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4. DANS SEKANSLARININ ÇÖZÜMLENMESİ

4.3. Chicago (2002) - Rob Marshall

No que diz respeito à natureza da instituição podemos afirmar que na prática mais se aproxima de uma instituição privada do que comunitária?

Na realidade a PUC que é uma universidade comunitária e filantrópica ela teve até os anos 70 a menor mensalidade das universidades particulares do país. Porque na realidade (e não que concordamos com isso porque no nosso entendimento a verba pública é para a escola pública, laica, gratuita e universal) havia um repasse de recurso do governo federal para as universidades comunitárias. Quais seriam: as PUCs, a metodista, enfim, as chamadas filantrópicas. Isso significava que era possível manter um modelo de universidade com ensino, pesquisa e extensão de qualidade e ao mesmo tempo com

173 baixas mensalidades. A partir dos anos 70 com a expansão do ensino público no país de um lado e também com a expansão do

boom das escolas privadas, portanto mercantis, fruto já da linha

do Banco Mundial, do Fundo Monetário, do imperialismo em relação à massificação e em detrimento à democratização, acesso e qualidade que foi a expansão das universidades privadas, isso significou também, por outro lado, uma retração do dinheiro, do recurso que era repassado para as universidades comunitárias. (...) Com esse processo todo nos anos 80 foi ampliando um endividamento da PUC e que a partir dos anos 80 passa a se comprometer com o financiamento com os grandes bancos. Num primeiro momento com 14 bancos, hoje com dois bancos que são, respectivamente, o Santander (antigo Real) e Bradesco. E esse endividamento, portanto, muito mais que um problema de gestão embora houvesse problema de gestão durante um período, na verdade ele é fruto de um comprometimento com o capital financeiro, com o capital bancário que passa a regular e orientar inclusive para onde vai a universidade, a autonomia, o projeto de universidade.

No terceiro e último item de nossa amostra sobre a intensificação e a precarização do trabalho docente no Ensino Superior apresentaremos o ponto de vista sindical dos professores da PUC-SP. Trata-se de uma instituição de natureza comunitária, mas com fortes características das políticas de mercado como podemos observar acima em um dos trechos de nossa entrevista, no dia 26 de maio de 2011, com a presidente da APROPUC – Associação dos Professores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - Dra. Maria Beatriz Abramides. Ela nos apresentou um panorama atual sobre os contratos de trabalho dos docentes na instituição, as condições, a carga de trabalho e os impactos da maximização na qualidade de ensino. Reproduzimos a seguir a primeira parte de sua exposição à esse respeito:

A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo é uma universidade comunitária que foi fundada em 1946, portanto, nós já temos um largo tempo de existência. Importante dizer que a PUC-SP (até pra gente poder discutir a precarização do trabalho e consequentemente os seus rebatimentos na precarização do ensino) foi a primeira universidade no país a ter um conjunto de conquistas. A primeira delas foi de que foi a PUC-SP pioneira em estabelecer, em conquistar o contrato por tempo para o professor. O que é o contrato por tempo: se contrapondo a idéia da hora-aula o contrato por tempo é aquele que inclui no tempo do trabalho docente: o ensino, a pesquisa e a extensão. Seja esse tempo integral ou parcial (40, 30 ou 20 horas). Hoje, no acordo, conseguimos recuperar no mínimo dez

174 horas (...) porque o professor não é só aquele que está em sala de aula, ele é um professor, ele é um docente, ele é um pesquisador, ele tem que colocar o seu trabalho docente, a sua pesquisa, o ensino e a extensão como fundamentais para o processo de formação profissional. Isso significa dizer que essa é uma resistência histórica. Nesses 35 anos a entidade têm sido uma entidade de luta, de resistência em relação a qualidade de ensino, em relação aos direitos do conjunto dos trabalhadores, funcionários, professores e estudantes nessa qualidade de ensino e a luta pela autonomia e democracia universitárias.... A PUC-SP foi a primeira universidade no Brasil a ter eleição direta para cargo de reitor que na ocasião foi eleita a professora Dra. Nadir Gouveia Kifouri do Serviço Social. Então também é uma referência do ponto de vista da autonomia e democracia universitárias. A APROPUC foi uma das fundadoras da antiga “ANDES”, hoje ANDES-SN. Isso significa dizer que então essa trajetória em defesa da qualidade do ensino não se inicia com essa ou aquela gestão da entidade, mas ela tem um traço de continuidade.

