2.3. Türkiye’de Milliyetçilik Düşüncesinin Alt Yapısını Oluşturan İsimler
2.3.2. Milliyetçiliğin Entelektüel ve Siyasi Temsilcileri
2.3.2.5. Alparslan Türkeş’in Milliyetçilik Anlayışı
No Brasil os mecanismos de aproximação do cidadão com o Estado foram construídos de maneira gradual. Um bom exemplo disso é a experiência de efetivação de ouvidorias no país. Desde a primeira experiência de uma ouvidoria pública no Brasil em 1823, passando por um decreto-lei que instituiu outra vez uma ouvidoria em 1961 e a criação do cargo de ouvidor em 1967 e a defesa de ouvidorias na década de 1970 (IPEA, 2010), relatos apontam que “o cenário político não dava margem a inovações dessa natureza, orientadas a participação e ao controle social da administração pública pelos cidadãos” (IPEA, 2010: 212).
O conjunto das interações dadas quando se pensa os espaços mais ampliados de participação política dentro das instituições do Estado é, dentre outros autores, refletido por Avritzer (2008). O autor retrata as formas de tomada de decisão, os fluxos dessa decisão e uma alternativa de formação de decisões públicas conjuntas entre sociedade civil e governo. Avritzer (2008) aponta que o surgimento desses novos espaços participativos no Brasil muitas vezes está relacionado a conjunturas políticas institucionais a exemplo de partido político no
12 Ficamos aqui mais estritamente com a bibliografia brasileira mais utilizada nos principais trabalhos da área de democracia digital.
poder, e também das demandas sociais, ou seja, também relacionado ao perfil da sociedade civil, pois tem como sua base teórica o referencial habermasiano.
Habermas, ao ampliar também as possibilidades da política e da própria democracia, afirma que a política é a construção de mundos viáveis em realidades não dadas. Dessa forma, a perspectiva habermasiana incorpora um elemento transformador à essência da política. A política é, dessa forma, um poder com capacidade de transformar realidades sociais e uma das principais provas disso é a passagem de uma sociedade estamental para uma sociedade moderna. Habermas apresenta então a necessidade de reconstrução de um mundo de ideias que sejam realizáveis, afirmando até mesmo que a teoria crítica deve ser realizável, não podendo se limitar ao mundo das ideias (HABERMAS, 2002).
Habermas incorpora em seus textos elementos teóricos de cunho liberal e republicano, e busca solucionar algumas limitações no desenvolvimento dessas correntes de pensamento. Segundo o autor, a concepção liberal relaciona-se com interesses e compromissos particulares enquanto a concepção republicana está presa ao entendimento de padrões éticos. Habermas não nega a existência de uma razão instrumental, ao mesmo tempo em que toma a liberdade como um pressuposto, pois, pessoas livres de constrangimentos teriam capacidade argumentativa. Na percepção habermasiana sobre a contemporaneidade, em nossas sociedades complexas, só é viável uma democracia de tenha como base a teoria da comunicação (HABERMAS, 2002).
Existem diferentes demandas que propõem modelos alternativos ou novas possibilidades à democracia. O que diferentes autores irão apontar sobre a aplicação prática dessas teorias é que, as ferramentas criadas a partir desses referenciais teóricos não são um modelo alternativo que rompa com todos os padrões do modelo de democracia liberal representativo, mas proposições que promoverão alterações às experiências democráticas conservando as conquistas já adquiridas nas democracias, como a expressa numa avaliação do contexto de criação de espaços de controle social, transparência e participação no Brasil (IPEA, 2010: 120).
Os fatores citados reforçam a discussão sobre as possibilidades desses novos mecanismos para a sociedade civil e para os novos desafios da relação Estado-sociedade. Coadunando a isso, muitos atores sociais e políticos sofrem com déficits de informação ou tem que recorrer a uma fonte “bruta” de informação política que são os diários oficiais, ou recorrer à mídia comercial que tem sua agenda pautada por interesses mercadológicos (BEZERRA, 2008). Diante disso, os sites governamentais podem se constituir como um canal de fornecimento de informações e espaço para mecanismos de transparência política e
deliberação pública (BRAGA, 2007; BEZERRA, 2008; PINHO, 2008). Isso compreenderia um governo que promove accountability e responsividade políticas, características centrais da boa governança (BEZERRA, 2008; BEZERRA et al, 2010; JORGE e BEZERRA, 2011).
