• Sonuç bulunamadı

DEĞERLEMESİ YAPILAN PROJELERİN İLGİLİ MEVZUAT UYARINCA GEREKLİ TÜM İZİNLERİNİN

4. BÖLÜM GAYRİMENKUL HAKKINDA GENEL BİLGİLER

4.7 DEĞERLEMESİ YAPILAN PROJELERİN İLGİLİ MEVZUAT UYARINCA GEREKLİ TÜM İZİNLERİNİN

O princípio do duplo grau de jurisdição pode ser expresso na possibilidade da parte pleitear o reexame integral da sentença de primeiro grau que lhe for desfavorável e que esse reexame seja confiado a órgão diverso do que a proferiu e de hierarquia superior na ordem judiciária. Em outras palavras, trata-se do direito fundamental de se recorrer de decisão desfavorável em primeira instância a

69 GOMES, Luiz Flavio. Julgamento do Mensalão no STF pode não valer. Publicado em 25 de setembro de 2012 na Revista Consultor Jurídico. http://www.conjur.com.br/2012-set-25/luiz-flavio- gomes-julgamento-mensalao-stf-nao-valer

um tribunal hierarquicamente superior na administração judiciária, o que comumente se vê refletido no recurso de apelação.

Ada Pellegrini Grinover, Antonio Magalhães Gomes Filho e Antonio Scarance Fernandes detalham como seria essa possibilidade de revisão por jurisdição superior de decisão proferida em jurisdição inferior:

―Chama-se jurisdição inferior aquela exercida pelos juízes que conhecem do processo desde o seu início (competência originária). E denomina-se jurisdição superior a exercida pelos órgãos a que cabem os recursos contra as decisões proferidas pelos juízes inferiores. Essa terminologia, que é corrente, não significa, porém, uma relação de subordinação entre os juízes. Os magistrados são livres para julgar, obedecendo somente à lei e à sua consciência (princípio do livre convencimento)70

‖.

A necessidade de correção de possíveis erros de decisões judiciais é uma preocupação existente desde as civilizações mais remotas, como lembra José Carlos Barbosa Moreira:

―desde tempos remotos têm-se preocupado as legislações em criar expedientes para a correção dos possíveis erros contidos nas decisões judiciais. À conveniência da rápida composição dos litígios, para o pronto restabelecimento da ordem social, contrapõe-se o anseio de garantir, na medida do possível, a conformidade da solução ao direito. Entre essas duas solicitações, até certo ponto antagônicas, procuram os ordenamentos uma via média que não sacrifique, além do limite razoável, a segurança à justiça, ou esta àquela71

‖. No Direito Grego já se podia falar em duplo grau de jurisdição em algumas situações, como nos recursos endereçados ao Tribunal dos Heliastas, guardadas as devidas proporções, já que os gregos não desenvolveram a noção de direitos individuais72.

No Direito Romano, na época da República (510 a 27 a.C.), a organização administrativa era composta pelo Senado, pelas Assembleias do Povo

70 GRINOVER, Ada Pellegrini; GOMES FILHO, Antonio Magalhães; e FERNANDES, Antonio Scarance. Recursos no Processo Penal. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1996, p. 27.

71 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Comentários ao Código de Processo Civil. 5. ed. rev. atual. Rio de Janeiro: Forense, 1993. v. 6. p. 204.

72 Cf. LIMA, Carolina Alves de Souza. O princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. São Paulo: Manole, 2004. p. 24.

e pela Magistratura. Quando um cidadão romano tivesse uma decisão da magistratura que lhe fosse desfavorável, poderia recorrer à Assembleia do Povo, para reexame da decisão: provocatio ad populum.

No entanto, foi somente durante o Principado Romano (27 a 284 d.C), com o instituto da appellatio, no período da cognitio extraordinaria, que o recurso surge como direito subjetivo do vencido de provocar o reexame da sentença e se consolida definitivamente no direito romano:

―Evidentemente foram os próprios romanos que, sentindo a necessidade de haver novo julgamento sobre a causa já decidida, instituíram o duplo grau no principado, após o período inicial do procedimento no direito romano clássico, onde era negado o exercício do direito de recorrer73

‖.

