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BÖLÜM 3: AİLE İÇİ İLETİŞİM SORUNLARI TESPİTİNE YÖNELİK

3.1. Bulgular ve Yorumlar

3.1.1. Aile İçi İletişim Problemleri

3.1.1.6. Birinci Derece Yakınların Etkilerinden

O ponto final e um dos mais relevantes de todo o trâmite processual que visa à perda de bens está no destino que se dá aos bens declarados perdidos. De nada adianta identificar qual o melhor procedimento e quais os níveis probatórios adequados e constitucionalmente

517 Cf. Sergio Fernando Moro, Crime de lavagem..., p. 192.

legítimos para se tratar da perda, se não for dada a necessária atenção aos mecanismos de destinação final dos bens perdidos.519

Assim, percebe-se a imprescindível interligação entre os efeitos decorrentes do processo penal e deveres atinentes às esferas legislativa e executiva.

Não basta a existência de normas de conteúdo processual penal referente à perda de bens.

O Poder Legislativo deve atentar para a criação de órgão com a atribuição de velar pela conservação dos bens acautelados e pela administração dos bens recuperados.520 Esse é o primeiro aspecto a permitir o adequado tratamento do assunto, na fase da destinação final dos bens.

A tendência verificada no plano internacional é a da criação de gabinetes que centralizem a gestão de ativos, visando à adequada gestão dos bens sujeitos à cautelar patrimonial ou mesmo os já declarados perdidos.521

Dentro disso, Portugal instituiu um Gabinete de Administração de Bens (GAB), com as funções de proteger, conservar e gerir os bens recuperados ou sujeitos à custódia do Estado, e de determinar a alienação, afetação ao serviço público ou a destruição desses bens.522 O GAB deve agir segundo o princípio da transparência, “visando a gestão racional e eficiente dos bens administrados e, se possível, o seu incremento patrimonial”.523

519 Afirma João Conde Correia: “Permitir que o inelutável correr do tempo produza os seus efeitos, destruindo ou

tornando inutilizáveis os bens recuperados, é, cada vez menos, uma solução aceitável. Em vez de rentabilizar os ativos recuperados, ela acaba por significar, quase sempre, mais encargos para a máquina repressiva estadual. Até o sistema mais eficiente poderá tornar-se ineficaz se os ativos recuperados não forem depois bem administrados” (Da proibição..., p. 205).

520 Esse dever estatal, específico do Legislativo, coincide com “os direitos a ações positivas do Estado

(prestações em sentido amplo)”, entre eles o direito de organização e de procedimento, sistematizados por Robert Alexy. Para estudo aprofundado do assunto, cf. Teoría de los derechos fundamentales. Madrid: Centro de Estudios Políticos y Constitucionales, 2002, p. 419-501.

521 A proposta de diretiva do Parlamento Europeu e do Conselho sobre o congelamento e o confisco do produto

do crime na União Europeia, de 12 de março de 2012, assim estabelece (art. 10, 1 e 2). Ainda, o assunto já havia sido tratado pela Convenção contra a Corrupção, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 31 de outubro de 2003, e introduzida no Brasil por meio de Decreto presidencial publicado em 01/01/2006, que dispôs que cada Estado Parte deverá adotar, em conformidade com o seu direito interno, as medidas legislativas e outras que se revelem necessárias para regulamentar a administração por parte das autoridades competentes dos bens congelados, apreendidos ou declarados perdidos (art. 31, item 3). A Convenção do Conselho da Europa Relativa ao Branqueamento, Detecção, Apreensão e Perda dos Produtos do Crime e ao Financiamento do Terrorismo, adotada em Varsóvia, em 16 de maio de 2005, também estabeleceu a instituição de medidas visando a garantir a adequada gestão dos bens apreendidos ou declarados perdidos (art. 6º). Conforme esclarece João Conde Correia, “estes instrumentos internacionais insuspeitos só podem revelar a importância que o tema vem assumindo nos diversos fóruns supranacionais” (Da proibição..., p. 206).

