No presente estudo, a frequência de participação por área de conhecimento, em relação ao número de matriculados, foi semelhante entre elas, garantido que não houvesse maior influência de qualquer uma área. Em relação ao número de alunos matriculados, houve maior frequência de estudantes intermediários que foram convidados. Isto porque nestes períodos havia maior número de estudantes em sala de aula no dia da aplicação dos questionários. Em relação aos estudantes convidados, houve participação de 95,8% deles e todos se empenharam durante o preenchimento dos questionários aplicados.
Na área de conhecimento de Exatas ocorreu maior variação de participação entre os períodos, ou seja, maior frequência de estudantes intermediários. Conforme relatado pelos secretários dos cursos, nos primeiros períodos constam entre os alunos matriculados aqueles que nunca compareceram às aulas e, em relação aos estudantes concluintes havia menor presença deles em sala de aula no dia da coleta de dados, mas o motivo não foi esclarecido. Possivelmente esses fatos ocorrem com maior frequência nos cursos de Exatas em relação aos demais.
Entre os universitários que participaram, houve maior frequência de estudantes do campus Santa Mônica e isso pode ser devido ao fato de haver maior número de cursos localizados naquele campus. Assim como observado na pesquisa em que se avaliou o uso de álcool e outras drogas entre universitários das capitais de estados brasileiros, neste estudo houve predomínio de estudantes da área de conhecimento de Humanas, seguido por Exatas e por fim Biológicas (BRASIL, 2010). A maioria dos cursos elegíveis para este estudo era do regime integral o que explica o fato dos cursos sorteados serem predominantemente deste regime de estudo. Também houve predomínio, entre os participantes, de estudantes intermediários que, como mostrado acima, eram os que mais estavam presentes em sala de aula do dia da coleta de dados.
A predominância do sexo feminino entre os estudantes que participaram deste estudo também foi observada em outros estudos realizados com universitários de capitais de estados brasileiros (BRASIL, 2010; PEDROSA et al., 2011; SILVA et al., 2006; TEIXEIRA et al., 2010), em Gravataí-RS (MEDEIROS et al., 2012), em Tubarão-SC (SAKAE; PADÃO; JORNADA, 2010) e em quatro universidades da região metropolitana de Porto Alegre-RS (NATIVIDADE et al., 2012). Isso pode ser explicado pela maior proporção de mulheres que
completam o ensino médio (IBGE, 2015). Tal fato também foi observado nos EUA (ARRIA et al., 2011; MCCABE; BOYD; TETER, 2009), na Espanha (ÓRDAS et al., 2015), em Tegucigalpa-Honduras (BUCHANAN; PILLON, 2008) e em Tabriz-Irã (MOHAMMADPOORASL et al., 2014). No entanto, em estudos realizados em Florianópolis- SC (IMAI; COELHO; BASTOS, 2014), em Ouro Preto-MG (NEMER et al., 2013), em Rosario-Argentina (BALLISTRERI; CONRRADI-WEBSTER, 2008) e em Karnataka-Índia (PATIL et al., 2014) houve maior participação de universitários do sexo masculino nas pesquisas.
A maioria dos universitários participantes tinha entre 18 e 23 anos de idade e esta faixa etária foi próxima àquela observada em outras pesquisas realizadas com estudantes universitários brasileiros cuja idade predominantemente encontrada foi de até 24 anos (BRASIL, 2010; IMAI; COELHO; BASTOS, 2014; MADERGAN et al., 2007; PEDROSA et al., 2011; TEIXEIRA et al., 2010). Estes resultados mostram que esta é a faixa etária característica dos estudantes de universidades públicas brasileiras, no entanto, no estudo realizado em uma universidade privada em Gravataí-RS, a média de idade dos estudantes avaliados foi de 31,2 anos (MEDEIROS et al., 2012). Em Tegucigalpa-Honduras, a faixa etária predominante entre os universitários avaliados foi de 20 a 25 anos (BUCHANAN; PILLON, 2008) e em países europeus a faixa etária predominante foi de 21 a 25 anos (MCALANEY et al., 2015).
A maior participação de estudantes que se consideravam caucasóide/branco também foi observada em outros estudos realizados no Brasil (BRASIL, 2010; SANTOS; PEREIRA; SIQUEIRA, 2013) e nos EUA (ARRIA et al., 2011; KILMER et al., 2015; MCCABE; BOYD; TETER, 2009). Assim como observado em estudos brasileiros anteriores (BRASIL, 2010; SANTOS; PEREIRA; SIQUEIRA, 2013; TEIXEIRA et al., 2010) a maioria dos estudantes universitários avaliados pertencia à classe social B1/B2.
A maioria dos estudantes participantes eram católicos, o que também foi observado em outros estudos brasileiros (BRASIL, 2010; GOMES et al., 2013; SANTOS; PEREIRA; SIQUEIRA, 2013) e em Tegucigalpa-Honduras (BUCHANAN; PILLON, 2008). Isso poderia ser explicado porque a religião católica ainda é predominante nesses países (IBGE, 2010). No presente estudo, 45% dos universitários relataram praticar uma religião mais de uma vez por mês. Esta prevalência foi semelhante a observada entre os universitários de todas as capitais de estados brasileiros (46%) (BRASIL, 2010) e entre estudantes de uma universidade pública no município de São Paulo-SP (41%) (SILVA et al., 2006).
A maioria dos universitários deste estudo era solteiro. Isso também foi observado, em outras pesquisas brasileiras (SANTOS; PEREIRA; SIQUEIRA, 2013; SILVA et al., 2006), em Tegucigalpa-Honduras (BUCHANAN; PILLON, 2008) e em Rosario-Argentina (BALLISTRERI; CONRRADI-WEBSTER, 2008). Entre os universitários avaliados neste estudo, assim como entre aqueles de São Paulo-SP (SILVA et al., 2006), de Tabriz-Irã (MOHAMMADPOORASL et al., 2014) e de Rosario-Argentina (BALLISTRERI; CONRRADI-WEBSTER, 2008) houve maior predomínio daqueles que não tinham filhos. Neste estudo, a frequência de universitários casados (7%) e com filhos (5%) foi menor do que a encontrada entre universitários de uma faculdade particular no sul do país (43% e 39%, respectivamente) - (MEDEIROS et al., 2012); e essa diferença pode ser explicada pelo fato dos universitários da presente pesquisa serem mais jovens do que os universitários que participaram daquele referido estudo.
Assim como observado em São Paulo-SP (SILVA et al., 2006) e em Pelotas-RS (RAMIS et al., 2012), a maior parte dos estudantes avaliados relatou morar com os pais/padrastos/outros parentes. No entanto, em Ouro Preto-MG a maioria dos estudantes declarou morar em repúblicas (NEMER et al., 2013) e no sul do Brasil, a maioria dos universitários de uma faculdade particular relatou morar sozinho (MEDEIROS et al., 2012). Em Rosario-Argentina, 78% dos universitários relataram viver com familiares (BALLISTRERI; CONRRADI-WEBSTER, 2008). Nos EUA, 30% dos estudantes moravam no campus universitários e apenas 13% residiam com seus pais (KILMER et al., 2015). Essas diferenças em relação ao tipo de moradia durante o curso de graduação podem ser decorrentes de questões culturais, regionais e/ou socioeconômicas.