Em estudo histórico do Direito Romano, Oreste Nestor de Souza Laspro afirma que, no início, não havia recursos, mas somente formas de impugnação de decisões judiciais, entre elas a intercessio, infitiatio, revocatio in duplum e a restitutio in integrum. A appellatio somente surgiria na terceira fase do processo romano, consistindo num típico "instituto imperial", como manifestação de fortalecimento dos poderes do príncipe:

―Dentre as modificações sofridas pelo direito processual, destaca-se a possibilidade de se recorrer da decisão do magistrado para princeps, com base no poder imperial e prestígio pessoal por ele mantidos. Esse recurso, se tinha também como finalidade garantir ao povo a possibilidade de revisão das decisões, com uma tutela eficaz de seus direitos, concentrava uma relevância política fundamental, na medida em que, por meio dele, os imperadores afirmavam e estendiam a aplicação das leis imperiais e garantiam um controle cada vez maior sobre toda a estrutura administrativa romana74

‖.

É o que se extrai também dos ensinamentos de Silvanio Covas, que acrescenta que ―a princípio, o julgamento da appellatio era exercido pelo próprio imperador que, com o passar do tempo, delegou tal função a funcionários do estado

73 NERY JÚNIOR, Nelson. Teoria Geral dos Recursos. 6ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004. p. 38.

74 LASPRO, Oreste Nestor de Souza, Duplo grau de jurisdição no direito processual civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995, p. 41.

devidamente investidos de jurisdição, que passaram a ser chamados de magistrados75‖.

Nesse sentido, interessante o resgate histórico do recurso no direito romano, realizado por Thicianna da Costa Porto Araujo:

―No que interessa à análise que se inicia, foi o período da cognitio extra ordinem que marcou o aparecimento da apelação recebida com efeito suspensivo, como forma de impugnação das sentenças definitivas, instituído o preparo como condição de admissibilidade recursal.

Costuma-se admitir que o nascimento do sistema recursal no Império Romano deveu-se mais a uma inspiração hierárquico-autoritária que à preocupação com a garantia de Justiça, visto que a aplicação das leis pelo imperador, que inicialmente constituía a instância recursal, garantia-lhe um enorme controle sobre toda a sociedade, em face da inegável concentração de poder que representava.

A posteriori, a evolução do próprio Direito romano encarregou-se de atribuir a responsabilidade pelo julgamento dos recursos a outros juízes que não os prolatores das sentenças impugnadas.

Duas características do sistema recursal romano cumpre ressaltar para o que interessa à análise em questão: primeira, não só o duplo grau de jurisdição restava garantido a partir do estabelecimento da justiça pública em Roma, como também a pluralidade de instâncias, o que permitia à parte apresentar mais de uma apelação; e, segunda, a existência de limitações ao direito de recorrer em razão do grau hierárquico do prolator da sentença76

‖.

Moacyr Amaral Santos destacou as características fundamentais do período da cognitio extraordinaria, ressaltando a possibilidade de interposição de recursos contra a sentença no Império Romano:

―a) desenvolvia-se todo perante o juiz, suprimida a divisão do procedimento em duas fases, como o era no período formulário; b) aplicação da escrita: escritos eram o libellus conventionis, o libellus contradictionis, ou libellus responsionis, a litis denuntiatio, a sententia; c) a citação (litis denuntiatio) fazia-se por meio de funcionário do Estado, auxiliar da justiça; d) possibilidade da instauração e prosseguimento do processo à revelia do réu: uma vez citado, o não- atendimento do réu à convocação judicial não impedia a instauração e o desenvolvimento da instância; e) a litiscontestatio, não mais com o sentido que

75 COVAS, Silvânio. O duplo grau de jurisdição. In: ALVIM, Eduardo Pellegrini de Arruda, NERY JUNIOR, Nelson, WAMBIER, Teresa Arruda Alvim (Coord.). Aspectos polêmicos e atuais dos

recursos. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000.

