3. Makaleler ve Bildiriler
3.4. Anadolu Efsanelerindeki Ceza ve Mükâfatın İşlevi
No intuito de contribuir com o debate sobre os determinantes do crescimento econômico, Kaldor (1994) atribuí à demanda um papel central na explicação dos diferenciais de taxas de crescimento entre os países, quando se assumem retornos crescentes de escala. 63 O enfoque do autor está no efeito das exportações líquidas sobre a demanda final da economia.
Para justificar seu ponto, Kaldor (1994) enumera etapas as quais a economia percorre até se tornar plenamente desenvolvida. 64 Taxas de crescimento elevadas nas etapas iniciais do desenvolvimento econômico podem ser explicadas pela migração da mão-de-obra dos setores tradicionais, onde prevaleceriam retornos decrescentes de escala, para o setor industrial, onde os retornos de escala seriam crescentes, permitindo o aumento da renda per capita e da demanda agregada do país. Este resultado conduz, sob hipótese de retornos crescentes de escala na indústria, a um aumento da produtividade do trabalho e uma continuidade do crescimento. A interação entre este crescimento da demanda, gerado pela expansão do mercado interno nas etapas iniciais do processo de substituições de importações, e os mecanismos de crescimento propostos por Kaldor65 podem conduzir um país a um crescimento cada vez maior. E, a partir da consolidação do setor industrial nacional e do alcance da igualdade entre as rendas per capita dos setores primário e industrial, as exportações líquidas tornam-se o principal componente da demanda. Neste momento caracteriza-se a maturidade econômica, em que a renda real per capita é igual nos diferentes setores (primário, secundário e terciário) de uma economia (KALDOR, 1994, p.281).
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O conceito de retornos crescentes de escala é originário de Marshall (1982). Sua suposição constitui importante contribuição de Kaldor para as teorias de crescimento econômico. A partir da hipótese de retornos crescentes de escala verificam-se aumentos da produtividade dos fatores de produção assim que o produto aumenta. Esses seriam resultados de retornos crescentes estáticos. A manutenção desses aumentos de produtividade mesmo em momentos de retração da produção é resultado de retornos crescentes dinâmicos. A presença desses retornos dinâmicos como descritos em Kaldor (1994) abre a possibilidade de que uma parcela do progresso tecnológico seja determinada endogenamente ao sistema econômico. Ver Oliveira et al (2006).
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Kaldor (1994) enumera quatro etapas, assim descritas: redução das importações de bens de consumo devido à expansão da indústria nacional; crescimento das exportações líquidas dos bens de consumo, redução das importações de bens de capital devido à expansão da indústria nacional, e crescimento das exportações líquidas dos bens de capital.
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As principais características do crescimento econômico, descritas por Kaldor, são reconhecidas na literatura como Leis de Crescimento Kaldorianas (THIRLWALL, 1987). Pode-se enumerá-las em três: a taxa de crescimento da economia está fortemente relacionada ao crescimento do setor industrial; a taxa de crescimento do setor industrial relaciona-se positivamente com a produtividade do trabalho, exercendo uma influência sobre esta (também conhecida como a Lei de Verdoorn); o crescimento da produtividade do trabalho está positivamente associado com o crescimento do setor industrial e negativamente associado com o crescimento do setor primário.
A ênfase de Kaldor (1994) na evolução das exportações líquidas como o principal componente da demanda final, levou alguns autores como Thirlwall (1979), McCombie e Thirlwall (1994), Dixon e Thirlwall (1994), a formalizarem modelos de crescimento liderado pelas exportações. A sustentação de tal hipótese implica no uso do “multiplicador do comércio internacional de Harrod” (termos reais de troca constantes e equilíbrio do balanço de pagamentos), cuja demonstração leva à conclusão de que a taxa de crescimento da economia é determinada pela razão entre a taxa de crescimento das exportações e a elasticidade-renda da demanda por importações. Conseqüentemente, o desempenho das exportações e das importações, de acordo com as suposições do modelo, tem papel crucial no crescimento da economia, como também na restrição ao seu crescimento, pois déficits em conta corrente do balanço de pagamentos podem restringir o crescimento.
Com base nessas considerações Thirwall (1979) deriva a taxa de crescimento com restrição no balanço de pagamentos, conhecida como a lei de Thirlwall. De acordo com esta lei, a taxa de crescimento de um país não pode exceder sua taxa de crescimento com equilíbrio no balanço de pagamentos, pelo menos no longo prazo. No curto prazo, déficit sucessivos em conta corrente podem ser financiados através do aumento do passivo externo líquido da economia, relaxando a restrição externa ao seu crescimento. Contudo, conforme se constata a partir dos trabalhos de McCombie e Thirlwall (1994) e Moreno-Brid (2003), em algum momento futuro o ajuste no Balanço de Pagamentos ocorrerá, comprometendo o crescimento da economia.