Então eu costumo dizer que a crise da PUC é uma crise de modelo de universidade, um modelo de ensino, pesquisa e extensão que foi a construção e, de outro, uma crise financeira violenta cujo caminho adotado de uma forma mais pragmática, a partir de 2006, foi a intervenção da Fundação São Paulo que hoje é o órgão máximo de deliberação que é o Consad (que são dois secretários executivos da Fundação, dois padres e o reitor). (...) Em 2006, na gestão Maura Veras, portanto, entra a Fundação São Paulo (esta intervenção) e com uma demissão em massa de professores e funcionários. No momento fomos contrários, inclusive discutindo possibilidades de negociação da reposição das nossas perdas salariais, de que não houvesse uma diferencial salarial entre o topo da carreira e o auxiliar de ensino que a gente poderia pensar em formas de gradação num período inclusive de equacionamento à esse processo, mas eles adotaram a via das demissões. Então nós tivemos um grupo de quase mil pessoas entre professores e funcionários demitidos. Então essa foi a primeira medida violenta de destruição de um legado de construção de uma profissão, de conhecimento e de formação profissional de fato voltada aos interesses sociais, à função social da universidade e não à perspectiva do mercado. Desde 2006 vem se introduzindo modificações nos contratos dos professores tornando-os irregulares e intensificando o trabalho, ocasião em que houve a demissão massiva de professores. Diante da situação é uma prioridade para a APROPUC a unificação das tabelas salariais hoje divididas em três tabelas: uma antiga, outra para os professores que se titularam a partir de 2006, porém ficaram represados por um período e, uma terceira, para professores que ingressaram depois de 2006 contratados por uma tabela então rebaixada. Essa divisão implica que o mesmo trabalho docente receba diferentes remunerações.

175 Dessa forma, os professores enfrentam e lutam pelo fim da maximização que amplia o trabalho docente pelo mesmo salário e reduz outros contratos prejudicando as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Compõe a sua pauta de luta o fim do represamento e dos contratos “quebrados”. Sobre esse quadro da intensificação e precarização do trabalho docente na PUC-SP nos explica a presidente sindical:

Em segundo lugar, com a anuência do próprio Conselho Universitário aplicaram a maximização. O que é o projeto da maximização? Eles diziam que era um projeto por um ano do qual nós também nos opusemos e esse processo de maximização permanece desde 2006 e a última medida agora é a maximização da maximização. Hoje, nós temos uma forma contratual de trabalho chamada 65/78 (uma resolução de número 65 em 1978) que regula o trabalho docente onde tem uma tabela ( ..) para quarenta horas que seria o tempo integral do professor na universidade nós teríamos 40 horas para 16 créditos. Com a maximização hoje nós temos 40 horas para 18 créditos. Isso significa que o professor pelo mesmo salário vai ter um acréscimo no seu trabalho, ou seja, aí é um processo de intensificação da exploração do próprio trabalho. Esse é um aspecto.

Na realidade nós voltamos à situação em que hoje, até porque as nossas grades curriculares, os projetos curriculares eles foram montados de acordo com o projeto pedagógico dos cursos, da área de conhecimento e concentração e ao mesmo tempo com esse tripé do ensino, pesquisa e extensão. Portanto, o número de créditos organizados e que corresponde às diretrizes curriculares de cada curso, número de horas, etc. ele foi baseado nesse projeto pedagógico, portanto, as disciplinas com quatro, três e dois créditos. Com a maximização o que vai ocorrer? Uma situação que nem sempre você consegue ter 18 créditos, além de ser a precarização, de 18 passa para 20. É como se tivesse mais dois créditos a mais.

