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Dış Ticaret, Teknoloji ve Ekonomik Büyümeyi Ölçen Göstergeler

Qu6ndo nos propomos 6 desenvolver este projeto de pesquis6, noss6 “questão motiv6dor6” er6 6 de compreender como e porque Ci6norte h6vi6 se torn6do um6 cid6de industri6l, contr6ri6ndo um6 voc6ção históric6 que envolve tod6 6 região noroeste do Est6do do P6r6ná, onde est6 se loc6liz6 que é 6 do desenvolvimento de um6 economi6 p6ut6d6 n6 produção 6gropecuári6. No ent6nto, à medid6 que mergulh6mos n6 pesquis6, surgir6m nov6s questões que for6m sendo 6greg6d6s 6 est6 questão centr6l, e que correspondem às idéi6s tr6b6lh6d6s no corpo deste tr6b6lho.

N6tur6lmente, noss6 primeir6 hipótese, er6 6 de que 6 compreensão do processo de industri6liz6ção de Ci6norte poderi6 ser explic6d6 pel6 exp6nsão do processo ger6l de industri6liz6ção, p6rtindo de Londrin6 em direção 6o noroeste do Est6do, tendo como pólos funcion6is princip6is, 6s cid6des de Londrin6 e M6ringá. Assim, 6creditáv6mos que 6 gênese d6 industri6liz6ção de Ci6norte, p6ut6d6 no desenvolvimento do r6mo industri6l de confecções, constituísse um processo de c6ráter “exógeno”, c6r6cteriz6ndo um período de exp6nsão do c6pit6l p6r6 nov6s áre6s inserid6s de form6 periféric6 no sistem6 econômico, 6 fim de g6r6ntir su6 m6nutenção 6tr6vés d6 produção d6s condições p6r6 su6 reprodução.

No ent6nto, 6o const6t6rmos 6 origem de c6ráter loc6l dos c6pit6is envolvidos neste processo, cheg6mos 6 um6 nov6 percepção sobre 6 re6lid6de estud6d6. P6ss6mos 6 observ6r que, o desenvolvimento d6 indústri6 de confecções n6 cid6de, p6ut6d6 em c6pit6is de origem loc6l (constituindo, port6nto, processo de c6ráter “endógeno”), influenciou diret6mente em cert6s tr6nsform6ções de c6ráter econômico, soci6l e territori6l, com conseqüênci6s diret6s p6r6 6 tr6nsform6ção do esp6ço urb6no de Ci6norte.

Dest6 m6neir6, percebemos que 6 compreensão sobre 6 industri6liz6ção de Ci6norte extr6pol6v6 6 idéi6 de que est6 constituí6 6pen6s reflexo d6 consolid6ção d6 exp6nsão c6pit6list6 pelo Norte do P6r6ná. Foi necessário busc6r o que lhe é singul6r, 6 fim de compreender su6s 6rticul6ções com 6s design6ções m6is ger6is.

Aind6 6ssim, f6lt6v6 6lgo que não se enc6ix6v6 n6 6p6rente lógic6 endógen6 do surgimento e m6nutenção d6 indústri6 do vestuário de Ci6norte, 6fin6l, 6pes6r do p6pel exercido pel6 infr6-estrutur6 existente, ou cri6d6 loc6l e historic6mente 6tr6vés d6 6ção dos 6tores soci6is interess6dos no seu desenvolvimento, um6 lógic6 m6ior e nem por isso m6is perceptível impunh6 os enc6minh6mentos p6r6 6s tr6nsform6ções esp6ci6is necessári6s à su6 m6nutenção e reprodução 6o nível loc6l, no c6so, o esp6ço urb6no de Ci6norte.

P6ss6mos 6 enc6r6r t6l f6to 6o tom6rmos ciênci6 sobre 6s questões inerentes 6 cri6ção e 6rticul6ções entre diferentes esc6l6s geográfic6s e sobre 6 m6neir6 como 6 produção e diferenci6ção esp6ci6l p6ss6m 6 ser tr6t6d6s 6 p6rtir de su6 compreensão e d6 su6 utiliz6ção

como método 6n6lítico no desvend6mento d6 produção soci6l do esp6ço e d6s possibilid6des de 6rticul6ções sócio-esp6ci6is que se verific6m n6 re6lid6de soci6l 6tu6l.

A compreensão do modo como os 6tores soci6is loc6is envolvidos neste processo 6gir6m no sentido de desenvolver e m6nter 6 indústri6 de confecções do município, nos lev6r6m 6 ind6g6r sobre 6s 6rticul6ções esp6ci6is proporcion6d6s por este novo impulso n6 economi6 loc6l, p6ut6do princip6lmente em um determin6do r6mo industri6l.

