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Bartın İlinde Ticarete Konu Olan Odun Dışı Orman Ürünlerinin Üretim Potansiyeli

7. Bartın’da Odundışı Orman Ürünleri

7.2. Bartın İlinde Ticarete Konu Olan Odun Dışı Orman Ürünlerinin Üretim Potansiyeli

Como indica Ventura (2005), a perspectiva institucional desenvolveu-se em três orientações distintas: a econômica, a política e a sociológica. Para a autora, a linha sociológica é a mais apropriada para compreensão do processo de institucionalização, foco da presente pesquisa.

Para Berger e Luckmann (2003), o processo de institucionalização se dá através de “tipificações recíprocas” construídas entre dois indivíduos que interagem entre si. Para a realização dessas tipificações, é necessária uma situação social duradoura, em que as ações habituais dos indivíduos se entrelacem e sejam importantes para ambos. Para os autores, esse processo é composto por três etapas: 1) exteriorização: diz respeito à entrada de novos indivíduos no processo de tipificação, em que eles se defrontam com uma dada realidade (exterior e coercitiva); 2) objetivação: ocorre quando os produtos exteriorizados da atividade humana adquirem o caráter de objetividade, ocorrendo o aperfeiçoamento e solidificação das instituições, as quais se tornam instituições históricas, com realidade própria e 3) interiorização: corresponde a transmissão do mundo social às novas gerações, havendo a necessidade de legitimação para sua existência.

Observa-se que o modelo de Berger e Luckmann diz respeito ao processo de institucionalização de atores individuais, servindo, entretanto, como base para análises posteriores que buscam o entendimento do processo dentro das organizações.

Em termos organizacionais, Tolbert e Zucker (1983) esclarecem que a institucionalização é um processo pelo qual componentes de uma estrutura formal tornam-se amplamente aceitos, sendo considerados apropriados e necessários e servindo para legitimar as organizações frente ao seu ambiente. No modelo construído por Tolbert e Zucker (1999), o processo de institucionalização ocorre em três etapas, habitualização, objetificação e sedimentação, conforme sumarizado na Figura 1.

A primeira etapa – a habitualização - diz respeito ao estágio de pré- institucionalização. Envolve a criação de estruturas, políticas e procedimentos frente aos novos desafios que surgem no âmbito das organizações. Para Tolbert e Zucker (1999), observa-se neste estágio o surgimento de inovações de forma independente pelas organizações em resposta às mudanças tecnológicas e de consumo, à

legislação e ás forças de mercado. Os autores esclarecem que no estágio pré- institucionalização alguns atores podem adotar uma determinada estrutura, mas estes serão em pequeno número, limitados a um conjunto de organizações similares e possivelmente interconectadas, que enfrentam desafios semelhantes e apresentam grande diversidade na implementação dessa estrutura.

Em seguida, observa-se o estágio de objetificação, referindo-se a semi- institucionalização da estrutura, em que os modelos organizacionais tornam-se mais solidificados. Envolve o desenvolvimento de certo grau de consenso social entre os líderes da organização a respeito do valor da estrutura, e a crescente adoção pelas organizações. (TOLBERT; ZUCKER, 1999). Nesse estágio, observa-se a difusão de estruturas e modelos entre as organizações, havendo o aumento da normatização e teorização, o que diminuiu a variação na forma como os modelos são utilizados nas organizações. Como exemplos de estruturas desse estágio têm-se os círculos de qualidade, programas de qualidade de vida, planos de remuneração variável, dentre outros. Muitos modelos possuem vida curta, já que na prática não apresentam eficácia dentro das organizações.

Por fim, a sedimentação diz respeito à institucionalização total de estruturas, as quais conseguem sobreviver e se perpetuar através das gerações dentro das organizações. Tal estágio torna-se mais difícil e complexo, devido principalmente a existência de atores organizacionais que são afetados adversamente pelas práticas em andamento e que conseguem se mobilizar e influenciar o enfraquecimento dessas práticas. Assim, os autores destacam que a sedimentação depende dos efeitos conjuntos da baixa resistência por parte de grupos de oposição, de aspectos de promoção e apoio constante por grupos de defensores e de uma correlação positiva com resultados esperados.

