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Outra medida adotada para reduzir a possibilidade de fraudes e aumentar a independência dos auditores, foi a instituição dos comitês de auditoria.

Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), o comitê de Auditoria é um órgão composto por conselheiros de administração com o objetivo de, entre outras coisas, analisar das demonstrações financeiras e destituir os auditores independentes.

[O comitê de auditoria é um] órgão estatutário formado por conselheiros de administração, e que se reporta ao colegiado integral do Conselho de Administração, para tratar dos assuntos relacionados às normas a serem cumpridas pelos auditores independentes contratados por essas instituições. O Comitê é instituído para analisar as demonstrações financeiras, promover a supervisão e a responsabilização da área financeira, garantir que a diretoria desenvolva controles internos confiáveis e que a auditoria interna desempenhe a contento o seu papel, selecionar, fixar a remuneração, acompanhar o trabalho e, sendo o caso, decidir pela destituição dos auditores independentes, zelando para que estes façam uma correta revisão das práticas da diretoria e da auditoria interna. (IBGC, 2008)

As boas práticas de governança corporativa (GC) recomendam que o conselho de administração crie comitês para assuntos específicos, que se dediquem a áreas que requeiram estudos mais profundos para subsídios de decisões do conselho (RAMOS e MARTINEZ, 2006, p.147).

É muito comum, a existência de comitês nos conselhos de administração nos Estados Unidos e na Inglaterra, de acordo com Ramos e Martinez (2006), nos Estados Unidos há a adoção de membros independentes no conselho de administração principalmente nos comitês de fiscalização, os chamados de Audit committees, responsáveis pela fiscalização do Compliance.

Essa prática, inicialmente, foi voluntária nas empresas negociadas em bolsa de valores nos Estados Unidos. Pereira (2005) afirma que desde 1940 há informativos da Securities and Exchange Commission (SEC) que mostram que a discussão sobre este assunto foi inicialmente voluntária e paulatinamente evoluiu para uma evidente prática. Mesmo com a crescente adoção voluntária do comitê de auditoria por parte das companhias americanas, a bolsa de valores de Nova Iorque obrigou a implantação do comitê de auditoria em todas as companhias listadas desde 1978. Até que em 2002, com o advento da lei Sarbanes-Oxley, a implantação do comitê de auditoria se tornou uma prática obrigatória.

Agrawal e Chadha (2004) constataram que se o comitê de auditoria possui pelo menos um membro independente e especialista em finanças, a empresa é menos propensa à gerenciar seus resultados, confirmando esta constatação, Klein (2002) encontrou uma relação negativa entre a independência do comitê de auditoria e o gerenciamento de resultados8

Por outro lado, Agrawal e Chadha (2004), afirmam que um comitê de auditoria não é muito ativo, uma vez que se encontra duas ou três vezes por ano, logo, ainda que possua membros independentes e especialistas em finanças, é muito difícil para um pequeno grupo detectar fraudes ou irregularidades contábeis em uma corporação complexa em pouco espaço de tempo.

. Esses achados são consistentes com a idéia de que a falta de independência prejudica a habilidade dos membros do comitê de auditoria de controlar o gerenciamento.

A partir da regulamentação da Lei Sarbanes-Oxley, as empresas brasileiras com títulos negociados nos Estados Unidos deverão implantar em suas sociedades o comitê de auditoria. Segundo Ramos e Martinez (2006), a adoção do comitê de auditoria nos moldes da lei

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O termo gerenciamento de resultados é empregado como sinônimo de contabilidade criativa, manipulação contábil e earnings management.

americana implicará mudanças no conselho de administração acarretando mudanças na estrutura de poder. Segundo as regras americanas o comitê é parte do conselho de administração e deve conter ao menos 3 membros externos que sejam independentes da gestão, da auditoria externa e dos controladores.

Além desta exigência por parte da Sarbanes-Oxley, que afeta apenas as empresas brasileiras que são negociadas nas bolsas norte-americanas, em 2003 o BACEN publicou a resolução nº 3.081/03 que tornou obrigatório o comitê de auditoria para todas as instituições financeiras, demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil e para as câmaras e prestadores de serviços de compensação e de liquidação. Segundo o BACEN, o comitê deve ser composto por no mínimo três integrantes com mandato de até cinco anos, pelo menos um desses integrantes deve possuir comprovados conhecimentos nas áreas de contabilidade e auditoria que o qualifiquem para a função, sem a necessidade de haver integrante externo. Assim como nos prazos do rodízio, o integrante do comitê de auditoria somente pode voltar a integrar tal órgão na mesma instituição após decorridos no mínimo três anos do final do seu mandato anterior. O comitê de responder diretamente ao conselho de administração e seus integrantes devem atender algumas condições básicas:

Art 12 [...] são condições básicas para o exercício de integrante do comitê de auditoria:

I - não ser, ou ter sido nos últimos doze meses:

a) diretor ou funcionário da instituição ou de suas

ligadas;

b) responsável técnico, diretor, gerente, supervisor ou

qualquer outro integrante, com função de gerência, da equipe envolvida nos trabalhos de auditoria na instituição;

II - não ser cônjuge ou parente em linha reta, em linha colateral até o terceiro grau e por afinidade até o segundo grau, das pessoas referidas no inciso I;

III - não receber qualquer outro tipo de remuneração da

instituição ou de suas ligadas que não seja aquela relativa à sua função de integrante do comitê de auditoria ou, utilizada a prerrogativa prevista no art. 11, § 5º, relativa à sua função de membro do conselho fiscal. (BACEN, 2003b)

Quanto às atribuições, o comitê de auditoria tem a atribuição de recomendar a contratação e se for o caso, a substituição das firmas de auditoria, fiscalizar os trabalhos dessas firmas e reunir-se trimestralmente com o conselho de administração e os auditores internos e externos para verificação dos cumprimentos de suas recomendações.

Art. 14. Constituem atribuições do comitê de auditoria:

I - estabelecer as regras operacionais para seu próprio

administração [...], formalizadas por escrito e colocadas à disposição dos respectivos acionistas ou cotistas;

II - recomendar, à administração da instituição, a entidade a ser contratada para prestação dos serviços de auditoria independente, bem como a substituição do prestador desses serviços, caso considere necessário;

III - revisar, previamente à publicação, as demonstrações

contábeis semestrais, inclusive notas explicativas, relatórios da administração e parecer do auditor independente;

IV - avaliar a efetividade das auditorias independente e

interna, inclusive quanto à verificação do cumprimento de dispositivos legais e normativos aplicáveis à instituição, além de regulamentos e códigos internos;

V - avaliar o cumprimento, pela administração da

instituição, das recomendações feitas pelos auditores independentes ou internos;

VI - estabelecer e divulgar procedimentos para recepção e

tratamento de informações acerca do descumprimento de dispositivos legais e normativos aplicáveis à instituição, além de regulamentos e códigos internos, inclusive com previsão de procedimentos específicos para proteção do prestador e da confidencialidade da informação;

VII - recomendar, à diretoria da instituição, correção ou

aprimoramento de políticas, práticas e procedimentos identificados no âmbito de suas atribuições;

VIII - reunir-se, no mínimo trimestralmente, com a diretoria

da instituição, com a auditoria independente e com a auditoria interna para verificar o cumprimento de suas recomendações ou indagações, inclusive no que se refere ao planejamento dos respectivos trabalhos de auditoria, formalizando, em atas, os conteúdos de tais encontros;

IX – [...];

X – [...]. (BACEN, 2003b) (grifo do autor)