2. GÜNEY KORE’NİN KALKINMASINDA BAŞARININ KAYNAKLARI KAYNAKLARI
2.3. ASYA KRİZİ’NİN GÜNEY KORE EKONOMİSİNE ETKİLERİ VE GÜNEY KORE’NİN YENİ HEDEFLERİ GÜNEY KORE’NİN YENİ HEDEFLERİ
2.3.3. Asya Krizi ve Krizin Güney Kore Kalkınmasına Etkisi
Descrever a trajetória de Antônio Carlos Arruda Botelho, o conde do Pinhal, pode parecer, inicialmente uma tarefa fácil, afinal todos os documentos familiares, contábeis, econômicos, sociais e familiares foram preservados e uma diversidade testemunhos de seus feitos foram coletados e guardados.
A abundância de fontes é acompanhada de uma uniformidade das informações, que invariavelmente repetem a grandiosidade de seus feitos, seu papel como fundador de São Carlos, construtor da estrada de ferro que a atravessa a sua condição de grande fazendeiro, banqueiro, e sua fortuna. Além do conde, pode-se constatar a constituição de um culto à sua pessoa que se propaga aos herdeiros, de forma que o caráter pessoal de seu carisma se propaga de forma épica às gerações
seguintes, tornando o nome da família Arruda Botelho uma espécie de símbolo da grandiosidade de São Carlos. A multiplicação das fontes e referências se apresentam, assim, como testemunho da construção de uma tradição familiar.
Como observa Ribeiro (2010),
(...) sobre o Conde há alguns estudos acadêmicos e uma expressiva literatura comemorativa/genealógica. (...) Além disso, a família Arruda Botelho preservou na Fazenda do Pinhal um acervo de livros, correspondência e, a mais importante de todas para o nosso estudo, a correspondência da Casa Comissária Arruda Botelho – Santos, composta por 3.365 documentos referentes às transações econômicas: aviso de remessa, ordem de pagamentos, notas fiscais, recibos, de 1891 a 1898 e 1901. (RIBEIRO, 2010, p.15)
A história da família Arruda Botelho34 vem sendo contada desde o início do século XIX. Seu nome foi associado à fundação da cidade, à construção da igreja, à elevação a episcopado, à construção da estrada de ferro, à criação e construção da escola normal, entre outros fatos considerados relevantes. Muitos desses feitos são questionados por adversários políticos ou por pesquisadores. Entretanto, isso não é o que importa para a tradição da família. A veracidade ou não do que é dito não elimina o fato fundamental a ser reproduzido, a primazia da família Arruda Botelho na constituição da identidade tradicional sãocarlense.
Importa que o nome da família é sempre associado à cidade de São Carlos, de forma a ter sua história confundida com a própria história da cidade. A trajetória do Conde do Pinhal e de sua família foi sempre contada e recontada por biógrafos amadores, pesquisadores, periódicos, almanaques e jornais locais. Com o tombamento e transformação da fazenda do Pinhal em Casa do Pinhal, patrimônio histórico reconhecido pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado - Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo), em 1981 e em 1987 pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Ministério da Cultura), todo acervo da casa, que é mantida e preservada pela Associação Pró-Casa do Pinhal, que conta entre seus membros descendentes e membros da família Arruda Botelho, o trabalho de reprodução e propagação da tradição familiar é ainda mais potencializado.
De acordo Gordinho (2004) dentre os proprietários que investiram no estabelecimento de lavouras na região de São Carlos está Carlos José Botelho35 (1778-1854), Em 1815, Carlos José de
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De acordo com Fulas (2010) a história da família Arruda Botelho no Brasil remontaria a meados do século XVII, quando em 1654 para cá vieram três irmãos, membros da família: Sebastião de Arruda Botelho, André Botelho Sampaio e Francisco de Arruda e Sá. Sebastião era bisavô de Carlos Bartholomeu de Arruda Botelho. (FULAS, H.A., Depoimentos e entrevistas sobre a família Arruda Botelho, São Carlos, Arquivo Fazenda Pinhal , 2010, p.13.)
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Carlos Bartholomeu de Arruda Botelho (1740-1815) ascendeu socialmente devido à carreira militar, lhe garantindo prestígio e destaque dentro da sociedade local. Em 1780, requereu junto à coroa portuguesa àquela que viria a ser a sua primeira sesmaria, perfazendo um total de três léguas de quadra, situada nos campos de Araraquara. Carlos Bartholomeu ampliou os seus domínios de terras comprando e
Arruda Botelho herda a Sesmaria do Pinhal. A área da sesmaria era de 3 léguas de quadra. Segundo Godinho (2004) a posse desta sesmaria “era o primeiro passo que Carlos Bartholomeu dava para a instalação de bases sólidas para toda a família”. (GORDINHO,2004, p.19).
