Fotoğraf 15: Habitusa İlişkin Sembolik Görsel (K,27, Uzman)
5.9. BULGULARDA HABİTUSA DAİR GÖSTERGELER
Fonte: IBGE (2010). Elaboração: Próprio Autor.
Porém, cabe esclarecer que a inclusão de Lagoa Nova na pesquisa, não se deu por amostra de dados quantitativos, mas sim por informações, notícias e indícios de que a mesma vem se tornando uma opção crescente de investidores privados para a vilegiatura serrana. Como já explanado a partir da fala de um empresário, em que o mesmo afirma que o projeto imobiliário concretizou-se a partir da construção da primeira segunda residência no ano de 2002 e que logo foi acompanhado por novas adesões ao projeto a formar os primeiros condomínios fechados da cidade. O que consideramos marco inicial para o crescimento do mercado imobiliário e loteamentos, principalmente, na zona rural de Lagoa Nova-RN. Em visita a campo é visível a grande quantidade de loteamentos demarcados, já vendidos, à venda ou estágio inicial de construção. São loteamentos fechados já concluídos e alguns grandes condomínios de casas de segundas residências em pleno usufruto, algumas tão luxuosas e valorizadas quanto às encontradas em Guaramiranga e Gravatá.
A sede do município de Lagoa Nova está situada a cerca de 150 quilômetros de distância da capital Natal. A uma altitude de aproximadamente 700 metros acima do nível do mar, o que o torna, a terceira sede urbana com maior altitude do estado do Rio Grande do Norte, a possuir clima que varia entre semiúmido e semiárido, com temperaturas mínimas, que chegam aos 15º centigrados à noite. Possui uma população aproximada de 14 mil habitantes, distribuídos numa área total em torno de 176 km², o que resulta numa densidade demográfica em torno de 80
hab/km². Possui um IDH – Índice de Desenvolvimento Humano de 0,585 em 2010.
Um PIB per capita no ano de 2013 atingiu um valor de R$ 20.085,14. (IBGE, 2010), devido ao crescimento de incríveis 180% no PIB em relação a 2012, fato atribuído ao funcionamento dos investimentos aplicados no ramo de energias renováveis e “limpas” no ano citado19. A seguir, trazemos o Mapa 2 com a localização do município de Lagoa Nova, no Rio Grande do Norte, membro da microrregião da Serra de Santana.
Mapa 2 - Localização do município de Lagoa Nova-RN
Fonte: IBGE (2010) Elaboração: Autor.
19 Fonte: Disponível em http://tribunadonorte.com.br/noticia/pib-potiguar-se-concentra-em-tra-s- munica-pios/333514. Acesso em 15/06/17.
A cidade de Lagoa Nova resguarda intensos laços com a cidade-mãe (da qual se emancipou). Currais Novos, uma cidade polo da microrregião do Seridó potiguar. Currais é segunda maior cidade do Seridó potiguar e distante apenas 25 km de Lagoa Nova e 170 km de Natal.
Ao se fazer o resgate histórico de ocupação e criação das três cidades palco para esta análise, é notável o surgimento de novos subsídios que dão suporte às nossas suposições. Constatamos que, além das características físicas em comum entre elas, também estão fatos e marcos históricos diretamente ligados à sua colonização e o surgimento dos primeiros aglomerados urbanos, ensaios do que hoje se tornaram. Isso porque, ao pesquisar a história de cada município nos deparamos com pontos em comum que ora sustentamos como hipótese da vilegiatura serrana, a variável ambiental enquanto enclave de amenidades em meio ao calorento sertão. Poderemos perceber, perante a leitura de suas histórias que após a conquista destas pelos colonizadores, as três surgem como um refúgio hídrico ao gado durante as grandes secas que assolam periodicamente o sertão nordestino.