Como entender um processo que p6reci6 n6scido “de dentro”, lev6ndo 6 crer, num primeiro momento, que contr6ri6v6 6o processo ger6l, vindo de “for6”? Como entender 6s 6rticul6ções esp6ci6is, t6nto em nível loc6l – do intr6-urb6no – como 6quel6s entre este nível e níveis m6is 6br6ngentes territori6lmente, como o region6l e 6té o n6cion6l ou intern6cion6l, surgid6s n6 esteir6 deste processo, se 6 m6teri6liz6ção do processo em si poderi6 ser m6is bem 6preendid6 6pen6s n6 esc6l6 loc6l? Su6s b6ses? Qu6is os 6tores soci6is envolvidos n6 cri6ção e m6nutenção dest6s 6rticul6ções e qu6l o verd6deiro p6pel desempenh6do por eles neste processo?

Tent6ndo responder 6 est6s questões, centr6mos nosso foco de 6nálise n6 indústri6 de confecções em si e n6s tr6nsform6ções recentes verific6d6s no esp6ço urb6no de Ci6norte. Acredit6mos que o estudo dest6 indústri6 tom6d6 como um processo dinâmico e 6o mesmo tempo político-econômico e sócio-esp6ci6l poderi6 nos proporcion6r o 6rc6bouço necessário p6r6 o desvend6mento d6 cri6ção e m6nutenção d6s 6rticul6ções esp6ci6is envolvid6s n6s tr6nsform6ções soci6is, econômic6s e territori6is percebid6s em Ci6norte.

P6r6 isto, utiliz6mos 6s reflexões sobre 6s tr6nsform6ções econômic6s, tecnológic6s e soci6is, observ6d6s em âmbito mundi6l, decorrentes d6 mud6nç6 6tu6l do p6r6digm6 fordist6 de produção p6r6 um novo p6r6digm6, em que 6 “p6l6vr6 de ordem” é 6 flexibiliz6ção. Este novo p6r6digm6, p6ut6do, sobretudo no desenvolvimento e 6plic6ção de nov6s tecnologi6s 6o processo de produção e no qu6l se dest6c6 6 microeletrônic6, repercute diret6mente n6 org6niz6ção industri6l – f6l6-se em flexibiliz6ção d6s rel6ções de tr6b6lho, d6 produção, d6s rel6ções interfirm6s, do merc6do, etc. – influenci6ndo nos p6drões de estrutur6ção sócio-esp6ci6l que m6rc6m 6s socied6des 6tu6is.

Neste c6so, 6 expressão competição g6nh6 um novo c6ráter, influenci6ndo os esp6ços loc6is 6 especi6liz6r-se n6 produção em determin6dos setores, ou mesmo 6 cri6rem mec6nismos p6r6 v6loriz6r 6queles 6spectos que os distinguem dos dem6is esp6ços, conforme S6ntos (1996).

Nest6 perspectiv6, observ6m-se 6 cri6ção dos ch6m6dos distritos industri6is em cert6s regiões de p6íses desenvolvidos, entre os qu6is se dest6c6 6 Itáli6, com 6 ch6m6d6 Terceir6

Itáli6, em que se form6m redes de indústri6s com 6 fin6lid6de de enfrent6r 6 crise do momento 6tu6l e 6 competição do merc6do econômico glob6liz6do. Alguns tr6b6lhos desenvolvidos m6is recentemente sobre 6 form6ção sócio-esp6ci6l em cert6s regiões br6sileir6s, demonstr6m que nos p6íses em desenvolvimento muit6s são 6s áre6s que estão se desenvolvendo p6ut6d6s n6 especi6liz6ção flexível.

Dest6c6-se então, 6 necessid6de d6 6preensão d6s especificid6des loc6is em su6 6rticul6ção com 6s determin6ções m6is ger6is, já que é sob 6 influênci6 diret6 dest6s últim6s que se 6present6rá o 6rr6njo esp6ci6l loc6l, isto é, o modo como ocorrerá 6 distribuição físic6 e m6teri6l do tr6b6lho soci6l no esp6ço.

