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2. GAZELLERİN İNCELENMESİ

2.24. Bâkî (ö. 1600)

Nesse sentido, considera a FORMAÇÃO universitária e profissional no âmbito do património, adequada às práticas atuais de intervenção?

Arq. Tiago do Vale: Não, não é. E isso é uma verdade quase universal. As universidades cultivam muito a cultura do arquiteto criador e a reabilitação é vista como uma disciplina secundária da arquitetura, porque não permite com tanta facilidade, exprimir todo o potencial do arquiteto criador. Para além disso, as escolas também cultivam muito mais, a cultura da ideia e a cultura do conceito, em vez da cultura da execução, que também é uma coisa muito importante na reabilitação. E em todas as escolas que eu conheço, pelos currículos, não há nenhuma que tem uma formação específica que permita a abordagem de edifícios que precisam ser reabilitados. A intervenção no património está fora da formação base e depois a cultura já está criada. Não é uma pós-graduação que depois vai modificar esta atitude.

E depois, há muitas dificuldades para um arquiteto, porque de repente está num vazio, digamos assim. Não tem um alicerce teórico, nem prática que lhe permita lidar com a mesma facilidade com a arquitetura de reabilitação, uma vez que está mais familiarizado com as técnicas contemporâneas e com o desenho de raiz. Depois, os desafios da reabilitação são extremamente específicos e torna-se um puzzle mais complicado de montar.

As cartas e as convenções são enquadradas na teoria da arquitetura e na história da arquitetura e não na prática da arquitetura. Esse é que é o problema, elas fazem sentido na prática e na teoria também. No entanto, a maior parte dessas cartas são questionáveis e muitas das vezes desadequadas também, já porque algumas delas são heranças do movimento moderno e a nossa realidade hoje é muito diferente da realidade que fundou e justificou o movimento moderno. São sempre fruto da mesma cultura e é uma cultura, que desde logo de raiz está orientada para outras coisas que não a reabilitação.

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- Pretende que este questionário seja anonimo? SIM___ NÃO_X_

Muito obrigada pela sua colaboração, A discente Anita Alves Pimenta Tlf. (+351) 96 78 678 95

Email: [email protected] Maio de 2015

-188 - Mestrado Integrado em Arquitetura e Urbanismo

I terve ção e Edifícios A tigos de Cariz Corre te os Ce tros Históricos de Portugal Entrevista nº 2

(Arq. Inês Pimentel – Reabilitação de Habitação Unifamiliar do Início do séc. XX: Porto)

Enquadramento:

A dissertação de Mestrado, que me encontro a realizar, tem como objetivo reconhecer os graus, os princípios e os métodos presentes nas práticas atuais de intervenção no Edificado Urbano Tradicional, em Portugal.

A obra realizada pela arquiteta foi distinguida pelo prémio IHRU 2014, com uma Menção Honrosa na vertente de Reabilitação de Edifícios, devido à intervenção realizada. É nesse sentido que se torna relevante o seu contributo para um maior conhecimento sobre os procedimentos, que recomenda como adequados.

Questionário:

1. Ao intervir numa pré-existência em degradação, quais foram para si, os PRINCÍPIOS, os VALORES e o GRAU de intervenção, a considerar?

Arq. Inês Pimentel: A primeira coisa é perceber qual é o estado de degradação. É fazer um diagnóstico da pré-existência, perceber o que é que é possível manter e o que é que não é possível, e perceber também o que é que interessa manter. Muitas vezes as construções já estão intervencionadas, mesmo há muito tempo, e às vezes também há coisas do passado que estão em muito bom estado mas não são interessantes.

Eu não montei nenhuma teoria. Interessa-me preservar a autenticidade, ou interessou-me neste caso (não acho isso obrigatório). Interessou-me por uma razão, porque a pré-existência tinha qualidade para isso e tinha matéria, que me permitia ir buscar ou recriar o ambiente original e mesmo os princípios de construção originais, com muito restauro e pouca reprodução.

