• Sonuç bulunamadı

Cari İşlemler Dengesini Açıklamaya Yönelik Teorik Yaklaşımlar

Como mencion6do 6nteriormente, é pr6tic6mente impossível precis6r o número de tr6b6lh6dor6s 6 domicílio que prest6m serviços p6r6 6 produção de roup6s loc6l, mesmo porque 6 c6d6 momento, nov6s tr6b6lh6dor6s são impelid6s 6 este tipo de rel6ção de tr6b6lho.

A cri6ção, incorpor6ção e exp6nsão dest6 forç6 de tr6b6lho específic6 se inserem no conjunto de tr6nsform6ções porque vem p6ss6ndo Ci6norte no período que compreende pr6tic6mente 6s du6s últim6s déc6d6s. Est6 se insere no processo de desintegr6ção vertic6l que vem ocorrendo com 6 indústri6 de confecções de Ci6norte, 6o mesmo tempo em que

este setor industri6l loc6l se submete à lógic6 d6 produção em moldes flexíveis, o que demonstr6 6quilo que especi6list6s – sobretudo os economist6s – ch6m6m de extern6liz6ção produtiv6.

Os componentes que correspondem 6o processo de competição cooper6tiv6 t6mbém estão presentes n6 prátic6 d6 subcontr6t6ção d6s f6ccionist6s domicili6res de Ci6norte, um6 vez que 6s possibilid6des que se 6brem, p6r6 os empresários que subcontr6t6m est6 mão-de- obr6, constitui possibilid6de p6r6 todos, desde o micro-empresário 6té às gr6ndes empres6s loc6is e 6quel6s de outros lug6res que vão 6 Ci6norte em busc6 dest6s costureir6s. T6mbém 6 questão d6 identid6de sócio-cultur6l se f6z presente, um6 vez que 6s tr6b6lh6dor6s 6 domicílio concord6m que um dos princip6is f6tores p6r6 o desenvolvimento d6 indústri6 de confecções d6 cid6de é o tr6b6lho – desempenh6do conjunt6mente entre empresários e seus funcionários, independentemente dos vínculos empreg6tícios – e o estímulo cri6do por meio d6s 6ções dos empresários pioneiros no setor.

Agor6, vej6mos 6lgum6s c6r6cterístic6s específic6s 6o tr6b6lho domicili6r d6s costureir6s f6ccionist6s de Ci6norte, tendo por b6se su6s c6r6cterístic6s pesso6is; como lid6m com o tr6b6lho e os 6f6zeres domésticos; como dividem seu tempo e o esp6ço de que dispõem p6r6 tr6b6lh6r em c6s6 e su6s rel6ções com o tr6b6lho.

Um primeiro 6specto sobre o tr6b6lho 6 domicílio n6 indústri6 de confecções de Ci6norte, refere-se 6o f6to de ser um tr6b6lho sexu6do. Isto signific6 dizer que 6 mão-de-obr6 empreg6d6 é qu6se que 100% feminin6, s6lvo c6sos em que um homem d6 própri6 f6míli6 – filho, sobrinho ou mesmo o m6rido – p6ss6 6 contribuir execut6ndo qu6lquer t6ref6 que exij6 pouc6 especi6liz6ção.

A id6de d6s tr6b6lh6dor6s pode v6ri6r b6st6nte, em função do 6m6durecimento profission6l – costureir6s muito jovens não têm muito crédito entre os empresários, e 6quel6s com id6de muito 6v6nç6d6 podem não d6r cont6 do serviço no pr6zo estipul6do pelo empresário contr6t6nte p6r6 6 execução do tr6b6lho. Assim, há preferênci6 pel6s costureir6s de mei6-id6de que possu6m experiênci6 comprov6d6 n6s fábric6s de confecções ou que 6tuem como f6ccionist6s há 6lgum tempo – dois ou três 6nos.

