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BÖLÜM 3: PAZAR YÖNLÜLÜK VE TEDARİKÇİ İLİŞKİLERİNİN İŞLETME

3.2. Araştırmanın Yöntemi

Diversas questões ainda eram latentes para empresários, políticos e operários na Buenos Aires pós-“Semana Trágica”. Vimos como Yrigoyen perdeu a iniciativa em relação à resolução dos conflitos trabalhistas com a ação da Comissão de Legislação Social do Congresso Nacional, assim como, mesmo após a brutal repressão desencadeada contra o movimento operário, não conseguiu se livrar da desconfiança que despertava nos setores conservadores e empresariais.

Por outro lado, se o massacre promovido em janeiro tinha como intuito desmobilizar a classe operária, também pudemos observar que isto não ocorreu e que, ao contrário, a agitação

387 “Una jornada promisora”, LOO, 16/08/1919. 388 “Lección de cosas”, La Vanguardia, 12/08/1919.

prosseguiu389 e com indícios de uma radicalização identificada na mudança de tom em relação à Revolução Russa e Alemã por parte das direções Socialistas e nos diversos questionamentos ao Conselho Federal da FORA IXª levantados por seus sindicatos filiados.

Se na Capital Federal a contestação de alguns sindicatos afiliados a FORA IXª era o reflexo de uma radicalização dos trabalhadores organizados, o crescimento da central no interior do país era a outra cara do maior engajamento político da classe operária no período. O La Organización Obrera de 20 de setembro de 1919 traz em sua capa uma relação dos sindicatos que se filiaram à FORA IXª de junho a setembro daquele ano. Se na Capital Federal se filiaram à FORA IXª apenas seis sindicatos, o restante dos quase 130 sindicatos que aderiram à central no período encontravam-se no interior do país.

A enorme adesão ou formação de sindicatos nas províncias no período que vai de meados de 1919 até 1920 era resultado direto das chamadas “giras de propaganda”, com o envio de delegados da FORA IXª para as mais remotas localidades do país em missões que chegaram a durar dez meses390. Deve-se destacar o papel da FOM nesse processo - cujas redes de contatos dos trabalhadores se via facilitada pelo transporte de cereais pela bacia do Prata -, sendo o maior número de sindicatos aderidos, depois das seções várias (12), o de sindicatos de estivadores responsáveis pelo transporte da produção dos pampas(11). Em outro informe publicado em março do ano seguinte e que dava conta das filiações realizadas entre janeiro e março de 1920, dos 110 sindicatos nenhum era da Capital Federal. Aqui, como anteriormente, se destacavam estivadores (21) e seções várias (19), porém acompanhadas de um grande número de filiações de ferroviários (21) 391.

Sobre a relevância e a força dessas agremiações, devemos levantar dois pontos: se mesmo na Capital Federal, onde a presença dos sindicatos já era conhecida desde fins do século XIX, era notável a efemeridade dessas organizações - fosse em decorrência da repressão, disputas políticas internas ou aos altos e baixos da economia -, devemos imaginar o quão frágeis deveriam ser estas organizações interioranas, fato sugerido também pela proeminência da fundação de seções várias. Porém, por mais frágeis que pudessem ser estas organizações, ao que tudo indica, o surgimento destas foram concomitantes com a ascensão

389 Para o número de greves na Capital Federal de 1919 a 1921, ver capítulo II, item 5.

390 As ações das “giras de propaganda” eram noticiadas com grande destaque no La Organización Obrera. Um breve resumo pode ser lido em “Resumen de la Memoria y Balance del Consejo Federal al XI Congreso”, LOO, 18-25/12/1920.

391 “Formación de frente único – Sindicatos obreros que se adhirieron a la F.O.R.A. en las últimas ocho semanas”, LOO, 20/09/1919 e “El crecimiento de la F.O.R.A.: Las nuevas fuerzas sindicales que se han incorporado”, LOO, 23/03/1920.

dos conflitos trabalhistas no interior do país392. Diversas greves parciais e gerais ocorreram no interior, principalmente depois da “Semana Trágica”. Devemos citar aqui as greves gerais de Comodoro Rivadavia (agosto e setembro de 1919), Mendonza (outubro de 1919) e Córdoba (novembro de 1919), além das greves na região do Chaco nas empresas Las Palmas e La Forestal (dezembro de 1919), grande parte com a intervenção – mas não apenas destas organizações - da FORA IXª e da FOM. A onda de greves, até então localizada na Capital Federal, ganhava dimensões nacionais. Esboçava-se pela primeira vez uma articulação nacional do movimento operário argentino capitaneada pela FORA IXª, mas principalmente por seu principal membro, a FOM.