A extensão de terras sob sua posse não se limitou a Sesmaria do Pinhal. Pouco depois, Carlos Bartholomeu adquiriu outra concessão de Sesmaria na mesma região. Neste mesmo ano de 1786, seu filho mais velho, Manoel Joaquim adquiriu uma terceira Sesmaria, de três léguas de quadra, também nos Campos de Araraquara (GORDINHO, 2004,p.23). Em 1795, Carlos Bartholomeu de volta a Piracicaba, requereu e conseguiu a Sesmaria do Bom Jardim do Salto, junto ao rio Piracicaba. Com todas estas terras, a posição social da família foi fortalecida e também estavam lançadas as bases pela qual a fortuna familiar prosperaria.
A Sesmaria do Pinhal foi dada ao seu filho Carlos José, natural de Piracicaba, mas residente em Araraquara. Para tomar posse de suas terras, Carlos José, que ficou conhecido como Botelhão36, instalou uma pequena lavoura e construiu sua casa. Além da Fazenda Pinhal, o Botelhão, se envolveu com a política local, assumindo a posição de primeiro presidente da Câmara de Araraquara (1833), delegado e inspetor de estradas (GORDINHO, 2004).
Com o falecimento de Carlos José, a fazenda passa a ser administrada por um de seus filhos, Antônio Carlos de Arruda Botelho. Antônio Carlos contraiu matrimônio com Francisca Theodoro Coelho, filha do proprietário de terras e político Fructuoso Coelho.
As atividades comerciais em Piracicaba foram interrompidas em 1853, quando Antônio Carlos atendeu ao chamado de seu pai e se transferiu para a Fazenda Pinhal, assumindo o seu controle a partir da morte do pai em 185437. A partir de então, tratou de administrar e expandir os negócios da família, sobretudo, com a compra das terras herdadas pelos seus irmãos. Assim como o seu pai, se envolveu com a política local, assumindo os postos de juiz municipal e presidente da Câmara de Araraquara (1857 a 1860), inspetor de instrução pública e inspetor de estradas (GORDINHO, 2004). Ainda interessado no comércio, montou em parceria com Francisco Jerônimo de Bitencourt a “Sociedade Comercial de Gêneros Nacionais e Estrangeiros”, que funcionou entre 1857 e 1860 na cidade de São Carlos38.
requerendo novas sesmarias próximas a sua primeira doação. Casado com Maria Meira de Siqueira tiveram três filhos, Manoel Joaquim Pinto de Arruda, Maria Francisca de Arruda, Eugênia Antônia de Arruda e Carlos José Botelho (o Botelhão). As sesmarias foram dividias entre os dois filhos homens (GORDINHO, 2004, 19).
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Casado com Candida Maria Sampaio. Tiveram ao todo 9 filhos: Maria Jacintha de Meira; Carlos de Arruda Botelho; Antonio Carlos de Arruda Botelho; Capitão João Carlos de Arruda Botelho; Cândida Maria da Pureza; Joaquim de Meira Botelho; Cel. Paulino Carlos de Arruda Botelho; Eulália Carolina de Meira e Bento Carlos de Arruda Botelho (ARRUDA BOTELHO, 2009)
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A situação da Sesmaria do Pinhal não foi resolvida de imediato. Com mais de 10.000 alqueires, ficou em estado pró-indiviso até 1895 (GORDINHO, 2004).
Na Fazenda Pinhal, Antônio Carlos intensificou as plantações de café iniciadas pelo seu pai na década de 1840. As atividades desenvolvidas tanto no Pinhal como na Fazenda Santo Antônio estavam voltadas para o mercado interno, desempenhando papel importante durante a Guerra do Paraguai para o abastecimento das tropas brasileiras acampadas na província de Mato Grosso, com o envio de carnes e derivados do açúcar.
Com a morte da esposa e com um filho pequeno para criar, Antônio Carlos se decide pelo segundo matrimonio, com a filha de um importante proprietário de terras da cidade de Rio Claro, José Estanislau de Oliveira. A união das duas famílias permitiu que Antônio Carlos galgasse novos patamares de riqueza não apenas na região. Nas décadas seguintes Antônio Carlos formou a Fazenda do Lobo, que deixou como herança em vida para o seu filho Carlos José, plantando 34.000 pés de café. Adquiriu e formou também, nas cercanias de São Carlos, mais duas fazendas, a Palmital e a Serra, em ambas investindo no plantio de café (mais tarde também alienadas aos seus filhos).