522 Cf. João Conde Correia, Da proibição..., p. 205-206. O Gabinete foi criado pela Lei 45/2011, de 24 de junho

(art. 10), em cumprimento à Decisão Quadro 2007/845/JAI, do Conselho, de 6 de dezembro de 2007.

A Itália também apresenta um modelo semelhante, composto de um sistema que envolve uma pluralidade de instituições e de atores sociais.524

A Agenzia del demanio desempenha o papel de gerir a reutilização dos bens perdidos e dar-lhes a devida destinação e finalidade social.525

A referida agência tem como finalidade promover a valorização econômica do patrimônio estatal. Quanto aos bens confiscados, desenvolve duas funções fundamentais: a) gerir os bens até sua destinação final, substituindo, após o confisco, a função de eventual administrador judicial; b) elaborar proposta sobre a destinação de bens imóveis e de empresas. A agência se estrutura por meio de um órgão central, porém também se desconcentra para atender todo o país.526

O administrador financeiro é um órgão unipessoal, nomeado pelo Presidente do Tribunal, com a função de auxiliar o juiz delegado.527 Inicia sua atividade de gestão já durante a cautelar patrimonial de sequestro e com o advento do confisco permanece no encargo sob o controle da Agenzia del demanio. Tem a tarefa de promover a preservação do valor econômico dos bens sujeitos à administração do Estado, cabendo-lhe prestar contas de seus atos.528

O prefetto529 constitui-se em outro partícipe dessa complexa estrutura estatal italiana de gestão e administração dos bens derivados da cautelar real e da perda. Tradicionalmente, sempre participou do procedimento de destinação dos bens, porém, com a reforma introduzida pela Lei 94, de 2009, passou a ter a atribuição ampliada, especialmente quanto às providências de destinação de bens imóveis e de empresas.530

Há, ainda, a figura do comissário extraordinário para a gestão e destinação dos bens

confiscados das organizações criminosas. Exerce um papel de apoio às decisões relativas à modalidade de utilização dos bens, detendo banco de dados e coordenando os sujeitos interessados na destinação dos bens.531

524 Nicola Gullo, Il procedimento di destinazione dei beni confiscate alla criminalità organizzata tra esigenze di

risultato e garanzie procedimentali. In: Le misure patrimoniali antimafia..., p. 409.

525 Nicola Gullo, Il procedimento.... In: Le misure patrimoniali antimafia..., p. 407. 526 Cf. Nicola Gullo, Il procedimento..., p. 410.

527 Cf. Nicola Gullo, Il procedimento..., p. 411: “Un’altra importante figura per la gestione dei beni confiscati è

quella dell’amministratore finanziario. Si tratta di un organo unipersonale che viene nominato dal Presidente del Tribunale e si configua come un pubblico ufficiale ausiliario del Giudice delegato, che tra l’altro può revocarlo.”

528 Cf. Nicola Gullo, Il procedimento..., p. 411.

529 A figura do prefetto na Itália não tem a mesma conotação que o prefeito, como chefe do executivo municipal,

no Brasil. Lá, trata-se de um representante do governo italiano nas províncias.

530 Cf. Nicola Gullo, Il procedimento..., p. 411-412. 531 Cf. Nicola Gullo, Il procedimento..., p. 412.

Extrai-se da estrutura italiana o caráter complexo, consistente na presença de diversos atores, o que se afigura relevante para que haja maior controle em relação ao destino dos bens declarados perdidos.

Conquanto a discricionariedade esteja presente nessa fase, ela deve ser precedida de um regramento mínimo, suficiente para permitir uma transparente gestão e administração dos bens, a culminar com o efetivo reemprego público e social.

O Poder Judiciário, por sua vez, assume a função de fiscalizar os órgãos administrativos, até o final da fase de destinação dos bens, por meio do administrador

financeiro.

O modelo italiano adota a desconcentração, por meio da existência de agências filiais em diversas regiões, o que facilita a gestão e permite uma destinação dos bens mais condizente com as peculiaridades locais, mediante prévia fixação de critérios.

4.7 Proposta de modelo de gestão estatal dos bens acautelados e declarados perdidos