2. DİPLOMA VE NİTELİKLER
2.2. Bologna araçları
2.2.2. AKTS, öğrenme çıktıları ve öğrenci temelli öğrenme
A vinculação do Siará grande à capitania geral de Pernambuco não se limitava a seus aspectos político e econômico, pois as fronteiras desta grande área administrativa,
também encerravam os limites do bispado de Olinda; o que tornava a vinculação e a confluência de interesses regionais ainda mais estreitos138. Aracati orbitava desta forma entre as dimensões de centro e periferia já que, pela dimensão dialética que esta relação impõe, a vila pode ser caracterizada (em termos de América portuguesa) tanto como uma periferia – pela dependência administrativa e econômica que vivia, especialmente em relação a Pernambuco, que lhe garantia a condição de ―porto do sertão‖ – quanto como centro regional, pelo poder de atração que exercia sobre os sertões do Jaguaribe, assim como outras áreas. Tal dimensão nos é revelada através de uma análise das procurações passadas no cartório da vila em períodos (não contínuos), entre os anos de 1778 e 1801.
Para a análise das relações estabelecidas entre sujeitos e espaços no mundo colonial, as procurações (fontes ainda pouco estudadas) caracterizam-se como um grupo documental bastante revelador para o desenvolvimento de uma análise das redes de poder que conectavam espaços e regiões, já que, através delas, podemos identificar, dentre outros aspectos, a que regiões e, nesta medida, a que redes de interesse uma localidade, pelos sujeitos nela estabelecidos, se ligava. Tal estudo torna-se ainda mais revelador quando desenvolvido em uma perspectiva temporal mais alargada, já que, ao longo dos anos, podem-se identificar transformações no que se refere a estas relações. O levantamento deste perfil de freqüência e constância de relações entre Aracati e outras localidades, quando cotejado com outros dados, nos indica também elementos a partir dos quais podemos pensar no perfil de relação estabelecido entre a localidade estudada e algumas regiões específicas, tendo como base a constante desta relação em períodos diferenciados. Sabemos que, por se tratar de um tipo de documento que, muitas vezes, não nos indica as motivações que faziam com que o outorgante a concedesse a seus procuradores, podendo ser estas motivações de caráter variado, a concessão de poderes (na maioria das vezes em caráter pleno) a outrem, em outra região, é um elemento indicativo da relação que se estabelecia entre os espaços relacionados nas procurações, seja a de um morador da vila que tivesse interesses negócios em outras localidades
138 Acerca dos limites das fronteiras do bispado de Pernambuco, que confundiam-se com os limites administrativos da capitania geral de Pernambuco, sabemos que: “Varnhagen já tinha observado que “o
prodigioso crescimento da população” induzido pela pecuária nos sertões piauienses e maranhenses
dera lugar à diocese do Maranhão. Note-se que o bispado de Olinda abarca o Ceará outra frente de marcha das boiadas, enquanto o arcebispado da Bahia ganha jurisdição sobre a África Central e o golfo da Guiné regiões freqüentadas pelos negreiros luso-brasílicos. A nova cartografia diocesana desenha os
verdadeiros contornos da geografia econômica gerada no Atlântico após a Guerra dos Trinta Anos.”
como a de moradores de outras localidades que por algum motivo estivessem em Aracati e na vila concedessem procurações a outrem.
A partir de um levantamento de dados referente a 297 procurações passadas no cartório da vila do Aracati nos anos de 1778, 1779, 1781, 1782, 1788, 1789, 1790, 1800 e 1801, desenvolvemos quatro quadros com base nos quais pudemos identificar, por períodos, a que localidades a vila do Aracati (por meio dos sujeitos que em seu cartório conferiram procurações) ligava-se139. A análise destes dados constitui-se como um indicativo revelador de algumas transformações nas relações desenvolvidas por sujeitos estabelecidos no Aracati em contextos diferentes da história da vila, dentre os quais destacamos as duas grandes crises da economia do charque ocorridas na segunda metade do século XVIII, a primeira em decorrência da seca que assolou a capitania entre os anos de 1777 e 1779 e a segunda pela seca de 1791 a 1793, sendo esta última, a que pôs fim ao destaque do charque na pauta dos produtos exportados pela capitania do Siará grande.
