BÖLGESEL GELİŞMEYE YÖNELİK TEORİK YAKLAŞIMLAR BAĞLAMINDA BÖLGESEL KALKINMA AJANSLARININ ROLÜ
A. Bölgesel Gelişmeye Yönelik Geleneksel Yaklaşımlar
3. Dengeli Kalkınmaya Yönelik Gelişme Teoriler
As variáveis extralinguísticas ou sociais englobam fatores de natureza social que podem influenciar a escolha pelo uso de uma forma linguística. Dentre os estudos sobre elevação das vogais médias em pauta postônica no Rio Grande do Sul, Vieira (1994, 2002), Roveda (1998), Carniato (2000), Mallmann (2001) e Machry da Silva (2009) tiveram variáveis sociais influenciando a aplicação da regra. Além das variáveis selecionadas nesses estudos – Sexo, Faixa Etária e Escolaridade, buscaremos verificar também se variáveis como Ocupação Profissional e Local de Residência têm alguma influência para a elevação das vogais /e/ e /o/ em pauta postônica final.
3.3.3.1 Sexo
O controle da variável Sexo permite verificar o comportamento de homens e mulheres com relação à elevação das vogais médias átonas finais. Os fatores dessa variável são:
masculino feminino
Paiva (2010) fundamenta-se em resultados de estudos variacionistas que controlaram a variável sexo/ gênero para afirmar que se pode notar uma preferência das mulheres pelo uso de formas linguísticas prestigiadas socialmente. A partir dos resultados dos estudos sobre elevação das vogais médias átonas finais no Rio Grande do Sul em que essa variável foi selecionada (VIEIRA, 1994; ROVEDA, 1998; MALLMANN, 2001; e MACHRY DA SILVA, 2009), não é possível formular uma hipótese sobre o comportamento dessa variável, uma vez que, a depender do estudo, tanto homens quanto mulheres foram indicados como favorecedores da aplicação da regra de elevação para ambas as vogais.
Considerando-se a afirmação de Paiva (2010), espera-se que as mulheres utilizem mais a forma com elevação do que os homens, tendo em vista que a elevação das vogais médias átonas finais, ao constituir regra categórica em regiões do Estado – como a metropolitana –, pode ser considerada a forma de prestígio, ou seja, a forma não marcada regionalmente.
3.3.3.2 Faixa Etária
O controle da variável Faixa Etária permite verificar se há diferença na aplicação da regra de elevação da fala de indivíduos de idades diferentes. Foram estabelecidos três fatores para essa variável:
faixa etária 1: de 15 a 35 anos faixa etária 2: de 36 a 57 anos faixa etária 3: com 58 anos ou mais
Labov (2008 [1972], p. 319-321) apresenta estudos que verificaram o uso distinto de determinadas formas linguísticas de acordo com a faixa etária do informante. Nessa análise,
constatou o papel relevante dessa variável em certos fenômenos linguísticos em que a implementação da regra foi favorecida pelo grupo dos falantes mais jovens (por exemplo, ditongação de - I por falantes de francês na Suíça).
Nos estudos sobre elevação das vogais médias postônicas com dados do Rio Grande do Sul, Roveda (1998), Carniato (2000), Mallmann (2001) e Machry da Silva (2009) apontaram o grupo dos mais jovens como favorecedores da aplicação da regra de elevação. Tendo em vista tais resultados, espera-se também no presente estudo que sejam os indivíduos das faixas etárias 1 e 2 aqueles a utilizarem mais a forma com elevação.
3.3.3.3 Escolaridade
O controle da variável Escolaridade permite verificar se indivíduos de nível de escolaridade distinto apresentam comportamento diferenciado com relação à elevação das vogais médias átonas finais. Dessa forma, essa variável é composta por três fatores:
Ensino Fundamental (completo ou incompleto) Ensino Médio (completo ou incompleto) Ensino Superior (completo ou incompleto)
Sabe-se da importância do papel da escola com relação ao uso da linguagem. Votre (2010, p. 51) aponta a escola como modificadora tanto da fala quanto da escrita das pessoas, e argumenta que ela atua também como preservadora das formas de prestígio. Segundo o autor, o nível de escolaridade está correlacionado à consciência do domínio da língua padrão pelos informantes: quanto maior o nível de escolaridade, mais consciência o indivíduo tem da forma de prestígio.
