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B- İHTİRAZİ KAYITLA BEYANNAMENİN VERİLMESİNDE USUL

IV. MÜKELLEFLERİN İHTİRAZİ KAYITLA BEYANNAME VERME

Antes de qualquer coisa, é importante compreender o que seja enunciar. Segundo Charaudeau (2008), o verbo contém certa ambiguidade, uma vez que pode referir-se à totalidade de um ato de linguagem, como sinônimo de expor, formular e exprimir, ao enunciar leis e princípios, por exemplo. Porém, no âmbito da Análise de Discurso, o verbo se refere, também, ao fenômeno de organizar as categorias da língua, ordenando-as de maneira que situe a posição que o sujeito falante ocupa em relação ao interlocutor.

Isso permite, conforme o autor, distinguir as três funções do Modo Enunciativo, que são o alocutivo, o elocutivo e o delocutivo. Cada um destes componentes da construção enunciativa, por sua vez, possui procedimentos linguísticos próprios, que deixam claros os diferentes tipos de relações do ato enunciativo. Charaudeau (2008) classifica estes procedimentos de modalidades ou de categorias modais. A seguir, então, procura-se apresentar os componentes e suas categorias, de acordo com a visão do autor:

a) modalidades alocutivas: cumprem a função de estabelecer uma relação de influência entre o locutor e o interlocutor. Neste tipo de construção, o sujeito falante enuncia sua posição em relação ao interlocutor e, desta maneira, com o seu dizer, o implica e lhe impõe um comportamento. Claramente, o locutor age sobre o interlocutor. As categorias modais alocutivas são:

— interpelação: o locutor assume o papel de pessoa humana e espera que o interlocutor reaja a sua interpelação; já o interlocutor vê-se obrigado a significar a sua presença;

— injunção: o locutor impõe uma ação ao interlocutor; enquanto que o interlocutor recebe uma obrigação de fazer, porque é considerado competente para tal;

— autorização: o locutor julga que o interlocutor está apto a executar a ação; este, por sua vez, recebe o direito de fazer e utiliza ou não esse direito;

— aviso: o locutor estabelece, no seu enunciado, uma ação a ser realizada por ele mesmo e sabe ou supõe que o interlocutor ignora ou quer ignorar a intenção do locutor; o interlocutor é tido como não ciente da intenção do locutor;

— julgamento: o locutor postula que o interlocutor é responsável pelo ato que está sendo julgado; ao passo que o interlocutor é tido como tendo realizado um ato do qual seria responsável;

— sugestão: o locutor sabe ou supõe que o interlocutor está em uma situação desfavorável e propõe que este execute uma ação para que a situação melhore; o interlocutor é o beneficiário da proposta de fazer;

— proposta: o locutor oferece uma ação em benefício do interlocutor ou de realizar em conjunto esta ação; enquanto o interlocutor é o beneficiário desta proposta e encontra-se em posição de aceitar ou recusar a proposta;

— interrogação: o locutor pede ao interlocutor para que ele diga o que sabe e, para tanto, o locutor mostra a sua ignorância em relação ao que se pergunta; já o interlocutor é tido como alguém competente para responder;

— petição: o locutor vê-se em uma situação desfavorável e pede ao interlocutor para realizar essa ação; o interlocutor, por sua vez, é tido como tendo a aptidão necessária para isso, mas pode desempenhar ou não este papel.

b) modalidades elocutivas: esta modalidade tem a capacidade de revelar o ponto de vista do locutor. Neste caso, o sujeito falante enuncia o seu ponto de vista sobre o mundo, sem que o interlocutor esteja implicado em uma tomada de decisão. As categorias modais elocutivas são:

— constatação: o locutor reconhece um fato do qual ele só tem noção da existência de forma exterior; já o interlocutor é a testemunha desta constatação;

— saber/ignorância: uma informação é pressuposta e o locutor diz se tem ou não conhecimento dela; enquanto o interlocutor é testemunha de um saber ou de uma ignorância;

— opinião: a partir de uma informação, o locutor revela o seu ponto de vista; ao passo que o interlocutor, desta vez, é apenas testemunha da opinião do locutor;

— apreciação: em função de um fato que é pressuposto, o locutor diz qual é o seu sentimento; o interlocutor, porém, apenas testemunha a apreciação do locutor;

— obrigação: o locutor diz que deve realizar uma ação, seja por ordem e desejo do próprio locutor ou de um terceiro; já o interlocutor atua como uma testemunha da obrigação do locutor;

— possibilidade: com base em uma ação a ser feita, o locutor diz que tem aptidão para realizar a ação; mais uma vez o interlocutor apenas testemunha a posição do locutor;

— querer: o locutor diz que está em uma ação que gostaria que fosse realizada, mas revela que não tem o poder de atender a essa vontade, ele necessita de alguém para tal; novamente, o interlocutor ocupa a posição de testemunha da posição do locutor;

— promessa: o locutor compromete-se a realizar uma ação a ser executada por ele mesmo; ao passo que o interlocutor coloca-se na condição de testemunha desta promessa do locutor;

— aceitação/recusa: o locutor pressupõe que lhe foi dirigido um pedido de realização de uma ação, ao que pode responder favoravelmente ou não, até por não ter, necessariamente, uma posição de autoridade; da mesma forma que as categorias acima, o interlocutor assume a posição de testemunha da aceitação ou da recusa do locutor;

— concordância/discordância: o locutor expressa sua adesão ou não a uma proposição feita a ele; igualmente, o interlocutor testemunha a posição do locutor, concordando ou não;

— declaração: o locutor detém um saber e supõe que o interlocutor ignore esse saber ou duvide da veracidade dele; ao interlocutor cabe apenas a posição de testemunha do locutor;

— proclamação: o locutor possui a autoridade para fazer com que a sua fala se torne um ato; mais uma vez, o interlocutor testemunha a posição do locutor.

c) modalidades delocutivas: sua função básica é retomar a fala de um terceiro. Isso se verifica, quando o sujeito falante se apaga do seu ato de enunciação e não implica o interlocutor. No caso, o papel do locutor é, essencialmente, testemunhar sobre algo. O propósito deste tipo de procedimento linguístico é encontrado apenas em dois modos:

— asserção: geralmente definida como sinônimo de afirmação, a respeito de um fato que não depende nem do locutor e nem do interlocutor;

— discurso relatado: a partir de um discurso já enunciado, podem variar a posição do interlocutor e a descrição dos modos de enunciação (CHARAUDEAU, 2008).