Tabela 2
Fonte: APEC/CA: Livro de Notas do Tabelião de Aracati (1778-1779)
139 Devemos ressaltar que a soma das procurações concedidas em cada uma das localidades se somadas não conferem com o total de procurações indicadas em cada quadro tendo em vista que em uma única procuração era comum a concessão de poderes a sujeitos estabelecidos em várias localidades.
Tabela 3
Fonte: APEC/CA: Livro de Notas do Tabelião de Aracati (1781-1782)
Tabela 4
Tabela 5
Fonte: APEC: Fundo Câmaras - Caixa:12 - Livro Nº 32 ―Livro de Notas do Tabelião de Aracati (1799-1801)‖
Com base nos dados contidos nestes quadros, podemos perceber que a crise motivada pela grande seca de 1777-1779, teve como uma de suas conseqüências; se não o fim, uma brusca queda, no trato mercantil estabelecido entre a vila do Aracati e a praça do Rio de Janeiro, com a qual os negociantes de Aracati comercializavam carnes secas. Conforme o indicado na citação já mencionada do Capitão mor/governador do Siará grande, Francisco Ximenes Aragão, relatava que no ano de 1744, produzia-se na localidade do Aracati carnes secas e couramas que eram a base de um lucrativo comércio que ligava a localidade às capitanias de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro.140 A diligencia de habilitação de um dos charqueadores de Aracati como Familiar do Santo Ofício nos serve de referencia para identificarmos que, três décadas depois, a praça do Rio de Janeiro ainda se constituía como um dos mercados consumidores das carnes secas produzidas no Aracati, pois, em 1774, o habilitando Salvador de Souza Braga, foi identificado em seu processo de habilitação como Familiar do Santo Ofício como proprietário, em meação, de: “hum Barquo, que nelle
140AHU-CE: CONSULTA do Conselho Ultramarino ao rei [D.João V] sobre a necessidade de criar uma nova vila em Aracati de Jaguaribe, de 12 de Dezembro de 1746. Anexo: cópia de cartas e provisão. Caixa: 05, Documento: 304.
anda de Piloto com negocio seo avultado do Sertão p.ª o Rio de Jan.ro donde tira
bastantes Louros”141
Das seis procurações onde pudemos identificar seus constituintes concedendo poder de representação e atuação a procuradores estabelecidos na cidade do Rio de Janeiro, todas foram feitas entre os anos de 1779 e 1781, período situado após o fim da primeira grande seca o que indica que, neste momento, alguns agentes da vila do Aracati possuíam interesses e negócios a serem tratados na capital da América portuguesa. Já entre as 102 procurações concedidas entre 1788-1790 e 1800-1801 não ocorreu nenhum caso em que fossem constituídos procuradores na praça do Rio de Janeiro. Entendemos que a não identificação de procurações passadas ao Rio de Janeiro, em um período posterior a 1788, seja possivelmente fruto da diminuição das relações mercantis diretas entre o Aracati e o Rio de Janeiro, dado a proibição expedida pelo Governador da Capitania Geral de Pernambuco, D. Thomaz José de Mello, passada a 11 de maio de 1788, que tornava interdito aos portos do sertão a comercialização direta com portos do Rio de Janeiro e Bahia, sem antes arribarem no Recife onde deveriam solicitar autorização142. A sanção imposta pelo Governador da capitania geral de Pernambuco ao trato direto com portos de outras capitanias, pode ter se constituído em uma motivação para a diminuição, se não o fim, do trato de carnes secas entre o Aracati e o Rio de Janeiro, já que o desenvolvimento das charqueadas no Rio grande de São Pedro no final do século XVIII (quando a capitania do sul passa a constituir-se como principal mercado fornecedor de charque ao Rio de Janeiro) pode ter tornado desvantajoso aos negociantes do Rio de Janeiro o trato com o charque do Aracati.
