1. BÖLÜM
2.1. Bu Filmin Kötü Adamı Benim
2.1.6. Anlatım
No tocante ao desenvolvimento de sua vida escolar em busca de mobilidade social por meio de sua profissionalização, movimento esse tencionado por sua família e encetado pelo projeto educacional formativo e evangelizador das Irmãs Clarissas do Colégio Santa Isabel, a jovem Zilma Barbosa Gurgel, no ano de 1957, ingressava como normalista neste mesmo espaço católico feminino em que ela circulava desde a década anterior, como aluna do ensino primário.
Segundo Santana Filho, Santana e Campos (2010), a Escola Normal do referido colégio católico implantado pelas Irmãs Clarissas foi constituído no ano de 1948, funcionando com apenas 05 (cinco) alunas, no intuito de habilitá-las para atuar no ensino primário com alunos na faixa etária dos 07 aos 10 anos, ou seja, como professoras das turmas de jardins-de- infância (com crianças entre 03 e 06 anos), nas escolas maternais (com infantes dos 02 aos 03 anos), nas classes pré-escolares anexas a grupos escolares (com alunos a partir dos 06 anos) como também nas creches das redes de ensino da Educação Infantil do Estado do Ceará.
Vale destacar que as atividades desta escola normal foram suspensas no ano de 1971, como resultado das disposições da Lei de Diretrizes e Bases do Ensino de 1º e 2º graus (Lei nº. 5.692/71) referentes à profissionalização universal e compulsória no ensino de 2º grau que, por sua vez, tirou o status de “escola” e, mesmo, de “curso”, deste tipo de instituição de ensino, diluindo-os em um tipo de habilitação profissional do ensino de segundo grau, a chamada Habilitação Específica para o Magistério (HEM), ou mesmo extinguindo-os, como no caso em questão.28
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Pela nova estrutura de organização do ensino primário e secundário instituída pela Lei nº. 5.692/71, as Escolas Normais desapareceram e, em seu lugar, foi instituída a habilitação específica de 2º grau para o exercício do
Nove anos após a inauguração da Escola Normal do Colégio Santa Isabel, Zilma Barbosa Gurgel continuava como uma de suas alunas externas ao se tornar uma de suas normalistas, com o intuito de se habilitar como professora da Educação Infantil. Nessa época, o citado colégio era dirigido pela Irmã Epifânia que, por sua vez, como gestora escolar, seguia as bases de organização dos cursos normais definidas pelo Decreto-Lei nº. 8.530/46, conhecido com Lei Orgânica do Ensino Normal.
Segundo os dispositivos da supracitada lei orgânica, o ensino normal brasileiro ficaria dividido em 02 (dois) ciclos - cujo primeiro, em 04 (quatro) anos, formariam os regentes de ensino primário, enquanto o segundo, com duração de 03 (três) anos, formariam os professores primários - sendo realizado em 03 (três) tipos de estabelecimentos - o curso normal regional, a escola normal e o instituto de educação. No caso específico do Colégio Santa Isabel, este possuía uma Escola Normal destinada a dar o curso de segundo ciclo desse tipo de ensino, correspondendo ao ciclo ginasial do ensino secundário.
Ao narrar sobre os motivos de sua opção pelo ingresso no segundo ciclo do ensino normal, assim Zilma Gurgel Cavalcante se referiu a sua vocação, associada a uma visão mistificada do processo educativo:
Porque sempre senti que a minha vocação era ser professora. Foi realmente vocação. Veja, estou aposentada e não tenho coragem de deixar minha sala de aula na Unisf. Tenho verdadeiro prazer em estudar e em preparar aulas. Ministrar aulas, passar meus conhecimentos e aprender com meus alunos, esta boa comunicação e relacionamento, para mim, é amor (CAVALCANTE, 04/03/2013).