Já os empresários e grandes proprietários empreenderam uma dupla movimentação. Por um lado, como vimos acima, os mais diversos setores empresariais se moveram no sentido de dirimir seus conflitos internos e conseguir unificar suas ações frente ao governo e ao movimento operário. Por outro lado, a “Semana Trágica” impulsionou a ação da AT e pariu a Liga Patriótica Argentina. Fruto da reação de setores da elite portenha às mobilizações de janeiro, o principal núcleo da LPA foi o Comité de la Juventud, braço jovem do Comité Pro- aliados e que reuniu durante a guerra mundial diversos setores da sociedade argentina que se enfrentavam com Yrigoyen e sua política de neutralidade durante o conflito. Assim como em 1910, essas patotas civis foram às ruas em janeiro de 1919 e deram vazão ao seu antiesquerdismo e antissemitismo, promovendo ataques aos bairros operários e judeus da Capital Federal. Reunidos, treinados, armados e capitaneados pelo contra-almirante Manuel Domecq Garcia – com a anuência de Yrigoyen e do General Dellepiane – no Centro Naval (clube dos oficiais da Marinha argentina), essas milícias atuaram ao lado das forças repressivas oficiais, principalmente depois do dia nove de janeiro. Conformados depois no Comité Pro-Defensa del Orden, a mais importantes das organizações que, após o fim da mobilizações se dedicaram a arrecadar fundos para as famílias e realizar homenagens aos agentes de segurança caídos durante o conflito, em 15 de janeiro esse mesmo grupo convocou por meio de uma circular uma reunião realizada no dia 20 de janeiro quando fundou-se a Liga Patriótica Argentina393.

392 Sobre a sindicalização dos trabalhadores rurais no período, ver SARTELLI, Eduardo: Sindicatos rurales en la Región Pampeana (1900 – 1922) ", en: Arrecife, nº 2, agosto de 1989, versão eletrônica

http://www.ultimorecurso.org.ar/drupi/files/Sindicatosregionpampeana.pdf

393 DEUTSCH, Sandra McGee, Contrarevolución en Argentina, 1900-1932: La Liga Patriótica Argentina, Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2003, pp. 83-87.

Do momento de sua fundação até o fim de 1919, as demonstrações das agrupações paramilitares da LPA pareciam de uma eficácia duvidosa, quando não cômicas394. Mesmo a AT, fundada em 1918, também não incrementou sua participação pública até 1919. As duas organizações, no que diz respeito à ofensiva contra o movimento operário, passaram a centralizar e compartilhar suas ações – compartilhamento de ações análoga ao compartilhamento de membros diretivos em uma e outra organização -, principalmente a partir de maio de 1919, quando ambas organizações transferem suas sedes para rua Florida 524395.

Dentro deste contexto, qual haveria sido o impacto do ato realizado pela Frente Única? Pelas fontes consultadas, é difícil mensurar a dimensão em termos absolutos da mobilização operária do dia 10 de agosto de 1919. Em sua edição do dia 16 daquele mês, o semanário da FORA IXª estampou em letras garrafais: “Na capital, precedidos da bandeira da FORA, desfilaram ao redor de 140.000 trabalhadores”. O número de manifestantes, segundo o jornal, foi estimado pela quantidade de quadras ocupadas por cada coluna, sendo que a cada quadra ocupada foi atribuído o número de 3.100 pessoas. As colunas totalizaram 93.000 pessoas que se somaram aos manifestantes que já se encontravam na Plaza del Congreso e terminaram por cobrir inteiramente a Plaza San Martin. Para além das estimativas da FORA IXª e do número de manifestantes fornecido pela polícia, nos restam dois registros fotográficos da passeata. Um destes foi publicado no dia 11 de agosto no La Vanguardia e nos mostra uma rua tomada de manifestantes com bandeiras e faixas. A legenda não especifica o local e apenas identifica se tratar da manifestação do dia anterior. O outro registro se encontra na edição do dia 16 de agosto da revista Caras y Caretas396 e nos mostra uma massa compacta de manifestantes na esquina da Avenida de Mayo com a rua Carlos Pellegrini. A objetiva aponta em direção à avenida, e é possível observar a formação de uma grande coluna de manifestantes, provavelmente composta por muito mais que 6.000 pessoas.

Se as cifras da FORA IXª são exageradas, é certo também que o número de manifestantes fornecidos pela polícia parece longe do real. Os próprios diários comerciais, notórios anti-sindicalistas, não divulgaram os números oficiais, cabendo somente ao diário yrigoyenista sua publicação. A preocupação dos yrigoyenistas em deslegitimar o ato cumpria duas funções. Por um lado, a aliança entre a principal organização operária e o maior partido de esquerda do país naqueles tempos em que os capitalistas por todo o mundo pareciam

394 Ibidem, pg. 119.

395 RAPALO, María Ester, Patrones y obreros: La ofensiva de la clase proprietaria, 1918-1930, Buenos Aires: Siglo Vientiuno Editores, 2012, pg. 87-88.

perder o “mandato dos céus” de maneira nenhuma poderia ser bem vista. Por outro, pensando nos termos do yrigoyenismo, o presidente observava um dos seus aliados preferidos somar forças com o seu principal rival eleitoral na cidade. A mobilização pode ser considerada uma vitória do movimento operário argentino, já que a discussão sobre o projeto da Comissão de Legislação Social do Congresso Nacional repentinamente desapareceu sem deixar rastros.

5. A conjuntura internacional atuando na dimensão nacional: