YETİŞTİRMELİYİZ?
BAZI SONUÇLAR
Denzin e Lincoln (1994) in Aires (2011) sustentam que a investigação qualitativa é um campo de investigação de pleno direito, atravessando cinco momentos históricos que coexistem nas investigações qualitativas atuais, o período tradicional (1900-1950), a idade moderna (1950-1970), os géneros difusos (1970-1986), a crise de representação (1986-1990) e o pós modernismo e a atualidade (1990-1999).
Apesar de ao longo das épocas acima mencionadas, terem sido atribuídos à investigação qualitativa significados diferentes, de acordo com Denzin e Lincoln (1994)
in Aires (2011), este tipo de investigação consiste numa perspetiva multimetódica que compreende uma abordagem interpretativa e naturalista do sujeito de análise.
Para Bogdan e Biklen (1994), a abordagem qualitativa exige que o mundo seja contemplado através da ideia segundo a qual nada é trivial, tudo possui um potencial para constituir uma pista que permita compreender de um modo mais esclarecedor o objeto de estudo. Por seu lado, Fernandes (1991) sugere que a abordagem qualitativa consiste na compreensão aprofundada dos problemas, através da qual investigamos o sentido de certos comportamentos, atitudes ou convicções.
Os investigadores qualitativos em educação questionam incessantemente os sujeitos de investigação, com o intuito de compreender “aquilo que eles experimentam, o modo como eles interpretam as suas experiências e o modo como eles próprios estruturam o mundo social em que vivem” (Psthas, 1973, in Bogdan & Biklen, 1994, p. 51).
Fernandes (1991) acrescenta ainda que na investigação qualitativa, os investigadores não se preocupam com “a dimensão das amostras nem com a
generalização de resultados” (p. 3), uma vez que “estão mais interessados em
estabelecer afirmações universais sobre processos sociais gerais do que considerações relativas aos pontos comuns de contextos semelhantes” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 66). Estas considerações aplicam-se a esta investigação, uma vez que o estudo que desenvolvi incidiu apenas nos dois contextos educativos onde desenvolvi os meus estágios.
A investigação qualitativa em educação assume diversas formas, sendo conduzida em múltiplos contextos. Bogdan e Biklen (1994) atestam que a investigação qualitativa possui cinco características:
1- Na investigação qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal. Os investigadores qualitativos despendem algum do seu tempo e dirigem-se ao local, de modo a esclarecer eventuais questões educativas, utilizando alguns equipamentos, como o bloco de apontamentos, e os registos vídeo e/ou áudio. Optam por frequentar os locais de estudo, pois têm em consideração o contexto, assim como partilham da opinião segundo a qual “as ações podem ser melhor compreendidas quando são observadas no seu ambiente habitual de ocorrência” (Idem, p.48).
2- A investigação qualitativa é descritiva. Os investigadores qualitativos recolhem os dados sob a forma de palavras ou imagens, contendo citações feitas com
base nas informações recolhidas para ilustrar e caracterizar a apresentação. Estas informações recolhem-se através de entrevistas, notas de campo, fotografias, vídeos, documentos pessoais, memorandos e outros registos oficiais, o que significa que “os investigadores qualitativos abordam o mundo de forma minuciosa” (Idem, p. 49).
3- Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos. Atribuem ao processo uma maior utilidade na investigação educacional, ao compreender como determinada situação se desenvolve, relegando para segundo plano o seu resultado.
4- Os investigadores qualitativos tendem a analisar as informações de forma indutiva, não recolhendo informações ou provas com o intuito de comprovar ou invalidar hipóteses previamente construídas. Contudo, constroem abstrações à medida que as informações específicas recolhidas se vão agrupando.
5- O significado é de importância vital na abordagem qualitativa. O interesse dos investigadores neste tipo de abordagem centra-se no modo como as pessoas conferem sentido às suas vidas, pois “ao apreender as perspetivas dos participantes, a investigação qualitativa faz luz sobre a dinâmica interna das situações, que é frequentemente
invisível para o observador exterior” (Idem, p.51).
Em suma, a finalidade primordial da Investigação Qualitativa é compreender o comportamento e a experiência humana. Por outras palavras, os investigadores qualitativos, tentam compreender o processo mediante o qual as pessoas constroem significados e descrevem em que consistem os mesmos, recorrendo à observação empírica (Bogdan & Biklen, 1994).
Este tipo de investigadores consideram que é em função de instâncias concretas do comportamento humano que se pode refletir com maior clareza e profundidade sobre a condição humana, do mesmo modo, que para Schensul (2008) in Vaz, et al, n.d., a investigação qualitativa tem como objetivo compreender os contextos particulares, de modo a entender o que justifica alguns comportamentos, atitudes ou convicções, indo ao encontro das afirmações de Bogdan e Biklen (1994), segundo as quais os indivíduos que realizam investigações qualitativas dão ênfase à compreensão dos comportamentos a partir da perspetiva dos sujeitos que participam na investigação e utilizam estratégias e procedimentos que lhes possibilitam ter em conta as experiências do ponto de vista do informador.
Os académicos categorizam a investigação qualitativa em dois tipos: a investigação fundamental e a investigação aplicada, através das quais se investiga por diversos motivos e para públicos distintos (Bogdan & Biklen, 1994).
Para Sanches (2005), a investigação fundamental tem o intuito de alargar o nosso conhecimento e a investigação aplicada tem como finalidade melhorar programas e a sua execução. Estes dois tipos de investigação são aplicados frequentemente no campo da educação, complementando-se por vezes com o objetivo primordial de melhorar algo através das transformações planeadas e a realizar. De acordo com Bogdan e Biklen (1994), a investigação qualitativa aplicada, subdivide-se em três categorias: a investigação avaliativa e decisória, a investigação pedagógica e a investigação-ação.
A investigação aplicada procura resultados que possam ser usados pelos indivíduos para tomarem decisões práticas relativas a determinados aspetos da sua vida. Já a investigação-ação é um tipo de investigação aplicada, onde o investigador se envolve ativamente na causa da investigação (Idem, 1994).
Uma vez que a metodologia utilizada neste projeto é a investigação-ação, torna- se pertinente e relevante focar somente a fundamentação deste tipo de investigação.