Valorizei as técnicas construtivas da altura, os materiais, todo o sistema construtivo. Muitos dos materiais eu não consegui reproduzir, mas fui procurar materiais que se fabricam hoje em dia e são exatamente do mesmo tipo. O mosaico hidráulico nos pavimentos, o azulejo de

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pasta branca vidrada nas paredes, foram todos novos. A casa tinha mosaicos hidráulicos, mas estavam em mau estado. E não tinha em todos os sítios, porque as casas de banho que se fizeram no interior da casa ocuparam antigas alcovas com piso em soalho, não havia infraestruturas hidráulicas no miolo da construção, só havia nas traseiras. Portanto, nesses sítios utilizei mosaico, que é um material que se utilizava na casa, nas casas de banho e na cozinha originais. Escolhi um tipo de material que tipicamente se utilizava e que a casa já tinha.

1.1. Qual considera ter sido o grau que define esta intervenção?

Esta intervenção tem muito restauro e o restauro é tratarmos as peças que lá temos, renovar as peças que lá estão. A intervenção tem reconstrução também. Depende das zonas. A casa estava muito degradada junto às fachadas e no seu miolo estava muito bem preservada, com exceção das argamassas, de rebocos e de tetos. Todas as madeiras estavam em excelente estado, por isso foram restauradas, inclusive pisos, estrutura e escada, é tudo restaurado. Já nas traseiras, a fachada ligeira, que fecha as varandas, foi completamente reconstruída, portanto nem sequer é uma reabilitação, é uma reconstrução integral. A fachada original era em tabique, no entanto, agora não foi feito um tabique idêntico, mas antes, uma parede ligeira contemporânea: a estrutura é em madeira, com prumos verticais cruzados com as vigas dos pisos; todos os vãos opacos são preenchidos com isolamento, e depois temos gesso cartonado por dentro, uma placa cimentícia por fora, com as juntas seladas, por isso impermeável, e depois o revestimento exterior. Por isso, nesta casa, há vários níveis de intervenção, conforme os elementos.

2. Para garantir qualidade na intervenção, seguiu uma METODOLOGIA específica? Qual é a importância de cada uma das fases seguidas, no processo de intervenção?

Arq. Inês Pimentel: Nesta casa, nesta intervenção, foi feito tudo quase ao mesmo tempo. Isto foi uma intervenção feita muito rapidamente e projeto e obra foram feitos ao mesmo tempo, o que não é uma situação nem vulgar, nem habitual, nem desejável. Porque isso, dá-nos muito trabalho. Exigiu muito de mim, porque eu tinha que estar dia a dia a saber o que é que ia ser feito e a tomar decisões, de coisas que ainda não tinham sido desenhadas ou pensadas até a fase final. Costuma-se dizer que em reabilitação é bom ir fazendo as coisas, tomando decisões ao longo da obra, e eu tinha essa ideia, mas, sobretudo, depois desta experiencia, discordo totalmente. Mesmo que haja surpresas, nós estamos sempre lá para adaptar a qualquer momento o projeto, mas é sempre melhor ter o projeto feito com todo o pormenor antes da obra começar. Portanto, aqui como foi tudo feito ao mesmo tempo, as coisas misturaram-se muito.

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mais gerais, aos pormenores construtivos, que foram todos levantados, todos desenhados, mesmo os caixilhos, que eu sabia que não ía poder aproveitar, porque estavam em péssimo estado e alguns já nem sequer existiam. Dos que existiam faltava uma grande parte das peças, mas mesmo esses eu medi-os e desenhei-os a todos, ou seja, documentei-os. Eu podia não o fazer e, às vezes, o tempo não dá para tudo e, se nós não vamos aproveitar, podemos não fazer esse levantamento, mas eu fiz e acho que foi muito importante. Fiz porque tenho interesse em conhecer os pormenores típicos da arquitetura daquela época e acho interessante ir formando uma base de dados. Mas também porque, quando começa a obra, os caixilhos que não são para aproveitar, são retirados na fase em que são feitas as demolições. Depois, quando estamos a desenhar os novos caixilhos, e neste caso, isso foi fundamental, o levantamento serve de referência direta, mesmo que o caixilho novo seja muito diferente. Neste caso houve uma transposição de medidas e proporções. Não do princípio de funcionamento, porque os caixilhos daquela época não tinham aro fixo: eram chumbados diretamente à orla em granito, e depois havia uma peça por fora que fazia de mata juntas. Os novos caixilhos são diferentes, têm aro fixo, mas essa peça tem um desenho diferente dos que eu já desenhei para qualquer outro sítio, porque simula o antigo mata- juntas, por fora tem um aspeto muito semelhante, apesar de agora ter um papel completamente diferente.

