2. KIRŞEHİR MERKEZ TÜRK DEVRİ YAPILARINDA TAŞ SÜSLEME (13-14 Yüzyıl) TAŞ SÜSLEME (13-14 Yüzyıl)
2.3. Cacabey Medresesi ve Türbes
Os vídeos dos espetáculos de dança que constituem o corpus desta pesquisa são tratados como textos sincréticos e são analisados através das relações semissimbólicas que se articulam mediante determinados andamentos, ritmos, variações de tonicidade, espacialidade e gradações presentes nos discursos. Assim, a título de uma introdução para as análises contidas neste capítulo, creio ser oportuno uma breve recapitulação sobre os aspectos teóricos metodológicos que articulam este trabalho.
Resumidamente, como já foi exposto nos capítulos anteriores, para a semiótica francesa, tanto o espetáculo de dança presencial quanto o vídeo ou filme deste espetáculo, podem ser considerados textos sincréticos, pois o discurso em dança se apresenta na correlação entre várias linguagens.
Nesses termos, semissimbolicamente, a semiótica francesa vai examinar a produção de sentido no/do discurso a partir das relações entre o plano de conteúdo (PC) e o plano da expressão (PE). No PC o exame se realiza em três níveis: o fundamental, o narrativo e o discursivo que embora possam ser estudados separadamente, se encadeiam e se complementam. É importante ressaltar que do primeiro ao último nível, há um enriquecimento e uma complexificação do sentido que culmina com sua concretização, no nível discursivo, por meio de temas e figuras que se articulam.
No nível fundamental estão presentes estruturas elementares da significação (categorias semânticas de base), isto é, são oposições mais abrangentes e abstratas que sustentam o sentido articulado aos seus termos. Essas categorias, A vs. B e não-A e não-B, são representadas no quadrado semiótico organizado a partir de oposições semânticas entre os termos podendo contrair três relações: 1) de contrariedade entre A vs. B e não-A vs. não-B. 2) de contraditoriedade entre A e não-A e B e não-B. 3) de complementaridade entre não-B e A e não-A e B. Assim, os termos de um eixo semântico aplicados ao quadrado semiótico são categorias mais abstratas correlatas a conceitos ou termos universais como morte vs. vida, natureza vs. cultura e identidade vs. alteridade que são revestidos de valorizações positivas ou negativas por meio da relação euforia vs. disforia.
No nível narrativo, estão as relações que se instauram entre sujeitos e entre sujeitos e objetos com os quais esses sujeitos buscam entrar em junção (conjunção = S∩O ou disjunção = SUO). Nestas relações não se pode perder de vista os valores que se inscrevem nos objetos, tornando-os objetos de valor (Ov). Essas relações ainda são dadas entre um destinador- manipulador que persuade o sujeito a assumir um contrato (ou executar uma ação). Este, uma vez manipulado (dotado de um querer e/ou de um dever-fazer), deve adquirir uma competência (um poder e um saber-fazer) para executar a perfórmance (transformação narrativa) que será, em seguida, sancionada, cognitiva é pragmaticamente, por um destinador julgador.
Ao estudar as modalidades que incidem sobre o sujeito de fazer (aquele realiza a transformação) e sobre o sujeito de estado (o que entra em conjunção ou disjunção com o Ov), observamos que esses actantes podem, inclusive, serem sincretizados em um mesmo ator no nível discursivo. No nível narrativo ainda se faz o estudo das paixões, por meio da observação dos “estados de alma”.
No nível discursivo, estudam-se as projeções de pessoa, tempo e espaço da enunciação no texto enunciado e as relações que se estabelecem entre enunciador e enunciatário. Soma-se a isso a investigação da correlação entre temas (mais abstratos) e figuras (mais concretas) em percursos que dão “corpo” aos discursos. Nesse nível, as categorias mais abstratas dos níveis anteriores concretizam-se nos percursos temáticos e figurativos.
Enquanto o tema é o elemento semântico que designa um elemento não presente no mundo natural (mas que exerce um papel de categoria ordenadora de fatos observáveis), a figura, vai remeter a algo presente no mundo tornando natural (ou desconstruído como tal) o discurso um simulacro desse mundo. Além disso, são os percursos temáticos e os figurativos que dão acesso às formações discursivas que vão remeter às informações sobre valores socioculturais que constroem as relações estabelecidas entre enunciador e enunciatário. São os recursos argumentativos mobilizados no fazer persuasivo do enunciador e no fazer interpretativo correlato do enunciatário, vão permitir o estabelecimento ou o rompimento de contratos entre os sujeitos.
Quando se trata de texto visual o estudo do plano de expressão (PE), se faz através da identificação dos formantes plásticos (categorias), dos contrastes plásticos (sintagmas) e da montagem dos níveis constituintes. Esses formantes se correlacionam semissimbolicamente com as categorias do PC (exemplo: branco vs. vermelho → cor fria vs. cor quente), uma vez que fazem parte da cadeia da expressão que correspondem a uma unidade do PC. Os sintagmas se distribuem de acordo com as dimensões presentes no nível da expressão de cada texto.
No texto sincrético da dança o PE, nas dimensões topológicas, vai tratar da espacialidade, enquanto nas eidéticas das formas; nas cromáticas aborda a luz e as cores; nas cinéticas, a imagem em movimento na tela; nas proxêmicas, a organização da movimentação dos personagens no espaço; na sonorização, a trilha sonora e/ou músicas; e na cenográfica, os cenários e figurinos. Todas essas categorias são pistas para uma sobredeterminação tímica ou fórica nos termos do quadrado semiótico.
Portanto, no intuito de compreender como o espetáculo de dança tem construído sua significação, o semissimbolismo como ferramenta de acesso é usado com a atenção voltada para conceitos e termos semióticos plásticos que envolvem a relação entre o PE e o PC considerando que o PC é o lugar onde o texto diz o que diz e o PE é o lugar de trabalho das diferentes linguagens que carregam os sentidos do PC.
No percurso desta investigação, a semiótica tensiva complementa a análise pretendida a partir das correlações das graduações das grandezas presentes nos espetáculos com as categorias de andamento, tonicidade, temporalidade e espacialidade.
Diante do exposto, considerando o sincretismo de linguagens tais como a movimentação no espaço e os gestos dos bailarinos, o figurino, a trilha sonora (música e ruídos), o cenário e a iluminação, o ponto de partida para as análises do corpus deste trabalho se encontra principalmente no PE e nas relações semissimbólicas presentes.
No intuito de enriquecer a descrição do corpus em relação à expressão coreográfica, paralelamente às categorias semióticas plásticas, são elencadas, categorias oriundas da pesquisa em dança relativas ao esforço e à forma postuladas em Laban (1971); em Ostrower (1987), relativas à expressão e à direção do movimento visual, e de Coimbra (2003), referente às direções estruturais quanto à organização dos bailarinos em cena. Esses estudiosos vêm colaborar com as categorias plásticas e com as categorias tensivas.
Sincreticamente, ambos os espetáculos analisados trazem no PE vários recursos que remetem ao mesmo conteúdo. Pode-se constatar, inclusive, que os coreógrafos criam relações entre as linguagens (coreográfica, figurino, cenográfica, iluminação e trilha sonora) para a construção de sentido das obras.
Para discorrer sobre as análises, optei por três perspectivas. A primeira se caracteriza pela descrição e análise da plasticidade das cenas coreográficas de A Sagração da Primavera em ambos os espetáculos nas correlações semióticas. Na segunda, proponho uma análise dialética entre as versões de Vaslav Nijinsky e de Pina Bausch. Finalmente com os resultados destas análises, é apresentada uma correlação entre as obras e o libreto original da obra de Stravinsky.
3.2 Dialética de A Sagração da Primavera: os discursos de Vaslav Nijinsky e de Pina