76 ARAUJO, Thicianna da Costa Porto. O princípio do duplo grau de jurisdição. Artigo publicado na Revista Âmbito Jurídico, Acesso em 18/08/2013, no endereço eletrônico http://www.ambito- juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=5030.

tinha no procedimento formulário, mas apenas correspondendo ao momento em que se encerrava a fase postulatória, ou seja, aquela em que o autor formula o seu pedido e o réu oferece sua defesa; f) força autoritária da sentença, por provir de uma autoridade do Estado; g) admissibilidade de interposição de recursos contra a sentença; h) execução da sentença por via de medidas coativas do Estado, penhorando-se bens do vencido suficientes para garantia da execução (pignus in causa iudicati captum)77

‖.

Na Idade Média, o sistema recursal romano começou a se aperfeiçoar, principalmente sob a influência do direito canônico, que generalizou a recorribilidade das sentenças à medida em que os senhores feudais iam sendo submetidos à autoridade dos reis:

―No Direito Canônico, que evoluiu a partir do Direito Romano e paralelamente ao Direito Germânico, perduraram os recursos do Direito Romano. E, tanto por influência da Igreja como pelo fortalecimento do poder dos reis, generalizou-se em toda a Europa o emprego da apelação ao monarca contra os abusos dos senhores feudais ou dos magistrados locais. Multiplicaram-se pouco a pouco as vias impugnativas, a ponto de o processo civil se tornar tormentoso e quase infindável e as custas aumentarem, enriquecendo os juízes e tornando os cargos judiciários objeto de comércio78

‖.

Ainda segundo Moacyr Amaral Santos, os recursos acabaram se tornando fonte de enriquecimento para os magistrados, perdendo um pouco o sentido de justiça que justificaria sua existência, conforme explicado abaixo:

―Criaram-se juízes proprietários dos cargos, e esses, praticamente, se transformaram em proprietários da função judiciária. À irrecorribilidade das sentenças se substituiu a recorribilidade da generalidade das decisões, até de simples despachos, multiplicando-se os graus de jurisdição e, em conseqüência, os recursos. O sistema propiciava aos juízes o crescimento de suas rendas. Desmereceu-se a justiça, tornada objeto de comércio durante largos séculos‖. Foi somente a partir da Revolução Francesa que se começou uma revisão do sistema recursal que era praticado até então com base no direito romano, para se chegar ao princípio do duplo grau de jurisdição tal como o conhecemos hoje, conforme se pode extrair das lições de Pontes de Miranda:

77 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2001a. v. 3. p. 44.

78 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2001a. v. 3. p. 81.

―Enquanto a justiça era diretamente administrada pelo povo, ou pelo rei, a regra era a instância única. Nos primórdios, desconhecia-se a pluralidade das instâncias. Mas, depois, quando se tirou do povo, ou do rei, a função judiciária, introduziu-se a tendência a submeter-se a reexame, devido à possibilidade de erro ou de má-fé, a sentença judicial. Compreende-se que, primeiro, se desse tal função ao próprio rei, ou ao povo. A aparição da pluralidade de instâncias foi seguida por lenta e pertinaz investigação da melhor técnica para a composição dos tribunais e, conseqüência, da admissão dos recursos e do processo dos recursos. Na Revolução Francesa, o princípio do duplo grau de jurisdição apareceu como firmado79

‖.

Devido aos abusos cometidos com a generalização dos recursos na Idade Média, a Assembleia Constituinte Francesa chegou a debater a possibilidade inclusive de suprimi-los. Felizmente, ao final dos debates, prevaleceu o duplo grau de jurisdição como uma garantia fundamental do jurisdicionado, conforme bem recorda Nelson Nery Júnior:

―Quando se estabelece nova ordem jurídica em determinada sociedade, a preocupação dos que assumem o poder é extirpar todo e qualquer resquício restante da ordem jurídica anterior. Foi nesse clima que, imediatamente após a revolução francesa, os então novos detentores do poder viam no recurso forma de elitismo, onde os juízes dos tribunais superiores seriam uma espécie de casta com poderes de mando sobre os magistrados de primeiro grau.

