BULGULAR VE YORUMLAR
D: RAMSAR E: AARHUS
4.6 ÇEVRE EĞĠTĠMĠ YAPMAYA HAZIRBULUNUġLUK KONULU ALT PROBLEME AĠT BULGULAR VE
O conhecimento das expectativas das grávidas em relação ao trabalho de parto, parto e pós-parto têm sido objeto de estudo, havendo diferentes estudos realizados em diferentes populações que procuram conhecer o modo como, durante a gravidez, a grávida antecipa algumas dimensões relevantes da experiência de trabalho de parto (Oweis e Abushaikha, 2004; Pacheco, 2005; Maggioni, Margola e Filippi; 2006). Os dados obtidos favoreceram a identificação da categoria: Eu e o meu Trabalho de Parto, a qual pretende distinguir as diversas projeções da mulher sobre diversas dimensões relacionadas com a experiência de trabalho de parto. Na figura 5, destacam-se as subcategorias desenvolvidas, a partir da categoria: Eu e o meu Trabalho de Parto.
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O Trabalho de Parto é Ele Próprio mais do que as suas Circunstâncias
De acordo com algumas circunstâncias inerentes ao trabalho de parto, o tipo de parto constitui uma das subcategorias identificadas. Diferentes estudos realizados em diferentes populações procuraram, também, identificar o tipo de parto esperado (Oliveira [et al.], 2002; Kasai [et al.], 2010). As expectativas das participantes em relação ao tipo de parto parecem direcionar-se preferencialmente para um parto normal, em detrimento da cesariana:
… à euà ti haà uitoà e eioàdeà te à ueà i à pa aà esa ia a.à Eu não queria mesmo ir para cesariana! Eu consegui mentalizar-me que o melhor para mim e para o meu bebé seria o parto normal e eu queria muito que fosse parto normal. (E1)
Mas sim, em relação à experiência, acho que entre uma e outra: trabalho de parto normal seria mais benéfico tanto para mim como para ela [filha], a nível de experiência. (E2)
Nessa altura talvez já teria que recorrer à ventosa ou mesmo a uma cesariana. E isso sim assustava-me. Para mim só fazia sentido o parto normal porque foi só para isso que me preparei. (E5)
Po àu àlado,àeuàa havaà ueàíaà o segui àu àpa toà o alà … à(E8) Categoria: Eu e o meu Trabalho de Parto
Subcategorias Subcategorias
O Trabalho de Parto é ele próprio mais as suas circunstâncias
Tipo de Parto
Duração de Trabalho de Parto Ambiente institucional
Consciencialização do trabalho de parto
Eu e ue e a o pa ha esta ave tu a Presença de uma figura significativa durante o trabalho de parto Significado atribuído à presença de uma figura significativa durante o trabalho de parto
Eu e os profissionais da saúde e eles comigo Oà ueàespe oà deles ?
Oà ueà eles àespe a àdeà i ?àààààààààààààààààààààà Eu e a minha participação no trabalho de
parto
Participação da mulher na tomada de decisão sobre o trabalho de parto
Significado atribuído à participação da mulher na tomada de decições sobre o trabalho de parto
Preferências, desejos e escolhas num plano de parto Eu e a minha dor de trabalho de parto Significado atribuído à dor de trabalho de parto
Expetativas sobre o autocontrolo dor de trabalho de parto Expetativas relacionadas com estratégias de alívio da dor de trabalho de parto
Eu e o meu filho Perceções sensoriais
O bebé imaginário
Expetativas sobre o novo papel: ser mãe
82 Duas mulheres construíram a imagem de um trabalho de parto natural, através da qual afastaram a possibilidade de se recorrer a intervenções obstétricas para iniciar ou acelerar a evolução de trabalho de parto:
Mas eu também tenho noção que não quis ocitocina, não quis qualquer intervenção para induzir ou acelerar o trabalho de parto. Quis que tudo fosse ocorrendo de uma forma natural. (E3)
Eu imaginava que ía ser um trabalho parto e parto natural, sem intervenções nenhuma. (E6)
Ainda relativamente ao tipo de parto imaginado, uma das participantes referiu-se ao desejo de um trabalho de parto espontâneo: Também pensava na possibilidade de entrar em trabalho de parto espontaneamente, pois era o que eu queria. (E8) Enquanto uma outra participante, no sentido oposto, projetou um trabalho de parto induzido: Pronto, então, uma das coisas que eu queria, sem saber se poderia ser possível ou não, era que o parto fosse induzido (… à E . A a tage à da possibilidade de programação do evento associava-se, neste caso, à perceção de que em nenhum momento do processo de trabalho de parto seria vivido solitariamente pela mulher: Uma das preocupações que eu tinha era eu estar em casa de baixa, o meu marido estar a trabalhar e eu entrar em trabalho de parto e estar sozinha (E4). Algumas das expectativas das mulheres do estudo relacionavam-se com a duração do trabalho de parto. Assim, a expectativa de um trabalho de parto rápido é um dos aspetos apresentados pelas participantes como desejável, referindo-se à necessidade de ser um acontecimento que não se alongue no tempo, sendo o conceito de tempo subjetivo. A duração do trabalho de parto surge nos estudos como uma caraterística importante do trabalho de parto (Gibbins e Thomson, 2001; Tedesco [et al.], 2004; Maggioni, Margola e Filippi; 2006; Lopes [et al.], 2005).
