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1.9. Çocuk Cinsel Ġstismarında Sosyal Hizmet Müdahalesi

1.9.2. Aile Düzeyinde Sosyal Hizmet Müdahalesi

Deste estudo, algumas conclusões podem ser elencadas, a título de considerações: do contexto político do município de Mossoró, baseado em estudos anteriores (BOSCO FILHO; LIMA, 2003; SOUSA, 2013; COELHO, 2008), e dos resultados obtidos por este estudo, pode-se afirmar que o domínio político exercido por grupos familiares, até 2013, caracteriza-a como um território que permaneceu sob o julgo de lideranças políticas conservadoras que não compartilhavam um projeto político participativo. Entretanto, as dificuldades decorrentes de práticas manipuladoras no conselho de saúde, de cooptação de seus participantes por meio da velha gramática do clientelismo, não foram suficientes para impedir o exercício da participação social no conselho.

Além das dificuldades elencadas anteriormente, tem-se ainda, a desigualdade de recursos entre os participantes que pode ser um limite a uma atuação mais ativa. Neste sentido, é importante que seja superada ou pelo menos reduzida. Algumas dessas dificuldades são de responsabilidade de toda a sociedade, outras, como por exemplo, uma política de capacitação pode ser uma ação do governo local, das instituições participantes, ou, uma parceria entre as diversas instituições com assento no conselho.

Outro elemento que pode alterar o nível de atuação dos atores diz respeito ao processo de transcrição das atas, relevante ferramenta para a análise da efetividade do conselho. Muitos foram os entrevistados que, diretamente ou não, expressavam críticas a esse processo. Há privilégios no registro da atuação de determinados atores, em detrimento dos usuários, por exemplo. Nesse sentido, os estudiosos da democracia deliberativa destacam como de suma importância o processo de transcrição e o respeito às falas. Cabe aos autores das falas a compreensão de que a fala tem um significado especial para a efetividade deliberativa dos conselhos e que o não registro dela, pelos responsáveis pelas transcrições das atas, expressa certa dificuldade de se conviver com a diferença.

Quanto a “classificação dos segmentos”, sugere-se a possiblidade de incorporar outras nomenclaturas, assim como existe o segmento Ator Externo Governo, que atua como “força auxiliar” do segmento Governo, seria pertinente discutir a criação de outras forças auxiliares, por exemplo: Ator Externo Prestador. Essa reclassificação seria importante porque, no momento de definição da grau de

efetividade, por exemplo, seria considerado o resultado da atuação dessas “forças auxiliares”.

Sabendo da importância da participação social para a efetividade deliberativa, fez-se uma análise do desempenho ou atuação dos segmentos durante todo o período pesquisado, observou-se que o segmento trabalhador apresentou maior capacidade de vocalização, de agenda, de debates, dividindo com o segmento prestador quem mais fez contestação, com uma variação entre o segmento governo (quem mais demanda) e segmento usuário (quem mais denuncia). Observou-se, portanto, uma relação direta do segmento de maior capacidade de vocalização com o de agenda e o de debate. Dito de outro modo, o segmento que mais falou foi também o que mais colocou temas para a agenda e o que mais participou dos debates. O protagonismo do segmento trabalhador pode ter relação com o ativismo desse segmento, reconhecido na construção do Sistema Nacional de Saúde. Em Mossoró, esse segmento se diferencia por sua participação política nos fóruns que discutiam a reforma sanitária na cidade, entre o final da década de 1980 e início da década de 1990, com destaque para a Associação Médica local e o SINDSAÚDE.

O segmento governo teve um desempenho satisfatório, como foi observado na seção anterior, contando para isso com a contribuição do segmento ator externo governo. Considera-se positivo para o controle social a presença do governo nas reuniões do conselho, por dividir responsabilidades com a instituição, pois muitas das questões colocadas para conhecimento e deliberação do conselho são relacionadas às próprias responsabilidades exigidas pelas normas do SUS, como condição para o repasse de recursos e para a aprovação de alguns programas, projetos e convênios que precisam de seu aval para adesão do município. Porém, observou-se quando determinadas questões entram em contradição com o perfil conservador do município, como as eleições para diretores de unidades de saúde, por exemplo, aprovadas em plenária, elas não são devidamente encaminhadas.

