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Özgüvenin Oluşumu Ve Onu Etkileyen Faktörler

2. ÖZGÜVEN

2.1. BENLİK (ÖZ)

2.2.2. Özgüvenin Oluşumu Ve Onu Etkileyen Faktörler

Segundo Adam Smith, em sua Teoria dos sentimentos morais (2015), por mais egoísta que seja o homem, evidentemente há alguns princípios em sua natureza que o fazem

interessar-se pela sorte de outros, e considerar a felicidade deles necessária para si mesmo, embora nada extraia disso senão o prazer de assistir a ela. Segundo ele:

Dessa espécie é a piedade e a compaixão, emoções que sentimos ante a desgraça dos outros, quer quando a vemos, quer quando somos levados a imaginá-la de modo muito vivo. É fato óbvio demais para precisar ser comprovado, que frequentemente ficamos tristes com a tristeza alheia; pois esse sentimento, bem como todas as outras paixões originais da natureza humana, de modo algum se limita aos virtuosos e humanitários, embora estes talvez a sintam com uma sensibilidade mais delicada (SMITH, 2015, p. 5).

Neste sentido, segundo Smith, até mesmo o mais empedernido infrator das leis da sociedade não é totalmente desprovido do interesse pela sorte dos outros.

É importante observar que, de acordo com Adam Smith, não temos experiência imediata do que outros homens sentem, somente podemos formar uma ideia da maneira como são afetados se imaginarmos o que nós mesmos sentiríamos numa situação semelhante. Vejamos o que ele diz acerca dessa capacidade de ser afetado:

Embora nosso irmão esteja sendo torturado, enquanto nós mesmos estamos tranquilos, nossos sentidos jamais nos informarão sobre o que ele sofre. Pois não podem, e jamais poderão, levar-nos para além de nossa própria pessoa, e apenas pela imaginação nos é possível conceber em parte quais as suas sensações (SMITH, 2015, p. 6).

Além disso, essa faculdade não nos pode ajudar senão representando para nós as próprias sensações se nos encontrássemos em seu lugar, pois nossa imaginação apenas reproduz as impressões de nossos sentidos e não as alheias, afirma Smith. Dessa forma, por intermédio da imaginação podemos nos colocar no lugar do outro e sofrer os mesmos tormentos. É como se entrássemos no corpo dele e, de certa forma, nos tornássemos a mesma pessoa, formando, assim, alguma ideia das suas sensações, e até sentindo algo que, embora em menor grau, não seria inteiramente diferente delas. Neste contexto, Smith complementa:

Assim incorporadas em nós mesmos, adotadas e tornadas nossas, suas agonias começam finalmente a nos afetar, e então trememos, e sentimos calafrios, apenas à imagem do que ele está sentindo. Pois, assim como sentir uma dor ou uma aflição qualquer provoca a maior tristeza, do mesmo modo conceber ou imaginar que a estamos sofrendo provoca certo grau da mesma emoção, na medida da vivacidade ou embotamento dessa concepção (SMITH, 2015, p. 6).

Afinal de contas, o que significa essa fonte de solidariedade para com a desgraça alheia? Ela parece ser, segundo Smith, a troca de lugar, na imaginação, com o sofredor, que podemos conceber o que ele sente ou ser afetados por isso. Assim, poder-se-ia demonstrar isso por meio de observações óbvias, conforme a citação abaixo:

Quando vemos que um golpe está prestes a ser desferido sobre a perna ou o braço de outra pessoa naturalmente encolhemos e retiramos nossa própria perna ou braço; e, quando o golpe finalmente é desferido, de algum modo o sentimos e somos por ele tão atingidos quanto quem de fato o sofreu. Ao admirar um bailarino na corda bamba, as pessoas da multidão naturalmente contorcem, meneiam e balançam seus corpos como o veem fazer, e como sentem que teriam de fazer se estivessem na mesma situação (SMITH, 2015, p. 6).

Além disso, pessoas de constituição física frágil e sentimentos delicados queixam-se de que, olhando as feridas e úlceras expostas pelos mendigos das ruas por exemplo, com facilidade sentem desconfortos ou coceira na parte correspondente de seus próprios corpos. Poderíamos continuar citando infinitos exemplos que configuram as circunstâncias que produzem tristeza ou dor em quem as observa. Entretanto, essas circunstâncias que produzem tristeza ou dor não são as únicas que provocam nossa solidariedade. Segundo Smith, “seja qual for a paixão que proceda de um objeto qualquer na pessoa primeiramente atingida, uma emoção análoga brota no peito de todo espectador atento ao pensar na situação das outras” (SMITH, 2015, p. 7).

Dessa forma, justifica-se nossa alegria pela salvação dos heróis que nos interessam nas tragédias ou romances, assim como nossa dor pela sua aflição. Além disso, partilhamos de sua gratidão para com aqueles amigos fiéis que não os desampararam em suas tribulações e de boa vontade participamos de seu ressentimento contra aqueles pérfidos traidores que os ofenderam, abandonaram ou enganaram.

Com efeito, o conteúdo da simpatia, segundo Smith, aparece da seguinte forma:

Piedade e compaixão são palavras que com propriedade denotam nossa solidariedade pelo sofrimento alheio. Simpatia, embora talvez originalmente sua significação fosse a mesma, pode agora ser usada, sem grande impropriedade, para denotar nossa solidariedade com qualquer paixão. (SMITH, 2015, p. 8)

Apesar de a simpatia denotar nossa solidariedade com qualquer paixão, segundo Smith, em algumas ocasiões, ela parece surgir da mera visão de certa emoção em outra pessoa. Em algumas ocasiões, as paixões pareceram transfundidas de um homem a outro instantaneamente, previamente a qualquer conhecimento do que as estimulou na pessoa que foi atingida primeiro. Dor e alegria, por exemplo, intensamente expressas no olhar ou gestos de qualquer pessoa, imediatamente afetam o espectador com uma semelhante emoção dolorosa ou agradável. Um rosto sorridente, para os que o vêem, é um objeto que alegra; enquanto que um semblante sofredor é melancólico.

E ainda, sobre a capacidade da dor e da alegria do outro em influenciar nossas emoções, Smith faz a seguinte consideração:

Se a mera aparência de dor e alegria bastam para nos inspirar algum grau de emoções semelhantes, é porque nos sugere a ideia geral de alguma boa ou má sorte que sucedem à pessoa em quem as observamos, e, tratando-se dessas paixões, isso é suficiente para exercer alguma influência sobre nós (SMITH, 2015, p.p 8-9).

Dessa maneira, segundo Smith, a ideia geral de boa ou má sorte cria, portanto, certa preocupação com a pessoa que as experimentou; mas a ideia geral de insulto não suscita simpatia para com a ira do homem que foi insultado. Dessa forma, parece que a natureza nos ensina a sermos mais avessos a partilhar dessa paixão e, até sermos informado de sua causa, a preferir antes tomar partido contra ela. Além disso, nossa simpatia pela dor ou alegria de outrem, antes de sermos informados das causas de uma ou outra, é sempre muito imperfeita, assevera o autor da Teoria dos Sentimentos Morais (2015).