DUYUŞSAL ALAN
4.5 Beşinci Alt Probleme Ait Bulgular ve Yorumlar
A idéia da colusão como resultado da interdependência estratégica entre firmas ganhou ênfase em 1964 com o estudo de George Stigler, que usou insights da teoria dos jogos para deduzir as condições de mercado que conduziriam à coordenação em preços. O conluio tácito, então, passou a ser modelado como um equilíbrio de um jogo repetido infinitas vezes, o que permite comparar os ganhos imediatos de um desvio com as perdas recebidas pela punição sofrida, caso o comportamento não-cooperativo seja identificado pelas firmas rivais.
A questão relevante para a colusão é a incorporação do conceito de interação estratégica entre firmas, isto é, do fato de que cada firma considera, para a sua tomada de decisão, a interdependência com as suas rivais (STIGLER, 1964). Jean Tirole também apontou para a relevância da interação estratégica em mercados oligopolistas, sobretudo para a geração da cooperação entre firmas concorrentes (TIROLE, 1988). A utilização de um de um jogo dinâmico é capaz de captar de forma mais precisa as interações estratégicas entre as firmas de
um mercado e assim constatar se estas interações serão coordenadas resultando em conluio ou não.
A colusão surge da interação dinâmica entre firmas em um mercado. Ao decidir entre cooperar com a manutenção de um preço de colusão ou desviar do acordo, as empresas precisam conjecturar sobre a conduta futura de suas rivais com base no comportamento passado e expectativa do comportamento futuro. A colusão emerge quando as firmas conjecturam que qualquer tentativa de redução de preços será seguida por uma retaliação dos competidores. Como a retaliação acontece no futuro enquanto que os desvios geram lucros imediatos, a habilidade para a coordenação tácita depende da importância relativa dos lucros correntes comparados com os lucros futuros (TIROLE, 1988).
O jogo repetido infinitamente utilizado para a análise do conluio considera que o resultado competitivo é aquele derivado do comportamento de maximização de lucro das firmas em um jogo estático, ou o seu equilíbrio de Nash. Este jogo deve ter a estrutura do já referido „Dilema dos Prisioneiros‟, no qual se as firmas agirem de forma cooperativa (C), dividem o mercado e obtém lucro de monopólio ou similar70,
2
M
. Quando agem de forma não- cooperativa a empresa aufere, sozinha, o lucro de monopólio, enquanto sua rival, se estiver cooperando, nada ganha. Se ambas não cooperarem (D), restam-lhe lucros menores, competitivos, πC.
Quadro 5.1: matriz de pay-off típica do Dilema dos Prisioneiros
C D C 2 M ; 2 M 0; πM D πM; 0 πC;πC Fonte: Elaboração própria.
Se o jogo fosse estático, de apenas uma rodada, o resultado seria o equilíbrio de Nash, (D;D). Se o jogo fosse repetido, mas finito, as firmas iriam prever que na última rodada as estratégias escolhidas seriam as não cooperativas, (D;D), e desta forma, antecipariam este resultado inevitável, gerando a mesma solução do jogo estático. Mas, caso o jogo fosse repetido
infinitamente, os jogadores poderiam considerar o horizonte infinito e comparar ganhos futuros com perdas presentes. A colusão, então, pode ser sustentada se as firmas atribuirem peso suficiente aos lucros futuros advindos da cooperação, peso este refletido pelo fator de desconto intertemporal (fator de desconto não pequeno, 0< ,<1), em detrimento das perdas com a punição ao desvio no presente.
Para exemplificar, baseado em Jean Tirole, 1988, e Marc Ivalde e outros, 2004, suponha que duas firmas produzam um bem homogêneo com o mesmo custo marginal c. A competição via preço estabeleceria que P = c e lucro zero para as firmas. Mas as firmas engajam em um acordo para sustentar um preço de monopólio ou preço-limite PM > c, dividindo o mercado e ganhando cada uma metade de πM
= (PM– c) D(PM), ao estabelecer que qualquer desvio sobre o preço de colusão gerará uma guerra de preços e a reversão para P = c e lucro zero. Se as firmas possuem o mesmo fator de desconto intertemporal sobre o futuro ( = 1/1-i, em que i é a taxa de juros), então, o lucro da colusão será:
...) 1 ( 2 ... 2 2 2 2 2 M M M M (5.1.)
Se, por outro lado, uma das firmas desviar do acordo, capturará todo o mercado e receberá o lucro de colusão ou de monopolista πM, mas a guerra de preços que seguirá a esta conduta traidora eliminará qualquer possibilidade de lucro futuro. Então, a firma irá sustentar o preço de colusão se: M M ...) 1 ( 2 2 (5.2.) Isto é, se: 2 1 * (5.3.)
Neste exemplo simples, as firmas são capazes de manter a colusão quando o peso posto na lucratividade futura está acima de um valor referência, *, que revela, em última instância, as características do mercado quanto à sustentabilidade da colusão. Por isso, se as firmas valorizam mais o futuro (isto é, se são mais pacientes), a colusão poderá ser sustentada
(TIROLE, 1988). Se o fator de desconto de um mercado como este for maior do que o valor- referência, qualquer preço de colusão poderá ser sustentado, inclusive o preço de monopólio. Mas se o fator de desconto for menor do que o valor de referência, a colusão não será sustentável e a competição reinará com preço sendo cobrado ao nível do custo marginal (IVALDI et al, 2004).
A colusão é mais fácil de ser sustentada quando o fator de desconto referência é baixo e a sua determinação indica a facilidade ou não de um acordo entre firmas. Com o objetivo de mensurar como as características do mercado influem na possibilidade de colusão, deve-se observar como estas características afetam o valor crítico. Um fator de mercado facilitador de coordenação irá reduzir o fator de desconto crítico, enquanto que as características de mercado que dificultam a colusão irão aumentá-lo.
Desta forma, existem duas condições necessárias, derivadas do paradigma CDP, para que um conluio seja eficaz no seu objetivo de elevar os lucros de seus participantes: i) os ganhos com o desvio não superam as perdas potenciais; e ii) as firmas preferem retaliar a acomodar um potencial desvio (MOTTA, 2004). Algumas condições de mercado afetam as condições necessárias descritas e influenciam na sustentação do conluio, agindo de forma a facilitar ou dificultar uma colusão (MATSUMURA e MELLO, 2005). Estes fatores são estudados abaixo.