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BÖLÜM 3: DÜŞEN ENFLASYON ORTAMINDA İŞLETMELER

3.3. Düşük Enflasyon Ortamında İşletme Yönetimi

3.3.1. İşletmelerde Planlama Sistemi

3.3.1.1. Bilgi Sistemleri

Mariana Alcoforado nasceu em 22 de abril de 1640 na cidade de Beja em Portugal. Filha do fidalgo Francisco da Costa Alcoforado e de Dona Leonor Mendes, ainda menina foi levada ao Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição no dia 02 de janeiro de 1651. Seu pai, homem de grande fortuna, ganha com empréstimos de dinheiro, ofereceu 300 mil réis como dote ao convento, em favor da educação religiosa da menina.

Recebida pela abadesa Dona Maria de Mendonça - em estado pupilar - Marianita recebeu desta o ensino das primeiras letras e educação adequada ao futuro religioso. Entre as educandas, a menina Mariana se sobressaía pela esperteza e logo aprendeu a ler e escrever , o que fez com que D. Maria a levasse para auxiliar a escrivã do convento.

Em 1656, com 16 anos de idade, Mariana professou-se freira. Foi nessa época que recebeu a companhia de sua irmã Catarina Alcoforado que, estando na idade pupilar, foi também mandada pelo pai para o convento. Catarina faleceu ainda moça não chegando a professar-se.

Já freira, Mariana passa a trabalhar como oficial das contas do cartório conventual. Foi, devido a esta função, que a jovem freira enclausurada continuou a ter contato com o mundo exterior: a ela cabia fazer o pagamento das muitas despesas de manutenção do mosteiro.

Em 1663, devido à morte de sua mãe D. Leonor Mendes, Mariana ficou com a incumbência de educar no convento, Maria Alcoforado, sua irmã de apenas 3 anos de idade.

Foi nessa época que o exército espanhol invade as terras do Alentejo. O socorro aos portugueses vem de França. Por essa razão chega às terras Alentejanas, o conde de Saint-Léger, comandando a sua cavalaria francesa.

Noël Bouton, que tinha os títulos de conde de Saint-Léger e marquês de Chamilly, chegou a Portugal em 1663; estava sob as ordens do conde Schoemberg: comandante da operação de defesa ao território português na tentativa espanhola de retomar o domínio da região. Somente em 1666 Chamilly foi deslocado para a cidade de Beja. Contava na época 30 anos de idade e Mariana Alcoforado, 26.

“ ... Dona Brites batalhou estes últimos dias para me fazer sair do quarto e cuidando que me distraía lá me vou a passear à janela donde se vêem as Portas de Mértola.(...) Dêsse lugar te vi muitas vezes passar com ares que me enfeitiçaram. Estava nessa janela no dia fatal em que comecei a sentir os efeitos da minha malfadada paixão. Pareceu-me que, embora me não conhecesses, querias agradar-me; persuadi- me que me tinhas distingüído entre tôdas as que estavam comigo; imaginei que quando te detinhas te dava gôsto que eu olhasse e te visse melhor e que admirasse tua destreza quando fazias avançar o cavalo..” ( Carta Segunda) 37

À frente dos soldados a entrar pela cidade, Chamilly encantou os olhos da freira. Ele era natural de Borgonha onde nasceu em 06 de abril de 1636. Era pessoa distinta, galante, garboso, gentil homem, formoso e bem feito. Em 1658 tornou-se capitão no regimento de cavalaria e com esse título chegou a Portugal em auxílio às forças que lá estavam desde 1660, garantindo a soberania dos lusitanos.

Do alto da janela no Mosteiro da Conceição se avistava a Porta de Mértola na entrada da cidade. Era dessa posição, que as jovens freiras tinham a possibilidade de avistar os galantes cavaleiros que defendiam a cidade.

Entre os cavaleiros está Baltazar Alcoforado - irmão de Mariana - que se tornara amigo de Chamilly nas frentes de batalha. A amizade com Baltazar foi o elo entre o oficial francês e a freira portuguesa e muito auxiliou nos primeiros contatos entre os dois no locutório do convento.

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Mariana e Noël trocaram algumas correspondências com a ajuda de uma criada que entrava e saía do mosteiro para efetuar as limpezas domésticas. Ele manifestava nas cartas o desejo de entrar no convento, reclamava que no locutório não podiam tocar-se nem nas mãos.

As famílias abastadas que ‘guardavam’ suas filhas no convento tinham por hábito construir aposentos privativos - dentro do mosteiro - para conforto e privacidade daquelas suas freiras. Além disso, as reformas no velho prédio da Conceição eram comuns e freqüentes. Isto nos esclarece a maneira como Chamilly adentrou às portas da clausura: disfarçado de operário.

