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Foram observado alguns estudos que demonstravam ações de resposta a alguns desastres naturais, como o furacão Katrina (HOLGUÍN-VERAS et al, 2008), inundações de Eldorado – SP (AMARAL et al, 2012), preparação para ações de resposta (WASSENHOVE E MARTINEZ, 2010), atendimento a populações afetadas por desastres naturais (BANDEIRA et al, 2012); otimização do atendimento aos desastres naturais (LIBEROTE et al, 2012). Esses estudos proporcionaram a identificação das principais ações envolvidas na resposta a desastres naturais.

As principais ações comuns à resposta aos desastres naturais descritas nos trabalhos citados foram identificadas e classificadas para fins de facilitar essa pesquisa em sete etapas: (a) avaliação; (b) organização do local; (c) resgate; (d) cadastramento; (e) encaminhamento; (f) assistência; e (g) restabelecimento de serviços básicos.

A seguir são descritas as características de cada uma dessas etapas conforme a identificação das ações nos trabalhos acima citados.

Quando um desastre natural ocorre o primeiro passo é proceder uma avaliação da situação. Basicamente as ações de avaliação envolvem, nessa primeira etapa, em traçar um panorama da extensão dos danos, determinar o nível do desastre e uma estimativa do número de pessoas afetadas e de suas necessidades para proporcionar seu atendimento e posterior elaboração de laudos na fase seguinte do desastre. A avaliação envolve ainda as possibilidades de locais para pontos de apoio e centrais, a atualização dos recursos disponíveis e formação de equipes para atendimento, bem como o planejamento das ações necessárias.

A seguir é preciso organizar o local. A etapa de organização do local consiste em, entre outras coisas, dividi-lo conforme a delimitação de áreas de riscos iminentes em zonas de risco. A zona quente, também chamada de última milha ou epicentro do desastre, é a área de maior risco, só recebe equipes especializadas como bombeiros e socorristas. Na segunda zona conhecida como morna, onde há um risco médio, são montados os pontos de apoio que atenderão as equipes de resgate e algumas necessidades mais urgentes da população afetada. A última zona, chamada de zona fria, encontra-se já fora de área de risco, é onde são montadas as centrais de suprimentos, de distribuição, de assistência e os abrigos provisórios que podem ser abrigos, alojamentos ou acampamentos. A organização do local envolve também as barreiras entre as zonas, os acessos e controles de vias.

A próxima etapa é a de resgate, diz respeito às ações de busca e salvamento, que em geral envolvem localização das vítimas e acesso ao local onde ela se encontra, além ainda, de atendimento pré-hospitalar quando houver necessidade. As ações se finalizam com o encaminhamento e transporte da população afetada para hospitais, postos de atendimento ou de assistência.

A etapa de cadastramento, também denominado de triagem, envolve o diagnóstico da situação por meio de registro da população afetada e de suas necessidades. Ou seja, a população é direcionada pelas equipes de resgate ou assistentes sociais para um local onde é feito o seu registro e de suas necessidades quanto a alojamento, alimentação, vestimentas, entre outras. As necessidades diagnosticadas são encaminhadas para as centrais de suprimentos ou abrigos provisórios para as devidas providências quanto ao seu atendimento.

O encaminhamento diz respeito ao atendimento das necessidades diagnosticadas no cadastramento. As pessoas afetadas são encaminhadas para abrigos provisórios quando desalojadas (pessoa afetada que teve que sair temporariamente de sua residência) ou desabrigadas (pessoa afetada que teve a residência destruída ou interditada), ou então para centrais de assistência quando as pessoas afetadas não estão nas condições mencionadas, porém, necessitam de algum tipo de suprimento para suas necessidades básicas como alimentação e higiene, por exemplo.

A etapa de assistência consiste em suprir as necessidades da população afetada diagnosticadas na etapa de cadastramento. Pode envolver desde atendimento médico- hospitalar, vaga em abrigo provisório, assistência psicológica e/ou religiosa até o atendimento das necessidades básicas como num primeiro momento alimento pronto, material de higiene pessoal e material para dormir (colchões, roupas de cama, etc).

Por fim, na etapa de restabelecimento de serviços básicos o que se busca é promover a volta à normalidade através de ações como limpeza das vias públicas e pontos afetados (residências, comércios, indústrias entre outros ambientes públicos ou privados), envolve também a operacionalização do acesso por meio de desobstruções de escombros ou até mesmo construções de pontes se for o caso. Fazem parte ainda o reparo de serviços como água potável e esgoto, energia e comunicações, as ações de vigilância sanitária e quando necessário manejo de cadáveres e ainda a operacionalização da segurança pública e patrimonial.

O Quadro 3 apresenta as principais ações envolvidas na resposta a desastres naturais, classificadas e agrupadas conforme etapas propostas por essa pesquisa.

Quadro 3: Classificação das ações de resposta por etapas

ETAPAS DA RESPOSTA

AÇÕES DE RESPOSTA

Avaliação

Avaliação da infraestrutura atingida Avaliação das vias de acesso

Avaliação dos possíveis pontos de apoio Avaliação dos recursos disponíveis Estimativa do número de afetados

Estimativa de possíveis necessidades dos afetados Mobilização do sistema de comunicação

Chamada de pessoal e voluntários Formação de equipes

Planejamento de ações

Organização do local

Organização dos pontos de apoio no local do impacto Organização da cadeia de assistência

Delimitação das áreas de risco iminente Delimitação dos pontos de acesso

Definição das unidades de socorro, centrais de assistência e de armazenamento de suprimentos, dos abrigos provisórios, e dos pontos de auxílio aos socorristas

Resgate

Localização de pessoas afetadas Acesso ao local onde se encontram Atendimento pré-hospitalar no local

Encaminhamento a hospitais ou postos de atendimento médico

Evacuação de pessoas em risco

Transporte de desabrigados ou desalojados Cadastramento Diagnóstico das pessoas afetadas

Diagnóstico de suas necessidades Encaminhamento

Encaminhamento das pessoas afetadas a abrigos provisórios

Encaminhamento a centrais de assistência

Assistência

Atendimento médico-hospitalar

Atendimento das necessidades de água, alimentos, roupas, material de sobrevivência e produtos de higiene

Operacionalização de abrigos provisórios Assistência psicológica e/ou religiosa

Restabelecimento de serviços básicos

Limpeza de vias públicas e pontos afetados e manejo de resíduos

Desobstruções, interdições e operacionalização de desvios e acessos

Reparo de serviços de água potável e esgoto, energia e comunicações

Ações de vigilância sanitária e manejo de cadáveres Operacionalização da segurança pública e patrimonial

Fonte: Adaptado de Bandeira et al (2012); Amaral et al (2012); Holguín-Veras et al (2008);

A identificação e classificação das ações envolvidas na resposta a desastres naturais subsidia no próximo tópico a identificação das atividades logísticas pertinentes.

Benzer Belgeler