Os opositores do duplo grau já assim se manifestavam quando da Assembleia Nacional Constituinte instalada logo em seguida à Revolução Francesa. No entanto, o Decreto de 1.5.1790 assegurou-o, prevendo recursos contra as sentenças dos juízes de primeiro grau, o que ficou definitivamente estabelecido na grande lei sobre a organização judiciária, de 16-24 de agosto de 1790.

No calor dos debates revolucionários, foi dado a lume o ato constitucional de 24.6.1793, que atendendo à ideia então tida como liberal, estabeleceu em seu art. 87 que as decisões da justiça civil eram definitivas, sem o cabimento de qualquer tipo de recurso ou reclamação. Nada obstante, esse mesmo ato constitucional de 1793 previa apenas a cassação que, na verdade, não tinha o poder de reformar as decisões judiciais, mas tão-somente de revogá-las (art. 99), a fim de que, cassada a decisão, os autos fossem devolvidos para que o juiz de primeiro grau outra pronunciasse em seu lugar.

Felizmente a rebeldia dos revolucionários, neste particular, ficou vencida pelo bom senso e pela Constituição francesa de 22.8.1795 (Constitution Du 5 Fructidor na III) (arts. 211, 218, 219), que restabeleceu o duplo grau de jurisdição vigente até o dias de hoje, tanto em França como na maioria dos países ocidentais80

‖.

79 PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Comentários ao Código de Processo Civil. 7. ed. São Paulo: Forense, 1975. p. 19.

80 NERY JÚNIOR, Nelson. Teoria Geral dos Recursos. 6ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004. p. 38.

Assim, embora no início da Revolução Francesa tenha ocorrido uma tentativa de abolição do princípio do duplo grau de jurisdição, os debates em torno dele e a decisão final de referendá-lo serviram para fortalecê-lo e consolidá-lo como uma garantia fundamental do jurisdicionado em face dos abusos e das injustiças eventuais das decisões em um primeiro momento.

Desde então, o conceito de duplo grau de jurisdição como um direito fundamental do homem se firmou definitivamente no mundo ocidental, inclusive em Portugal. O Brasil, de colonização portuguesa, até sua independência, regeu-se pelas ordenações lusitanas, inicialmente submetendo a revisão das decisões monocráticas às Casas de Suplicação em Portugal, e posteriormente contando com Cortes de Justiça locais, responsáveis pela revisão das sentenças dos magistrados de primeiro grau:

―Para diminuir os poderes dos ouvidores no Brasil, decidiu Filipe II, como monarca da União Ibérica de Portugal e Espanha, dar à Justiça na colônia um órgão colegiado, instituindo, assim, um Tribunal de Relação no Brasil. Essa é a origem da Relação da Bahia, criada em 1587, mas instalada efetivamente apenas em 1609. Como a nova forma de administração colegiada da Justiça feria os interesses dos governadores-gerais, que tinham maior controle sobre os ouvidores, conseguiram estes a supressão da Relação em 1626. No entanto, a colegialidade já era uma conquista irreversível como elemento de segurança do jurisdicionado na revisão dos julgados singulares. Assim, em 1652 é reinstalada a Relação da Bahia, como Corte Superior Brasileira81

‖.

Com a primeira Constituição Imperial do Brasil, de 25 de março de 1824, o duplo grau de jurisdição foi incorporado definitivamente ao direito brasileiro como direito fundamental dos cidadãos, conforme se verifica da leitura do artigo 158 daquela Constituição:

―Art. 158. Para julgar as causas em segunda e última instância haverá nas Províncias do Império as Relações que forem necessárias para comodidade dos Povos82

‖.

81 MARTINS FILHO, Ives Gandra da Silva. Evolução Histórica da Estrutura Judiciária Brasileira. Revista Jurídica Virtual do Palácio do Planalto. Brasília, vol. 1, n. 5, Setembro 1999. Acesso em 19/08/2013. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_05/evol_historica.htm

82 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao24.htm Acesso em 04/05/2013.