P6r6 6s costureir6s, os empresários 6credit6m que qu6nto m6is id6de – de 30 6 50 6nos, por exemplo – há m6is ch6nce de que os filhos já estej6m crescidos e o tempo p6r6 se dedic6r 6o tr6b6lho p6ss6 6 ser m6ior. N6 verd6de, como const6t6mos junto 6os empresários, est6 idéi6 não corresponde 6 re6lid6de, um6 vez que 6 preferênci6 é d6d6 àquel6s costureir6s que possuem experiênci6 n6 lid6 com o regime de tr6b6lho, 6s que tem m6ior compromisso com o tr6b6lho e com os pr6zos e 6quel6s que se dedic6m em melhor6r 6 qu6lid6de fin6l do produto, independentemente d6 et6p6 d6 produção p6r6 6 qu6l o serviço foi solicit6do. Qu6nto 6

escol6rid6de, verificou-se certo p6drão em que 6s costureir6s com m6is id6de possuem o Ensino Fund6ment6l incompleto e 6s m6is jovens tem o Ensino Médio incompleto.

Um f6to singul6r sobre 6 vid6 profission6l dest6s costureir6s é que tod6s 6quel6s com 6s qu6is convers6mos já possuí6m 6lgum6 experiênci6 com 6s confecções 6ntes de se torn6rem f6ccionist6s, quer por meio do tr6b6lho dentro de empres6s do r6mo, quer 6tr6vés d6 experiênci6 herd6d6 d6 mãe ou de outros p6rentes que t6mbém tr6b6lh6m 6 domicílio.

Qu6nto à imbric6ção entre 6s 6tivid6des profission6is e 6 doméstic6, um6 d6s c6r6cterístic6s m6rc6ntes deste tipo de rel6ção de tr6b6lho está no f6to de 6 tr6b6lh6dor6 poder concili6r um6 6tivid6de que gere rend6, 6ument6ndo o orç6mento f6mili6r, com su6s 6tivid6des doméstic6s, h6vendo 6 possibilid6de, port6nto, de se dedic6r m6is 6 educ6ção dos filhos e 6o cônjuge. Este 6specto t6mbém foi registr6do por M6i6 (1994), em su6 pesquis6.

Dois 6spectos princip6is devem ser dest6c6dos sobre 6 escolh6 d6 su6 6tivid6de profission6l p6ut6d6 n6s rel6ções de subcontr6t6ção. O primeiro foi just6mente o f6to de h6ver 6 possibilid6de de desempenh6r um6 6tivid6de remuner6d6, concili6d6 com 6s t6ref6s doméstic6s, o que seri6 impossível se estivessem empreg6d6s num6 indústri6, onde o regime de tr6b6lho é orient6do segundo o horário comerci6l – isto qu6ndo 6 dem6nd6 pel6s confecções não obrig6m 6s tr6b6lh6dor6s form6is 6 f6zer hor6-extr6 n6 empres6.

O segundo 6specto refere-se 6o f6to de que o p6g6mento unitário pelo serviço desempenh6do no c6so d6 subcontr6t6ção é m6is v6nt6joso, em curto pr6zo, do que o v6lor do s6lário p6go 6s costureir6s form6is d6s indústri6s. Isto porque, dependendo d6 disponibilid6de de tempo d6 tr6b6lh6dor6 6 domicílio, bem como d6 contribuição d6d6 por outros membros d6 f6míli6 n6 execução do tr6b6lho p6r6 o qu6l est6 foi contr6t6d6, os g6nhos d6 f6ccionist6 podem cheg6r 6 6té três vezes o v6lor do s6lário p6go 6 um6 costureir6 form6l, empreg6d6 n6 indústri6.

Um d6do relev6nte p6r6 6 c6r6cteriz6ção d6 produção domicili6r d6s confecções é o esp6ço utiliz6do pel6s costureir6s p6r6 execut6r seus serviços. Sobre este 6specto, pode-se dizer que 6 m6iori6 d6s f6ccionist6s domicili6res não possui um esp6ço exclusivo, dentro d6 c6s6, p6r6 desempenh6r su6s funções de costureir6. Por isso, vários esp6ços d6 c6s6, como 6 s6l6, os qu6rtos, 6 g6r6gem, 6 áre6 de serviço (l6v6nderi6) 6c6b6m sendo incorpor6dos, com vist6s 6 permitir 6 produção d6s roup6s.

Neste c6so, observ6-se um6 sobreposição entre 6 vid6 profission6l e 6 vid6 f6mili6r, em que 6s rel6ções de tr6b6lho que envolve diret6mente 6 um único membro d6 f6míli6 6c6b6m desenc6de6ndo um6 série de rel6ções que 6fet6 6 vid6, o cotidi6no e mesmo 6s rel6ções de poder 6té então est6belecid6s entre todos os membros d6 f6míli6 que 6li vivem.

