2. ÖZGÜVEN
1.2. DEMOGRAFİK DEĞİŞKENLER VE ÖZGÜVEN İLİŞKİSİ İLE İLGİLİ
No livro 2 do Tratado da natureza humana (2009), Hume começa fazendo uma análise sobre o papel das impressões nas paixões. Segundo ele, as paixões são aqueles sentimentos ou emoções que surgem na alma, precedidas, direta ou indiretamente por sensações físicas de dor e prazer, elas podem ser diretas, quando surgem da dor e do prazer, ou indiretas, quando precedidas por uma impressão anterior em conjunto com outras qualidades. Eis o que diz o filósofo escocês acerca das impressões:
Assim como todas as percepções da mente podem ser divididas em impressões e idéias, assim também as impressões admitem uma outra divisão, em originais e secundárias. Essa divisão das impressões é a mesma que utilizei anteriormente quando as distingui em impressões de sensação e de reflexão. Impressões originais ou de sensação são as que surgem na alma sem nenhuma percepção anterior, pela constituição do corpo, pelos espíritos animais, ou pela aplicação dos objetos sobre os órgãos externos. As impressões secundárias ou reflexivas são as que procedem de algumas dessas impressões originais, seja imediatamente, seja pela interposição de suas idéias. Do primeiro tipo são todas as impressões dos sentidos e todas as dores e os prazeres corporais; do segundo, as paixões e outras emoções semelhantes (HUME, 2009, p. 309).
Nesta pesquisa acerca da simpatia, limitar-nos-emos às impressões que Hume denomina de secundárias ou reflexivas, por surgirem das impressões originais e suas ideias. Segundo ele, dores e prazeres físicos são fontes de muitas paixões, seja quando sentidos, seja quando considerados pela mente. Mas surgem na alma ou no corpo originalmente sem nenhum pensamento ou percepção precedente.
Já as impressões reflexivas podem ser divididas, segundo Hume, em dois tipos: as calmas e as violentas. Assim refere-se ele:
Do primeiro tipo são o sentimento [sense] do belo e do feio nas ações, composições artísticas e objetos externos. Do segundo são as paixões de amor e ódio, pesar e alegria, orgulho e humildade (HUME, 2009, p. 310).
Segundo o filósofo escocês, em geral as paixões são mais violentas que as emoções resultantes da beleza e da deformidade e, por isso, essas impressões têm sido comumente distinguidas umas das outras. Com relação às paixões diretas e indiretas, Hume assim as define:
Por paixões diretas entendo as que surgem imediatamente do bem ou do mal, da dor ou do prazer. Por indiretas, as que procedem dos mesmos princípios, mas pela conjunção de outras qualidades... Posso apenas observar, de modo geral, que incluo, entre as paixões indiretas, o orgulho, a humildade, a ambição, a vaidade, o amor, o ódio, a inveja, a piedade, a malevolência, a generosidade, juntamente com as que delas dependem. E, entre as paixões diretas, o desejo, a aversão, a tristeza, a alegria, a esperança, o medo, o desespero e a confiança (HUME, 2009, p. 311).
As paixões de orgulho e humildade, por serem paixões indiretas, surgem dos sentimentos de dor e de prazer, mas em concordância com outras qualidades inerentes à nossa própria experiência e de acordo com as relações de contiguidade, de semelhança e de causa e efeito.
Segundo Hume, as paixões de orgulho e humildade, embora diretamente contrárias, têm o mesmo objeto, ou seja o “eu”, que é aquela sucessão de ideias e impressões relacionadas de que temos uma memória e consciência íntima. Já o objeto das paixões de amor e ódio são diferentes do objeto daquelas, pois é a ideia do outro, ou seja, nosso amor ou nosso ódio será sempre direcionado para o outro. Assim, enquanto o objeto imediato do orgulho e da humildade é o “eu”, ou seja, aquela pessoa idêntica de cujos pensamentos, ações
e sensações são intimamente conscientes, o objeto do amor e do ódio é outra pessoa, de cujos pensamentos, ações e sensações não têm consciência. Entretanto, embora o objeto do amor e do ódio seja sempre outra pessoa, esse objeto não é a causa dessas paixões e também, por si só é insuficiente para despertá-las. Vejamos o que diz Hume sobre a causa do amor e do ódio no Tratado da natureza humana (2009):
Se considerarmos as causas do amor e do ódio, veremos que são bastante diversificadas, e que não têm muito em comum umas com as outras. A virtude, o conhecimento, a espirituosidade, o bom senso e o bom temperamento de uma pessoa produzem amor e apreço; e as qualidades contrárias produzem ódio e desprezo. As mesmas paixões nascem de dotes físicos, como beleza, força, rapidez, destreza; e também das vantagens e desvantagens externas, como família, posses, roupas, país e clima. Cada um desses objetos por suas diferentes qualidades, pode produzir amor e apreço ou ódio e desprezo (HUME, 2009, p. 364).
Ainda sobre as paixões de orgulho e humildade, conforme já mencionamos, seu objeto é o “eu”, por isso, este sempre precisa ser levado em consideração para que haja espaço para o orgulho e a humildade. Além disso, segundo Hume, é impossível que um homem seja simultaneamente orgulhoso e humilde.
É impossível que um homem seja ao mesmo tempo orgulhoso e humilde; e caso tenha uma razão diferente para cada uma dessas paixões, como ocorre com frequência, ou estas se dão alternadamente, ou, se coincidem, uma aniquila a outra na medida de sua força, e apenas o que resta da paixão superior continua a atuar sobre a mente (HUME, 2009, p. 312).
Entretanto, faz-se necessário complementar que nenhuma das paixões, segundo Hume, poderia se tornar superior, pois, se supusermos que o que as despertou foi exclusivamente a visão de nós mesmos e como essa visão é perfeitamente indiferente em relação a uma e à outra paixão, ela deve produzir exatamente o mesmo grau em ambas, ou, em outras palavras, não podem produzir nenhuma. Portanto, despertar uma paixão e, ao mesmo tempo, suscitar uma porção equivalente de sua antagonista é desfazer imediatamente o que se havia feito, acabando por deixar a mente em total calma e indiferença.
Após essa exposição sobre a relação entre a simpatia e as paixões, passaremos a tratar sobre os temas da simpatia enquanto capacidade de comunicação sensorial e, utilitarismo, cuja importância na filosofia moral de Hume é de grande relevância.