Está em processo de implantação uma política pública de âmbito nacional para melhoria do acesso à internet no Brasil, o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL)13, somada a outras de âmbito regional, de difusão da internet. Há ainda iniciativas nacionais e internacionais para o aumento da transparência governamental, a exemplo da Open
Government Partnership, além de diversos outros mecanismos disponibilizados através da
internet, como destacado por Bezerra e seus colaboradores (2011). Esses elementos ligados à necessidade de accountability política, transparência governamental e administrativa, que seria um item central de boa governança (BEZERRA, 2008; BEZERRA et al., 2011; WARTHA, 2011), sendo também a transparência um mecanismo de gestão e controles horizontais (CEPAL, 2010; LOPEZ E ALENCAR, 2011) e que corrobora no combate à corrupção (PERUZZOTTI, 2008).
No debate sobre aprimoramento da democracia, é central a necessidade de aproximação entre a esfera estatal e os cidadãos, pois o modelo atual de democracia não estabelece um elo entre representantes e representados (GRAU, 1997). Como também destaca Moura e Silva (2008),
uma efetiva democracia depende da articulação entre a esfera político-institucional e a esfera societária, por meio da mediação da esfera pública, na qual demandas, interesses e problemas sociais conseguem expressar-se e, de alguma forma, orientar a atuação dos agentes e instituições político-administrativas, torna-se imprescindível a existência de atores sociais capazes de organização e atuação autônomas (MOURA E SILVA, 2008: 46).
Além da existência de atores sociais autônomos – elemento que não nos cabe diretamente neste trabalho –, outro elemento importante, apontado para a diminuição desse hiato na democracia representativa é a abertura de espaços para a promoção de mecanismos de informação, transparência e participação, mecanismos que podem ser concebidos através das ferramentas fornecidas pelas TIC (BATISTA, 2003; GOMES, 2005; SILVA, 2005;
13 O Plano Nacional de Banda Larga, iniciativa do Executivo Federal, tem como objetivos “criar oportunidades, acelerar o desenvolvimento econômico e social, promover a inclusão digital, reduzir as desigualdades social e regional, promover a geração de emprego e renda, ampliar os serviços de governo eletrônico e facilitar aos cidadãos o uso dos serviços do Estado, promover a capacitação da população para o uso das tecnologias de informação e aumentar a autonomia tecnológica e a competitividade brasileiras”. Mais detalhes sobre
iniciativa, abrangência e projetos empreendidos pelo PNBL em:
BRAGA, 2007; BATISTA, 2008; BEZERRA, 2008; GOMES E MAIA, 2008; SILVA, 2011A; BEZERRA ET AL., 2011).
Quando se fala em TIC é difícil não pensar nos déficits informacionais (FERREIRA, 2003) e o alcance ainda restrito das TIC devido a sua expansão estar subjugada a interesses mercadológicos (BRASIL, 2009), assim como o próprio conteúdo de difusão das informações políticas (Bezerra, 2008) que pode, no contexto das TIC, apenas reproduzir os padrões determinantes em outros veículos de comunicação (MIGUEL, 2002), além do déficit de informatização – passo elementar para a ampliação da informação via TIC (BESSA ET AL., 2003; BRASIL, 2008; BRASIL, 2009; CDI, 2010) – é um fator de base, técnico e essencial, pois é capaz de abortar todo o poder de utilização das TIC em algumas regiões, especialmente as que se situam em maiores distâncias dos grandes centros, onde já há um maior déficit informacional, gerando cidadãos com pouca competência para a participação democrática, como classificou Breton (2006), autor que aponta existirem espaços de expressão democrática suficientes, o problema, segundo o autor, se encontra na incapacidade dos cidadãos de se apropriarem desses espaços.
Os pontos de reflexão acima apresentados nos colocam algumas questões que buscarei salientar durante o desenvolvimento da pesquisa e, na medida do possível, buscar interpretar alguns indicativos de referenciais, no que tange a um bom emprego dessas ferramentas nos próprios web sites analisados.