Quanto ao segmento prestador, conforme já observado por estudiosos da questão, tudo indica que privilegia outros fóruns. Pode ser que sim, mas, observando o desempenho do segmento ator externo sociedade civil na seção anterior, provavelmente o segmento prestador teria uma atuação mais destacada, pois muitos dos participantes das reuniões do conselho foram identificados como pertencentes ao segmento ator externo sociedade civil, como donos ou dirigentes de

hospitais, clínicas e laboratórios, cujos interesses se identificam mais com os dos prestadores.

Após destacar a transcrição das atas e da atuação dos participantes para o processo deliberativo, fez-se a análise da institucionalização do Conselho de Saúde de Mossoró que permitiu inferi que a presença de variáveis importantes para a efetividade democrática do conselho, destacadas por Avritzer et al (2007b; 2010), por Faria (2007) e por Faria e Ribeiro (2010), como eleições do presidente do conselho por seus pares, pluralidade da representação, presença de comissões técnicas, previsão de conferência, definição da pauta pelos conselheiros e reuniões regulares, entre outras, foi relevante, mas não suficiente a ponto de qualificar a participação dos atores sociais, no caso dos usuários, e influenciar positivamente a efetividade deliberativa do conselho.

No que diz respeito ao modelo da efetividade deliberativa preconizado por Cunha (2007), verificou-se que o Conselho de Saúde de Mossoró, a partir da leitura e análise das atas, apresentou médio grau de efetividade deliberativa. Isso ocorreu devido ao fato de não ter havido uma participação mais significativa no conselho do segmento dos usuários, o que contribuiu para a média capacidade de vocalização e de agenda, pouca participação nos debates e baixo poder de contestação. No período em estudo, sobressaíram-se apenas na variável denúncia. Contudo, a responsabilidade por esse médio desempenho é também dos demais segmentos, pois tanto a função exercida majoritariamente pelo conselho quanto às decisões tomadas está relacionada mais ao controle da política. Ou seja, o conselho vem exercendo mais o papel de fiscalizador sobre as ações do Estado. Apesar das dificuldades encontradas o conselho busca cumprir o seu papel constitucional.

Como os estudiosos da democracia deliberativa sustentam que os conselhos, compostos por instituições do estado e da sociedade, são espaços onde a democracia deliberativa pode se realizar. Pode-se ressaltar que a paridade entre os usuários e os demais membros do conselho, lembra um de seus princípios, a igualdade deliberativa. Entretanto, o resultado da efetividade deliberativa demonstrou, conforme já alertara os deliberacionistas, que a igualdade numérica não é suficiente para proporcionar uma igualdade, de fato, entre os diversos atores presentes nos conselhos de saúde, uma vez que eles são portadores de recursos diferentes.

Outro princípio da democracia deliberativa observado ao longo da pesquisa, o da publicidade, na prática, segundo conselheiros entrevistados, vem sendo exercida pelo conselho, faltando apenas institucionalizá-lo. Falta colocar na lei do conselho e em seu regimento que as suas reuniões são abertas ao público, precedidas de ampla divulgação.

No que tange o princípio da pluralidade, mesmo considerando que não há, a priori, privação da liberdade de expressão no interior do conselho, observa-se a ausência de certos recursos por parte de alguns atores e de um ambiente que não estimula o debate, à contestação, ao acolhimento das denúncias e das demandas, o que, afinal, compromete a concretização desse princípio. Apesar das modificações na lei do conselho, que proporcionaram a ampliação das representações, não é possível afirmar que o plenário do conselho, seja um espaço em que as manifestações ocorram naturalmente, livremente. Mas não se pode deixar de destacar que esses espaços são uma oportunidade de se debater as questões publicamente, o que já é uma boa justificativa para a sua existência.

Neste sentido, considerando o debate da participação social no Brasil, não se pode deixar de destacar a contribuição do CMSM. Mesmo com as limitações identificadas por este estudo que o impediu de cumprir a função de formulador da política de saúde, conforme preconizam as normas do SUS, e que exerceu, com limitações, o seu papel de fiscalizador das ações do município no período estudado, não deixa de ser ele uma instituição importante. O Conselho revelou-se como um espaço permeável à participação da sociedade; mostrou que é possível construir acordos, sem considerar, aqui, as possibilidades que se abrem com a eleição de seu presidente por seus pares e com a ampliação da representação a partir da inclusão de novos atores.

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