Depois, esta casa ainda tinha muito de original, e neste caso foi importante estudar as cores, o ambiente anterior (usava-se muita cor naquela altura, nas paredes, nos mosaicos) não só desta casa como de outras referências da mesma época. Para perceber o que é que era costume fazer-se, essa pesquisa foi muito importante. E foi feita em campo, a visitar obras. Não há muita documentação sobre isto portanto foi andar na rua a olhar para as fachadas antigas, olhar para os caixilhos, visitar outras casas. Essa pesquisa também é fundamental no comum método de trabalho, para se chegar a um bom resultado.

Depois, é desenhar tudo. Nestes casos podemos tipificar muitas coisas, porque as casas já eram muito tipificadas a nível de pormenorização, e o projeto também agora pode ser tipificado, mas tudo desenhado, que é a melhor forma de não sermos muito surpreendidos depois, em obra.

Na fase de execução, o acompanhamento foi permanente. Eu, neste caso, fiz a gestão da obra também, portanto, não fiz só o acompanhamento de obra como projetista, mas toda a gestão da obra. Subcontratei diretamente as pessoas que a executaram: o pedreiro, o trolha, o pintor, o carpinteiro, eu fiz de empreiteiro. E eram todas elas pessoas com quem já tinha trabalhado, por isso, não foi difícil, porque eu tinha uma equipa. Muitos construtores estão a

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especializar-se em reabilitação e estão outra vez a aprender as técnicas. Por exemplo, o mosaico hidráulico é um material que não se aplica da mesma forma que um azulejo. É preciso ter algum cuidado porque ele mancha, é preciso protegê-lo, tapar a junta e limpar logo. Esta equipa que o aplicou nesta obra, já tinha aplicado mosaico hidráulico numa outra obra minha e, por acaso, nessa obra não correu assim tão bem, portanto, já tinham essa experiência. Aqui não existiu esse problema do desconhecimento das técnicas de construção e acho que cada vez menos vai existir.

Já tinha feito obra em outras pré-existências mas com esta dimensão, intervir na casa toda, no estado em que ela estava, ir tão a fundo, ir à estrutura e ir ao caixilho e à impermeabilização dos interiores, foi a primeira vez.

Eu já trago alguma bagagem, alguma reflexão sobre o assunto, eu sei que isso se faz, eu até sei que isso depois, até vende melhor. Não há muitos anos atrás, nas imobiliárias toda a gente diziaà olheà ueàseà oàtive àlajeàe à et oàasàpessoasà oà o p a ,à e àaluga ,àpo ta to,à isto é muito recente ainda. Se calhar, vai custar a mudar, mas nós como arquitetos também já temos um bocado essa sensibilidade, e sabemos que é uma pena que se perca. Não tenho nada contra isso, quando realmente o que lá está se encontra em muito mau estado, não se aproveita muito. Ali nós fomos surpreendidos, porque a casa parecia que estava em ruína. A Câmara chegou a dar um atestado de ruína e a mandar demolir. Também, ainda não percebi se isto é mito ou se é real, mas muita gente acredita que é mais barato fazer isso, demolir e construir de novo. Neste caso, o que foi reconstruído foi só o que não havia hipótese de recuperar.

Em reabilitação as coisas têm que ser vistas, caso a caso. Se nós temos uma laje ou um piso que é um sobrado, com vigas de madeira e o soalho cruzado, este soalho não é o revestimento é a estrutura, é o piso. Não podemos aplicar-lhe um tijolo em cima. Mas, se vamos fazer uma parede ao lado, que vem desde o piso térreo, da fundação, uma parede nova que é para rebocar, até pode ser em betão ou em tijolo, não vamos construir hoje em pedra, porque isso é impensável, é muito caro e se calhar, nem tem grande vantagem, porque há alvenarias resistentes e estruturais de blocos de betão ou de argila, com essa capacidade, que podem ser compatíveis, depende da situação.

3. Quais são as principais DIRETRIZES ORIENTADORAS para a intervenção em património?