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Criado, originalmente, durante a gestão dos governos do Partido dos Trabalhadores, no município de Porto Alegre, o Projeto Integrado Socioambiental (PISA) foi o resultado de discussões ocorridas durante o 3º Congresso da Cidade, no ano de 2000. O programa tinha dois objetivos básicos. O primeiro deles era o de oferecer condições de vida bem melhores para as pessoas que moravam em locais próximos da foz do arroio Cavalhada, na zona sul do município. O segundo objetivo – não menos importante – era o de despoluir o Rio Guaíba, ou, ainda que isso não fosse possível em sua totalidade, tentar reduzir, consideravelmente, o nível de poluição das águas. Até mesmo em respeito a um rio, que foi o principal responsável pelo surgimento da cidade e, também, pelo seu desenvolvimento43.

Através do programa, relata o site da Prefeitura, a intenção é ampliar a capacidade de tratamento de esgotos, passando dos atuais índices de tratamento de 27% para 77%, até o ano de 2012. Com isso, o sistema de abastecimento de água também será melhorado, devido à redução da carga de poluentes orgânicos e da densidade de coliformes na água captada, diminuindo, assim, a necessidade

42 Disponível em: <http://www.portoalegre.rs.gov.br/>. Acesso em: 28 de agosto de 2009.

43 Disponível em: <http://www2.portoalegre.rs.gov.br/pisa/default.php?p_se-cao=3>. Acesso em: 7 de dezembro de 2009.

de utilização de substâncias químicas para o tratamento. Segundo a Prefeitura Municipal, quando estiver pronto, o PISA deverá beneficiar, diretamente, 275 mil pessoas na cidade. Porém, se conseguir atingir suas metas, toda a população da cidade de Porto Alegre será favorecida, em função da despoluição do Guaíba.

Ou seja, em um prazo aproximado de vinte anos após a sua conclusão, em torno de 2030, a previsão é a de que o Projeto Integrado Socioambiental garanta a balneabilidade das águas do Rio, por causa da redução de mais de 90% na densidade de coliformes lançados ao longo de sua extensão, que vai desde a foz do Arroio Dilúvio até a praia de Ipanema, na zona sul porto-alegrense. A figura a seguir apresenta, de forma gráfica, a extensão do projeto:

Figura 4: Extensão do PISA ao longo das margens do Rio Guaíba44

44 Disponível em: <http://www2.portoalegre.rs.gov.br/pisa/default.php?p_se-cao=3>. Acesso em: 7 de dezembro de 2009.

As obras do Projeto Integrado Socioambiental, que é vinculado ao Programa Transforma POA, começaram a ser executadas em dezembro de 2007, a partir do Sistema de Esgotamento Sanitário da Restinga. Além disso, o PISA integra as três frentes de atuação do governo, referidas anteriormente, na apresentação do modelo de gestão da atual administração, do Prefeito José Fogaça: o Eixo Ambiental, o Eixo Social e o Eixo Econômico.

O Projeto Integrado Socioambiental é coordenado pela Secretaria Municipal de Gestão e Acompanhamento Estratégico (SMGAE) e executado pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE). São coexecutores do Socioambiental: o Departamento Municipal de Habitação (DEMHAB), o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), a Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV), a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM), a Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governança Local (SMCPGL), a Secretaria do Planejamento Municipal (SPM), a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (SMIC), a Secretaria Municipal da Fazenda (SMF) e a Procuradoria- Geral do Município45.

De acordo com as informações do site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, a SMGAE é responsável pela coordenação geral do PISA e pela sua efetiva execução, servindo como organismo de ligação entre Porto Alegre, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outras organizações públicas e privadas participantes. A Unidade Executora e Coordenadora do Programa (UECP), vinculada diretamente à SMGAE, é quem tem a função de planejar, coordenar, administrar e supervisionar a execução do PISA. Além disso, coordena as ações com os órgãos municipais subexecutores do projeto e assessora a SMGAE nos assuntos relacionados à execução, ao acompanhamento, ao controle e à avaliação do projeto.

Já o Escritório de Gestão Participativa (EGP) é o responsável pela realização do conjunto de ações de remoção e reassentamento das famílias e dos pequenos negócios localizados em áreas de futuras obras. O DMAE administra e

gerencia todas as atividades administrativas, financeiras, técnicas e institucionais previstas nos contratos de empréstimos com a Caixa Econômica Federal, em conformidade com a UECP, ligada à SMGAE. O Departamento também estabelece as rotinas operacionais e controla o cumprimento das medidas de mitigação e compensações requeridas no processo de licenciamento ambiental46.

Outro órgão, o DEP, tem a responsabilidade pela promoção e acompanhamento da implantação das obras de drenagem vinculadas ao componente de desenvolvimento urbano. O DEMHAB, por sua vez, promove o reassentamento das famílias que residem em áreas de risco atingidas pelo PISA, como a região do Arroio Cavalhada. Já a SMAM é responsável pelo licenciamento ambiental das atividades sujeitas ao licenciamento e, também, pela promoção dos projetos, programas e ações do componente de gestão e proteção ambiental. A tarefa da SMCPGL é a de promover ações para o fomento de geração de trabalho e renda e de articulação com as comunidades beneficiadas, que integram o componente de desenvolvimento urbano. A função da SMIC, neste esforço conjunto, assim como a SMCPGL, também é a de promover ações para o fomento de geração de trabalho e renda. Por fim, à SMOV, cabe a responsabilidade pelas ações de fiscalização de projetos e obras das vias, passarelas sobre o Arroio Cavalhada e de iluminação pública, vinculadas ao componente de desenvolvimento urbano47.

Ao todo, o Projeto Integrado Socioambiental representa um conjunto de obras que consiste em:

— 30 hectares de áreas de preservação ambiental e lazer;

— implantação de 80km de novas redes coletoras de esgoto na Restinga; — implantação de 53km de novas redes coletoras de esgoto na

Cavalhada;

— construção de um emissário de esgoto cloacal com 17km;

46 Disponível em: <http://www.portoalegre.rs.gov.br/>. Acesso em: 28 de agosto de 2009. 47 Disponível em: <http://www.portoalegre.rs.gov.br/>. Acesso em: 28 de agosto de 2009.

— construção de duas chaminés de equilíbrio;

— implantação de quatro novas Estações de Bombeamento de Esgoto (EBE);

— reforma em duas Estações de Bombeamento de Esgoto (EBE);

— implantação de Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), com capacidade para três mil litros por segundo;

— colocação de 4,3km de interceptores e coletores pluviais; — construção de uma nova casa de bombas;

— canalização de 1,9km do arroio Cavalhada;

— construção de 1,2km de diques e 1,5km de vias laterais ao Arroio Cavalhada.

Ou seja, independente de quem vai ser beneficiado direta ou indiretamente, o Projeto Integrado Socioambiental compreende um conjunto de obras expressivo, de grande visibilidade na parte sul da cidade. Para quem mora, trabalha ou transita por esta região do município, em algum momento, será possível visualizar alguma destas obras. O que pode acontecer, sim, são as pessoas não identificarem e não saberem exatamente o que está sendo feito ali.

Se vão reconhecer ou não o projeto, o PISA já está em execução. No final de 2009, além da remoção das primeiras famílias, junto ao Arroio Cavalhada, já foram concluídos 60 quilômetros – de um total de 80 – de redes coletoras de esgoto nos bairros Restinga e Ponta Grossa. Da mesma forma, foram finalizados 26,6km – de um total de 64km – de redes coletoras no bairro Cavalhada; e, ainda, 60,03% da reforma prevista para a Estação de Bombeamento, na Ponta da Cadeia48. Os próximos passos, já a partir do início de 2010, são as construções da chaminé de equilíbrio do Cristal e do emissário subaquático, construído dentro

48 Disponível em: <http://www2.portoalegre.rs.gov.br/pisa/default.php?p_se-cao=3>. Acesso em: 7 de dezembro de 2009.

do Guaíba, e cuja função será bombear o esgoto para a futura Estação de Tratamento Serraria.

Com o objetivo de compreender melhor todas as obras do Projeto Integrado Socioambiental, o estudo apresenta, na sequência, uma reportagem feita pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre – um dos maiores jornais da cidade – publicada no dia 24 de fevereiro de 2009. Através dela, é possível identificar uma por uma das obras, sua localização geográfica no território urbano municipal e a devida descrição sobre o que será ou está sendo feito exatamente nestes locais. As primeiras obras previstas no PISA, e já concluídas, foram as de tratamento de esgoto, nos bairros Navegantes, Parque do Arvoredo e Rubem Berta, na zona norte da cidade; no bairro Esmeralda, junto ao limite com o município de Viamão; e nos bairros Ipanema, Restinga e Lami, na zona sul porto-alegrense. As demais realizações seguem um cronograma previsto pelo programa e que serão apresentadas a seguir.

Figura 5: Reportagem sobre o PISA – 1ª página (Fonte: Jornal Zero Hora, 24 de fevereiro de 2009)

Como se pode identificar na reportagem acima, seguindo a própria numeração feita pelo jornal:

1) reforma das Estações de Bombeamento de Esgoto, na Ponta da Cadeia, junto à Usina do Gasômetro – projeto finalizado;

2) construção da chaminé de equilíbrio, na região do centro da cidade, próximo à Usina do Gasômetro. O objetivo da chaminé, que possui 11 metros de altura, é evitar que as tubulações de esgoto entrem em colapso, no caso da falta de energia elétrica – projeto em execução.

A fotografia a seguir mostra a chaminé construída na Usina do Gasômetro:

Fotografia 7: Chaminé de equilíbrio49

1) os emissários subaquáticos que serão construídos, dentro do Rio Guaíba, e que levarão o esgoto da Estação de Bombeamento da Ponta da Cadeia até a Estação localizada no bairro Serraria – obra iniciada em janeiro de 2010;

2) a segunda chaminé de equilíbrio a ser construída, desta vez na avenida Diário de Notícias, no bairro Cristal – obra a ser iniciada em 2010;

3) área de onde já estão sendo removidas as famílias, que ficam às margens do Arroio Cavalhada – projeto em execução;

4) Avenida do Parque, que será construída, após a conclusão das obras de drenagem na região – obra ainda não licitada;

5) sistema de esgotos do bairro Cavalhada – projeto em licitação;

49 Disponível em: <http://www2.portoalegre.rs.gov.br/pisa/default.php?p_se-cao=3>. Acesso em: 7 de dezembro de 2009.

6) sistema de esgotos dos bairros Restinga e Ponta Grossa – projeto em licitação;

7) Estação de Bombeamento de Esgotos, que será construída no bairro Serraria – projeto em licitação.

Pela reportagem, portanto, pode-se ter uma ideia da extensão total do programa. E não apenas a localização das obras, como, também, o seu impacto sobre o município. Como já foi mencionado, segundo a própria Prefeitura Municipal de Porto Alegre, o Projeto Integrado Socioambiental é o maior investimento da atual administração, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); da Caixa Econômica Federal, via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um programa do Governo Federal; além de uma contrapartida da própria Prefeitura. A soma destes investimentos representa um custo total de 513 milhões de reais para a realização de todo o conjunto das obras previstas para o PISA50.