Figura 1 – Processos de institucionalização e forças causais

Fonte: Tolbert e Zucker (1999)

Como pode ser observado na Figura 1, o modelo de institucionalização demonstra que o processo se inicia com as organizações respondendo às pressões do ambiente, isto é, forças causais que levam à inovação organizacional, e em seguida à geração de novos hábitos e arranjos estruturais. Essas forças podem ser: 1) mudanças tecnológicas, ou seja, surgimento de novas tecnologias técnicas ou organizacionais; 2) legislação, representando mudanças nas leis que podem provocar maior ou menor receptividade por parte das organizações e 3) forças de mercado, decorrentes de fatores econômicos, tais como disponibilidade de crédito, inflação, consumo e renda dentre outros.

Após a adoção de novas estruturas, ou seja, com a habitualização já consolidada, Tolbert e Zucker (1999, p. 207) destacam duas forças presentes na próxima fase do processo - a objetificação da estrutura: 1) monitoramento interorganizacional, em que as organizações monitoram a si próprias em relação à adoção das novas estruturas e aos seus concorrentes, utilizando “evidências colhidas diretamente de uma variedade de fontes (noticiários, observação direta, cotação acionária etc.) para avaliar os riscos de adoção de novas estruturas”. Como enfatiza Russo (2011, p. 44), esse monitoramento faz com que os líderes “percebam a favorabilidade de adotar determinadas soluções e isso contribuirá para melhorar o equilíbrio relativo entre os custos e benefício das novas adoções de estruturas; 2) teorização, atividade elaborada por grupos de indivíduos que possuem interesse na

estrutura, tais como determinadas categorias de profissionais, consultores dentre outros. Nas palavras de Tolbert e Zucker (1999, p. 208), a teorização diz respeito

a definição de um problema organizacional genérico, que inclui a especificação de um conjunto ou categoria de atores organizacionais caracterizados pelo problema; e a justificação de um arranjo estrutural formal particular como a solução para o problema com bases lógicas ou empíricas. A primeira tarefa envolve a geração de reconhecimento público da existência de um padrão consistente de insatisfação ou de fracasso organizacional que é característico de um determinado grupo de organizações; a segunda tarefa envolve o desenvolvimento de teorias que diagnostiquem as fontes de insatisfação ou de fracasso, de modo compatível com a apresentação de uma estrutura singular como solução (...).

No estágio de sedimentação da estrutura, Tolbert e Zucker (1999) ressaltam algumas forças que são essenciais para difusão e manutenção das soluções implementadas: 1) impactos positivos, que se referem à demonstração de resultados desejáveis associados às novas estruturas, isto é, deve-se entender aqui o grau de correlação - forte ou fraco - entre a estrutura adotada e os resultados; 2) defesa de grupo de interesse, significando aquelas pessoas que apóiam e promovem às novas estruturas e 3) resistência de grupo de interesse, diz respeito às pessoas que são afetadas de forma negativa pela estrutura e que, dessa forma, oferecem resistência e oposição à sua total institucionalização.

Percebe-se, após o estudo realizado nesta seção, acerca dos principais conceitos relacionados à Teoria Institucional, que o modelo de processo de institucionalização de Tolbert e Zucker (1999) possui uma estrutura bastante didática e capaz de ser aplicada com êxito na consecução dos objetivos deste estudo, em que se buscará o entendimento de como ocorre o processo de institucionalização das práticas intra-empreendedoras nas organizações de tecnologia da informação (TI) do Ceará, bem como de que maneira as forças causais influenciam o processo. Para isso, será necessário compreender o campo organizacional que permeia as empresas de TI, tópico este discutido na próxima seção.