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DÖNÜŞLERİNİN GÖZLENMESİ
5.15. DENETİM KOMİTELERİ OLUŞTURMAK
O conceito de “letramento” foi citado primeiramente no Brasil por Kato (1986)
embora o termo literacy já tivesse sido anunciado por Heath (1983) e Street (1984). A partir desses pesquisadores, o termo letramento assume caráter mais social e ideológico, e os debates que objetivam a compreensão do que institui o letramento e a importância que a ele é atribuída, ganham espaço nos diferentes contextos sociais. Esses debates envolvem várias contribuições teóricas que surgem da Sociologia, da Psicologia, da História, da Etnografia, da Pedagogia. Interessam-nos, dentre essas abordagens, as que são ancoradas pela Antropologia, pela Etnografia e pela Linguística Aplicada.
[...] Como é do conhecimento de todos que circulam pelos meios acadêmicos, o
termo ‘letramento’ é um neologismo, que foi apenas recentemente dicionarizado.
A introdução da palavra na língua portuguesa deu-se no início da década de 1980,
quando começaram a chegar ao Brasil publicações sobre ‘literacy’, inglesas (Street
1989, 1993) norte-americanas (Goody 1968, 1977, 1986, 1987; Greenfield 1972) e ainda traduções para o inglês de obras que abordavam a questão, escritas por Luria (1977) e Vygotsky (1984). Deve-se destacar que nesses trabalhos nem de longe
havia consenso sobre o que fosse ‘literacy’. Várias abordagens teóricas, advindas de
diversas disciplinas, que iam desde o marxismo, passando pela psicologia trans- cultural e cognitiva, chegando à antropologia, vieram trazer para os pesquisadores brasileiros da área de estudos da linguagem muita perplexidade, mas também uma contribuição sem medida e de extrema importância para a reflexão original que desde então tem constituído os estudos do que se denomina, hoje, de letramento (Kleiman, 1995) (TFOUNI, 2010, p. 218).
Tfouni (1988) foi uma das primeiras a utilizar e a definir o termo letramento,
posteriormente ela o conceitua em confronto com a alfabetização: “[...] enquanto a
alfabetização ocupa-se da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma
sociedade” (TFOUNI, 1995 apud SOARES, 2002, p. 144).
Na literatura brasileira, a palavra letramento não aparece ainda na maioria dos dicionários, pois há certa imprecisão quanto à diversidade de olhares em relação ao fenômeno
“letramento(s)”. Dentre esses, podemos citar Soares (1998) que o define: letramento é estado ou condição de indivíduos ou de grupos sociais de sociedades letradas [itálico nosso] que
exercem efetivamente as práticas sociais de leitura e de escrita participa competentemente de eventos de letramento13. Soares (1998), apesar de reconhecer letramentos, no plural, dedica-se a abordar o letramento que se restringe à esfera escolar.
Em 2003, Soares explica que alfabetização é o “[...] processo de aquisição da ‘tecnologia da escrita’, isto é, do conjunto de técnicas – procedimentos, habilidades – necessárias para a prática da leitura e da escrita” (apud RIBEIRO, 2012, p. 35). Nesse sentido,
reforça a relação bem próxima de alfabetização e letramento escolar.
Ribeiro (2012), interpretando a definição de Soares, explica que a alfabetização e o letramento mantêm uma relação íntima, embora sejam termos independentes e um não
dependa do outro para acontecer. Para ela, “o letramento é um conceito mais plástico e mais
amplo do que a alfabetização”, uma vez que ele está ligado à sociedade, envolvido com toda a sua complexidade e não restrito ou intimamente relacionado à instituição escolar e não haja
fronteiras definidas. Essa pesquisadora conclui: “o letramento não tem limites” (RIBEIRO,
2012, p. 36).
Em complemento a esse raciocínio, essa autora cita as palavras de Soares (2003) e arrisca-se à síntese sobre letramento:
[...] a inserção no mundo da escrita se dá por meio da aquisição de uma tecnologia – a isso se chama alfabetização, e por meio do desenvolvimento de competências (habilidades, conhecimentos, atitudes) de uso efetivo dessa tecnologia em práticas sociais que envolvem a língua escrita – a isso se chama letramento” (SOARES, 2003 apud RIBEIRO, 2012, p. 36/37).
13
Entendemos, portanto, que “as práticas de letramento” são práticas sociais mediadas pela escrita e “os eventos de letramento” são situações reais, documentáveis de uso da escrita (STREET [1984]1993).