Por meio da análise das procurações, entende-se que a econômica do charque conferiu à vila do Aracati um papel econômico de destaque que se evidencia através da variada gama de localidades com as quais os agentes sediados na vila mantinham relações, elementos que nos revelam a importância deste produto nos circuitos econômicos voltados ao abastecimento interno. A importância do charque para as conexões variadas dos agentes da vila a outras regiões torna-se ainda mais representativa na medida em que analisamos as procurações passadas no período posterior à seca de 1791-1793, que pôs fim ao destaque das charqueadas do Aracati.
141
ANTT: Tribunal do Santo Oficio, Conselho Geral, Habilitações, Salvador mç. 3, doc. 48. ―Diligência de Habilitação de Salvador de Souza Braga (1773-1775)‖.
142
GIRÃO, Valdelice Carneiro. As oficinas ou Charqueadas no Ceará. Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto, 1995.p117.
Apesar de tratar-se de um grupo de procurações mais reduzido (17 procurações), a comparação entre as procurações passadas em Aracati nos anos de 1800 e 1801 com aquelas que foram passadas em um momento anterior à “grande seca” de 1791-1793, nos indica uma redução das localidades com as quais os agentes sediados em Aracati estabeleciam relações, onde não se encontrou, por exemplo, procurações passadas à algum núcleo da metrópole, conforme se percebe entre as procurações do período anterior à seca de 1791-1793. Apesar desta diminuição no ―leque‖ de regiões com as quais a vila ―se relacionava‖, percebe-se que, tanto a capitania de Pernambuco quanto a cidade de Salvador, continuaram a ter destaque como as principais regiões (externas à capitania) com as quais o Aracati mantinha relações.
Se a constante do destaque de Pernambuco em meio às procurações passadas pelos agentes de Aracati, pode ser percebida como conseqüência da forte relação que ligava os agente mercantis da vila à capitania duartina – de onde muitos eram naturais, ou nela também tinham residência – a constante no destaque da cidade de Salvador em meio às localidades às quais alguns agentes da vila do Aracati conferiram procurações em 1800 e 1801 nos indica que a vinculação da praça baiana com a vila do Aracati ainda se manteve forte após a crise do charque, possivelmente pela comercialização do algodão que passou a se constituir como o principal produto do Siará grande após a seca, sendo o porto de Salvador um dos pontos de exportação para a Europa do algodão cultivado no Siará grande143.
Apesar de constatarmos que após a seca de 1791-1793 possa ter ocorrido uma redução do número de localidade com as quais os agentes de Aracati se relacionavam, a análise destas procurações, nos indicam que durante o ultimo quartel do século XVIII e o início do Século XIX a vila do Aracati, caracterizava-se como um espaço dinâmico, conectado a diversas paragens da América portuguesa bem como ao Reino. Esta constatação pode ser identificada como uma conseqüência das dinâmicas que envolveram, especialmente, a economia do charque, que propiciou a formação em Aracati de uma elite de perfil mercantil que encimou uma cadeia produtiva regional, de forma que a vila do Aracati, além de um ―porto do sertão‖ de uma capitania subalterna, também pudesse ser identificada como um centro regional, pelo controle que exercia
143 Sobre as relações entre os interesses mercantis de Salvador na comercialização do algodão cultivado no Siará grande, temos como referencia o trecho já citado acerca da relação estabelecida entre Antonio José Moreira Gomes (introdutor do cultivo do algodão em larga escala na capitania) e Julião Potier, negociante da Bahia a quem Moreira Gomes remeteu a produção de algodão da serra de Uruburetama no ano de 1777.
sobre a cadeia produtiva do Jaguaribe e o desenvolvimento de atividades produtivas e mercantis que fizeram com que o Aracati estivesse ligado a uma extensa rede de poderes que ligavam os agentes nela estabelecidos a outros sujeitos em diversas paragens do Império.
