4. BÖLÜM GAYRİMENKUL HAKKINDA GENEL BİLGİLER
5.13 DEĞERLEMEDE ESAS ALINAN BENZER SATIŞ ÖRNEKLERİNİN TANIM VE SATIŞ BEDELLERİ
Indiscutivelmente, a promulgação da Constituição de 1988 inaugura uma nova era no constitucionalismo brasileiro. Nesse sentido, afirma Barroso:
Sob a Constituição de 1988, o direito constitucional no Brasil passou da desimportância ao apogeu, em menos de uma
41Nesse sentido, o autor afirma que “nos últimos anos, o Supremo não apenas vem exercendo a função de
órgão de ‘proteção de regras’ constitucionais, face aos potenciais ataques do sistema político, como também vem exercendo, ainda que subsidiariamente, a função de ‘criação de regras’; logo, o Supremo estaria acumulando exercício de autoridade, inerente a qualquer intérprete constitucional, com exercício de poder. Esta última atribuição, dentro de um sistema democrático, deveria ficar reservada a órgãos representativos, pois quem exerce poder em uma república deve sempre estar submetido a controles de natureza democrática” (VIEIRA, Oscar Vilhena. Supremocracia. Revista Direito GV vol. 4, nº 2. Julho/dezembro de 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808- 24322008000200005>. Acesso em 10.08.2015). O autor já sustentara alhures (Supremocracia: vícios e
virtudes republicanas, Jornal Valor Econômico, edição de 06.11.2007) que a “questão fundamental é saber
até quando o STF poderá suportar esta enorme pressão decorrente da incapacidade de nosso sistema político de deliberar dentro de parâmetros legais e racionais. Como a função de interpretar a Constituição é em grande medida política, dada as ambiguidades e a alta carga de valores morais abrigada pelo texto constitucional, corre-se o risco de um processo de fadiga, que leve ao esgarçamento da preciosa autoridade do STF”.
geração. Uma Constituição não é só técnica. Tem de haver, por trás dela, a capacidade de simbolizar conquistas e de mobilizar o imaginário das pessoas para novos avanços. O surgimento de um
sentimento constitucional no país é algo que merece ser
celebrado. Trata-se de um sentimento ainda tímido, mas real e sincero, de maior respeito pela Lei Maior, a despeito da volubilidade de seu texto. É um grande progresso. Superamos a crônica indiferença que, historicamente, se manteve em relação à Constituição. E, para os que sabem, é a indiferença, não o ódio, o contrário do amor.42
A Constituição de 1988 não foi apelidada por Ulysses Guimarães de “Constituição cidadã” à toa. Dentre todas as que marcaram a história constitucional brasileira, é a Constituição que mais garante direitos aos cidadãos e, mais do que isso, confere instrumentos aptos à garantia desses direitos. O mandado de injunção, o mandado de segurança coletivo, o habeas data, dentre uma série de outros direitos e garantias, evidenciam a tônica da atual Constituição brasileira, calcada sobretudo nos direitos humanos e no princípio da dignidade da pessoa humana.
No que tange ao controle de constitucionalidade, o rol dos legitimados foi substancialmente ampliado, nele sendo incluídas instituições representantes da própria sociedade (e não mais, nesse aspecto, apenas os partidos políticos como representantes do povo). A arguição de descumprimento de preceito fundamental e a ação declaratória de constitucionalidade, bem como as leis regulamentadoras dos chamados processos objetivos (as Leis nº 9.756/98, 9.868/99 e 9.882/99), aproximam a sociedade do processo de controle de constitucionalidade. A possibilidade da interferência do amicus curiae nos processos objetivos e a possibilidade da realização de audiências públicas são outros meios de concretizar essa aproximação.
A tudo isso há de se somar o fato de que as mais recentes composições do Supremo Tribunal Federal têm adotado uma postura maximalista em relação ao texto constitucional, colocando o Supremo não como aplicador da lei, e sim como aplicador – e por vezes até mesmo criador – do direito. Nesse sentido, a Corte tem alterado entendimentos consolidados durante anos, inovando significativamente – e essa inovação tem reflexos não apenas no Judiciário, mas também em todas as esferas do Poder Público.
Por outro lado, o STF tem adotado uma postura de maior aproximação da sociedade, evitando o isolamento e buscando uma maior proximidade com o conceito de sociedade aberta dos intérpretes da Constituição, de Peter Häberle43.
Diante de tais circunstâncias, é lícito afirmar que o sentido do texto constitucional, na forma como vem sendo construído pelo Supremo Tribunal Federal ao longo dos últimos anos, há de se manter em constante mutabilidade. Não se vislumbra um ponto de chegada a ser atingido pelo Supremo na interpretação da Constituição, e nem parece ser esta a intenção da Corte. Nem poderia ser de outro modo, tendo em vista a própria natureza da Constituição de 1988, que, como marco da redemocratização, buscou abrigar direitos e interesses de diversos matizes e setores da sociedade, tornando a Constituição uma carta de compromisso e de convergência desses interesses. Mais do que isso, o amplo rol de direitos fundamentais (inclusive sociais) e de normas programáticas e principiológicas torna a Constituição um ponto de partida para a atuação dos Poderes Públicos, e não um ponto de chegada. O princípio democrático que exsurge do texto constitucional, assim, busca garantir a todos os membros da sociedade a possibilidade de buscar suas finalidades pessoais, estabelecendo, no seio de uma sociedade plural, as bases de uma vida comum na qual as mais diversas potencialidades individuais possam ser buscadas e realizadas.
