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BULGULAR VE YORUMLAR

D: RAMSAR E: AARHUS

4.8 ÇEVRE KONULARINI ÖĞRETME TERCĠHLERĠ KONULU ALT PROBLEME AĠT BULGULAR VE YORUMLAR

No discurso das participantes do estudo existem algumas referências sobre o modo como anteciparam participar na tomada de decisão sobre os acontecimentos do trabalho de parto. Contudo, denotam-se diferenças no modo como cada mulher projeta participar:

… àelesà[p ofissio aisàdaàsaúde] tinham que dizer o que eu tinha que fazer.(E1) Será que eu vou conseguir participar corretamente para que nada de mal aconteça? (E2)

Sempre me imaginei bastante participativa e a colaborar com os profissionais que estivessem comigo. (E3)

Usar a bola, poder realizar alguns exercícios que fomos aprendendo eram coisas ueàeuàgostavaàdeàexplo a àdu a teàoàt a alhoàdeàpa toà … (E4)

Lá está, esta minha necessidade de controlar e gerir um pouco tudo para que as oisasàpossa à o e à elho … (E5)

Gostava muito de ter o total controlo sobre todos os acontecimentos. (E6)

Eu tinha receio que o meu comportamento prejudicasse o meu bebé. Eu pensava muito nisso. (E7)

89 Eu tinha tantos medos que não tinha capacidade de decidir nada sobre o meu parto. Queria que decidissem po à i à … (E9)

Os relatos sobre o modo como a mulher imagina participar no trabalho de parto são heterogéneos. Assim, algumas mulheres pretendem devolver o comando dos acontecimentos aos profissionais da saúde; outras participantes desejam ser protagonistas na sua experiência de trabalho de parto, embora também tenhamos verificado que a noção de protagonismo seja diferente entre as participantes do estudo.

Três das mulheres expressam o significado que atribuem à sua participação na tomada de decisões sobre o trabalho de parto e sentirem-se no controlo. Embora nunca referido expressamente, da análise desses relatos emerge o conceito de protagonismo que as mulheres desejam assumir no seu próprio trabalho de parto. Alguns autores consideram, portanto, que a expectativa de estar no controlo está associada positivamente tanto à possibilidade de o controlo ser mais facilmente alcançado durante a própria experiência, como de uma maior satisfação com a experiência de trabalho de parto (Lowe 1989; Green, Coupland e Kitzinger; 1990). Assim, as mulheres referem:

… à ueàseàtodasàasà ulhe esàdesdeàoài í ioàdosàte posà o segui a ,àeuàta à havia de conseguir. (E5)

Eu partia do princípio que seria a encenadora, a produtora, a executadora, a realizadora, a atriz principal e mais ninguém teria que fazer absolutamente mais ada,àaà oàse àsegu a àaà ia ça,àisto…àseàeuà oà o seguisseàsegu a àsozi ha.à (...) Pode parecer muito ironia, ou ousadia da minha parte, este tipo de discurso, mas realmente o que eu queria é que respeitassem o facto de eu querer ser dona do meu próprio parto. Acho linda esta expressão. (E6)

Eu sei que eu sou a peça fundamental, ou seja, tudo aquilo que eu pudesse fazer para ajudar, só iria ajudar o meu bebé. (E7)

No âmbito do direito da mulher decidir livremente e de consentir, ou não, intervenções obstétricas, surge o conceito de plano de parto. O plano de parto consiste num documento escrito elaborado durante a gravidez, onde a mulher/casal grávido expressa um conjunto de preferências e de escolhas em relação ao trabalho de parto e nascimento, sobre as quais pensou e refletiu, sendo a elaboração deste documento classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) (1996) como uma prática demonstradamente útil e que deveria ser encorajada, como forma de promover a consciencialização e o controlo da mulher no seu trabalho de parto e, assim, conseguir uma maior satisfação com a experiência. O plano de parto surge, ainda, como uma via de comunicação entre a mulher e os profissionais da saúde.

Três participantes do estudo elaboraram um plano de parto. Contudo, constata-se que o contexto no qual se insere a construção de cada um deles é diferente. Assim, para uma das

90 participantes, o conceito de plano de parto surgiu, pela primeira vez, numa aula de preparação para o parto, tendo despertado na mulher tal interesse e entusiasmo, que a levou à procura de mais informações sobre este tema. A identificação com os pressupostos subjacentes ao plano de parto associado ao desejo por um trabalho de parto natural conduziu esta participante à elaboração de um plano de parto, apresentado no momento da admissão: Eu desconhecia totalmente que existia o plano de parto. Foi a enfermeira que na apresentação do curso de preparação para o parto falou disso e eu realmente adorei a ideia. Fui pesquisar na internet e vi imensos aspetos sobre o trabalho de parto e parto que se podiam pensar sobre eles. Por isso, se as coisas se proporcionassem eu queria que fossem assim. E, realmente, acabei por elaborar um plano de parto. Não exigi nada, mas se realmente se as coisas se proporcionassem era assim que eu queria. Portanto, o que eu realmente queria era que tudo fosse o mais natural possívelà … (E3).

Contudo, para uma outra participante, que já conhecia este conceito, a construção do plano de parto esteve relacionada com a escolha pelo local de nascimento e pelos cuidados de saúde. O plano de parto surgiu como uma estratégia, através da qual, a mulher manifestou por escrito o desejo pela concretização de um trabalho de parto natural, tendo comunicado, de forma formal e prévia, aos profissionais da saúde da instituição escolhida: Inicialmente, pensei em fazer no Hospital de São João porque têm lá a sala de partos natural, mas depois em conversas das parteiras deste hospital cheguei à conclusão que se eu apresentasse um plano de parto, os profissionais iriam respeitar as minhas decisões e então achei que o Hospital da Póvoa poderia ser uma boa opção para o nascimento do meu bebé e que iria correr bem. (E6).

Uma outra participante refere: As enfermeiras na preparação para o parto deram-nos [o modelo de] um plano de parto, onde nós devíamos pôr o que queríamos que acontecesse, o que nos fez pensar em determinadas situações relacionadas com o parto, e muitas delas se não fosse aquele papel, nunca teríamos pensado nelas. (E8). Neste caso, verificámos que a metodologia da criação de um plano de parto consciencializa a mulher sobre a experiência de trabalho de parto e fornece uma oportunidade única para descobrir os seus desejos e preocupações em relação a este acontecimento.