Para além do discurso da personagem histórica (auto)biografada em questão sobre a natureza amorosa de sua vocação pedagógica tida como missão, alocução essa impregnada pela influência da missão caritativa das Irmãs Clarissas em ajudar ao próximo, é sabido que no contexto educacional brasileiro entre as décadas de 1950 e 1960, a opção pela formação profissional para a docência na Educação Infantil, no nível de ensino secundário, era o único caminho que a sociedade da época oferecia às jovens que desejassem um futuro diferente daquele confiado às gerações femininas anteriores, qual seja, o espaço doméstico e não os espaços públicos do mundo do trabalho.
magistério de 1º grau. Esse movimento de profissionalização do ensino de 2º grau, para Cunha e Góes (1985, p.68) resultou no fato de que "[...] o curso de formação de professores primários foi transformado em apenas mais uma habilitação do elenco oferecido pelas escolas para onde iam os alunos que, por suas notas, não conseguiam vagas nas turmas de habilitações mais atraentes. Isso, mais o currículo aguado da habilitação,
tiveram danosas conseqüências para a qualidade do ensino normal”. A Lei nº. 7.044/82 revogou a
Logo, no imaginário popular brasileiro nacional desenvolvimentista, alimentando pelo discurso das instituições católicas femininas que dispunham de escolas normais, as mulheres eram as pessoas que tinham vocação para o magistério, a elas imputadas por dever ou natureza, por sua amorosidade, dedicação e inclinação maternal, estando associada também a uma visão mistificada e missionária do processo educativo, como se pode observar no discurso de Zilma Gurgel Cavalcante sobre suas motivações para escolher o magistério como primeira opção profissional. Ela afirmou ainda que sua escolha foi feita “ [...] porque eu gostava de ajudar as pessoas a aprender. Ver o olhar da criança se iluminar quando ela compreendia e aprendia um assunto” (CAVALCANTE, 04/03/2013).
Diante de tal narrativa sobre os aspectos de sua vida escolar como normalista, foi possível afirmar que essa identificação de Zilma Barbosa Gurgel com a docência foi uma construção histórica, representativa das lutas materiais e simbólicas travadas entre homens e mulheres de seu tempo como normalista, as quais foram delimitando uma identificação entre a docência e a“natureza” da mulher como responsáveis pela educação das crianças.
E, particularmente, no seio da família Gurgel, esse projeto educativo de (con)formação de suas representantes mulheres em professoras primárias, desde sua avó paterna Zabelinha, professora leiga da zona rural de Jaguarana/CE, passando por suas tias Efigênia e Leonor que cursaram o ensino normal, anos antes, no mesmo Colégio Santa Isabel, a adolescente Zilma Barbosa Gurgel foi compelida a adotar esse projeto profissional engendrado pelos parâmetros sócio-culturais determinados e determinantes da elaboração de regimes e jogos de verdade, tendo em vista uma perspectiva foucaultiana29, como no caso da feminização do magistério brasileiro, e adotado pelos membros mais velhos de sua família, como ela mesma reportou durante as entrevistas para constituição das fontes orais da presente tese de doutoramento em Educação: “Era desejo de mamãe que suas filhas tivessem a mesma formação que ela tivera com as Irmãs Clarissas no Canindé/CE. Por outro lado, o Colégio [Santa Isabel] ia até o Curso Normal” (CAVALCANTE, 04/03/2013).
Vale rememorar que a mãe e as tias mais velhas de Zilma Barbosa Gurgel estudaram até o curso primário no Educandário Santa Clara, situado na cidade de Canindé/CE, cujo projeto educacional, moldado pelo contexto sócio-cultural da época para elas e adotado por
29Segundo Foucault, cada sociedade possui seu próprio regime de verdade, ou seja, cada sociedade acolhe um tipo de discurso como sendo verdadeiro. Esse discurso escolhido não está isento de um interesse político ou econômico. Também para ele o termo jogos de verdade especifica um conjunto de regras de produção de verdade ou mesmo de procedimentos que conduzem a um determinado resultado, que pode ser considerado - em função de seus princípios e de suas regras de procedimento - como válido ou não. Quem fala a verdade são indivíduos livres, os quais entram em consenso e estão inseridos em uma determinada rede de práticas e de instituições coercitivas (Foucault, 2009).
seus pais Joaquim e Filomena Viana Barbosa, não foi consumado com vistas à qualificação das moças da família Barbosa para o trabalho, tão pouco para a sua formação acadêmica, mas sim com o objetivo de aprender a exercer o papel de boa esposa, mãe e condutoras morais da ordem social patriarcalista vigente e a apoiada pelos cânones católicos (CHAMON, 2006).