Lagoa Nova, enquanto componente da microrregião de Serra de Santana, está encravada na serra de mesmo nome, antes habitada por índios e colonizada a partir de meados do século XVIII após o processo de ocupação de Currais Novos. Esse que teve início quando Coronel Cipriano Lopes Galvão20 e sua esposa Adriana de Holanda Vasconcelos migraram de Igarassu, Pernambuco, (hoje, Região metropolitana de Recife) para a região do Seridó, mais precisamente para região do Totoró, região onde posteriormente surgiu a cidade de Currais Novos, no intuito de obter terras onde pudessem manter uma criação de gado.
Em 1777, uma grande seca, ocasionou a morte de quase todos os rebanhos da região. O pouco que restou foi se distanciando, a procura de pastos. Seguindo veredas deixadas pelos poucos animais restantes, os escravos, descobriram uma lagoa no alto da Serra de Santana, onde os encontraram pastando em volta. Ao saber disso, Adriana Vasconcelos, então viúva desde 1764, ordenou aos seus escravos que fizessem um curral perto da recém-descoberta lagoa, para que ali gado lá permanecesse. Em 1793, Adriana viajou a Natal e a requereu como sesmaria,
20 Fonte: Confederação Nacional de Municípios, disponível em <
que então passou a ser denominada de Lagoa do Espinheiros21. Ou seja, Lagoa Nova foi incorporada de fato à colonização pela descoberta como refúgio pelo gado faminto em uma grande seca.
De acordo com anais do IBGE, com a cessão da primeira sesmaria à dona Adriana de Holanda Vasconcelos, em 1764, surgiu uma povoado exatamente em um dos clãs de Serra de Santana. Segundo o historiador Câmara Cascudo, no seu livro Nomes da Terra, o Capitão Francisco da Costa de Vasconcelos, pioneiro na região, nos idos de 1792, teria recebido outra sesmaria próxima à lagoa com terras, matas, criação de gado e plantações localizada abaixo da lagoa dos Espinheiros e chamada de Lagoa Nova. (IBGE, 2016).
A localidade permaneceu estagnada pelo final do século XVIII e durante todo século XIX. Foi pela Lei nº 2.321, do dia 5 de dezembro de 1958, que Lagoa Nova foi elevada à categoria de distrito do município de Currais Novos, assim permanecendo até o dia 10 de maio de 1962, quando pela Lei no 2.777, desmembrou- se de Currais Novos e tornou-se município. A instalação do município aconteceu no dia 2 de janeiro de 1963, por ocasião da posse do seu primeiro prefeito, nomeado por ato do Governador do Estado. (IBGE, 2016).
Ao visitar Lagoa Nova, a primeira impressão é de uma cidade longínqua no meio do sertão onde é visível no trajeto de subida da Serra uma vegetação caducifólia com muitos exemplares de cactos e palmas, característica dos sertões mais áridos nordestinos. Localizada ao norte da cidade de Currais Novos (principal acesso à Lagoa Nova) se avista a imponente Serra de Santana, com um formato de planalto de topo linearmente horizontal. Quase toda subida da serra é feita em território de Currais Novos, cidade histórica na ocupação do sertão do Seridó Potiguar, a qual Lagoa Nova outrora fora distrito. A locomoção em transporte coletivo é feita de maneira ainda precária, pois não há linhas de ônibus que façam este trajeto. Chegando ao topo da serra, a paisagem muda, sobretudo a vegetação antes caduca, dá lugar a imensos cajueirais a perder de vista. O centro da cidade aparenta a típica paisagem de uma cidade pequena nordestina, ruas de calçamento, pavimento precário, pessoas na feira, movimento tranquilo. É nas proximidades de uma, das poucas, pousadas que se encontram a maior parte das segundas residências em Lagoa Nova, a incluir
21 Fonte: Histórias das cidades do Seridó, Disponível em <
http://historiadascidadesdoserido.openbrasil.org/search/label/Lagoa%20Nova%20%2F%20RN> Acesso em 25/01/2018.
antigos chalés da mesma pousada vendidos como unidades habitacionais para prática da vilegiatura, no ano de 2016, segundo o antigo proprietário. Antes unidades de leito hoteleiro desmembradas e transformandas em unidades habitacionais em condomínio de segunda residência dentro da área da pousada, qual ainda conta com leitos de hospedagem no prédio principal, ainda em funcionamento. Desta forma a atividade turística na cidade acontece de forma ainda tênue e secundária à prática da vilegiatura.
