2. ÖZGÜVEN
2.3. ÖZGÜVEN VE DİN İLİŞKİSİ
O homem, no convívio com seus semelhantes em sociedade, aprecia muito observar em outros homens uma solidariedade com todas as emoções a ele disponíveis, e nada o choca mais do que a aparência do contrário. Segundo Adam Smith, o homem consciente de sua própria fraqueza e da necessidade que tem da ajuda de outros, regozija-se ao observar os que adotam suas próprias paixões, porque isso o assegura dessa ajuda mas sente-se triste sempre que observa o contrário, porque isso o certifica de sua oposição. Todavia, assevera Smith na citação abaixo:
Tanto o prazer quanto a dor são sempre sentidos tão instantaneamente, e com frequência por motivos tão frívolos, que parece evidente que não poderiam resultar de nenhuma consideração egoísta desse tipo. Um homem se sente mortificado quando, depois de se ter esforçado para divertir a reunião, olha em torno e vê que ninguém, senão ele próprio, ri de suas graças. Ao contrário, a jovialidade do grupo lhe agrada muitíssimo, e considera essa reciprocidade entre os seus sentimentos e os deles como o mais caloroso aplauso (SMITH, 2015, p. 12).
É importante mencionar que, apesar de tanto o prazer quanto a dor serem sempre sentidos instantaneamente, nem o prazer origina-se inteiramente da vivacidade com que sua jovialidade se vê aumentada pela simpatia dos outros, nem a dor brota da decepção quando lhe falta esse prazer, embora sem dúvida, afirma Smith, um e outro sejam de alguma maneira relevantes.
Vejamos o exemplo utilizado por Smith na citação seguinte:
Quando lemos um livro ou poema tantas vezes que já não nos divertimos mais nem um pouco lendo-o sozinho, sua leitura ainda pode nos divertir em companhia de um outro. Para este, terá todas as graças da novidade, partilharemos da surpresa e admiração que naturalmente desperta nessa pessoa, mas que nós somos incapazes de sentir; apreciamos todas as ideias que vão surgindo, mais sob a luz em que aparecem a ele do que sob aquela em que aparecem para nós, e nos divertimos por simpatia para com a sua diversão, que então anima a nossa. Ao contrário, ficaríamos vexados se ele não parecesse entretido com isso, e não retiraríamos mais nenhum prazer da leitura (SMITH, 2015, p. 12).
Portanto, se compararmos esta citação com a anterior, observaremos que se trata de casos semelhantes, pois a jovialidade da reunião na citação anterior, sem dúvida anima a nossa própria e sem dúvida, também, seu silêncio nos decepciona. Igualmente, o entretenimento da pessoa com a qual partilhamos a leitura do livro ou poema nos anima de igual maneira. Entretanto, embora isso possa contribuir tanto para o prazer que tiramos de uma como para a dor que experimentamos pela outra, não é , segundo Smith, em absoluto, a única causa de um e outro; e essa reciprocidade dos sentimentos alheios com os nossos parece ser a causa do prazer. Ainda sobre a simpatia, assevera Smith:
A simpatia que meus amigos expressam pela minha alegria pode de fato proporcionar-me prazer, reanimando essa alegria; mas a que expressam com relação à minha dor não pode me causar nenhum, se serviu apenas para reavivar essa dor. Porém, a simpatia reaviva a alegria e alivia a dor. Reaviva
a alegria apresentando outra fonte de satisfação; e alivia a dor insinuando, no coração, quase a única sensação agradável que nesse momento é capaz de receber (SMITH, 2015, p. 13).
Parece-nos que desejamos muito mais comunicar aos amigos nossas paixões desagradáveis do que as agradáveis, defende Smith, já que extraímos muito mais satisfação de sua simpatia para com as desagradáveis do que com as agradáveis. Uma prova dessa afirmação é que os infelizes ficam muito aliviados quando encontram uma pessoa para comunicar a causa de sua dor.
Adam Smith considera o amor uma paixão agradável e o ressentimento, desagradável e, por isso, não desejamos tanto que nossos amigos aceitem nossa amizade, mas que partilhem de nossos ressentimentos. Assim, podemos perdoar os que demonstrem pouco interesse pelos favores que possamos ter recebido, mas perdemos toda paciência se permanecem indiferentes quanto às ofensas que alguém possa ter nos causado e não ficamos tão zangados com eles por não partilharem de nossa gratidão quanto por não se solidarizarem com nosso ressentimento. Além disso, diz Smith:
Podem facilmente evitar de ser amigos de nossos amigos, mas dificilmente podem evitar de ser inimigos daqueles de quem estamos afastados. Raramente nos ressentimos porque são inimigos dos primeiros, ainda que quanto a isso por vezes possamos simular desgosto; mas brigamos energicamente se vivem em amizade com os últimos. As paixões agradáveis do amor e felicidade podem satisfazer e amparar o coração sem qualquer prazer auxiliar. As amargas e dolorosas emoções da dor e do ressentimento exigem mais fortemente o consolo saudável da simpatia (SMITH, 2015, p. 14).
Neste contexto, assevera ainda Smith, assim como a pessoa a quem mais interessa certo acontecimento fica satisfeita com nossa simpatia e magoada quando esta falta, assim também nós parecemos satisfeitos quando somos capazes de simpatizar com elas, e ficamos magoados quando incapazes disso.
A simpatia está presente ainda não apenas quando nos apressamos para parabenizar os bem-sucedidos, mas também para confortar os aflitos. Além disso, encontramos prazer na conversa com alguém com cujas paixões do coração podemos simpatizar inteiramente, e isso parece fazer mais do que compensar a dor daquela infelicidade com que nos afeta pela percepção da sua situação. Entretanto, segundo Adam Smith:
Ao contrário, é sempre desagradável perceber que não podemos simpatizar com ela; e, em vez de ficarmos contentes com essa isenção de uma dor solidária, machuca-nos ver que não conseguimos partilhar do seu desconforto. Se ouvimos uma pessoa lamentar em altas vozes seus infortúnios, que, entretanto, não produzem em nós um efeito tão violento ao pensarmos que essa situação poderia ser a nossa, sua dor nos é ofensiva; e, como não conseguimos experimentá-la chamamo-la de pusilanimidade e fraqueza. Por outro lado, impacienta-nos ver outra pessoa feliz ou por assim dizer, eufórica demais, por qualquer bocadinho de boa sorte. Ficamos até mesmo desobrigados em relação à sua felicidade; e, como não conseguimos partilhar dela chamamo-la de veleidade e desatino (SMITH, 2015, pp. 14- 15).
Após essas considerações acerca da simpatia sob a análise de Adam Smith, passaremos a uma breve contextualização da relação da simpatia com as paixões sob a ótica de Hume.