Já suas tias maternas mais jovens situavam-se em outro projeto educacional, pois o cenário educacional brasileiro, com a expansão das escolas normais entre as décadas de 1930 e 1960, propiciava a permanência das mulheres para além do ensino primário, porém, ainda não tinha como preocupação primeira a formação delas para atuarem na docência, mas constituíam um espaço em que elas podiam ficar à espera do casamento.
Para corroborar tal afirmação, basta exemplificar que ambas as tias maternas mais jovens de Zilma Barbosa Gurgel nunca exerceram o magistério visto que Efigênia Barbosa casou-se com o promotor de justiça José Deusdete de Souza enquanto sua irmã, Leonor Barbosa, mesmo sem sair da casa paterna por motivo de matrimônio, entrou para uma congregação religiosa católica e se tornou freira sem nunca exercer a docência no ensino primário.
É válido afirmar, tomando como referência o caso do processo de inserção de duas gerações de mulheres da família Barbosa em espaços escolares confessionais cearenses na primeira metade do século XX, que a inserção das mulheres brasileiras na escola foi se justificando por razões diversas, mas, usualmente, não eram oriundas das razões e anseios delas mesmas, mas por necessidades e características a elas imputadas como dever ou natureza, conforme problematizado por Louro (1998, p.103) da seguinte maneira: “Quem ‘falou’ sobre as mulheres professoras, quem construiu e difundiu com mais força e legitimidade sua representação foram oshomens: religiosos, legisladores, pais, médicos”.
No caso de Zilma Barbosa Gurgel, a preparação para o magistério era uma realidade para a entrada dela no mercado de trabalho caso à espera por um casamento não fosse lograda com êxito. Também sua formação como normalista poderia se configurar ainda como uma alternativa para salvaguardar sua função primeira de ser mãe, pois cada aluno ou aluna dela poderia ser considerado como um filho ou filha espiritual seus, conforme os preceitos caritativos de doação forjados pelas Irmãs Clarissas e incutidos em seu projeto formativo e evangelizador em espaços tão distintos e ao mesmo tempo complementares como a sala de aula, o clube literário, o grêmio estudantil, o movimento bandeirante e Ação Católica Brasileira, como atestada pelas palavras de Zilma Gurgel Cavalcante:
Minha relação com as Irmãs Clarissas era privilegiada. Era muito amada e respeitada por elas, pois tinha uma liderança muito grande dentro do colégio. Era da Ação Católica. Boa aluna. Primeira de classe. Eu passava o dia no Colégio Santa Isabel, pois tinha que exercer as atividades na Ação Católica, fazer os trabalhos manuais, redigir o jornalzinho do colégio que o Grêmio era responsável e até mesmo o jornal da sala de aula. E ainda fazia parte do clube literário. Vinha para casa de tardezinha. O colégio nos apaixonava. Tinha Vida (CAVALCANTE, 04/03/2013).
E foi no interior dessa cultura escolar que foi ganhando vulto um discurso de ser a docência a profissão ideal para as adolescentes do Colégio Santa Isabel, uma homilia que identificava na formação de Zilma Barbosa Gurgel e de outras contemporâneas suas como as adolescentes Heloísa, Norma, Sônia, Neinha, Márcia e Silmar - amigas dela desde o primeiro ciclo do curso ginasial - que o magistério era uma escolha certa para a carreira profissional delas uma vez que continha características tidas como femininas e articuladas às regras das Irmãs Clarissas, tais como:
[...] paciência, minuciosidade, afetividade, doação. Características que, por sua vez, vão se articular à tradição religiosa da atividade docente, reforçando ainda a idéia de que a docência deve ser percebida mais como
um “sacerdócio” do que como uma profissão. Tudo foi muito conveniente para que se constituísse a imagem das professoras como “trabalhadoras dóceis, dedicadas e pouco reivindicadoras” o que serviria para lhes
dificultar a discussão de questões ligadas a salário, carreira, condições de trabalho, etc (LOURO, 2007, p.450).
