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BULGULAR VE YORUMLAR

D: RAMSAR E: AARHUS

4.2 ÇEVRECĠ DAVRANIġ KONULU ALT PROBLEME AĠT BULGULAR VE YORUMLAR

Os significados, enquanto elemento facilitador ou inibidor da transição, dizem respeito aos acontecimentos que desencadeiam uma transição ou, por outro lado, ao sentido atribuído ao próprio processo de transição (Meleis [et al.

]

, 2010). Na verdade, cada acontecimento tem um significado próprio para cada indivíduo, de acordo com o conjunto de valores, expectativas e conhecimentos do mesmo, estando a sua valorização dependente de todos estes aspetos. Qual o impacto da experiência na atribuição do significado a um determinado acontecimento? Poderemos nós considerar que há um significado antes da experiência e outro após a experiência?

Ao longo da análise das entrevistas, as respostas de algumas participantes permitiram- nos compreender o significado que atribuem ao acontecimento do trabalho de parto (antes de ser experienciado), o que nos conduziu à identificação da categoria designada por significado de trabalho de parto e na qual se incluem seis subcategorias: O Trabalho de Parto como um evento desconhecido; O Trabalho de Parto como um evento irreversível; O Trabalho de Parto como um evento natural; O Trabalho de Parto como um evento doloroso; O Trabalho de Parto

71 como um evento único; O Trabalho de Parto como um evento de transformação, sustentadas pelas seguintes unidades de registro:

A noção de desconhecido surge como uma característica do trabalho de parto, onde não é possível prever e antecipar todas as circunstâncias do evento, o que está principalmente presente nas nulíparas, onde não existe uma experiência anterior que possa ser usada como referência para a própria mulher (Bezerra e Cardoso, 2006). Os relatos apresentados sugerem que o desconhecido e a incapacidade de controlar ou antever os acontecimentos são fatores que condicionam a forma como cada mulher antecipa a experiência de trabalho de parto.

Subcategoria: O Trabalho de Parto como um evento desconhecido

Cla o,à àu aà oisaà ova.àN sà oàsa e osàoà ueàvaiàa o te e .àÉàalgoàtotal e teàdes o he idoà … (E1) … ànão sabia como seria esse momento. … àNu aàti haàpassadoàpo àu aàexpe i iaàassi . (E7) Eu, também, nunca estive em trabalho de parto, não sei o que é ter um bebé. (E8) … àpois,à oàsa iaàoà ueàpode iaàa o te e àeàessasài e tezasài o odava -me muito. (E9)

Subcategoria: O Trabalho de Parto como um evento irreversível

N oàs oàs àasà o t aç es,à oà às àaàdilataç o,à o…á e e ta a àasà guas,àouàseja,àistoàvaià es oà acontecer realmente. (E2) Eu já alguns dias que vinha a perder o rolhão mucoso. As dores foram aumentando. Há 5, 6 dias que eu andava com dores. Sentia que estava para breve. (E3) Fi a osàaàidealiza àu à o e toà o o…p o to…é o culminar das quarenta semanas. (E4) Sentia que tinha chegado o momento e que não havia volta a dar. Agora tinha mesmo que ser. (E7) Eà oàdiaàdoàpa to,à ua doàj à oàpodiaàvolta àat sà … (E9)

Subcategoria: O Trabalho de Parto como um evento natural

Queria que fosse tudo como antigamente. O mais natural possível. (E3) … àaà o vi ç oàdeà ueàpa i à àalgoàt oà atu alà o percurso de uma mulher (E5) Euài agi avaàu àt a alhoàdeàpa toà atu alà … (E6)

Subcategoria: O Trabalho de Parto como um evento doloroso

Mas…a heiàse p eà ueài iaàse àu à o adi hoàpe oso,àdolo osoàeà…à a sativoà … . (E2) Psicologicamente, mentalizei-me que a experiência ía ser muito dolorosa … (E7) Pe savaà uitoà aàdo à ueàpode iaàse ti à … (E9)

Subcategoria: O Trabalho de Parto como um evento único

Eu imaginava momentos mágicos, transcendentes. Momentos para nunca mais se esquece, tenha a gente a idade que tiver, aconteça o que acontecer. (E3) E uma das coisas que eu não queria, era precisamente isso, era estar a fazer do meu trabalho de parto e do nascimento da minha Amélia uma coisa banal e não é. (E6) … à e hu àpa toà àigualàaoàout o. … àpo ue as experiências de parto são tão diferentes. (E7)

Subcategoria: O Trabalho de Parto como um evento de transformação

Eu tinha ideia que era um momento avassalador, mas que só nesse momento íamos tomar consciência que agora temos alguém dependente de nós: um filho. (E1) Para mim o parto representa qualquer coisa fantástica que nos transforma numa super mulher. (E6) Aquele seria o início da nossa família. Seria naquela sala que começaria a nossa família. (E4)

72 Algumas participantes referiram-se ao trabalho de parto como um acontecimento que precisa de ser inevitavelmente enfrentado, quando os mecanismos físicos inerentes são ativados, anulando-se em definito qualquer possibilidade de impedir a sua progressão. A literatura é unânime ao considerar a irreversibilidade como a caraterística do trabalho de parto (Figueiredo, Costa e Pacheco, 2002).

Outras mulheres descreveram o trabalho de parto como um processo normal, inerente à condição de mulher. A constatação de que o trabalho de parto é um processo natural é encontrada em outros estudos (Fenwick [et al.], 2005; Gibbins e Thomson, 2001). Por sua vez, outras mulheres do estudo percecionaram o trabalho de parto como um evento doloroso, o que lhes provoca emoções negativas como o medo, a angústia e o sofrimento. As unidades de registo confirmam que as mulheres possuem uma ideia subjetiva sobre a dor de trabalho de parto, criando uma espécie de reflexo condicionado entre o acontecimento do trabalho de parto e a experiência da dor.

Para a maioria das sociedades, o trabalho de parto é um acontecimento único no ciclo de vida da mulher (Halldorsdottir e Karlsdottir, 1996; Figueiredo, Costa e Pacheco, 2002), um importante marcador da sua história. Segundo Kitzinger (1984) é pouco provável que qualquer outra experiência da vida de uma mulher seja comparável à experiência de trabalho de parto.

Os relatos mostram que o trabalho de parto é, também, concebido como um evento crítico que marca o início de uma série de transformações significativas, no ciclo de vida da mulher e que define a passagem definitiva de um estado para outro (Canavarro, 2001; Leal, 2005) – a maternidade. Diversos autores consideram o (trabalho de) parto como um momento importante no processo de transição para a maternidade (Rubin, 1984; Colman e Colman, 1994; Callister, 2004; Stern, Bruschweiller-Stern e Freeland, 2005; Meleis [et al.], 2010).