Vislumbr6-se, neste c6so, de que m6neir6 um6 determin6d6 sucessão de 6contecimentos, de ordem econômic6, polític6, soci6l e 6té cultur6l, p6ut6dos num processo sócio-ep6ci6l glob6l dinâmico, 6fet6 diret6mente 6 esc6l6 d6s rel6ções que se est6belecem, e 6c6b6 influenci6ndo sobre 6 org6niz6ção dos esp6ços m6is exclusivos, como o é o esp6ço – ou território – d6 c6s6.

Não se deve esquecer, porém, que est6 nov6 org6niz6ção/reorg6niz6ção – polític6, do ponto de vist6 d6s rel6ções de poder – que surgem no interior d6 c6s6 d6s costureir6s 6 domicílio, por m6is restritos que poss6m p6recer, t6mbém cri6m rel6ções que extr6pol6m 6s fronteir6s destes esp6ços/territórios, podendo 6fet6r, 6 org6niz6ção sócio-esp6ci6l em outr6s esc6l6s geográfic6s. A esc6l6 d6 produção/distribuição de roup6s, por exemplo.

Aind6 sobre 6 questão dos esp6ços utiliz6dos pel6s costureir6s domicili6res, v6le ress6lt6r que estes esp6ços se 6mpli6m à medid6 que 6ument6m os g6nhos e o número de costureir6s empreg6s. Assim, qu6ndo um6 costureir6 consegue economiz6r p6rte d6 su6 rend6, ger6lmente 6plic6 este dinheiro n6 compr6 de outr6 máquin6 p6r6 6mpli6r 6 c6p6cid6de de produção e, conseqüentemente, os g6nhos com 6 6tivid6de.

Neste c6so, qu6ndo não há um p6rente próximo 6 quem convid6r p6r6 tr6b6lh6r junto 6 si, 6 costureir6 6c6b6 subcontr6t6ndo outr6 costureir6, e 6ssim o mec6nismo de subcontr6t6ção p6ss6 6 cri6r e 6rticul6r verd6deir6s redes em que 6s rel6ções de tr6b6lho p6ut6d6s n6 subcontr6t6ção constituem 6 forç6 motriz, que desenc6dei6 todo um conjunto de rel6ções que t6mbém extr6pol6m 6 esfer6 pur6mente econômic6 d6 re6lid6de, conform6ndo novos p6drões de rel6ções polític6s, soci6is, esp6ci6is entre os 6gentes envolvidos neste processo – empresários industri6is, costureir6s 6 domicílio subcontr6t6d6s pelos empresários, costureir6s 6 domicílio subcontr6t6d6s pel6s costureir6s 6 domicílio subcontr6t6d6s pelos empresários.

T6mbém outros 6spectos m6rc6m 6 6tu6ção dest6s costureir6s domicili6res. Sobre o número de hor6s dedic6d6s 6o tr6b6lho profission6l, 6s costureir6s concord6m que costum6m tr6b6lh6r no mínimo oito hor6s por di6, ou sej6, tr6b6lh6m 6o menos o tempo que tr6b6lh6ri6m c6so estivessem empreg6s form6lmente. Qu6ndo há exceção, est6 se f6z por cont6 de 6lgum 6contecimento que influenciou sobre o tr6b6lho neste ou n6quele di6, o qu6l deve ser rel6tiviz6do 6ument6ndo 6 c6rg6 horári6 nos di6s posteriores.

O tempo dispens6do p6r6 os 6f6zeres domésticos pode v6ri6r em função do t6m6nho d6 f6míli6, d6 id6de dos seus membros e do t6m6nho d6 c6s6, m6s nunc6 excede 5 ou 6 hor6s diári6s, um6 vez que sempre há 6lguém – filhos, sobrinhos, p6rentes próximos que mor6m n6 mesm6 c6s6 – que 6c6b6 contribuindo t6mbém com o serviço doméstico.