Isso significa que hoje nós temos professores que, por exemplo, (...) tem que dar oito turmas, seis programas diferentes em vários campos diferenciados. Então, temos uma professora nossa mesma aqui da diretoria da APROPUC que é da área da Educação que dá aula nas Ciências Exatas, Ciências Humanas, nas Biológicas, ou seja, vai para Sorocaba, dá aula na Marquês, dá aula em Santana, dá aula em Barueri, dá aula aqui no Campus Monte Alegre, de lá pra cá e de cá pra lá, com várias turmas de vários cursos, com composição social diferente, com formação diferenciada, mesmo sendo o mesmo conteúdo mas com adaptações diferenciadas. Isso chama-se super exploração, maximização e precarização do trabalho.

O outro aspecto é que na realidade eles instituíram, e aí há uma ilegalidade, uma tabela diferenciada para os novos ingressantes

176 a partir de 2006. Ou seja, hoje nós temos três tabelas vigorando, uma que eles chamam de tabela de extinção que seriam dos professores que estão aqui há 25, 30 anos e foi conquista em relação à reposição das perdas, etc, nas grandes campanhas salariais, nas grandes greves e mobilizações chegamos no final dos anos 80 com greve de três meses de mobilização pra recuperação, salários na época atrasados,(...) Então, esta tabela que eles chamam de extinção uma tabela nova onde o mesmo professor, ao invés de salário igual para trabalho igual, recebe 1/3 do que ele o professor pra dar a mesma disciplina. Isso tem significado de um lado, uma ilegalidade, uma injustiça, uma precarização do trabalho e uma rotatividade desse professor (...) tem uma universidade pública que faz um concurso ele vai para uma pública, o que se assemelha muito ao sistema das universidades privadas.

Num outro aspecto, em relação à questão do contrato de trabalho eles, que é uma outra irregularidade, professores que se titularam a partir de 2006 tiveram em função da retração e de responder à crise, e a resposta da crise recaiu sobre o sangue dos trabalhadores dessa universidade, eles represaram as carreiras. Isso significa dizer, por exemplo, eu me doutorei em 2006, somente em 2010 eu passo a receber como doutora e assim todos os outros. Ou seja, quatro anos...

Como se não bastasse, e aí é outra irregularidade fruto do assédio moral que você é obrigado a assinar um termo de compromisso, você migra pra tabela nova. Então, embora eu tenha 30 anos de PUC eu estou na tabela dos recém-contratados. O que significa dizer que um doutor (eu vou falar doutor porque é a minha carreira) eu recebo na mesma carreira R$1.200 reais a menos do que outro doutor que está na universidade. Então isso chama-se precarização do trabalho, chama-se na realidade destruição, superexploração da força de trabalho. (...)

Em Carta Aberta ao Conselho Universitário (CONSUN) aprovada na Assembléia Geral do dia 24 de novembro de 2010, os professores recusaram a proposta de alteração contratual apresentada pela Comissão de Revisão do Contrato Docente, visto que retrocedia conquistas históricas precarizando ainda mais o trabalho docente na instituição. Assim, os professores defenderam o fim imediato da maximização e a não introdução da hora-aula de forma a respeitar as diretrizes de ensino, da pesquisa e da extensão e de forma a garantir o exercício da atividade docente em condições dignas. Segue abaixo fragmentos da Carta a que nos referimos apresentando o posicionamento político da categoria diante dos riscos da precarização e da intensificação do trabalho na instituição:

177 (...) entendemos que a proposta é danosa aos interesses dos professores, uma vez que, ao invés de solucionar o problema surgido com a maximização da deliberação 65/78, aprofunda os prejuízos que os docentes, desde 2006, vêm sofrendo com a redução de contratos para muitos e a ampliação da carga de trabalho para a maioria. (...) a proposta da Comissão defende a sistemática da hora-aula. Os professores são frontalmente contra este retrocesso, pois entendem que ele abre caminho para o fim do contrato por tempo, desconfigurando assim o sentido da docência. Por fim, entendemos que a proposta dá continuidade a um modelo de precarização do trabalho e do ensino, instaurado em nossa universidade, a exemplo de tantas outras unidades de ensino privadas que têm no lucro a sua principal justificativa de existência.