Desta forma, como se extrai do acima exposto, o Brasil conhece o duplo grau de jurisdição desde os tempos de colônia e a incorporação desse princípio como garantia fundamental se deu de forma natural logo na primeira constituição pós-declaração de sua independência.

Não poderia ser diferente no sistema atual. O princípio do duplo grau de jurisdição, na Constituição Brasileira de 1988, pode ser extraído do rol das garantias fundamentais prescritas no artigo 5º, in verbis:

―Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

(...)

2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.

§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais83

‖.

Além de ser decorrência natural do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, conforme entendimento da doutrina e jurisprudência dominantes, o princípio do duplo grau de jurisdição foi expressamente referendado como um direito fundamental pelo Brasil, quando da publicação do Decreto nº 678, de 06.11.1992, que incorporou à Constituição Brasileira, com natureza de emenda constitucional, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), de 22.11.1969, que assegura a toda pessoa o “direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior84”.

83 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm Acesso em 04/05/2013

84 Pacto de São José da Costa Rica - ―Artigo 8º - Garantias Judiciais: 1)Toda pessoa terá o direito de

ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer

Nas lições de Carolina Alves de Souza Lima:

―O duplo grau de jurisdição é, no sistema jurídico brasileiro, uma garantia constitucional. Ele decorre do princípio do devido processo legal, do princípio da ampla defesa e da própria organização constitucional dos tribunais brasileiros. A legislação infraconstitucional também trata o princípio do duplo grau de jurisdição. Os códigos de processo civil e de processo penal, a consolidação das leis do trabalho, as leis extravagantes e as leis que cuidam da organização judiciária preveem o referido princípio85

‖.

O próprio Ministro Joaquim Barbosa reconheceu a hierarquia constitucional do duplo grau de jurisdição, em voto proferido no AI 601.832 – AgR /SP86, embora não tenha admitido que tal princípio seja absoluto, como não reconhece que nenhuma garantia constitucional o seja, pois, segundo seu entendimento, todas sofrem limitações impostas pelo próprio texto da Constituição. De todo modo, vale transcrever os seguintes trechos de seu voto:

acusação penal formulada contra ela, ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. 2)Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas: (...) h) direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior‖.

85 LIMA, Carolina Alves de Souza. O princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. São Paulo: Manole, 2004. p. 5.

86 EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL PENAL. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ARTIGO 5°, PARÁGRAFOS 1° E 3°, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO E CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. EMENDA CONSTITUCIONAL 45/04. GARANTIA QUE NÃO É ABSOLUTA E DEVE SE COMPATIBILIZAR COM AS EXCEÇÕES PREVISTAS NO PRÓPRIO TEXTO CONSTITUCIONAL. PRECEDENTE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IGUALDADE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. Agravo que pretende exame do recurso extraordinário no qual se busca viabilizar a interposição de recurso inominado, com efeito de apelação, de decisão condenatória proferida por Tribunal Regional Federal, em sede de competência criminal originária. 2. A Emenda Constitucional 45/04 atribuiu aos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, desde que aprovados na forma prevista no § 3º do art. 5º da Constituição Federal, hierarquia constitucional. 3. Contudo, não obstante o fato de que o princípio do duplo grau de jurisdição previsto na Convenção Americana de Direitos Humanos tenha sido internalizado no direito doméstico brasileiro, isto não significa que esse princípio revista-se de natureza absoluta. 4. A própria Constituição Federal estabelece exceções ao princípio do duplo grau de jurisdição. Não procede, assim, a tese de que a Emenda Constitucional 45/04 introduziu na Constituição uma nova modalidade de recurso inominado, de modo a conferir eficácia ao duplo grau de jurisdição. 5. Alegação de violação ao princípio da igualdade que se repele porque o agravante, na condição de magistrado, possui foro por prerrogativa de função e, por conseguinte, não