Muitas mulheres imaginam um trabalho de parto ideal rápido e sem dores ou pelo menos com um nível de dor tolerável (Maggioni, Margola e Filippi; 2006; Remer, 2008). Estas referências são concordantes com as expectativas referidas por uma das participantes e identificadas na análise efetuada: Eu queria que fosse rápido, sem dores e que corresse tudo e à … (E8). O desejo de um parto trabalho de parto rápido, de curta duração, encontra-se associado, muitas vezes, à noção de inevitabilidade da presença de dor no trabalho de parto e, por esse motivo, as expectativas em relação à duração do trabalho de parto tornam-se fundamentais (Guerra, 2010).
Através de alguns testemunhos verificámos que a conceção de que os trabalhos de parto são demorados é potenciada, em alguns casos, pelas histórias contadas por conhecidos:
83 Eu sempre ouvi falar das dez, doze horas de trabalho de parto. Imaginava por isso que seria ser um momento muito longo. (E2)
… à se doà u à t a alhoà deà pa toà i duzido,à euà ta à sa iaà ueà aà evoluç oà doà t a alhoàdeàpa toàse iaà aisàde o adaà … à E
… àti ha àestadoàdesdeàoài í ioàat àaoàfi alàdoàt a alhoàdeàpa toà e aàdeà -12- 14 horas. São muitas horas. (E5)
Era uma das coisas que mais se ouve lá fora e que mais me preocupava: o tempo que eu poderia estar em trabalho de parto e as consequências que isso poderia trazer. Falavam em 12-18-20 horas em trabalho de parto. Meus Deus… à muito tempo. (E8)
Na descrição das participantes destaca-se a importância de um ambiente institucional, onde a tranquilidade constitui um fator marcante para uma experiência positiva de trabalho de parto, associado a uma perceção e necessidade de segurança, surgindo nos discursos das participantes, que diziam:
… à eal e teàte àaà elho àat osfe aàpossívelàse p eàfoiàu àdesejoàeàu ào jetivoà pa aà i à … (E3)
Essencialmente, eu queria que fosse vivido numa atmosfera de serenidade. (E4) … à gostavaà ueà mesmo no momento do nascimento dela, se vivesse uma atmosfera de tranquilidade e de algum silêncio até. (E6)
… àeà ueàseàdese volvesseà u aàat osfe aà al aàeàt a uilaà … (E7)
Johansson [et al.] (2002) no seu estudo sobre a satisfação das mulheres em relação ao trabalho de parto refere a importância de um ambiente acolhedor e fa ilia à como um aspeto relevante para uma experiência de trabalho de parto positiva. Também para Singh e Newburn (2006), o local onde o parto acontece e o ambiente envolvente são apresentados como fatores que podem influenciar a própria qualidade da experiência de trabalho de parto.
Algumas mulheres descreveram momentos de consciencialização face à proximidade do trabalho de parto, associado à irreversibilidade e inevitabilidade do evento. Para Meleis [et al.] (2010) a consciencialização, enquanto característica definidora da transição, relaciona-se com a perceção, o conhecimento e o reconhecimento da pessoa sobre a experiência de transição que se encontra a vivenciar. Portanto, as seguintes unidades de registo evidenciam detalhes de consciencialização da mulher face à proximidade do trabalho de parto:
á hoà ueàoà o e toàe à ueà o e eiàaàse ti àasà o t aç esàe à asaàeàpe sei:à Éà isto?à“e à ueà àhoje?à“e à ueà hegouàho a? àFoià a ante! E depois, o momento e à ueàdisse a à Vaisàfi a ! (E1)
Eu tremia como varas verdes quando me dei conta que aquele seria o dia do parto, o dia do nascimento da minha filha. Eu tremia. Foi um medo muito grande. (E5) Sentia que tinha chegado o momento e que não havia volta a dar. Agora tinha mesmo que ser. (E7)
Tanto de uma forma ou de outra, eu não ia ter maneira de controlar isso e dizer: «Hoje não. Hoje não quero. Hoje não posso». (E8)
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Eu e quem me acompanha nesta aventura
A subcategoria designada de presença de uma figura significativa durante o trabalho de parto mostra que todas as participantes do estudo imaginaram a presença de uma pessoa significativa, escolhida por si mesma, para a acompanhar durante trabalho de parto. Duas das mulheres entrevistadas falam sobre o principal critério envolvido na escolha dessa pessoa: Eu acho que tem a ver com a pessoa que mais nos conhece. Por isso sabe quanto é importante para nós e acima de tudo é aquela pessoa que nós sem termos que verbalizar, percebe aquilo que nós estamos a necessitar. (E6); Acho que é importante ter alguém relacionado connosco, que nos conhece muitos bem e que fique lá para o der e vier (E8). Assim, segundo Beaton e Gupton (1990), a maior parte das mulheres esperam que durante o trabalho de parto, os seus acompanhantes estejam do seu lado, tal como podemos reconhecer através das seguintes unidades de registo:
Para mim, só fazia sentido ter ali comigo, naquele momento, uma pessoa perto de mim. (E1)
Mas obviamente que para mim só fazia sentido ter alguém da minha inteira confiança naquele momento. (E3)
… àeu queria que ele estivesse comigo desde o início. (E4)
Tinha pensado logo desde o início que só queria mesmo o meu marido. (E5) É certo que eu tinha uma necessidade enorme que ele [marido] estivesse sempre ali comigo. (E7)
Depois disto tudo, eu realmente penso que não podia ser outra pessoa. Nós gostamos muito um do outro. Eu adoro a minha mãe, as minhas irmãs, mas tinha mesmo que ser ele. (E9)
Verificamos que a maior parte das mulheres faz referência ao companheiro como o acompanhante de eleição. A decisão pela presença do pai durante o trabalho de parto deve ser reflexo de uma decisão consciente, tomada em conjunto, não devendo resultar do desejo de corresponder às expectativas familiares e sociais (Mazzieri e Hoga, 2006). Deve assentar numa preparação do casal, especificamente na preparação do pai, para que, este seja capaz de compreender e cooperar nas diferentes fases do processo e acompanhá-lo com tranquilidade. Perante a impossibilidade do companheiro estar presente, surge imediatamente como segunda opção a figura da mãe, para uma das participantes: Inicialmente, sempre idealizei o meu marido, que sempre se mostrou recetivo à ideiaàdeàassisti àaoàpa to,àdeàesta à o igoà … à Na eventualidade de coincidir com alguns dos dias que não pudesse estar presente [o marido é futebolista], seria a minha mãe. (E2)
As mulheres entrevistadas falam, também, do significado atribuído à presença de uma figura significativa durante o trabalho de parto. Alguns autores estudaram as expectativas das
85 mulheres acerca dos papéis da figura significativa durante o trabalho de parto. Assim, Beaton e Gupton (1990) identificaram expectativas relacionadas com a presença do companheiro no trabalho de parto, de quem esperavam o apoio para as ajudar a ultrapassar as dificuldades que previam. Para Gibbins e Thomson (2001) a presença do companheiro foi um dos aspetos mais considerados, pela mulher, na construção de expectativas sobre o trabalho de parto, por ser considerado o seu principal suporte. Entretanto Ip, Chien e Chan (2003) concluíram, também, que as grávidas têm elevadas expectativas em relação ao suporte oferecido, nomeadamente por parte do companheiro.
Ao longo das entrevistas, descobrimos alguns dos significados atribuídos à presença de uma figura significativa durante o trabalho de parto:
Para algumas mulheres, o acompanhante representava uma fonte de suporte físico, apoio emocional e encorajamento: Sentimos muito mais confortáveis, muito mais seguras porque, embora estejamos num espaço completamente diferente e que não é nosso, temos alguém que nos é familiar. (E2); Achava que poderia ter uma outra força ou coragem se ele estivesse ali. (E4); Era essencialmente do socorro que aquela pessoa me podia prestar, em qualquer circunstância. (E5); Eu tinha de ter uma presença, que me transmitisse força e
o fia ça,àu àeloàdeàligaç oà uitoàfo teàalià o igo.à … à(E7).
Segundo duas mulheres a presença do acompanhante significava a possibilidade de poder partilhar a experiência de trabalho de parto com uma pessoa importante para o próprio acontecimento: O que eu queria era ter alguém comigo para poder partilhar aquele momento. (E1); É a partilha. É um acontecimento demasiado grande para ficar fechado só em nós. (E3).
Uma mulher faz referência à posição privilegiada do acompanhante para testemunhar o trabalho de parto e recolher recordações físicas: Era testemunhar aquele momento e filmar
… .àEleàse ia,àpo ta to,àaà i haàp i ipalàteste u haà … à(E5).
Uma participante considera vantajoso a presença do companheiro pela possibilidade única de fortalecer a relação conjugal: Acho que muitos homens não sabem o que é um parto. Eu acho que se passassem pelaàexpe i ia,àju ta e teà o àaà ulhe ,à … àaàp p ia ligação
- Fomentar o equilíbrio físico e emocional da mulher - Partilhar a experiência de trabalho de parto
- Testemunhar o trabalho de parto e recolher recordações físicas - Fortalecer a relação conjugal
86 entre eles poderia sair beneficiada. (E7). Ainda no âmbito das expectativas, duas participantes consideraram que a presença do acompanhante poderia favorecer a transição para os novos papéis da mulher e homem, perante um acontecimento que marca o início de uma família: O sig ifi adoà àaàfa ília.à … àE t o,àpa aà i àaàp ese çaàdeleàe aàoài í ioàdeàu aàfa ília,àpo ueà a família começa exatamente quando nasce um filho (E4).