Na Figura 2 visualizamos o primeiro condomínio de segundas residências instalado em Lagoa Nova. Idealizado pelo empresário proprietário da Pousada Chalé dos Cajueiros. A maioria dos proprietários tem residência habitual na cidade de Currais Novos, mas também há proprietários da capital Natal.
Figura 2– Condomínio de segundas residências em Lagoa Nova
Fonte: Próprio Autor.
A partir da análise da paisagem nos deparamos com uma estrada de terra, onde estão de um lado o Condomínio encravado com muralhas de concreto e protegidas por arame farpado e alarme. Do outro lado, pequenas e simples propriedades rurais com gado criado solto (pecuária extensiva) o que atribui contradições na paisagem rural com presença de atributos urbanos. Denominamos
de enclaves fortificados, esses condomínios, que em grande parte da semana estão à parte do cotidiano e fluxo da cidade.
Lagoa Nova experimenta ainda dinâmica em sua paisagem, também pelo recente funcionamento da indústria de energias renováveis. Na visita a campo nos deparamos, às magens de estradas recém abertas, com homens ainda trabalhando no preparo do alicerce para instalação de turbinas (aerogeradores) da nova usina eólica, como pode ser visualizado na figura 3.
Figura 3- Implantação de aerogerador da usina eólica em Lagoa Nova
Fonte: Próprio Autor.
Apesar de não se observar relação entre a implantação de usinas de energia eólica e o desenvolvimento da vilegiatura na serra, são essas, as principais atividades que promoveram as mais relevantes transformações no espaço e na paisagem de Lagoa Nova nos últimos anos. Baseado em informações do IBGE, enquanto os setores secundários e terciários respondem por mais de 98% das riquezas municipais, a população do município vive majoritariamente na zona rural, onde são produzidas os bens do setor primário que representam menos de 2% do PIB, o que denota a desigual distribuição de renda no município.
2.2 Gravatá
Gravatá em Pernambuco é conhecida no estado como Suíça pernambucana. A origem do nome vem da palavra Crauatá, derivada de uma planta bromeliácea que na língua Tupi significa mato que espinha ou arbusto que arranha. O lugar teve como primeiros habitantes, os índios Tapuia Cariri, tendo como núcleo uma fazenda de gado que pertencia ao Sr. Justino Carreiro de Miranda, final do Século XVIII. Portanto, o nome Gravatá é proveniente de um antigo curral que recebera o nome de uma planta. O Curral do Crauatá era onde os vaqueiros descansavam e se alimentavam para prosseguir em sua jornada rumo às localidades de São José dos Bezerros, Bonito e Caruaru quais representavam na época focos de civilização no interior de Pernambuco. (LINS, 1993)
Na contemporaneidade passou a ser o destino mais procurado do projeto denominado “Circuito do Frio” pernambucano, tanto em finais de semana como em momentos de realização dos grandes eventos por temporada, distribuídos, principalmente durante o inverno entre as cidades participantes do Circuito. Este circuito foi criado pelo governo do estado de Pernambuco22 no ano de 2001, com intuito de unificar as festividades de inverno para assim fortalecer o turismo serrano no estado a partir da criação de uma espécie de marca aos 5 municípios serranos participantes: Garanhuns, Gravatá, Pesqueira, Taquaratinga e Triunfo. No cartograma 3 verificamos a proporção de DUOs entre os municípios do Circuito do Frio.
22 De acordo com o então presidente da Empresa de Turismo de Pernambuco (EMPETUR), Kléber Dantas, a ideia foi reunir todos os eventos que já aconteciam em várias cidades serranas no período de férias, criando um grande circuito de diversão. Com o Circuito do Frio estaria-se fomentando a interiorização do turismo com shows, oficinas, espetáculos teatrais, circo, moda, literatura, entre outras atrações. São dezenas de opções de entretenimento que, juntas, reúnem mais de um milhão de
pessoas em 38 dias de festa”. Fonte: