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4. DANS SEKANSLARININ ÇÖZÜMLENMESİ

4.2. Dancer  In  The  Dark  (Karanlıkta  Dans  2000)  – Lars Von Trier

(...) confesso que a APUFPR não teve pernas pra fazer essa briga (...) uma briga intestina na categoria. O que a gente nota é

que o substituto é superexplorado na sua condição de trabalho. Essa superexploração se faz como: pela quantidade

de hora-aula a qual ele é submetido. Então primeiro: ele não tem direito a se vincular a grupos de pesquisa. Raríssimas exceções você conseguir encontrar algum substituto altamente qualificado que pudesse estar associado a projetos e grupos de pesquisa (...). O primeiro absurdo é isso, a gente fala do tripé ensino, pesquisa e extensão e você pega uma parte da categoria que não teve a oportunidade do concurso e alijá-lo de outros aspectos da vida acadêmica. Dentro da atividade de ensino a carga horária dele era muito maior que dos pares concursados, ou seja, ele se transformava num “burro de carga” letiva do espaço acadêmico. Então isso a gente notou em muitos departamentos aqui na UFPR. (...)

No dia 16 de junho de 2011 na sede da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR) o professor Dr. Luis Allan Künzle, atual presidente da Seção Sindical do ANDES-SN no estado do Paraná foi o nosso entrevistado. Iniciamos este item com uma parte de sua entrevista acima

149 porque expressa as condições do trabalho docente precarizado que queremos evidenciar. Ainda que tenha diminuído o número de professores substitutos no total de contratos da instituição nos últimos anos e mesmo que estejam dentro de índices permitidos dentro da legislação, ainda assim, trata-se de uma situação de proletarização do trabalho docente que, por sua vez, atende aos interesses do mercado na educação.

Dessa forma, inicialmente perguntamos ao professor se há uma discussão no sindicato sobre a situação dos contratos temporários dos professores na Universidade Federal do Paraná. Depois, se houve alguma mudança nesse quadro com a implantação do REUNI. Por fim, pedimos ao professor que nos falasse sobre alguns elementos das condições e da carga de trabalho do professor, das condições salariais e das diferenças entre trabalho efetivo e temporário de forma a evidenciar, no aspecto pedagógico, as implicações dessas condições para a qualidade de ensino. Relatou, então, o professor:

Comecemos por um histórico. O primeiro ponto para o qual nos deparamos foi que durante o período do governo FHC fecharam-se as portas para concursos públicos de professores efetivos. (...) Desde o começo do governo FHC a Universidade tem aumentado muito a oferta de vagas e não tem tido o correspondente aumento de quadros. No governo FHC isso foi mais dramático. Grande parte, a parcela dos substitutos

representava muito da força de trabalho nas universidades públicas... eu creio que em média a gente ficava entre 25 a 30%. (...) Sendo que em algumas universidades o coeficiente era bem maior, entre 40 a 45%. O trabalho temporário então representava muito da força de trabalho docente. Esses professores na época sofriam vários problemas. Do ponto de vista das condições de trabalho, carga horária elevada, etc. Do ponto de vista das condições salariais eles tinham um salário que era completamente distorcido em relação aos salários dos efetivos. Os salários

dos efetivos era extremamente baixo, o salário dos substitutos era pior ainda.

Do ponto de vista sindical era uma situação extremamente complexa porque quando os sindicatos foram criados, logo depois de 88, no setor público, época em que havia poucos professores substitutos. (...) No momento da criação das Associações Docentes que depois vieram a se transformar em Seções Sindicais (...) A maior parte dos substitutos não é

abrigado pelo espaço sindical. Não que as Associações não façam a defesa, muitas delas fazem e compraram belas