Dentro desse processo de consolidação da feminização do magistério brasileiro e das Escolas Normais como o lugar desse fenômeno educacional que veio a se consolidar ao longo do século XX até a década de 1960, mas cuja origem remonta ao século XIX30, foi se ampliando o contingente feminino no mercado de trabalho brasileiro, primeiramente, em espaços de trabalho mais precarizados e com menores possibilidades de ascensão em comparação aos vivenciados pelos homens com as mesmas bases de formação e qualificação profissional, por exemplo. E foi nesse cenário de desigualdades entre os gêneros masculino e feminino com relação ao acesso ao mercado de trabalho que foi se desenvolvendo o percurso escolar de Zilma Barbosa Gurgel rumo ao exercício de sua profissão como professora primária.
30A primeira escola normal brasileira foi criada na Província do Rio de Janeiro, pela Lei n° 10, publicada no ano de 1835, que determinava: “Haverá na capital da Província uma escola normal para nela se habilitarem as pessoas que se destinarem ao magistério da instrução primária e os professores atualmente existentes que não
tiverem adquirido necessária instrução nas escolas de ensino mútuo, na conformidade da Lei de 15/10/1827.”
E esse cruzamento dos temas gênero e história da educação no interior da presente tese de doutoramento em Educação revelaram as formas de organização de uma instituição escolar em destaque, no caso, a Escola Normal do Colégio Santa Isabel, situado em Fortaleza/CE, entre as décadas de 1940 e 1950, e as percepções sobre as identidades que estavam com ela co-relacionadas, as quais eram cultivadas, ao mesmo tempo em que ajudavam a configurar a citada instituição escolar como um lugar que forjava o magistério como uma profissão adequada para as moças católicas, dado o seu caráter de sacerdócio, ou seja, como uma função que as mulheres jovenspoderiam assumir sem interferir em suas “funções femininas” de esposa, mãe e/ou filha, como uma missão, uma vocação.
No entanto, como se dava o modelo de formação das professoras da Educação Infantil matriculadas na Escola Normal do Colégio Santa Isabel, que correspondia ao ciclo ginasial do ensino secundário, conforme as disposições contidas no Decreto-Lei nº. 8.530/46, conhecido como Lei Orgânica do Ensino Normal?
Segundo as informações colhidas por uma de suas ex-normalistas, no caso a professora Zilma Gurgel Cavalcante, o modelo adotado pelo corpo docente que ministrava o curso normal no Colégio Santa Isabel, com duração de 03 (três) anos, centrava a formação de suas professoras do ensino primário no aspecto profissional garantido por um currículo composto por um conjunto de disciplinas que destacavam tanto os conteúdos pedagógico- didáticos quanto a prática de suas alunas nas séries do curso primário do próprio colégio desde o primeiro ano do curso, como citado por ela mesma a seguir:
Quando fiz o Curso Normal do Colégio Santa Isabel, este continha uma formação completa para o ensino primário. O nosso curso normal tinha matérias como Puericultura, Economia Doméstica, Pedagogia, Recreação, Música e Métodos Didáticos onde discutíamos autores como Paulo Freire, Jean Piaget e Maria Montessori. Todo o ensino do curso normal naquela época era direcionado para melhor ser a nossa prática em sala de aula. E nosso estágio acontecia desde o primeiro ano do curso, onde íamos estagiar, nos turnos da manhã e da tarde, nas salas do curso primário. Pela manhã dávamos aulas às meninas que pagavam o colégio e a tarde, no mesmo espaço, as freiras ofereciam o curso primário para as crianças de baixa renda. Era completamente gratuito (CAVALCANTE, 04/03/2013).
Consequentemente, o aspecto pedagógico-didático do curso normal do Colégio Santa Isabel se constituiu como um modelo a impregnar todo o processo da formação docente das jovens que foram admitidas em suas salas de aula. Vale frisar que Zilma Barbosa Gurgel, por ser aluna da referida instituição escolar desde o curso primário, não precisou se submeter ao
exame de admissão a esse nível de ensino secundário, sendo poupada de ser testada em seus conhecimentos de língua portuguesa, matemática, geografia, história e ciências, sendo apenas necessário, para efetivar sua inscrição ao segundo ciclo do citado curso secundário, a apresentação de seu certificado de conclusão do primeiro ciclo do curso ginasial e a idade mínima de quinze anos.
