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BULGULAR VE YORUMLAR

4.1 ÇEVRESEL GENEL KÜLTÜR KONULU ALT PROBLEME AĠT BULGULAR VE YORUMLAR

4.1.1 Alt Probleme Ait Betimsel Bulguların Değerlendirilmesi

Antes da apresentação, da análise e da discussão dos resultados, propriamente dita importa fazer uma breve caraterização das participantes do estudo. Em relação à caraterização sociodemográfica, verificou-se que a idade das mulheres situa-se entre os 19 e os 36 anos. Quanto ao estado civil, duas participantes viviam em união de facto, duas eram solteiras e as restantes eram casadas. Em relação à escolaridade, sete das participantes possuem formação de nível superior e duas possuem um nível de formação ao nível do ensino secundário. No que

66 se refere à atividade profissional, verificou-se uma significativa diversidade entre as participantes; embora uma das mulheres entrevistadas se encontre sem atividade profissional,

à data da realização da entrevista (Tabela 1).

Na tabela 2, é apresentada esquematicamente caracterização do grupo de mulheres entrevistadas, segundo algumas características relacionadas com o período pré-natal. Assim, verificou-se que a idade gestacional, no dia do nascimento, se encontrava entre as 38 e as 40 semanas de gestação.

Em relação à preparação para o parto, verificou-se que a maior parte das participantes (seis) frequentaram sessões de preparação para o parto, sendo variável o número de sessões frequentadas por cada mulher. Destas participantes, apenas duas frequentaram as sessões de preparação para o parto com a pessoa escolhida para a acompanhar durante o trabalho de parto (Tabela 2).

Tabela 2: Caraterização das participantes em relação ao período pré-natal

Participantes Idade Estado Civil Escolaridade Profissão

E 1 30 Casada Ensino Superior Jornalista

E 2 31 Casada Ensino Superior Educadora de Infância

E 3 30 União de facto Ensino Superior Professora

E 4 32 Casada Ensino Superior Enfermeira

E 5 36 União de facto Ensino Superior Professora

E 6 33 Casada Ensino Secundário Administrativa

E 7 22 Solteira Ensino Superior Administrativa

E 8 26 Casada Ensino Secundário Cabeleireira

E 9 19 Solteira Ensino Secundário Desempregada

Participantes Idade gestacional

Preparação para o Parto Nº de sessões na preparação o parto Presença do acompanhante do TP E 1 39s. + 4d. 6 Não E 2 39s. + 6d. 7 Sim E 3 38s. + 3d. 4 Não E 4 38s. + 2d. - - E 5 40s. + 1d. 6 Não E 6 39s.+ 6d. 9 Sim E 7 38s. + 5d. 2 Não E 8 40s. + 2d. - - E 9 40s.+ 5d. - -

67 Na tabela 3 consta a caracterização do grupo de mulheres entrevistadas, atendendo a aspetos referentes ao seu trabalho de parto.

Relativamente ao modo como o trabalho de parto se iniciou, verificou-se que no caso de seis participantes o trabalho de parto foi induzido (embora com recurso a diferentes métodos), sendo que no caso das demais participantes, o trabalho de parto iniciou-se espontaneamente. Na quase totalidade dos casos foi utilizada ocitocina quer para induzir, quer para acelerar a evolução do trabalho de parto (com exceção de apenas um caso, por opção da mulher). Verificou-se, também, que a duração do trabalho de parto foi variável, destacando-se um intervalo de tempo compreendido entre as quatro e as dezasseis horas. Constatou-se que a generalidade das mulheres optou pelo recurso à analgesia epidural, com exceção de duas participantes. Quanto à integridade do períneo distinguem-se três situações diferentes: duas mulheres com o períneo íntegro; três mulheres com ferida cirúrgica perineal grau I e quatro mulheres com laceração grau I.

Todas as mulheres do estudo estiveram acompanhadas, ao longo do trabalho de parto, por uma figura significativa. Constatou-se que, em todos os casos, foi promovido o contato pele a pele entre mãe e filho, assim como todos os recém-nascidos foram amamentados momentos após o nascimento.

Tabela 3. Caraterização das participantes em relação ao trabalho de parto

Participantes Início do Trabalho de Parto Duração do TP (nº horas) Uso de ocitocina Analgesia epidural Acompanhante de TP Integridade do períneo Contato pele a pele Amamentação na 1ª hora de vida do RN

E 1 Espontâneo 8 Sim Sim Sim Lacer. grau I Sim Sim

E 2 Induzido 10 Sim Sim Sim Ferida grau I Sim Sim

E 3 Espontâneo 13 Não Não Sim Integro Sim Sim

E 4 Induzido 7 Sim Sim Sim Lacer. grau I Sim Sim

E 5 Induzido 8 Sim Sim Sim Lacer. grau I Sim Sim

E 6 Induzido 10 Sim Sim Sim Integro Sim Sim

E 7 Espontâneo 10 Sim Sim Sim Ferida grau I Sim Sim

E 8 Espontâneo 4 Sim Não Sim Lacer. grau I Sim Sim

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. Expe tativas Asso iadas ao T a alho de Pa to: O a tes

Da análise das nove entrevistas realizadas, observamos que as participantes do estudo desenvolveram expectativas individuais em relação ao trabalho de parto, sendo que diversos fatores e circunstâncias influenciaram o modo como cada mulher configurou a sua experiência, o que determinou um conjunto de categorias e subcategorias, que se encontram identificadas na seguinte figura esquemática.