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lutas pelos substitutos, mas isso não está amparado na sua constituição legal, então isso é um problema. O ideal é que o

substituto pudesse se sindicalizar, mesmo que temporariamente, e aí ele ter amparo sindical, amparo legal, a questão do seu contrato de trabalho ser discutida. A APUFPR é uma das seções sindicais que não tem o amparo (...). É um ponto de difícil correção... Tem haver com a forma, com o regimento da seção sindical (...). Na APUFPR, por exemplo, quando ela foi criada provavelmente era uma associação com cem, duzentos filiados. E ela prevê que qualquer mudança regimental obriga um quórum presencial de metade mais um. Hoje a gente é um sindicato, uma seção sindical com quase três mil filiados. Eu não vejo uma assembléia hoje mais de 1500 pessoas pra alterar isso (...). Essa é uma discussão longa com a categoria (...), ou

seja, poder abrigar o substituto de forma legal hoje tem empecilhos dessa natureza, dessa ordem. Esse é um ponto que está dado pela conjuntura. Não se previa isso e a gente

tem dificuldade até de atualizar os regimentos e os estatutos dos sindicatos pelo novo código civil em função dessas cláusulas...

O erro sindical pode ser o seguinte: uma coisa é eu ser contra um determinado tipo de contrato de trabalho; e a outra é eu defender as pessoas que estão submetidas a ele por uma conjuntura que eu não consigo mudar ou que vai levar muito tempo pra mudar. Acho que o sindicato tem que entender bem isso. É uma discussão complexa, mas acho que

é inevitável (...). É lógico que idealmente a gente sonha que tenha um efetivo de quadros que de conta de licenças, de adoecimentos, de afastamentos diversos, etc.. O substituto a gente poderia até aceitar se ele simplesmente fosse um quadro marginal, com condições corretas de trabalho e de contrato de trabalho e que suprisse situações eventuais que a gente poderia não estar prevendo (...). É verdade que num sindicato há resistências muito grandes, de você preferir negar a situação pra dizer que você é contra ela. Mas ainda acho que é marginal, a maior parte do pessoal que eu me lembro nas lutas defende o trabalhador nessa condição, não o contrato temporário. Mas a gente nunca aprofundou muito essa discussão...

Agora, ultrapassaram os limites porque não havia controle nenhum (...). Com o governo Lula, com a reabertura dos

concursos, já antes do REUNI já tinha tido uma certa reposição de quadros, o REUNI intensificou a reposição de quadros (...) O governo passou a limitar o percentual de substitutos. Por exemplo, aqui na UFPR a gente viu que diminuiu muito o número de substitutos (...). Eles chegaram a representar 25%, 30% do quadro, eles hoje caíram, eles haviam caído a menos de 10% do quadro nas federais e aí aparentemente se diminuiu muito o problema. (...) Houve também uma correção durante o governo Lula da remuneração do substituto que passava a ser equivalente a

titulação. Então melhorou um pouquinho a condição do substituto, não resolveu completamente porque ele não tem gratificações que o efetivo tem...

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Claramente, pra mim, foi “falta de pernas” mesmo de poder pegar mais essa frente de luta. Mas é uma luta que a gente vai ter que fazer e aí não contra o poder estabelecido, é uma luta com os próprios pares. Essa sensibilização a gente vai

encarar agora (...). A gente está enfrentando um paralelo parecido com os professores contratados pelo REUNI. Visitando os diferentes espaços da universidade, num desses espaços um professor me perguntou o seguinte: Qual a diferença do “professor REUNI” para o professor que não é REUNI? Eu falei: não há diferença alguma! REUNI foi um programa do governo que criou recursos de investimentos e recursos humanos tanto na parte técnico-administrativa como de docentes. Mas no momento que a vaga é criada você é um professor concursado como qualquer outro. Ele me olhou espantado e disse assim: Eu sou um professor como qualquer outro?! Eu disse: sim. Não, porque eu estou aqui há seis meses e notei que estou dando muito mais aula que meus colegas de curso. E eu perguntei pra eles: porque eu estou dando muito mais aulas que vocês? E os colegas mesmo disseram: porque você é um professor REUNI. (...) Se um coletivo é capaz de fazer isso com um colega

concursado, eu temo que esse coletivo se sinta mais a vontade pra aumentar a carga de maldade sobre um colega substituto.