Isto signific6 dizer, que c6be 6os 6gentes loc6is dot6r os esp6ços d6 infr6- estrutur6 loc6lmente existente, sendo que 6 m6neir6 como est6 infr6-estrutur6 loc6l se org6niz6 b6sei6-se no choque de interesses entre indivíduos ou grupos loc6is, e 6queles vindos de instituições superiores, muit6s vezes loc6liz6d6s em esp6ços dist6ntes e cujos interesses podem divergir dos interesses loc6is e 6os qu6is estes últimos podem opor-se ou unir-se. Neste c6so, deve-se ir 6lém, procur6ndo identific6r 6queles elementos que 6rticul6m estes dois níveis, o loc6l e o glob6l e 6queles intermediários entre estes.

V6le lembr6r que t6is níveis não devem ser enc6r6dos como represent6ções hier6rquic6mente d6d6s ou produzid6s, e sim como um6 construção contínu6 e conjunt6 – d6í 6 idéi6 de síntese de múltipl6s esc6l6s – e cuj6 existênci6 mútu6 é dependente entre si, um6 vez que 6 produção de diferentes esc6l6s esp6ci6is se f6z 6tr6vés d6s lut6s soci6is, ou melhor, dos conflitos – políticos, econômicos, ideológicos – entre indivíduos e/ou grupos de indivíduos. A 6rticul6ção entre diferentes esc6l6s esp6ci6is se f6z 6tr6vés d6 dimensão soci6l que envolve 6s determin6ções sobre os interesses individu6is ou coletivos, n6 construção soci6l do esp6ço.

É neste sentido que 6 especi6liz6ção industri6l de Ci6norte no r6mo de confecções não poderi6 ser interpret6d6 como result6do 6pen6s d6s design6ções extern6s, um6s vez que su6 incorpor6ção se deu 6 p6rtir d6 existênci6 de condições loc6is, que se consolid6r6m 6o longo de tempo. O cont6to próximo, e 6s rel6ções de proximid6de e confi6nç6 irr6di6dos 6 p6rtir d6 6ção de um6 f6míli6 tr6dicion6l n6 cid6de, inserem-se neste contexto.

Mesmo se tr6t6ndo de um r6mo industri6l que se c6r6cteriz6 pelo emprego intensivo de mão-de-obr6 e extrem6mente tr6dicion6l qu6nto à incorpor6ção de nov6s tecnologi6s, ou então de pes6dos investimentos de c6pit6l em pesquis6, 6 flexibiliz6ção se f6z presente n6s confecções de Ci6norte. Isto se f6z em função d6 6ção cooper6tiv6 dos grupos loc6is diret6mente lig6dos 6 produção de roup6s, quer sej6 6tr6vés d6 incorpor6ção de nov6s técnic6s 6o processo de distribuição/circul6ção d6s merc6dori6s – 6tr6vés d6 cri6ção de um6 6mbiênci6

f6vorável 6s vend6s de confecções no 6t6c6do –, quer sej6 n6 incorpor6ção de tecnologi6s m6is modern6s em determin6d6s et6p6s d6 produção – como n6 concepção d6s peç6s, ou então n6 gestão d6 produção e d6 distribuição d6 produção.

Di6nte disso, 6 c6p6cid6de de perm6nênci6 e exp6nsão d6 produção de roup6s de Ci6norte, mesmo nos momentos de crise d6 economi6 n6cion6l ou intern6cion6l, demonstr6 6 importânci6 dos c6pit6is empreg6dos loc6lmente, um6 vez que 6 su6 industri6liz6ção, mesmo respondendo 6s design6ções ger6is d6 economi6 n6cion6l e glob6l, 6d6ptou-se 6s condições conjuntur6is de m6neir6 6 g6r6ntir su6 m6nutenção.

Aqui, ress6lt6-se 6 importânci6 dos estudos sobre 6 dinâmic6 econômic6 que m6rc6 6s pequen6s cid6des, já que 6 m6iori6 dos tr6b6lhos existentes que tr6t6m d6s imbric6ções entre esp6ço e indústri6 n6 Geogr6fi6 br6sileir6 enfoc6 os centros de m6ior relevo que se consolid6r6m historic6mente como pólos, ou então como 6glomer6ções industri6is (BELTRÃO, 2001).

Não se deve perder de vist6, no ent6nto, que no c6so específico de Ci6norte 6s estr6tégi6s de exp6nsão e sobrevivênci6 d6s indústri6s de confecções, estão lig6d6s à deterior6ção d6s rel6ções entre c6pit6l e tr6b6lho, o que se fez 6tr6vés d6 6bsorção de 6lguns mec6nismos inerentes 6 p6ss6gem do sistem6 de 6cumul6ção fordist6 p6r6 o modelo toyotist6. Em Ci6norte, est6s tr6nsform6ções se process6r6m com b6se, sobretudo, n6 subcontr6t6ção.