Os registros e documentos da época atestam que a família Alcoforado, que enviou 3 filhas para o convento da Conceição, construiu em seu interior ‘casas’ para suas filhas freiras.

Mariana Alcoforado empregava-se no cartório, os encontros amorosos com o oficial francês mudou os seus hábitos. Esta mudança de comportamento logo foi percebida pelas demais freiras e os encontros secretos começam a rarear.

Chamilly se ausentava da cidade por dias e semanas que a Mariana pareciam ser meses e anos. Sua preocupação em não ser descoberta a invasão do mosteiro fazia-a entender as ausências do amante. Confortava-se em vê-lo passar sob as Portas de Mértola.

“ Ansiava vê-lo a tôda a hora, o que não podia ser. Mortifica-me pelo risco que corria de entrar no convento. Mal vivia quando andava na guerra. (...) receava por si a ira da minha família.” ( Carta Quinta)

Sóror Mariana vivia em êxtase, enclausurou-se ainda mais, era flagrada em longos e constantes pasmos diante de uma capela. Rezava? Mariana amava; sentia o perigo em que colocara Chamilly ao consentir sua entrada no convento. Mariana não percebia o seu próprio perigo, só pensava no amante. Os encontros amorosos duraram meses.

Em 1667, Mariana Alcoforado dava sinais de desvarios, sobressaltos, angústias. Estava ‘louca’ de paixão. Correspondia-se com Chamilly e temia pela descoberta dos encontros. Ana Alcoforado ( a irmã mais velha e única mulher da família que casou-se ) faz-lhe uma visita no locutório e comenta sobre o boato que se comenta na cidade face à troca de olhares e sinais de Mariana e o francês sob a Janela de Mértola. Sóror teme que o pai desconfie e a transfira de convento.

Por carta combina com o amante que cessem os encontros, voltariam a se aproximar ao final da guerra. Mariana intencionava fugir do mosteiro e acompanhar Noël quando este voltasse para a França.

“ ... pode crer que faria tôdas as diligências para sair daqui. Disfarçava-me para ir ter consigo (...) Ai, que teria sido de mim, se depois de eu ver me em França não se importasse já comigo?.” ( Carta Quinta)

Em dezembro de 1667 a França declara guerra à Espanha. O oficial francês é chamado a seu país. Por carta informa a Mariana que não mais voltará a Portugal.

Depois da partida de Chamilly, a freira portuguesa escreveu a ele cinco cartas. Enviadas através de algum militar e até pelo seu próprio irmão Baltazar, Mariana fez com que as cartas chegassem ao seu destino. A última carta, juntamente com os presentes e uma foto que recebera do cavaleiro francês, foi enviada com o conhecimento, a aprovação e proteção da abadesa do convento D. Brites. Era a ruptura

do caso amoroso. Nesta quinta correspondência revela-se o sentimento da freira já convencida da separação com o amante.

“ Escrevo-lhe pela última vez... (...)

... amarguei os seus desprezos ...(...) Ingrato! ... (...)

Fique sabendo que estou convencida que é indigno de todos os meus sentimentos e que conheço já de sobra a ruindade do seu natural. (...)

Não se preocupe com a minha vida. (...) Parece-me que pode dar-se por satisfeito pelo mal que fêz. (...)

Gostei de si que nem uma doida e por si desprezei tudo. O seu procedimento não é o de uma pessoa de bem. (...)

Persegue-me o remorso com duro rigor. Sinto, sem bastantes palavras, a vergonha das acçôes que me fêz praticar... (...)

Ouvia dizer bem da sua pessoa e todos o encareciam. (...) Mas, enfim, quebrou-se o encanto. (...)”

Noël Bouton traiu Mariana!? A maior traição ainda estava por vir. Em 1669 são publicadas em Paris as cinco cartas que a freira escreveu ao militar francês.

Após o infortúnio da separação e a escrita das Cartas de Amor, Mariana Alcoforado recolheu-se na clausura sem a ninguém receber; o confessor e a abadesa eram as exceções. Por dois anos seguidos Ana Alcoforado insistiu para que a irmã a recebesse. Falaram-se ao final do terceiro ano de reclusão da freira. A conversa lhe fez bem e Sóror Mariana retornou à vida conventual.

De volta ao ofício no cartório por vários anos, Mariana assumiu o cargo de escrivã do mosteiro em 1681 e alcançou o cargo de vigária (equivalente a vice-abadesa) em 1693. Nessa mesma data, sua irmã Maria Alcoforado, que foi criada e educada sob a custódia de Mariana, assumiu um cargo na secretaria do convento e sabe-se que chegou ao abadesado. O mesmo só não ocorreu a Sóror Mariana devido à mácula que carregou por toda a sua existência. Seus últimos anos de vida se deram no cargo de mestre de governo. Madre Dona Mariana Alcoforado morreu em 27 de junho de 1723 aos 83 anos.