Os resultados dos estudos já realizados sobre o fenômeno focado nesta dissertação apontam para uma maior frequência de uso da forma com elevação entre informantes com escolaridade média e superior (MALLMANN, 2001 e MACHRY DA SILVA, 2009). Dessa forma, espera-se que na amostra da presente dissertação os informantes com Ensino Médio e os com Ensino Superior utilizem mais a forma com elevação do que informantes com Ensino Fundamental.
3.3.3.4 Ocupação Profissional
Embora os informantes não tenham sido estratificados de acordo com a variável extralinguística Ocupação Profissional, julgamos que uma separação dos informantes de acordo com a ocupação que exercessem poderia nos mostrar diferenças relacionadas à aplicação da regra de elevação. Assim, consideramos dois fatores para essa variável, de acordo com a demanda de fala exigida pela ocupação profissional do informante:
alta demanda de fala: professor, atendente, cabeleireira, estudante, motorista, auxiliar administrativo, agente de saúde, técnico de enfermagem
baixa demanda de fala: agricultor, operador de máquinas, merendeira, dona de casa, vigilante, embaladora, pedreiro, repositor de mercadorias
Mollica (2010a), ao abordar a relevância de variáveis extralinguísticas no estudo de regras variáveis, afirma que em uma sociedade como a brasileira, linguística e socialmente complexa, é possível pensar em diferentes indicadores sociais que têm papel no estabelecimento do perfil sociolinguístico dos falantes: “origem social, renda, acesso a bens materiais e culturais são alguns deles, assim como tipo de ocupação, grau de inserção em redes sociais e outros” (MOLLICA, 2010a, p. 29).
Jardim (2006) propõe três segmentações de acordo com a importância que a voz assume em diferentes profissões. Entre as profissões em que a voz assume grande importância, a autora aponta: professor, ator, cantor, operador de telemarketing, apresentador de televisão, locutor radialista, jornalista. A voz tem importância moderada, de acordo com a autora, nas seguintes profissões: advogado, médico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, dentista, fisioterapeuta, psicólogo, vendedor, secretária. A voz assume pequena importância, segundo a autora, nas profissões: controlador de vôo, pedreiro, segurança, porteiro, empregada doméstica. Conforme Jardim (2006) explicita no estudo, essa classificação é feita de acordo com a demanda vocal que o trabalho exige, com a aceitação do profissional no mercado de trabalho e com a influência da voz no produto do trabalho.
A separação dos informantes desta amostra de acordo com a ocupação profissional foi realizada a partir da hipótese de que os informantes cuja profissão tem alta demanda de fala mostrarão maior frequência de aplicação da regra de elevação das vogais médias átonas finais. Justifica-se essa hipótese tendo em vista que, se a profissão do informante exige que ele fale frequentemente, isso decorre do fato de ele ter contato com público (como
professores, atendentes, técnicos de enfermagem), diferentemente de agricultores ou donas de casa, por exemplo, cuja rotina de trabalho é essencialmente doméstica e o contato verbal mais frequente se estabelece com pessoas de seu núcleo familiar.
Os informantes da amostra estão assim distribuídos: 6 agricultores(as), 2 donas de casa, 1 vigilante, 1 operador de máquinas, 1 embaladora, 1 repositor de mercadorias, 1 servente, 1 pedreiro (baixa demanda de fala); 2 estudantes, 2 motoristas, 1 professora, 1 técnico de enfermagem, 1 agente de saúde, 1 auxiliar administrativo, 1 atendente, 1 cabeleireira (alta demanda de fala).
3.3.3.5 Local de Residência
Como ocorreu na variável Profissão, também não houve estratificação dos informantes para a variável Local de Residência. No entanto, com a realização das entrevistas, surgiu a hipótese de que o controle do local de residência dos informantes como uma variável poderia mostrar o comportamento diferenciado dos falantes com relação ao uso de elevação das vogais médias átonas finais. Assim, a variável foi composta por dois fatores:
zona urbana zona rural
Há diferentes estudos sobre regra variável que consideraram a variável Local de Residência. Battisti et al. (2007) analisam o fenômeno de palatalização das oclusivas alveolares em Antônio Prado – RS e mostram em sua análise que os informantes residentes na zona urbana do município favorecem o uso da forma palatalizada, ao passo que entre os informantes da zona rural a aplicação da regra é pouco favorecida. Os autores afirmam que a forma com palatalização é inovadora na comunidade de Antônio Prado – RS.
Semelhantemente, neste estudo, espera-se que o uso da forma com elevação seja favorecido pelos informantes da zona urbana.