Capítulo II: Elites locais e a instituição camarária
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2.1 – A historiografia sobre as Câmaras
Espaço privilegiado como referencial de identificação das elites coloniais e instituição de destaque para o desenvolvimento de estudos acerca das relações de poder desenvolvidas pelos (e estabelecidas entre) membros dos setores privilegiados das sociedades da América portuguesa; a instituição camarária vem se constituindo ao longo das duas últimas décadas como um importante objeto de análise dos historiadores dedicados ao estudo do Brasil colônia. A documentação produzida por estas instituições vem, cada vez mais, subsidiando o desenvolvimento de variados estudos, constituindo- se como fonte preciosa para a análise da sociedade colonial sob vários aspectos; seja nos trabalhos que têm como objeto de análise a dimensão das práticas político- administrativas desenvolvidas através destas instituições, ou mesmo naqueles onde a dimensão política não se trata do foco principal de suas abordagens, como é o caso, por exemplo, de estudos dedicados à análise da economia e do abastecimento local, tendo em conta o papel exercido pelas instituições camarárias como reguladoras do mercado local144.
O destaque conferido pela historiografia brasileira ao longo destes últimos anos à análise da dimensão política administrativa da colônia, na qual os estudos sobre as instituições camarárias gozam de grande destaque, contrapõem-se a um período imediatamente anterior de nossa historiografia, quando os estudos dedicados à história política administrativa, ou mesmo sobre as elites coloniais, tendiam a ser vistos com reservas, por muitas vezes identificarem-se com uma historiografia conservadora, tendo em vista a importância que estas temáticas e sujeitos possuíam na historiografia
144 Dentre os estudos que, entre outros aspectos, tem na dimensão econômica seu viés de abordagem sobre as instituições camarárias, destacamos os trabalhos de Avanete Pereira Souza, dedicados à análise da Câmara da cidade de Salvador durante o século XVIII: SOUSA, Avanete Pereira. Poder Local e Cotidiano: A Câmara de Salvador no século XVIII. 1996. 220 f. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 1996.; SOUSA, Avanete Pereira. Poder Local, Cidade e Atividades Econômicas (Bahia, século XVIII) 2003. 402 f. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
tradicional, laudatória dos fatos e feitos envolvendo as elites, sobretudo nos acontecimentos de caráter político e/ou militar. Amparadas em referenciais teórico- metodológicos da ―Nova história‖, as análises desenvolvidas acerca das elites coloniais e dos espaços de poder por elas ocupadas, anteriormente pensados e discutidos sob uma ótica tradicional, passaram a ser desenvolvidas, nesta nova vaga de estudos, sob um prisma distinto, de caráter marcadamente social.
Os trabalhos produzidos ao longo destas duas ultimas décadas sobre a América portuguesa tratam o aspecto político de forma diferenciada, sendo esta nova abordagem fruto de referenciais teórico-metodológicos diversos, que combinaram, tanto elementos ressaltados por abordagens clássicas da historiografia brasileira sobre o período colonial, quanto referenciais de estudos acerca dos Impérios coloniais modernos, (especialmente o português), dentre os quais os trabalhos desenvolvidos pela historiografia portuguesa sobre o Império lusitano, suas práticas de gestão e sua cultura política, passaram a ter grande destaque como referencial de análise acerca das práticas e cultura política desenvolvidas pelos agentes inseridos nas instituições de poder e governança da porção americana do Império português145.
Frente à importância que o acesso às Câmaras possuía como um referencial de classificação para as elites coloniais (destacando-se como o órgão mais local dentro da estrutura política administrativa do Império que conferia margem de ação política às elites locais); e o destaque que as discussões acerca destas instituições têm tido em meio aos debates que a historiografia sobre o período colonial vem desenvolvendo, sobretudo ao longo da última década; entende-se como de grande relevância perceber de que maneira a instituição camarária foi sendo pensada e discutida pela historiografia dedicada à análise do Brasil colonial.
145 Além de trabalhos voltados especificamente para o Reino ou para o Império de uma forma geral, a forte influencia da historiografia portuguesa nos trabalhos sobre o Brasil colônia possibilitaram um intenso diálogo entre historiadores das duas margens do Atlântico; o que repercutiu em vários trabalhos produzidos em associação entre historiadores portugueses e brasileiros. Dentre estes trabalhos destacamos: FRAGOSO, João; BICALHO, Maria Fernanda; GOVÊA, Maria de Fátima. (Org.). O Antigo Regime nos trópicos: A dinâmica imperial portuguesa (séculos XVI-XVIII). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.; BICALHO, Maria Fernanda Bicalho; FERLINI, Vera Lucia do Amaral (Org.) Modos de Governar: idéias e práticas políticas no Império Português séculos XVI a XIX. São Paulo: Alameda, 2005.; VIEIRA, Alberto (Org.). O Município no mundo português. Coimbra, imprensa de Coimbra, 1998. Sendo este último fruto de um seminário ocorrido em Funchal no ano de 1998, que reuniu historiadores dedicados ao estudo do município nas várias paragens que faziam parte do Império português moderno.
