra delegacia.

[Miguel] Isso, exato, exato. Veja bem, a

ocorrência, você no primeiro contato dela você já sabe quem é a parte truculenta, que é a parte que tá certa, a pessoa que é barraqueira no palavreado vulgar né, aquela que tá querendo arrumar encrenca, (...) Aí você começa a colher dados, dados, dados, até chegar “ó, vai você e vai você pro DP”, (...) vem quem quer, vem que não tem medo de se locomover. Quem tem o seu carro, vem com seu carro, não tem problema nenhum não.

Oscila-se na tênue linha divisória do trabalho de policiamento e do julgamento. Por um lado, busca-se algum “resultado”, mas a última palavra “cabe ao delegado”. Além disso, busca-se a imparcialidade, mas ao chegar na ocorrência, “você no primeiro contato dela você já sabe quem é a parte truculenta, que é a parte que tá certa”. Há uma enumeração que por repetição qualifica a parte truculenta “que” – pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva – é a que está certa. Nota-se esta “parte” da/na ocorrência que parece definir-se mais nitidamente num modo de falar que indica uma atenção especial a este tipo de pessoa.

O momento representativo para Diego, também é determinado pelo contato com a clientela, mas, como em outras falas, é no retorno que este “representativo” ganha um caráter positivo. Vejamos:

[Diego]Representativo...Positivo ou negativo?

[Entrevistadora]Tanto faz.

[Diego] Tanto faz...ah, positivo quando você consegue o seu êxito de pegar o bandido ou você libertar uma pessoa, é, você encontrar, por exemplo, o carro roubado

de uma pessoa e, (...) Você encontra, devolve pra

algo assim que é bem prazeiroso. Isso. Uma pessoa tá em

perigo, com uma coisa do tipo, acabou de ser roubada,

você chega...parece que quando ela te vê ela até relaxa os músculos porque tá tranquila porque você chegou.

O retorno é o agradecimento desmedido; é o prazer de perceber a confiança que inspira em sua chegada; é sua imagem de quem salva do perigo. É o mito do herói.