B- İHTİRAZİ KAYITLA BEYANNAMENİN VERİLMESİNDE USUL
II. DAVA AÇMA SÜRESİ
Do ponto de vista do sujeito falante, “descrever corresponde a uma atividade de linguagem que, embora se oponha às duas outras atividades – contar e argumentar – combina-se com elas” (CHARAUDEAU, 2008, p. 111). Primeiro, porque contar consiste em expor o que é da ordem da experiência, explica o autor. Ou seja, quem conta um fato, o faz testemunhando a sua experiência. E, segundo, porque, ao descrever, esse alguém que está contando um fato demonstra relações, identifica e qualifica os seres.
Em função desta aproximação e desta característica, o Modo de Organização Descritivo conta com três tipos de componentes, que são, ao mesmo tempo, autônomos e indissociáveis: nomear, localizar-situar e qualificar. Por sinal, complementa o autor, são os mesmos componentes que constituem a base da identidade civil. Na sequência, então, são apresentadas as funções básicas de cada um destes componentes:
a) nomear: o ato de nomear é dar existência a um ser, é o resultado de uma operação que consiste em fazer existir seres significantes no mundo, ao classificá-los. Porém, não é um simples processo de etiquetagem, pois só podem ser identificados aqueles seres cuja existência se verifica por meio de consensos, legitimados por códigos sociais;
b) localizar-situar: significa determinar o lugar que o ser ocupa no espaço e no tempo e, também, para atribuir características a este ser, na medida em que a sua existência, a sua função e a sua razão de ser dependem de sua posição espaço-temporal;
c) qualificar: embora nomear seja uma maneira de atribuir uma qualidade a um ser, a função de qualificar é uma tentativa de reduzir a infinidade do mundo, construindo classes e subclasses de seres. Ou seja, a qualificação atribui um sentido particular aos seres (CHARAUDEAU, 2008).
Estes três componentes do princípio de organização, prossegue o autor, são acionados a partir de determinados procedimentos discursivos. O nomear suscita procedimentos de identificação, que consistem em fazer existir os seres do mundo. Estes seres podem ser representados por nomes comuns, que os identificam de forma genérica; por nomes próprios, que os identificam de maneira específica; ou, ainda, em função de suas qualidades, identificando-os, assim, em subgrupos e por caracterização identificatória.
Já o localizar suscita procedimentos de construção objetiva do mundo, que consistem em construir uma visão de verdade sobre o mundo, que pode ser comprovado por qualquer outro sujeito além do sujeito falante. Enquanto que o qualificar suscita tanto procedimentos de construção objetiva, como subjetiva do mundo, pois permite que o sujeito falante descreva os seres do mundo e seus comportamentos através da sua própria visão. Ou seja, não é, necessariamente, verificável.
De acordo com Charaudeau (2008), os componentes da organização descritiva também podem ser classificados segundo os procedimentos linguísticos. Para nomear, os procedimentos linguísticos são: a denominação, feita através de nomes comuns ou próprios; a indeterminação, utilizada nos casos de atemporalidade e em lugares não identificados; a atualização, que permite, com o uso de artigos, produzir efeitos discursivos de singularidade, familiaridade ou evidência; a dependência, que utiliza pronomes possessivos para produzir efeitos discursivos de apreciação; a designação, que utiliza pronomes demonstrativos para produzir efeitos de tipificação; a quantificação, que se vale de quantificadores para produzir efeitos discursivos de subjetividade; e a enumeração, que permite fazer listas de qualidades, lugares e ações.
O autor define, ainda, os procedimentos linguísticos para localizar-situar, que, no caso, podem ser aqueles que identificam, com total precisão, os lugares e épocas; ou aqueles sem uma identificação em particular. Por fim, Charaudeau (2008) apresenta os procedimentos linguísticos para qualificar, que se dividem em acumulação de detalhes e precisões, para produzir um efeito de coerência realista; e na utilização de analogias, que permitem comparar ou fazer alguma correspondência de sentido.
Além destes procedimentos linguísticos e discursivos, o modo de organização descritivo oferece ao sujeito falante, também, a possibilidade de utilizar uma série de categorias de encenação descritiva, para produzir os efeitos de sentido pretendidos. Entretanto, a simples intenção do locutor não basta, pois o leitor real pode nem perceber estes efeitos. São eles: o efeito de saber, quando o descritor constrói uma imagem de alguém que sabe aquilo que, presumivelmente, o sujeito leitor não conhece; o efeito de realidade e de ficção, quando o descritor utiliza textos pertencentes ao gênero fantástico; o efeito de confidência, quando o descritor exprime a sua apreciação pessoal, em geral, através de dispositivos como parênteses, reflexões, comparações, etc.; e o efeito de gênero, quando o descritor utiliza, repetidamente, características de linguagem de um determinado gênero (CHARAUDEAU, 2008).
Juntamente com estas categorias, para, também, criar uma encenação descritiva, podem ser utilizados procedimentos de composição, afirma o autor. São procedimentos que dizem respeito à extensão de uma descrição, sobre a sua disposição gráfica ou sobre sua ordenação. Em relação à extensão descritiva, o locutor deve levar em consideração que um texto não se restringe a sua dimensão total, ele pode estender-se conforme a vontade deste sujeito falante, para produzir os efeitos desejados. Em sua encenação descritiva, o locutor decidirá a extensão do texto conforme a quantidade de informações que ele deseje transmitir, do gênero que ele utilizará para contar e dramatizar o seu relato e, ainda, dos argumentos que ele precisará usar.
No que se refere à composição gráfica e ao ordenamento interno dos elementos, ainda que Charaudeau (2008) aborde estas questões, é importante lembrar que elas já foram tratadas a partir dos estudos de Pèninou (1976), no capítulo anterior, a respeito das tipologias visuais. Embora sejam abordagens distintas entre si, do ponto de vista metodológico, são campos teóricos que acabam se complementando.