A tarefa do Supremo Tribunal Federal, no sentido de harmonizar todos esses direitos e interesses, nem sempre coincidentes e não raro conflitantes entre si, se revela bastante complexa e evidencia a necessidade do emprego de sofisticadas técnicas argumentativas, as quais por vezes levam a uma atividade intensamente criativa no campo hermenêutico.
Convém, no entanto, analisar com maior proximidade os aspectos desse “novo Tribunal” que se apresenta à sociedade.
Conforme afirmado, as mais recentes composições do Supremo Tribunal Federal, ancoradas nos preceitos do novo constitucionalismo e as mais modernas técnicas de hermenêutica constitucional, vêm dando soluções inovadoras a questões que até então recebiam respostas juridicamente mais ortodoxas.
43 “A análise até aqui desenvolvida demonstra que a interpretação constitucional não é um ‘evento
exclusivamente estatal’, seja do ponto de vista teórico, seja do ponto de vista prático. A esse processo tem acesso potencialmente todas as forças da comunidade política” (HÄBERLE, Peter. Hermenêutica
constitucional – a sociedade aberta dos intérpretes da constituição: contribuição para a interpretação pluralista e “procedimental” da constituição. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editor, 2002, p. 23.
A intenção da Corte é clara nesse sentido: o Supremo vem buscando se afirmar como verdadeiro ator social, buscando se afastar da vetusta ideia de “boca da lei” que norteia a conduta do Judiciário desde os tempos de Montesquieu.
A adoção de um maior protagonismo frente a tais questões tem suscitado críticas por conta de um eventualmente acerbado “ativismo judicial” – expressão bastante em voga, mas amiúde empregada com sentidos diversos – que, por vezes, resvala no princípio da Separação de Poderes44.
Certo é, no entanto, que a atual postura do Supremo tem dado concreção a uma série de dispositivos constitucionais cuja eficácia vinha sendo nulificada justamente por conta da conduta de seus destinatários (os poderes públicos a quem a Constituição impôs deveres a ser cumpridos em benefício da sociedade), que não se sentiam efetivamente obrigados a lhes dar cumprimento.
É evidente que essa conduta mais ativa por parte do Supremo, se resolve uma série de problemas, suscita diversas outras questões. Nada há de novo em tal situação. Sendo forçosamente dialéticas as forças sociais que se entrechocam no cotidiano de sociedades complexas, sendo multifacetados os interesses e conflitos daí decorrentes, não surpreende que a criação do direito, ainda que sobre uma base relativamente estável – a Constituição – se apresente como fenômeno em constante mutação.
A análise de algumas situações concretas evidencia o quanto a hermenêutica constitucional evoluiu nos últimos anos, bem como a complexidade das questões que decorrem de tal situação. Citem-se, à guisa de exemplo, as decisões proferidas nos julgamentos do Habeas Corpus nº 82.959, dos Mandados de Injunção ns. 670, 708 e 712 e do Recurso Extraordinário nº 197.917.
No julgamento do Habea corpus nº 82.959, em fevereiro de 2006, a Corte alterou entendimento sustentado durante dezesseis anos, relativo à constitucionalidade do § 1º do artigo 2º da Lei dos Crimes Hediondos, que, à época, previa a integralidade do regime fechado para o cumprimento das penas
44Tal fenômeno decorre da chamada “politização do Judiciário” ou “judicialização da política”, consistente
na circunstância de o Poder Judiciário, chamado a suprir a inércia dos Poderes Legislativo e Executivo na área das políticas públicas, especial no que concerne à concretização de direitos fundamentais, o que leva, por vezes, à substituição da discricionariedade do legislador e do administrador público pela discricionariedade do julgador na escolha dos rumos que as aludidas políticas públicas devem seguir, o que implicaria, para os aludidos críticos, uma violação ao princípio da separação de Poderes.
aplicadas em decorrência de crimes hediondos e assemelhados. O Supremo passou a entender que o regime integral fechado consubstancia uma violação do princípio constitucional da individualização da pena, sendo, portanto, inconstitucional.
A partir de março de 2006, as duas Turmas do Supremo passaram a julgar monocraticamente os habeas corpus referentes à mesma matéria, julgando procedentes inclusive diversas Reclamações interpostas em razão de entendimentos dissonantes por parte de instâncias inferiores – malgrado não tenha sido atribuída à decisão efeito erga omnes.
