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3. BULGULAR VE YORUM

3.1. Problem Çözme Stratejilerine Yönelik Bulgular

3.1.1. Celile’nin problem çözme stratejilerine yönelik bulgular

Segundo Meleis (2000), após uma doença há condições que facilitam ou dificultam a adaptação e transição. Estas condições classificam-se como pessoais, da comunidade e da sociedade.

As condições pessoais como os significados, as crenças culturais e atitudes, o estatuto socioeconómico, a preparação e conhecimento prévio podem ser facilitadores ou inibidores do processo de transição.

O significado que os doentes atribuem aos fatores de risco do AVC influenciam os sentimentos vivenciados durante a transição para a dependência. Os participantes com comportamentos de risco sentem-se culpados pela sua situação, “Eu não gosto de tomar remédios e quando fiquei bem deixei de tomar. É um alerta que se calhar não acontecia. A minha maneira de ser falhou, se tomasse remédios se calhar não acontecia.” (E2). O aparecimento do AVC, tanto pode ser fruto das escolhas do próprio sujeito, com fatores de risco modificáveis, como surgir inesperadamente, visto que há fatores de risco não controláveis.

O significado que as pessoas atribuem também à situação atual de dependência influencia o seu processo de recuperação. Pessoas dominadas por pensamentos e sentimentos negativos têm mais dificuldade na vivência da transição, “Ainda não pensei bem, nem quero pensar o que significa esta doença. Tenho medo de ficar sempre assim.” (E3).

Alguns estudos demonstraram que pessoas com estatuto socioeconómico mais baixo, estão mais suscetíveis a sintomas psicológicos e eventos que dificultam a transição (Uphold; Susman, 1981, citado por Meleis et al., 2000). No nosso estudo, os participantes em maior número apresentam baixo nível de escolaridade, apresentando dificuldades na adaptação à nova situação, “Nada foi fácil. Custou tudo. Até estar aqui.” (E4); “Para mim nada foi fácil.” (E5).

O conhecimento da doença e do que se espera após o AVC e, quais as dificuldades previstas influenciam o processo de transição do doente. Contudo, o aparecimento repentino de um AVC não permite a preparação prévia. As crenças culturais e a fé são um apego na adaptação do doente, fazendo acreditar na melhoria, “Não queria sofrer, mas tenho fé que isto vai melhorar.” (E12).

Das condições comunitárias fazem parte os recursos que uma comunidade garante para facilitar ou inibir o decorrer das transições. O apoio por parte de familiares ou amigos, as informações e suporte obtidos junto de profissionais de saúde facilitam o processo de transição. Pelo contrário, segundo Meleis et al. (2000) a falta de recursos, de ensinos, de apoio emocional, do planeamento organizado da alta dificultam o processo de transição.

Meleis e Schumacher (1994) consideram que o conhecimento do ambiente social no qual a pessoa está inserida permite aos Enfermeiros desenvolver intervenções terapêuticas adequadas ao grupo e comunidade.

As condições sociais que dificultam a transição segundo Meleis et al. (2000) são a marginalização, os estigmas e os papéis socialmente definidos.

Meleis et al. (2000) referem que as caraterísticas pessoais do indivíduo determinam a qualidade da resposta à necessidade de mudança. Contudo, a

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transição da pessoa após o AVC e a dependência será favorecida se os Enfermeiros, profissionais de saúde que estão constantemente em contacto com o doente e família, auxiliarem-nos na adaptação à doença e à dependência e assistirem-nos na integração no hospital. A família também tem de ser incorporada no alvo terapêutico, pois são o pilar da transição saudável do doente após o AVC.

Os participantes descrevem os acontecimentos que facilitam e inibem este processo de transição.

Categorias Subcategorias Unidades de Registo

Acontecimentos facilitadores da transição

Boa relação com os Enfermeiros

“O mais fácil é ter Enfermeiros espectaculares, atenciosos, amigos, têm maneiras, nem tenho palavras para descrever.” (E2)

Melhoria clínica “O mais fácil é ver-me a recuperar.” (E1) “O mais fácil é estar a ficar melhor.” (E9) Visita dos familiares ao

hospital

“Momentos fáceis (…) só quando tenho os filhos à minha beira.” (E7)

“Fácil é a companhia e apoio que me dá a minha esposa.” (E13)

Presença de todos os recursos

“O mais fácil até agora é não sentir falta de nada, temos tudo (…) gosto das Enfermeiras e das empregadas.” (E3).

Acontecimentos inibidores da transição

Afastamento do domicílio “O mais difícil é estar fora de casa, estar sem o meu marido e os meus netos que tomo conta.” (E1)

Limite psicológico “O mais difícil é estar aqui preso.” (E2) “Difícil é estar preso no hospital. Gosto de sair.” (E11)

Falta de apetite “O que acho que tem dificultado é não ter apetite nenhum.” (E5) Limitações resultantes do

AVC

“O mais difícil é o desequilíbrio ao andar, as tonturas. Esta mão que não tenho força. Vejo mal desta vista.” (E4) Dificuldades de adaptação

do doente face à nova situação

“Nada foi fácil. Custou tudo. Até estar aqui.” (E4)

“Para mim nada foi fácil.” (E5) Dificuldades de adaptação

dos familiares “O mais difícil é ver a minha família a chorar por mim, tristes.” (E9) Quadro 12: Condições da transição

As condições comunitárias facilitadoras que os participantes descrevem são a boa relação com os Enfermeiros, a presença de todos os recursos e o apoio dos familiares através das visitas hospitalares. A nível das condições pessoais, o significado atribuído ao sentido da transição através da melhoria clínica dá também motivação aos entrevistados.

A boa relação com os Enfermeiros é elogiada pelos doentes, “O mais fácil é ter Enfermeiros espectaculares, atenciosos, amigos, têm maneiras, nem tenho palavras para descrever.” (E2); “Fácil é (...) a ajuda das enfermeiras.” (E13). Santos

(2000) no seu estudo considerou a comunicação/relação Enfermeiro/doente como fator facilitador da recuperação da saúde da pessoa doente.

Ryan (2005) afirma que na relação que estabelecem com os Enfermeiros, os doentes colocam elevada expectativa, esperam humanidade, apreciam a honestidade na informação, uma relação de confiança e compreensão mútua.

A presença de todos os recursos, materiais, mas sobretudo humanos, não sentir falta de nada, aquando do internamento, é referido como facilitador deste processo de transição, “O mais fácil até agora é não sentir falta de nada, temos tudo (…) gosto das Enfermeiras e das empregadas.” (E3).

As visitas dos familiares ao hospital têm um papel importante no apoio psicológico e afetivo dos doentes internados, “Momentos fáceis (…) só quando tenho os filhos à minha beira.” (E7); “O mais fácil é poder ter visto o meu marido aqui.” (E10); “Fácil é a companhia e apoio que me dá a minha esposa.” (E13). DGS (2000) corrobora da importância das visitas hospitalares, referindo que o acompanhamento familiar pode ser um contributo valioso na preparação da alta do doente e, consequentemente, na continuidade dos cuidados, essencialmente quando se trata de doentes com doença crónica. Martins (2002) confirma que 66,7% dos doentes é visitado por familiares diretos, principalmente por filhos e cônjuges.

O significado que o doente atribui à melhoria clínica é impulsionadora da motivação e recuperação do doente, facilitando a gestão da doença e dependência, “O mais fácil é ver-me a recuperar.” (E1); “O mais fácil é estar a ficar melhor.” (E9). Reconhecer pequenos ganhos dá confiança e motivação ao doente para continuar a participar na sua recuperação (Seale; Berges; Ottenbacker; Ostir, 2010). A pessoa quando depara com o seu progresso aumenta os níveis de emoção positiva e enfraquece os efeitos do stresse e emoções negativas que, frequentemente ocorrem logo após o AVC permitindo que continue a reabilitação (Fredrickson, Mancuso, Branigan, Tugade, 2000).

O afastamento do domicílio, o limite psicológico, a falta de apetite, as limitações resultantes do AVC e as dificuldades de adaptação do doente são referidos pelos participantes como acontecimentos inibidores da transição. O significado que o doente lhes atribui influencia o processo de transição.

As dificuldades de adaptação dos familiares à doença e dependência são referidas também pelos participantes como condições comunitárias dificultadoras da transição.

Segundo Oliveira et al. (2012), as normas e as regras do hospital podem isolar a pessoa do seu ambiente confortável, ou seja, da sua casa, bem como dos

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seus familiares. O afastamento do domicílio é referido como perturbador para os participantes, “O mais difícil é estar fora de casa, estar sem o meu marido e os meus netos que tomo conta.” (E1). Costa (2002) confirma que nos internamentos hospitalares, os doentes são sujeitos ao isolamento em relação ao mundo que os rodeia. A inatividade e o limite psicológico perturbam-os, “O mais difícil é estar aqui preso.” (E2); “Difícil é estar preso no hospital. Gosto de sair.” (E11); “Difícil foi entrar aqui, entrar no hospital para mim é um obstáculo, estou habituado a mexer- me e aqui estou preso.” (E13).

A perda de apetite é um dos sinais de depressão após AVC. O doente afastado do seu mundo fora do hospital perde o apetite, e o significado que o doente atribui a essa falta de apetite é relatada como uma das dificuldades de um dos participante, “O que acho que tem dificultado é não ter apetite nenhum.” (E5).

O significado que os participantes atribuem às limitações resultantes do

AVC são também vistas com dificuldades, “O mais difícil é o desequilíbrio ao andar, as tonturas. Esta mão que não tenho força. Vejo mal desta vista.” (E4); “Difícil é não conseguir comer e ter de urinar na aparadeira.” (E8). As incapacidades são difíceis de aceitar e as dificuldades que provocam nas tarefas importantes são complicadas para o doente.

As dificuldades de adaptação do doente face à nova situação são vincadas pelos participantes, “O AVC é muito complicado. Os doentes têm de ter muita força de vontade. Temos de viver um dia de cada vez.” (E1);“Nada foi fácil. Custou tudo. Até estar aqui.” (E4); “Para mim nada foi fácil.” (E5); “Momentos mais fáceis (...) Nada.” (E8). O significado que os doentes atribuem às dificuldades de adaptação perturba-os. A adaptação à nova condição de dependência foi muito difícil para os participantes.

Para além das condições pessoais dificultadoras deste processo de transição, os participantes relatam como inibidoras deste processo as dificuldades de adaptação dos familiares face à nova situação.

As dificuldades de adaptação dos familiares à transição inquietam os doentes, “O mais difícil é ver a minha família a chorar por mim, tristes.” (E9). Moreira (2001) confirma que numa família, quando uma pessoa sofre um AVC, toda a dinâmica familiar é alterada pelo grau de dependência que geralmente esta doença acarreta. Durante a fase de adaptação ao AVC, as limitações resultantes da doença geram uma crise não só para a pessoa doente, mas também para sua família (Mendonça; Garanhani; Martins, 2008).

Deste modo deve ser preocupação dos Enfermeiros o apoio aos doentes e família neste processo de transição.