Segundo essa pesquisadora: “[...] o letramento relaciona-se aos usos que as pessoas
fazem da alfabetização que tiveram ou das práticas ligadas à cultura escrita em que estão
envolvidas” (RIBEIRO, 2012, p. 37). Explicitando melhor, no caso de quem não foi
alfabetizado, é possível verificar, em sociedades grafocêntricas, que essas pessoas conseguem lidar com a escrita de outras formas, mesmo não sabendo ler nem escrever.
Outra definição de letramento é adotada por Kleiman (1995), que assegura ser o letramento “um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e
enquanto tecnologia, em contextos específicos e para objetivos específicos”. Posteriormente, Kleiman (1998) o conceitua como “práticas e eventos relacionados com uso, função e impacto social da escrita”. Acrescentando assim, além das práticas sociais de leitura e de escrita
assinaladas anteriormente, os eventos em que tais práticas são colocadas em ação e as consequências delas para a sociedade (KLEIMAN, 1995 apud SOARES, 2002, p. 144).
Devido a esse leque de olhares que ainda marca a definição de letramento, deduzimos que Tfouni (1995) usa para conceituar esse fenômeno o impacto social de escrita, o qual para Kleiman (1998) é apenas um desses componentes desse fenômeno, conforme sinaliza Soares (2002) ao tentar encontrar um conceito mais próximo de letramento.
Neste estudo, aproveitamos o olhar de Kleiman (1998), o qual leva em conta que as práticas sociais de leitura e de escrita devem ser pensadas para além da aquisição do sistema de escrita, da alfabetização, e, nesse sentido, devem ser considerados também os eventos em que elas ocorrem. Assim, podemos inferir que Tfouni e Kleiman dialogam bem sobre o foco principal de letramento para além do processo de alfabetização de codificação da língua.
De modo geral, seguimos pesquisadores cujas concepções partem do princípio de que o conceito de letramento(s) refere-se às múltiplas práticas sociais mediadas pela escrita que o indivíduo desenvolve e que as coloca em ação de acordo com o contexto, para atingir um determinado fim socialmente previsto (KLEIMAN, 1995; OLIVEIRA; KLEIMAN, 2008;
TINOCO, 2008). Essas pesquisadoras relembram que os ‘letramentos’ são sócio-históricos e
culturalmente situados.
Para Kleiman (1995): “[...] as práticas de letramento, no plural, são social e
culturalmente determinadas, e como tal, os significados específicos que a escrita assume para
um grupo social dependem dos contextos e instituições em que ela foi adquirida”. Evento de letramento é, conforme Heath (1983): “[...] qualquer ocasião em que parte da escrita está integrada à natureza das interações participantes e de seus processos interpretativos [...]”
Compreendemos também que o letramento pressupõe um processo que atravessa as atividades dos indivíduos na perspectiva sociocultural, visto que as habilidades de ler e de escrever ressignificam as estratégias de interação em diversos espaços sociais, nos quais os colaboradores participam ora individual ora em grupo.
Assim sendo, segundo Kleiman e Oliveira (2008), o letramento deve ser considerado além do que uma simples demonstração de habilidades cognitivas que o indivíduo pode sugerir; são, portanto, um conjunto de práticas e usos sociais de escrita, enquanto sistema de códigos e enquanto tecnologia, em diversas situações de contextos e para atender a fins determinados.
Tfouni (2010, p. 218), por sua vez, afirma que “letramento” é “mosaico multifacetado”.
[...] Deste modo, o aparecimento desta nova área de estudos e pesquisas veio marcada pela heterogeneidade, e assim continua até hoje, pois, sendo filiada à linguística e às teorias da linguagem em geral, o mosaico que se mostra atualmente é multifacetado, numa réplica às várias correntes e vertentes teóricas que informam essas disciplinas.
Na verdade, o grande proveito que surge das pesquisas sobre letramento, segundo essa autora, está no fato de que, finalmente, passamos a contar com um referencial diferente daquele de áreas como a psicologia e a sociologia. Dessa forma, pôde-se começar a investigar alfabetizados e não-alfabetizados, escolarizados e não-escolarizados, por meio de uma visão que não leva em conta o ponto de vista individual ou sócio-econômico. O foco, portanto, passou a ser sobre as práticas de linguagem que circulam na sociedade, sejam elas dentro da escola ou fora dela.
Nesta dissertação, entendemos, portanto, que letramento(s) é um termo plural, controverso e carregado de ideologia (JAFELICE, 2003). Assim, letramento(s) são as múltiplas práticas sociais mediadas pela escrita que o indivíduo efetua e que as coloca em ação conforme o contexto, para atingir um determinado fim socialmente previsto (KLEIMAN, 1995; OLIVEIRA; KLEIMAN, 2008; TINOCO, 2008).