Como consequência da pacificação desse entendimento, que gerou uma distorção – todos os crimes, hediondos ou não passaram a ter a progressão de regime em patamares idênticos, a saber, um sexto do cumprimento da pena – o Congresso Nacional alterou a Lei dos Crimes Hediondos, acatando o entendimento do STF, mas determinando, por outro lado, que a progressão do regime no caso dos crimes hediondos tivesse um patamar mais severo do que a prevista para os crimes comuns.
No que concerne ao julgamento conjunto dos Mandados de Injunção ns. 670, 708 e 712, concluído em 25 de outubro de 2007, a decisão proferida de modo uniforme para as três ações implicou uma substancial alteração no que tange ao entendimento até então vigente no Supremo Tribunal Federal quanto aos efeitos da decisão proferida em ações dessa natureza.
Até então, o Supremo acolhia a tese de que, em relação às omissões do Poder Público, a decisão tinha o único efeito de declarar a mora inconstitucional do ente omisso, eventualmente notificando o ente acerca de sua inércia.
A postura do STF sempre foi severamente criticada pela doutrina, a ponto de José Afonso da Silva afirmar que interpretação dada pelo Supremo ao mandado de injunção “praticamente o torna sem sentido ou, pelo menos, muitíssimo esvaziado”45.
A partir das considerações do Ministro Eros Roberto Grau, de que a ideia de “separação de Poderes” na verdade corresponde à de “divisão de funções”, sendo que o Judiciário, assim como o Legislativo e o Executivo, é dotado de uma
45 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 37ª ed. São Paulo: Malheiros, 2014, p.
função normativa constitucionalmente atribuída46, o Supremo, em decisão polêmica que ainda hoje é alvo de questionamentos doutrinários, supriu a omissão do ente federal, que não criara legislação infraconstitucional específica reguladora da greve dos funcionários públicos, passando a valer a decisão proferida nos supracitados mandados de injunção como se legislação
efetivamente fosse, até que sobrevenha a legislação supridora da mora
inconstitucional do ente federativo em questão47.
Finalmente, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 197.917, em junho de 2002, o Supremo, ao tratar da questão da redução do número de vereadores no Município de Mira Estrela, acolheu o argumento invocado pelo Ministro Gilmar Mendes, no sentido de que “se o STF declarar a inconstitucionalidade restrita, sem qualquer ressalva, essa decisão afeta os demais processos com pedidos idênticos pendentes de decisão nas diversas instâncias”48, dando efeito
transcendente aos motivos determinantes subjacentes à decisão declaratória de inconstitucionalidade.
Assim, embora tal julgamento tenha se dado em sede de controle difuso de constitucionalidade, o STF, visando suprir lacuna no texto constitucional acerca do número mínimo e máximo de vereadores por cidade, elaborou uma verdadeira norma geral, válida para todos os municípios do país, traçando um parâmetro aritmético que estabelece uma relação entre o número de habitantes de cada município e os respectivos números mínimo e máximo de vereadores.
Tal decisão consubstancia inequívoca norma geral, expressão da função
normativa a que se refere Eros Grau, proferida em sede de controle difuso,
representando, por conseguinte, expressiva inovação hermenêutica.
46 GRAU, Eros Roberto. O direito posto e o direito pressuposto. 3ª ed. São Paulo: Malheiros, 2000. Afirma o
autor: “A separação dos poderes constitui um dos mitos mais eficazes do Estado liberal (...) o Legislativo não é titular de monopólio senão da função legislativa, parcela da função normativa, e não de toda esta, como a recepção irrefletida da teoria da ‘separação dos poderes’, à primeira vista, indica. (...). Logo, quando o Executivo e o Judiciário emanam atos normativos de caráter não legislativo (...) não o fazem no exercício de função legislativa, mas sim no desenvolvimento de função normativa.” (p. 225, 244 e 248).
47 Em termos doutrinários, pode-se afirmar que, até 25.10.2007, o STF adotava a posição não concretista
em relação aos efeitos da decisão no mandado de injunção, passando, a partir de então, a adotar a posição
concretista geral direta. A crítica feita a essa mudança de paradigma, a nosso ver procedente, se dá no
sentido de que, entre esses dois extremos, há outras posições acerca dos efeitos da decisão no mandado de injunção (concretista individual, concretista indireta etc.) que não implicariam o verdadeiro exercício
legiferante por parte do Supremo, que pode ser constatado na aludida decisão.
48 Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginador/paginador.jsp?docTP=AC&docID=235847>, acesso em
Inúmeros outros exemplos poderiam ser invocados, mas os já apontados são mais que suficientes para demonstrar uma radical transformação no papel que o Supremo vem desempenhando na sociedade ao longo dos últimos anos.
O cotejo do atual desempenho do STF com sua postura desde sua criação torna clara uma evolução vertiginosa – evolução esta que, como já afirmado, parece não ter a pretensão de alcançar um ponto de definitividade (nem a Constituição de 1988 o permitiria, por sua própria natureza), mas de permanecer numa construção contínua, em constante evolução, mantendo o sentido da Constituição sempre atualizado.
2.3 A influência do direito internacional no direito nacional – o