Categorias Subcategorias

Emoções Emoções positivas

Emoções negativas Emoções ambivalentes

Significado de trabalho de parto O Trabalho de Parto como um evento desconhecido O Trabalho de Parto como um evento inevitável O Trabalho de Parto como um evento doloroso O Trabalho de Parto como um evento único O Trabalho de Parto como um evento natural

O Trabalho de Parto como um evento de transformação As i has expetativas antes da própria

g avidez Sobre o trabalho de parto Sobre a maternidade

Qua do pe so o eu pa to… Qua doàpe soà oà euàpa to,àoà ueà aisà eàag adaà à… Qua doàpe soà oà euàpa to,àoà ueà aisà eàp eo upaà à… Co o e si to Traços da personalidade

Eventos críticos passados

Sentir-se preparada para a experiência de trabalho de parto Sentir-se capaz para a experiência de trabalho de parto E ua to e p epa ava… Onde aprendi *

Preparar quem me vai acompanhar Não estou só

Eu e o meu Tra alho de Pa to O Trabalho de Parto é ele próprio mais as suas circunstâncias *

Eu e quem me acompanha nesta aventura* Eu e a minha participação no trabalho de parto * Eu e a dor de trabalho de parto *

Eu com os profissionais da saúde e eles comigo * Eu e o 1º confronto com o meu filho *

* Subcategorias associadas

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Emoções

A aproximação da experiência de trabalho de parto parece produzir, entre as mulheres entrevistadas, uma combinação diferente de emoções, tanto pela sua natureza como pela sua intensidade, como podemos confirmar pelas seguintes unidades de registo:

Algumas mulheres associaram à experiência de trabalho de parto emoções positivas como calma, o alívio e a curiosidade. Para Kitzinger (1984) a mulher deve ter um espírito que esteja preenchido por emoções agradáveis em relação ao trabalho de parto, pela possibilidade de influenciar positivamente a forma como a experiência é vivida. Todavia, a generalidade das mulheres entrevistadas referiu emoções negativas quando, durante a gravidez, imaginavam a sua experiência de trabalho de parto e verbalizaram o medo, a ansiedade, o pânico, a angústia, o mal-estar, o nervosismo e a insegurança. Além disso, esta diversidade de emoções negativas vem demonstrar o quanto certas expectativas podem interferir com inúmeras vulnerabilidades na mulher (Peterson, 1996), podendo prejudicar a própria vivência da gravidez … à s à oà desfrutei mais da minha gravidez porque comecei a pensar muito como seria o meu parto. (E9). Os estudos confirmam que as mulheres expressam diversos medos e ansiedades face à experiência de trabalho de parto (Costa [et al.], 2004; Costa [et al.], 2005), tornando-se,

Subcategoria: Emoções Positivas

Estávamos tranquilos em relação a nós e à nossa filha que ía nascer. (E4) Aliviada por saber que estava a chegar àquela semana de gestação. (E3) … àtodos aqueles momentos da fase final do trabalho de parto aliciava-me e eu tinha muita curiosidade.(E5)

Subcategoria: Emoções Negativas

… àhaviaàu à edoà ueà eài vadiaàeàeuàfi avaà uito,à uitoàpe tu ada.à E à … àeuàti haà uitoà edoà o o é que as coisas podiam acontecer. (E8)

Estava bastante ansiosa. (E2) Eu não conseguia pensar nas coisas boas que normalmente se associam àquele momento. Eu só pensava no que de mal me podia acontecer. Eu interiorizei tudo de mau, tudo mau, tudo mau. (E6) … àfo osà ia doàu aàexpetativaà aseadaà oà e vosis oà … à(E2) Masàhaviaà uitasài segu a çasà ueàeuàti haà … (E1) Em pânico. Para mim pensar no momento do parto era um verdadeiro desespero. (E9)

Subcategoria: Emoções Ambivalentes

É muito engraçado que nós esperamos e queremos sempre ouvir o médico dizer que vamos ficar, mas ua doàouvi osà ueàfi a osàe t a osàe àp i oà … (E2) Sentia-me muito dividida entre o ser capaz e o medo. (E5) Queria que o tempo chegasse rápido por causa da própria experiência de trabalho de parto, mas não queria que a gravidez passasse rápido demais. Tinha assim em mim um misto de emoções (E6) O dia ia-se aproximando, mas eu estava muito nervosa, mas por outro lado, eu queria muito que esse dia realmente chegasse. (E7) Eu queriaà uitoà ueàoàdiaàdoà as i e toàdaà i haàfilhaà hegasse,à asàti haà uitoà edoà … (E9)

70 portanto, importante desenvolver estratégias eficazes para enfrentarem e ultrapassarem esses medos (Fenwick [et al.], 2005; Beaton e Gupton, 1990).

Existe ainda um grupo de depoimentos, nos quais se percebe que a imagem construída em torno do trabalho de parto é caraterizada por uma ambiguidade de emoções, coexistindo simultaneamente emoções positivas e emoções negativas: por um lado, a ânsia da mulher em conhecer o seu filho, dando forma e rosto a uma imagem fantasiada e, ao mesmo tempo, a vontade de prolongar a gravidez e adiar a experiência de trabalho de parto, à qual associa progressivamente medos, ansiedades e inseguranças. Naà salaàdeàespe a àe à ueàseàe o t aà a mulher na fase final da gravidez coincidem assim emoções contraditórias, o que é defendido também por Colman e Colman (1994): por um lado, a satisfação por terminar uma gravidez bem-sucedida e, por outro, confrontar-se pela primeira vez com o seu filho.

As emoções das mulheres, na antecipação da experiência de trabalho de parto, podem ser compreendidas como uma linguagem que abarca diferentes conotações, pois diferem no modo como são representadas, organizadas e sentidas perante o significado atribuído pela mulher ao trabalho de parto. Assim, considera-se que a vivência e a manifestação das emoções dependem de um conjunto específico de significados associados ao contexto cultural e social de cada mulher (Kitzinger, 1984).