Em seu estudo sobre a Fazenda Palmital, Rosane MESSIAS (2005) aponta que esta unidade, aberta também em 1876, era um exemplo de fazenda mista, com “produção de café, milho, feijão,e criação de diversos animais para atender à demanda da fazenda”(MESSIAS, 2005, p. 27-28). Este padrão se repetiria em suas outras propriedades, com o claro direcionamento as atividades cafeeiras.
Antônio Carlos investiu na produção de café em suas fazendas com a compra de máquinas de beneficiamento e outros equipamentos que auxiliavam no preparo do grão após a colheita.
Na Fazenda Pinhal, onde a plantação de café não era tão expressiva (algo em torno de 90.000 pés), Antônio Carlos equipou a tulha da fazenda com uma máquina de beneficiamento das indústrias MacHardy e importou uma turbina para movimentá-la. Em 1879 Antônio Carlos recebeu o título de Barão do Pinhal por seus serviços junto as tropas brasileiras na guerra do Paraguai.
A produção de café da Fazenda Pinhal encontrava os mesmos empecilhos que as dos demais cafeicultores, a falta de transportes eficientes em uma região ainda não servida pelas ferrovias. A produção da fazenda era escoada pelas precárias estradas de rodagem.
Quando o governo provincial concedeu o direito de construir e explorar comercialmente uma linha entre Rio Claro e Araraquara aos engenheiros Adolpho Augusto Pinto e Luiz Augusto Pinto, verificou-se que o traçado proposto na concessão dos irmãos Pinto, favorecia outros produtores da região, como a fazenda Santa Eudóxia, entretanto não satisfazia aquele que se considerava o principal grupo familiar local: os Arruda Botelho. O desvio para Itirapina não se mostrava favorável para suas terras situadas a mais de 30 quilômetros dos trilhos da nova estrada. Segundo Godinho, Antônio Carlos teria manipulado a situação ao seu favor. Ocupando as fileiras da Assembleia Legislativa de São Paulo, desde 1864, como deputado pelo Partido Liberal, Antônio Carlos chegou, em 1880, a presidente da Assembleia Legislativa. Esta posição certamente o auxiliou a tecer alianças
políticas entre os deputados, para que o projeto de construção da nova linha da Companhia Paulista não fosse adiante. O retardamento da aprovação, acabou por levar os irmãos Pinto39, a venda da concessão da linha para Antônio Carlos e familiares. Fulas (2010) apresenta a situação da seguinte forma na introdução do livro de Depoimentos e Entrevista, que encontra-se no acervo da Casa Pinhal:
Devido a sua importância política, Antônio Carlos conseguiu, no início da década de 1880, impedir o avanço da estrada de ferro entre Rio Claro e São Carlos, pois o traçado do projeto apresentado não agradara parte dos fazendeiros locais, inclusive ele próprio – não lhes era economicamente vantajoso; o traçado não favorecia o escoamento das produções desses cafeicultores (FULAS, 2010, p.20)
É interessante que se observe que, em nenhum momento é citado o nome de Cunha Bueno ou de Ellis, mesmo no conflituoso problema da ferrovia. Sequer é feita qualquer referência a fazenda Santa Eudóxia, a maior e mais respeitada produtora de café da época. Em todos os documentos encontrados não há qualquer menção ao café Santa Eudóxia e seus produtores, como se tivesse existido um proposital apagamento da memória da cidade.
Caberia aos novos proprietários a organização de uma companhia para a construção da nova linha. A constituição da empresa ferroviária denominada Rioclarense, foi um marco significativo e representou o avanço de um patamar de riqueza, que realçaria ainda mais o poderio econômico da família Arruda Botelho. Foi a primeira empresa ferroviária a ser construída nestes padrões (GRANDI, 2007) tendo Antônio Carlos como presidente e seu sogro e cunhado como diretores.
A Rioclarense, independentemente de ser uma empresa lucrativa, despertava o interesse de outros capitalistas e companhias ferroviárias, em especial, da Companhia Paulista, controlada pelos ingleses da Railway Company. Cercada pelas demais companhias ferroviárias, suas chances de prolongamentos ficaram limitadas. A solução seria a anexação dos seus trilhos com a Rioclarense, que a permitiria alcançar zonas novas e a habilitaria a disputar, com suas concorrentes, o caminho para o estado de Mato Grosso, tão cobiçado na época. Em 1889, a companhia foi vendida ao capital inglês, passando a ser a The Rio Claro – São Paulo Railway Company. O pagamento foi feito à vista no valor de £1.050.000.