Ainda sobre o contrato docente ressaltamos a argumentação de um professor durante entrevista concedida ao Sindicato Dr. Edson Passetti da Faculdade de Ciências Sociais e representante sindical no Consun:

(...) imagino que a Fundação tenha base para dizer quanto ela economizou com a maximização, quanto do nosso trabalho foi fundamental para que a universidade permanecesse em pé e respeitável e, por isso, acredito que o final da maximização deve ser o investimento numa universidade de ponta, de pesquisa, de formação de professores. (...) Que não seja nos moldes de estratificação de salário para desempenho das mesmas funções, pois isto é muito humilhante para o professor novo. Um professor que entra jovem na universidade deve entrar com todo o carinho que podemos lhe dar, e não dá para começar a sua carreira ganhando metade do que ganha outro professor para desempenhar as mesmas funções, porque os jovens têm que produzir hoje muito mais do que produziu a minha geração.

Entretanto, contrariando os apelos, a decisão do CONSAD determinou um aumento do trabalho docente na PUC-SP pois o professor tem que trabalhar mais horas para receber o mesmo salário que recebeu em 2010. No limite, essa decisão pode causar a demissão de professores que tiverem que ceder suas aulas para a composição de contratos de outros professores conforme avaliou o Sindicato. Afirma sua diretoria no Jornal Semanal de 20 de dezembro de 2010: “Mais uma vez a instituição prefere resolver seus problemas financeiros atacando as condições de trabalho e sobrevivência de seus trabalhadores que durante toda a história da PUC-SP fizeram com que ela conquistasse a respeitabilidade que hoje possui.” Nessa condução político-administrativa podemos visualizar muito bem a política de reestruturação no âmbito da

178 universidade, da gesta do custo-benefício que permite, por exemplo, a existência e proliferação da figura do trabalhador polivalente que opera no conjunto das atividades e serviços desenvolvidos e necessários para a instituição, conforme nos relata a presidente sindical:

Bom, outro aspecto é de que eles reduziram barbaramente os trabalhadores da área administrativa. Então, hoje além do seu trabalho intelectual, de preparação de aula, de pesquisa, etc, você faz toda a parte administrativa, desde pegar um computador, de pegar um lap-top, de pegar, de ir no áudio visual, enfim. Enfim você se parece um maluco, saindo pra cima e pra baixo, descendo rampa, subindo rampa... .

Claro é o trabalho polivalente. Veja na realidade as medidas são as mesmas medidas da reestruturação produtiva e do processo de acumulação flexível que é o quê? Trabalho igual pra salário desigual, precarização do trabalho, maximização das horas de trabalho, do ritmo de trabalho, então você tem aí mais-valia relativa e absoluta, ou seja, o trabalho como mercadoria, embora a PUC não tenha a questão mercantil (...), na realidade você sofre a mesma destruição da precarização do trabalho nesse momento da acumulação flexível... A natureza dela não é esta! Então, como é que a PUC vai aplicar o modelo mercantil quando na realidade as grandes empresas mercantis hoje não são mais os donos de uma escola pequena, são os grandes oligopólios, as grandes multinacionais, as internacionais... Inclusive com a contra-reforma do Ensino Superior que possibilita que o capital externo entre e enfim invista na educação em detrimento dessa educação laica e de qualidade. (...)

Um trabalho é mais intenso quando, sob condições técnicas e de tempo constantes, os trabalhadores liberam mais energia vital, física e intelectual para alcançar resultados mais elevados. O que distingue o trabalho mais intenso do mais produtivo é o acréscimo de energias adicionais do trabalhador e não o avanço técnico-científico. Um maior envolvimento ou desgaste do trabalhador nos níveis físicos, psíquicos e/ou emocionais já constituem por si só a intensificação do trabalho. Quando o avanço dos resultados decorre tão somente dos meios materiais e tecnológicos então isso indica um aumento de produtividade. Gestão por resultados e polivalência constitui um produto das escolas modernas de gestão do trabalho e que também penetram com força o terreno das empresas e atividades do Estado. Entre estes setores estatais destacamos a educação e nela o ensino superior como lócus privilegiado de nossa atenção investigativa.