2.1.1 – As Câmaras e a historiografia clássica: Caio Prado Jr. e Raymundo Faoro
A estrutura política administrativa da América portuguesa foi tema de pouco destaque na historiografia brasileira até década de 1990, tendo sido poucos os estudos até então feitos que versaram sobre este tema. Neste período, o aspecto político passou a ser, de forma mais sistemática, ―reabilitado‖, pelo discurso histórico que, especialmente através do estudo das instituições que formavam a estrutura gestora da colônia e dos agentes que nelas atuaram, passou a discutir o político segundo novos parâmetros analíticos. Dado o pouco interesse que a temática até então suscitara, poucos haviam sido os trabalhos que discutiram e analisaram a organização e a cultura política do Brasil durante o período colonial. Dentre os estudos que até a década de 1990 constituíram como alguns dos principais referenciais para a análise e discussão da administração da colônia, destacam-se dois trabalhos, hoje clássicos, que, apesar de contraditórios entre si, representavam dois dos principais modelos de interpretação e discussão acerca da organização política da colônia; são eles: ―Formação do Brasil Contemporâneo‖ de Caio Prado Junior146 e ―Os donos do poder‖ de Raymundo Faoro147.
Em ―Formação do Brasil contemporâneo‖, publicado em 1942, Caio Prado Jr.
embasado em referenciais analíticos marxistas, desenvolve ao longo de sua abordagem – na qual analisa a sociedade, a política e, especialmente, a economia da América portuguesa – a tese do “sentido da colonização”. Segundo Caio Prado Jr, o processo de colonização da América portuguesa, bem como das demais colônias dos impérios modernos, seria fruto do desenvolvimento do capitalismo na Europa, onde as colônias desempenharam papel fundamental enquanto espaços que – mediante as atividades produtivas que nelas se organizaram, e através das relações mercantis travadas entre colônias e metrópoles – favoreceram a acumulação de capitais na Europa que propiciou o desenvolvimento do capitalismo. Nesta medida, Caio Prado Jr. indica que a ―razão das colônias‖, seria a promoção da acumulação de capitais na Europa, através das relações econômicas que, assentadas no privilégio do exclusivo colonial, ligavam as metrópoles (de forma favorável) a suas possessões ultramarinas.
146 PRADO JUNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. 4. ed. São Paulo: Brasiliense,1953. 147
FAORO, Raymundo.Os donos do poder: Formação do patronato político brasileiro. São Paulo: Ed. Da Universidade de São Paulo, 1975.
Se o sentido da colonização fundamentava-se na busca da exploração máxima das colônias em favor de suas metrópoles, a estrutura gestora destes espaços se organizaria de forma a favorecer a razão de ser deste modelo. Foi embasado neste parâmetro analítico que Caio Prado Jr. percebeu a organização da estrutura gestora da colônia, pois indicava que foi: “(...) só no regime fiscal, quando se tratava de tributos e a melhor forma de arrecadá-los, que a administração portuguesa saía um pouco de sua
rotina”; já que:“(...) praticamente todas as instituições que vamos encontrar no Brasil não são mais do que repetição pura e simples das similares metropolitanas.”148
No olhar que lança à estrutura administrativa da colônia, Caio Prado Jr. percebe- a como um conjunto caótico, pouco afeito a padrões, tendo em vista que:
―(...) a administração colonial nada ou muito pouco apresenta daquela uniformidade e simetria que hoje estamos habituados a ver nas administrações contemporâneas. Isto é, funções bem discriminadas, competências bem definidas, disposições ordenadas, segundo um principio uniforme de hierarquia e simetria, dos diferentes órgãos administrativos. Não existem ou existem