Se o contrato é um contrato precarizado, é um contrato

mal-remunerado e isso é uma maldade do governo, e mesmo sendo um governo de esquerda é uma maldade do governo de esquerda, progressista etc, que se diz, é uma

maldade que esse governo poderia ter corrigido (...) se o número diminuiu, ele não representa tanto em termos de valores monetários, então ele poderia ter corrigido efetivamente a remuneração, ou seja, ele ganharia igual a qualquer outro. O problema das condições de trabalho não é uma pauta com o governo federal, é uma pauta interna da universidade e é, sobretudo, uma pauta com a categoria docente. E aí fica que os sindicatos nessa maré em que você tem primeiro a dificuldade de quadros pra militar no sindicato, não há atividade remunerada, não tem liberados (...) os diretores dão aula, os diretores fazem pesquisa, orientam alunos e tal, então já tem dificuldade na mobilização da categoria, (...) essa é uma briga muito mais dolorosa... Está nesse limbo... É uma força dispersa, os

substitutos não se reconhecem quanto segmento de uma categoria com características próprias, então cada um está perdido no seu canto, e os sindicatos não estão efetivamente na sua defesa.

Depois disso, o que a gente está sentindo agora, o governo em

função de entrar em ajuste fiscal está retomando com força os substitutos. Então saiu agora a Medida Provisória 525, foi aprovada anteontem à noite no senado, ela reabre a porteira pro docente substituto dentro dos IFETs (Institutos

Federais de Educação Tecnológica). Ao invés de o governo abrir concurso para professor efetivo ele reabriu a porteira. Então, esse problema vai se recolocar. Vai se recolocar numa situação

152 ainda mais complexa.

Os IFETs não estão com seus espaços sindicais estabelecidos nem para os efetivos. A gente vê aqui pelo IFET-PR. Não sabe que rumo sindical tomar, esse pessoal está ainda definindo os seus rumos. E esse espaço vai estar sobrecarregado de

docentes temporários que vão estar menos amparados ainda. Acho que isso a gente vai ter que colocar como pauta no

sindicato nacional...

Nos IFETs a carga de hora aula do efetivo é muito maior que nas federais. Muitos estão se transformando em grandes escolas de terceiro grau. Se já está mais pesado pro efetivo, me apavora a situação para os substitutos nesses espaços. (...) Se cria também uma relação de subserviência sutil sob a qual o docente se coloca e que a gente pode compreender.

Por quê? Ele passou por um processo seletivo simplificado. Se ele já é titulado ele sonha muito em participar de um concurso, de uma vaga que venha a ser aberta no futuro. Ele não vai comprar uma briga local. Ele não vai. Porque ele tem medo que no próximo concurso ele seja preterido. Então ele vai ser submisso, ele vai tentar mostrar serviço, ele vai nessa sobrecarga vai tentar mostrar que também pode fazer pesquisa, vai entrar numa condição muito piorada. (...)

Em outra entrevista com o professor Luis Allan Künzle, realizada no dia 05 de julho de 2011, na sede da APUFPR na cidade de Curitiba, buscamos saber sobre a última reunião do Setor das Federais no ANDES-SN que tratou, entre outros pontos, da Medida Provisória nº 525. Esta medida permite a contratação temporária, em caráter emergencial, de docentes para atender as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) em expansão e altera a Lei 8.745/93 que trata das contratações dos substitutos conforme já nos referimos no terceiro capítulo desta tese. Segundo nota da Agência de Notícias da Câmara dos Deputados no dia 17 de fevereiro de 2011 a MP 525 também cria a possibilidade de contratação temporária de professor substituto para:

ocupar cargo de direção de reitor, vice-reitor, pró-reitor e diretor de campus. Antes, essa contratação só era possível em caso de exoneração ou demissão, falecimento, aposentadoria, afastamento para capacitação e afastamento ou licença de concessão obrigatória.