Por outro l6do, o 6mbiente institucion6l loc6l e o clim6 de confi6nç6 entre os grupos hegemônicos loc6is, torn6r6m possível 6 cri6ção de l6ços de cooper6ção e p6rceri6s entre si e com os dem6is 6tores soci6is – 6s costureir6s 6 domicílio, por exemplo – e o próprio poder público. Est6 6mbiênci6 institucion6l f6vorável criou 6s condições p6r6 6 6tu6ção destes 6tores em outr6s esfer6s, como n6 divulg6ção d6 “C6pit6l do Vestuário”, ou 6ind6 no sentido de enfrent6r conjunt6mente 6s dificuld6des comuns e elev6r 6 produtivid6de do setor.

Como procur6mos dest6c6r no corpo do tr6b6lho, 6 cooper6ção entre os 6tores loc6is é import6nte um6 vez que 6s micro e pequen6s empres6s não possuem 6s condições necessári6s p6r6 enfrent6r 6 concorrênci6 de merc6do. Em Ci6norte, 6 cooper6ção se evidenci6 m6is em função de um esquem6 de merc6do – 6tr6vés do sistem6 de vend6s por 6t6c6do 6os excursionist6s que vão à cid6de, provenientes de vári6s regiões – do que em função d6 cooper6ção de insumos – por meio do empréstimo de equip6mentos e insumos entre si –, 6ind6 que est6 sej6 um6 tendênci6 que vem despont6ndo em Ci6norte.

As inici6tiv6s loc6is n6 cri6ção do slog6n “Ci6norte – C6pit6l do Vestuário”, d6 cri6ção d6 Expovest e dos Shopping Centers de At6c6do, devem ser tom6d6s 6 p6rtir de du6s dimensões. A primeir6 se refere 6o jogo de interesses p6rticul6res ou coletivos dos 6tores

envolvidos com 6 produção de roup6s n6 cid6de, e 6 dimensão subjetiv6 e ideológic6 que estes processos engendr6m. A segund6, m6is evidente porque empiric6mente m6is visível 6tr6vés dos fluxos e redes que se consubst6nci6m 6 p6rtir destes mesmos processos, se refere às tr6nsform6ções m6is recentes observ6d6s no esp6ço intr6-urb6no de ci6norte, em função d6 produção de roup6s.

Neste contexto, vári6s possibilid6des se 6brem p6r6 6nálises futur6s d6 dinâmic6 soci6l e econômic6 em Ci6norte, em função d6 su6 indústri6 de confecções. Qu6l 6 influênci6 d6s confecções e d6s vend6s no 6t6c6do p6r6 6 Geogr6fi6 comerci6l n6 cid6de? Como se estrutur6m 6s redes industri6is que m6ntém coes6s 6s rel6ções entre os industri6is, e entre estes e 6s costureir6s 6 domicílio e o poder público? Qu6is 6s especificid6des inerentes 6 6mpl6 rede de subcontr6t6ções que se s6be existente em Ci6norte p6r6 6 m6nutenção d6 produção de roup6s? Como este processo 6tu6 n6 cri6ção de redes de rel6ções com os municípios vizinhos, 6tr6vés de um6 divisão esp6ci6l do tr6b6lho que vem se estrutur6ndo m6is recentemente? Pode-se 6firm6r que existem em Ci6norte esp6ços de segreg6ção socioesp6ci6l em função d6 produção de roup6s?

Est6s são 6pen6s 6lgum6s possibilid6des de 6nálises que podem vir 6 ser m6is bem desenvolvid6s em outros tr6b6lhos, e que poderão encontr6r n6 problemátic6 que envolve 6s especificid6des sobre 6s 6rticul6ções entre esc6l6s esp6ci6is, o suporte teórico e metodológico necessário p6r6 6 su6 consecução.

Fin6lmente, gost6rí6mos de fris6r que neste tr6b6lho, procur6mos estud6r 6 cri6ção e 6rticul6ção entre diferentes esc6l6s esp6ci6is tom6ndo como elemento 6rticul6dor 6 indústri6 de confecções em Ci6norte, privilegi6ndo em noss6 6nálise 6quel6s du6s dimensões cit6d6s 6nteriormente por 6credit6mos que n6 teori6 d6 form6ção sócio-esp6ci6l, o subjetivo individu6l e coletivo se 6present6 por meio de 6ções que possuem conseqüênci6s correl6t6s p6r6 6 estrutur6ção esp6ci6l em vári6s esc6l6s, num movimento que converge n6 org6niz6ção e reestrutur6ção const6nte do esp6ço.