Segundo McCombie e Thirwall (1994), o fato das economias exportarem bens com elasticidades diferenciadas inviabiliza o quadro de elevadas taxas de crescimento com equilíbrio no balanço de pagamentos nos países em desenvolvimento. Os esforços destes países para eliminar os déficits externos resultam em recessão ou inflação, ampliando-se o hiato entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Deste modo, esses autores concluem que países com menor elasticidade-renda da demanda das exportações e maior elasticidade-renda da demanda de importações, em relação ao resto do mundo, terão taxas de crescimento menores, no longo prazo. Em resumo, para Kaldor e demais trabalhos derivados de suas hipóteses as diferentes taxas de crescimento entre os países, especialmente, entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, podem justificar-se pela tendência de maior restrição externa ao crescimento para o caso do segundo grupo de países, em função das características de seu crescimento. Ademais, os ajustes macroeconômicos exigidos para
aliviar essa restrição externa ao crescimento são freqüentemente revertidos no longo prazo, comprometendo a sustentabilidade do crescimento. Uma estratégia de longo prazo para reduzir essa restrição ao crescimento seria a produção de inovações tecnológicas por parte destes países, argumento implícito em Kaldor.
Todavia, Kaldor (1994), McCombie e Thirlwall (1994) e Dixon e Thirlwall (1994), Moreno- Brid (2003), não explicam o motivo para as diferenças nas elasticidades-renda das exportações e das importações entre países. Conforme McCombie e Thirlwall (1994, p. 244),
The deeper question lies in why the balance-of-payments equilibrium growth rate differs between countries. This must be primarily associated with the characteristics of goods produced which determine the income elasticity of demand for the country’s exports and the country’s propensity to import. For countries with a slow rate of growth of exports, combined with a relatively high income elasticity of demand for imports, the message is plain: the goods produced by the country are relatively unattractive at both home and abroad (…) the argument probably has even greater relevance for developing countries.
Mas por que há diferenças no grau de atração pelos produtos? Ou ainda, por que o grau de atração dos produtos produzidos nos países em desenvolvimento seria menor do que aqueles produzidos nos países desenvolvidos? Para responder a estas questões os autores se limitam a citar a tese sobre os diferenciais de elasticidade-renda da demanda de Prebisch (2000b).
Do mesmo modo, autores que não trabalham diretamente com modelos de crescimento liderado pelas exportações também adotam o argumento das diferenças de elasticidades de comércio entre economias para explicar as diferenças de taxas de competitividade e de taxas de crescimento entre as mesmas. Resende (2005, p.28-29), por exemplo, toca neste ponto, ao fazer a seguinte afirmação:
Diferenças do grau de desenvolvimento do SNI (Sistema Nacional de Inovações) entre países resultam em diferenciais estruturais de competitividade das economias visto que as trajetórias tecnológicas das mesmas afetam não apenas a produtividade de seus fatores e sua competitividade, mas, também, parâmetros tais como elasticidade-renda e preço da demanda, condicionando o crescimento econômico num contexto de restrição de balanço de pagamentos (...) no país onde o SNI é relativamente menos desenvolvido, a despeito de sua industrialização, sua elasticidade-renda da demanda de exportação tende a ser inferior à sua elasticidade- renda da demanda de importação, ensejando uma vulnerabilidade externa estrutural, conforme proposto inicialmente pela CEPAL.
Porém, o autor também apenas se limita a citar a tese sobre os diferenciais de elasticidade- renda da demanda de Prebisch para justificar seu argumento. Contudo, conforme argumentado
na seção anterior, tal tese foi elaborada para produtos produzidos na América Latina na fase anterior à sua industrialização. Ela se refere apenas às diferenças de inserção internacional verificadas entre a economia agrária e a economia industrializada. Por que as elasticidades de comércio são diferentes entre economias industrializadas? Por que o desenvolvimento do SI afetaria das elasticidades de comércio da economia? Na próxima seção procurar-se-á responder às indagações apresentadas nesta seção e na seção anterior, tomando como base o papel do progresso tecnológico para as mudanças nas elasticidades de comércio, para os ganhos de competitividade de uma economia e para a redução da sua vulnerabilidade externa.