153 na ordem do dia vem de maneira mais agressiva diante do aumento de 10% para 20% no limite de contratação. O que se impõe como uma medida emergencial do governo para atender a expansão das IFES poderá a depender da história se estabelecer como uma saída permanente das políticas de ajuste fiscal, de redução dos custos com a educação. Ainda, citando a Agência de Notícias da Câmara do dia 17 de fevereiro de 2011:

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o ministro da Educação, Fernando Haddad, argumentam que a contratação temporária dos docentes é necessária à implementação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e de projetos de educação técnica e tecnológica. O objetivo é atender a razão média de 1 docente para cada 20 alunos. De acordo com os ministros, a demanda total de docentes do Reuni é de 15.755 professores de 3º grau. "Este quadro está sendo formado dentro do cronograma estabelecido, e as autorizações de concurso ocorrem paulatinamente. Contudo, a efetiva realização dos mesmos, tendo em vista as exigências que caracterizam o processo de recrutamento e seleção de docentes, por vezes leva a atrasos e demoras no ingresso dos servidores", argumenta o ministro.

Diante desse novo quadro buscamos saber do presidente da Seção Sindical do ANDES-SN no Paraná que se discutiu no âmbito sindical em nível nacional com respeito a MP 525, isto é, o que vem afetar ainda mais o trabalho docente, sua precarização e intensificação com a reafirmação e com o aumento dos quadros temporários nas universidades federais. Depois da apresentação de um quadro conjuntural da situação, especialmente, naquelas instituições mais afetadas pelos contratos temporários como o Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o CEFET de Minas Gerais o professor Luis Allan Künzle apontou alguns encaminhamentos do ANDES-SN junto às suas Seções Sindicais. Vejamos sua exposição a respeito:

A reunião que temos periodicamente (não com calendário fixo) é uma reunião do Setor das Federais do Sindicato. Cada Seção Sindical enviou um representante e a gente fez um pouco a análise da conjuntura do momento para o Setor das Federais. Em relação a (MP) 525 não era o foco da reunião. O foco da reunião era o fato de que parte das Seções Sindicais está

154 indicando greve então a chamada foi em função disso. Mas na discussão específica da (MP) 525 alguns aspectos me chamaram a atenção sobre os quais merece uma leitura mais atenta (a qual eu não tive tempo de fazer) que é: o aumento para 20%, então isso assustou muito as instituições; promete o governo que essa Medida Provisória é de tempo curto enquanto ele negocia com o Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão a abertura de concursos definitivos. (...)

O que me parece importante analisar em relação aos professores substitutos, nós tivemos dois outros momentos da reunião que o tema substituto voltou e que isso me deixou bastante preocupado. Um foi na pauta dos Colégios de Aplicação. Não é uma realidade da Federal do Paraná mais trinta e poucas universidades possuem Colégio Aplicação. (...) A

primeira questão sobre a qual nós focamos nossa atenção foi o fato de que a maior parte desses Colégios está em greve e essa greve se dá por falta de docentes. O governo

diz que não há professores porque esses Colégios de Aplicação não fizeram nenhum contrato de gestão com o MEC (Ministério da Educação). Curioso isso...

Basicamente, o que dá para apreender disso é o seguinte: primeiro, eles não consideram os Colégios de Aplicação como parte integrante da IFE (Instituição Federal de Ensino). A maior parte das universidades que possui Colégio de Aplicação entrou no Reuni. A Universidade assinou um contrato de gestão com o MEC. O Reuni implica uma taxa mínima da relação aluno/professor e uma taxa mínima de aprovação, mas o MEC considera que o contrato assinado pela IFE não compromete o Colégio Aplicação, do qual ela integra completamente, os docentes recebem pela mesma folha e tal. Mas não, o MEC aparentemente quer contrato de gestão específico. Em função

disso, dessa alegada não presença de um contrato, de um pacto de metas, o MEC não está permitindo que estas Escolas, que estes Colégios tenham concurso para docentes. O caso emblemático aí foi do Colégio Aplicação da UFRJ. Nesse Colégio, especificamente, faltavam para o

início do ano letivo do ano de 2011, 26 professores. O Reitor da UFRJ conseguiu um acordo com o MEC para contratar 26 professores pelo regime de professor substituto. (...) Ele considerava que esse acordo estava bem estabelecido e ele aí voltou para o Rio de Janeiro e realizou o teste seletivo e supriu as 26 vagas. Passou fevereiro, passou março, passou abril, passou maio e nenhum desses professores recebia. Quando o pessoal pressionava a Reitoria da Universidade, a Pró-reitoria de Gestão de Pessoas e de Recursos Humanos dizia que até agora eles não conseguiam o “Código SIAPE”. Quando os

professores entraram em greve é que a Reitoria foi se mexer pra descobrir o que estava acontecendo. A situação absurda aí - e aí a gente vê a condição a que está submetido o professor substituto. Eu não imaginava que isso pudesse acontecer! O MEC prometeu as 26 vagas, mas quem implementa as vagas é o Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão que é quem gerencia o “SIAPE”. Ora, o

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MPOG (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) diz assim: o acordo é do MEC não é meu e eu não concordo com essas 26 vagas. E não implementou o “Código SIAPE”. E não implementou mesmo com a greve dos docentes. Pra você ter uma idéia esses docentes receberam por recibo via prestação de serviços. Eles não têm registro em carteira, eles

não têm contrato, eles não têm nada, nada, nada, nada. Então é uma situação tão precarizada. E aí uma das docentes que vivencia isso, que está nesta situação foi levada pela Federal do Rio de Janeiro para dar o depoimento dela na reunião. (...)

Paralisação houve em mais sete Colégios de Aplicação! Uberlândia fez greve, a Rural do Rio de Janeiro fez greve, no Rio Grande do Sul dois Colégios de Aplicação fizeram greve, Viçosa fez uma boa greve. A diferença do Rio de Janeiro para os demais é que nos demais o problema era com cinco, seis professores, no RJ eram 26. E no RJ é que

se explicitou esse problema do MEC ter feito um acordo que o MPOG não assinava embaixo e não implementou. Então, veja o

Reitor fez um acordo no MEC, esse acordo foi rompido pelo próprio governo num outro Ministério. Então nem a palavra do MEC serve mais para universidade, o que é inconcebível! A situação mais dramática que eu acho ali é que os docentes do Rio de Janeiro hoje sonham com um contrato de substituto. A situação ficou tão precarizada que a

expectativa deles (do contrato precário) é um sonho. Então isso assustou bastante. (...) Bom, os Colégios de Aplicação estão em greve. (...) Eles estão em estado de greve. Quando a reitoria pagou o salário dos professores, eles fizeram um acordo com a reitoria e eles voltaram a dar aula com a condição de que o Ministério do Planejamento recuasse e abrisse as vagas de substituto (ainda não é nem de concurso!)

O professor Künzle informou que esteve presente na reunião o presidente da Associação Docente do CEFET de Minas Gerais e contextualizou, brevemente, a situação destas instituições que se expandiram por todo o Brasil e se tornaram uma referência de boa qualidade do ensino técnico e tecnológico. Segundo Künzle, o governo Lula acabou com a rede de CEFETS criando os IFETS. Entretanto, havia três instituições em condição diferenciada - do Paraná, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Estas já tinham ou Curso de Engenharia Plena ou alguns Programas de Pós-graduação recomendados pela Capes. Neste sentido, para o governo não interessava transformar em IFET.

Há diferenças de legislação entre os referidos tipos de instituição que fazem uma grande diferença do ponto de vista da autonomia universitária. O IFET é uma instituição que não tem estatuto próprio. O estatuto é definido pelo MEC o que constitui para o presidente sindical pouca liberdade acadêmica. As

156 Universidades, por sua vez, têm estatuto próprio, portanto, total liberdade acadêmica, casos em que se situavam os CEFETS. Afirma o professor:

Aí da para entender porque que o governo Lula preferiu extinguir, ele criou uma rede nova e extinguiu a rede antiga porque era uma rede sobre a qual ele não tinha controle, eles tinham liberdade acadêmica. Daí entra a velha questão da autonomia. Aí a gente vê o quanto isso não interessa para os governos: que as entidades de Ensino Superior tenham autonomia.

O CEFET no Paraná, de grande potencial, se transformou em universidade. Depois disso, o governo não transformou mais nenhuma instituição. Os CEFETS pequenos se transformaram em IFETs perdendo a