Como mencion6do 6nteriormente, o ofício em que 6s f6ccionist6s domicili6res m6is se dest6c6m é o de costureir6, em que se pode mont6r 6 peç6 de roup6 inteir6, um6 p6rte d6 peç6 ou 6pen6s f6zer o 6c6b6mento n6 mesm6 – b6rr6s, pulsos, gol6s, bolsos, botões, etc. No ent6nto, há 6ind6 6s bord6deir6s cujo tr6b6lho execut6do possui um c6ráter m6is especi6liz6do. Qu6nto 6 segment6ção d6 produção execut6d6 pel6s costureir6s 6 domicílio, 6proxim6d6mente 6 met6de tr6b6lh6m com peç6s em je6ns, e o rest6nte lid6 com peç6s de “modinh6” – c6mis6s, bermud6s, s6i6s, c6misetes, roup6s de esporte fino, etc.

An6lis6ndo t6mbém sobre 6s rel6ções de tr6b6lho que envolve 6s costureir6s subcontr6t6d6s, M6i6 (1994, p. 93), lembr6 que “se, por um l6do, este tipo de 6tivid6de oferece m6ior 6utonomi6 e liberd6de de horário às tr6b6lh6dor6s 6 domicílio, por outro não cheg6 6 proporcion6r o nível de est6bilid6de desej6d6”. Tr6t6-se do f6to de existir cert6 rot6tivid6de no emprego deste tipo de mão-de-obr6, sendo que no c6so específico de Ci6norte est6 c6r6cterístic6 t6mbém está b6st6nte presente.

Contudo, segundo o represent6nte do sindic6do d6 c6tegori6, mesmo não sendo reconhecid6s ofici6lmente pel6s leis tr6b6lhist6s vigentes, est6s costureir6s recebem todo o 6poio necessário do sindic6to, que t6mbém 6c6b6 6tu6ndo p6r6 defender seus interesses. Dest6c6-se 6ind6, o f6to de que qu6ndo há um6 conquist6 lev6d6 6 c6bo pel6 6ção d6s costureir6s que tr6b6lh6m form6lmente n6s indústri6s de confecções 6poi6d6s pelo sindic6to, t6mbém 6s costureir6s domicili6res 6c6b6m se benefici6ndo dest6s conquist6s, sobretudo qu6ndo está em jogo o v6lor p6go pelo tr6b6lho d6s costureir6s. Isto ocorre, um6 vez que 6s domicili6res p6ss6m 6 exigir t6mbém um 6umento no v6lor p6go pel6 peç6, n6 mesm6 proporção do hipotético 6umento de s6lário recebido pel6s costureir6s form6lmente contr6t6d6s pel6s indústri6s.

Di6nte do qu6dro exposto 6té o presente, pode-se inferir que 6s costureir6s 6 domicílio possuem importânci6 ímp6r n6 produção de roup6s loc6l, t6nto no sentido qu6lit6tivo como qu6ntit6tivo, constituindo-se est6s n6 “outr6 pont6” do processo, sendo que este termo pode ser entendido em dois sentidos:

O primeiro se refere 6o p6pel desempenh6do pel6s costureir6s, 6tr6vés do seu tr6b6lho, n6 cri6ção d6s condições m6teri6is p6r6 6 re6liz6ção d6 produção de confecções enqu6nto d6do m6teri6l, p6rte de um processo econômico. Neste c6so, 6s rel6ções de tr6b6lho n6s qu6is estão inserid6s, enqu6nto tr6b6lh6dor6s domicili6res subcontr6t6d6s, nos permite 6firm6r que est6s se encontr6m n6 pont6 do processo de produção em si, 6tr6vés mesmo dest6s rel6ções de tr6b6lho em que se inserem e que 6tu6m no sentido de reproduzi-l6s soci6lmente como costureir6s 6 domicílio.

O segundo sentido que queremos d6r, é o do p6pel que desempenh6m enqu6nto 6tores que t6mbém p6rticip6m sobre 6s determin6ções polític6s que se 6plic6m 6 produção de roup6s enqu6nto fenômeno econômico e esp6ci6l, contribuindo p6r6 cri6r e org6niz6r/reorg6niz6r 6s diferentes esc6l6s esp6ci6is que se cri6m ou se podem cri6r em torno d6s confecções em Ci6norte. Isto signific6 situ6r est6s tr6b6lh6dor6s como 6gentes que contribuem 6tiv6mente p6r6 6 form6ção sócio-esp6ci6l em que estão inserid6s, e p6r6 6s tr6nsform6ções que 6fet6m est6 form6ção sócio-esp6ci6l 6o longo do tempo.

CAPÍSULO 6

AS ARSICULAÇÕES ESCALARES DA