179 Os professores da Faculdade de Educação da PUC-SP, por exemplo, tiveram uma redução de 10 horas contratuais e o Curso de Psicologia iniciou o ano de 2011 com o fechamento de 14 turmas. De forma a conhecer mais a fundo as atuais mudanças Comissões Temáticas foram tiradas na Assembléia dos professores do dia 15 de fevereiro do ano corrente. Entre elas uma para discutir o contrato de trabalho docente. Assim, o primeiro encontro dessas Comissões Temáticas definiu pela realização de um mapeamento das condições de precarização do trabalho docente como: professores que tiveram que se submeter à ampliação do número de turmas, fechamento de disciplinas e turmas, redução de horas no contrato de trabalho. Cenário que esboça “uma universidade mercantilizada, onde as condições de trabalho e de ensino contam cada vez menos diante do financeiro” como afirma a direção sindical em seu Jornal Semanal do dia 26 de fevereiro de 2011.

No dia 12 de março de 2011 o sindicato publicou em seu boletim os primeiros resultados das Comissões Temáticas. Optamos por centrar em alguns pontos destacados ainda que todo o conteúdo seja importante para explicar nosso objeto de estudo. Primeiramente que a precarização vem gradativamente destruindo o corpo docente da PUC, pois em 2006 forçou a demissão de parte de seus professores (altamente qualificados) e contratou novos professores com salários inferiores. Já em 2005 a instituição maximizou o trabalho dos auxiliares de ensino, mestres e doutores, além do que impediu a promoção na carreira de docentes que se titularam. Atualmente, a universidade amplia a política de maximização para todos os níveis incluindo associados e titulares e vem exercendo uma pressão para extinção de alguns cursos (renomados) de forma a priorizar a otimização dos custos financeiros.

Também nos interessa destacar que com as políticas de maximização do trabalho docente os professores se obrigaram a ministrar disciplinas diferentes, fora de sua área de especialização, o que diminui bastante a qualidade dos cursos. Os professores também trabalham com o número excessivo de alunos dificultando o preparo das aulas e as avaliações sendo que os mais jovens não dispõem de tempo para titulação que precisam. Afirma a Comissão que a maximização e as 17 semanas elevaram em mais de 30% a carga de trabalho semestral em relação às regras tradicionais.

180 A partir do levantamento realizado pela Comissão de Contrato de Trabalho foi possível identificar o processo de intensificação do trabalho docente na instituição a partir do tempo gasto pelos docentes para cumprir as tarefas exigidas de um docente de tempo integral (TI): o que deveria ser 40 horas semanais de dedicação pelas tarefas que lhe são atribuídas acaba por somar 44 horas de trabalho. Frente à intensificação do trabalho o professor dificilmente tem tempo para a pesquisa, para extensão ou orientação científica, muito menos para escrever artigos ou participar de seminários, congressos ou encontros acadêmicos e de pesquisa. Para a professora Marijane Lisboa do Depto. De Sociologia isto representa a dilapidação de um patrimônio cultural, conforme entrevista concedida ao sindicato no dia 15 de abril de 2011:

Do ponto de vista da PUC-SP, creio que ela está dilapidando o seu patrimônio cultural que foi construído nestes 60 anos. Gradativamente seu nível de qualidade irá caindo e quando isto se tornar evidente nas avaliações externas, menos alunos concorrerão à PUC-SP, e com isso a sua crise se agravará, já que ela não é barata. Eu não sei em quanto tempo os nossos professores garantirão a qualidade do ensino, porque eles estão cansados, dão muitas aulas e não têm tempo de estudar. Outro problema é o da renovação do corpo docente. Como temos estes salários extremamente aviltantes para os professores que entram na universidade, eles não ficam. Os professores jovens entram, passam um ano ou dois, que é suficiente para eles passarem em outro concurso, em outra universidade pública ou particular que pague melhor e eles vão embora. (...) Assim,