Mas, segundo Saviani (2009), nesse momento histórico educacional brasileiro existiam dois modelos contrapostos de formação de professores em disputa no interior das Escolas Normais e das Universidades que habilitavam docentes para o ensino primário e secundário, respectivamente, quais sejam, o modelo dos conteúdos culturais-cognitivos e o pedagógico-didático. Para o mesmo autor, a formação do professor, no primeiro modelo, se esgotava na cultura geral e no domínio específico dos conteúdos da área de conhecimento correspondente à disciplina que iria lecionar, enquanto o segundo modelo, contrapondo-se ao anterior, considerava que a formação do professor propriamente dita só se completava com o efetivo preparo pedagógico-didático.
Ainda para Saviani (2009), na história da formação de professores no Brasil pode-se averiguar que o primeiro modelo predominou nas universidades e demais instituições de ensino superior que se encarregaram da formação dos professores secundários, ao passo que o segundo tendeu a prevalecer nas Escolas Normais, ou seja, na formação dos professores primários.
No caso da formação das professoras para o ensino primário habilitadas pela Escola Normal do Colégio Santa Isabel no final dos anos 1950, seu modelo formativo privilegiou o conteúdo pedagógico-didático, articulando, de forma mais ou menos satisfatória, os aspectos dos conteúdos culturais-cognitivos com o preparo pedagógico-didático de suas normalistas. Em consequência, além da cultura geral, a referida instituição formadora assegurou, por meio da organização curricular do curso normal por ela ofertado, a preparação pedagógico-didática, sem a qual não estaria, em sentido próprio, formando professoras aptas ao ensino infantil.
Como exemplo do esforço do corpo docente da Escola Normal do Colégio Santa Isabel em efetivar o preparo pedagógico-didático em sua organização curricular, foi tomada a narrativa de Zilma Gurgel Cavalcante sobre as disciplinas mais relevantes para sua formação como professora primária: “As disciplinas que eu mais amava era as de Pedagogia e Didática, porque eram profundamente ligadas a prática de ensino. Lembro-me que havia também aulas sobre Metodologia, Aprendizagem, Ética e Motivação que me instigavam como normalista” (CAVALCANTE, 04/03/2013).
E essa organização curricular foi pautada pelo artigo 8º do Decreto-Lei nº. 8.530/46 que assim dispunha sobre as disciplinas que seriam dispostas para a formação de professores primários nas 03 (três) séries anuais do Curso Normal:
Primeira série: 1) Português. 2) Matemática. 3) Física e química. 4) Anatomia e fisiologia humanas. 5) Música e canto. 6) Desenho e artes aplicadas. 7) Educação física, recreação, e jogos. Segunda série: 1) Biologia educacional. 2) Psicologia educacional. 3) Higiene e educação sanitária. 4) Metodologia do ensino primário. 5) Desenho e artes aplicadas. 6) Música e canto. 7) Educação física, recreação e jogos. Terceira série: 1) Psicologia educacional. 2) Sociologia educacional. 3) História e filosofia da educação. 4) Higiene e puericultura. 5) Metodologia do ensino primário. 6) Desenho e artes aplicadas. 7) Música e canto, 8) Prática do ensino. 9) Educação física, recreação e jogos (BRASIL, 1946c).
Para corroborar que a disposição do currículo do Curso Normal do Colégio Santa Isabel estava voltada tanto para o preparo pedagógico-didático de suas normalistas quanto para sua doutrinação na mística da educação católica conservadora, a narrativa de Zilma Gurgel Cavalcante nos remete aos autores e aos métodos de ensino chancelados pelas Irmãs Clarissas e aplicados por elas durante suas atividades de estágio como normalista:
Os métodos ensinados no Curso Normal eram os de Paulo Freire, Jean Piaget e o de Maria Montessori. Escolhi o Método de Maria Montessori para exercitar no meu estágio com as alunas do curso primário. Lembro- me que o método desta educadora italiana me tocou muito na época porque ele tinha uma profunda reverência pela pessoa humana. Ela conseguiu unir sua espiritualidade à pedagogia que desenvolveu e ainda havia em Montessori uma postura ética que me encantava. Estes dois