3. METĠN OLUġTURMA ÇALIġMALARI
3.6.5 Aksiyon ve Doruk Nokta
Popularmente conhecida como Praça da Alimentação ou Praça dos Trailers16, a Praça Dr. José Augusto é um dos espaços públicos mais frequentados de Caicó. Isto se deve ao fato de ter se tornado nos últimos anos uma ótima opção de lazer para a maioria da população caicoense, que encontra nos seus inúmeros quiosques, comida de “primeira qualidade”. A cidade de Caicó não possui shoppings centers, mas possui uma ampla Praça de Alimentação que oferece um variado cardápio alimentício àqueles que desejam saborear desde lanches rápidos até um bom prato regional.
16 O nome Praça dos Trailers deriva-se do fato de que, antes da reforma que deu os contornos atuais da Praça
José Augusto, esta era repleta de trailers, que em sua maioria pertenciam aos donos dos atuais quiosques de alimentação do lugar.
A história da Praça Dr. José Augusto está ligada a outro importante edifício público de Caicó, o Grupo Escolar Senador Guerra (Fig. 12), criado no ano de 1909, e que começou a funcionar na atual dependência nas proximidades da praça em 1925. Este grupo escolar revolucionou o cenário da educação caicoense na época, pois dispunha de um ambiente projetado para educar, instruir, socializar e difundir práticas culturais (MEDEIROS, 2003).
FIGURA 12 – Busto em homenagem ao Dr. José Augusto e Grupo Escolar Senador Guerra ao fundo.
Fonte: Álbum Fotográfico de Caicó: ontem hoje, 1994.
Por ser um elemento de grande destaque na passagem da Cidade, foi posta a necessidade do embelezamento do espaço que o circunscrevia, sendo criada no ano de 1929 a Praça Dr. José Augusto. Esta praça possuía um busto em homenagem a José Augusto, que fora um notável político seridoense. Os limites desta praça compreendem as seguintes cercanias: Av. Celso Dantas (Oeste); Rua Senador José Bernardo (Leste); Rua Otavio Lamartine (Norte) e a Frente do Colégio Senador Guerra (Sul).
No início de sua história, a Praça Dr. José Augusto era um ambiente de grande sociabilização por parte da população caicoense. Não havia nas praças públicas a prática comercial, de venda e consumo de produtos, sejam alimentícios ou outros, eram sumariamente espaços propícios às rodas de conversas, como é possível ver no relato de Rubens Santos (1982):
Nas conversas da Praça, quase todos os assuntos são livremente abordados e, quando necessário, discutidos, havendo total liberdade de opinião que, ao ser expressa, pode ser contestada ou aplaudida num clima de alto nível de civilização; ali as pessoas falam e se comportam com um grau de educação
exemplar e perfeitamente pertinente com o gabarito de que são possuidoras, e como gente de posição importante e destacada na sociedade local é o que não falta na Praça, é praticamente impossível o estabelecimento de conversações rasteiras pelos batentes e cadeiras em que ali são ocupadas; o palavrão, o achincalhe, a mentira e o desrespeito não encontram guarida no ambiente puro da Praça e não poderia ser diferente, pois os mais velhos dali são os mais lídimos representantes da honradez, da decência e da dignidade da sociedade caicoense; os mais jovens demonstram ardor e aptidão profissionais, procurando desenvolver com honestidade os conhecimentos esboçados e esquematizados nos bancos universitários e, com tal consciência dos fatos continuam a estudar e a debater sempre, para honrar a confiança neles depositada na sociedade que os formou. [...] Com os habitantes da Praça as libações não se transformam em licenciosidade nem discussões em brigas e o álcool não encharca, apenas tempera. Por isso tudo, os viventes da Praça continuam a ser apenas passageiros da vida, mas eternos na existência.
Com o passar dos anos, a praça ganhou novas funções, configurando-se como uma Praça de Alimentação. Tendo em vista a precariedade e insalubridade dos seus trailers, houve a necessidade de uma reforma, tendo esta ocorrida entre os anos de 2008 e 2010, na qual retirou do seu espaço tudo o que lembrava o sujo e o desorganizado (os trailers, as lonas e as árvores), com o intuito de dar ao ambiente “ares de modernidade”. Neste quesito, a praça passou a apresentar formas arquitetônicas luxuosas, evidenciando desta forma um padrão/norma global que segue a direção de uma estética e de uma arquitetura contemporânea (Figs. 13 e 14).
A Praça de Alimentação pode ser considerada, atualmente, a principal praça do gênero na cidade. O novo espaço conta com a presença de vários quiosques
Fonte: Álbum Fotográfico de Caicó: ontem hoje,
1994. Fonte:http://www.semopcao.net/?pg=caico_fotos_antigas, 2012. FIGURA 13 – Vista da Praça José Augusto
antes da existência de trailers.
FIGURA 14 – Vista parcial da Praça da Alimentação antes da reforma.
arquitetonicamente padronizados, onde estão instalados alguns dos principais bares, restaurantes e lanchonetes de Caicó, conforme podemos visualizar (Figs. 15 e 16). Partiremos agora para a análise dos dados obtidos na pesquisa de campo (20 entrevistas semiestruturadas).
O primeiro dado a ser discutido refere-se a faixa etária dos grupos frequentadores da praça. Observamos que esta se apresenta bastante variada, compreendendo desde entrevistados com idade entre 17 e 73 anos, sendo que a média situa-se entre os 24 anos, conforme mostra o gráfico 06. No quesito estado civil, a maior parte dos frequentadores entrevistados é casada e a restante distribuída entre solteiros e divorciados (em menor número).
GRÁFICO 06 – Faixa etária dos entrevistados da Praça José Augusto.
Fonte: Elaborado pelo Autor, 2012.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2012. Fonte: Pesquisa de Campo, 2012. FIGURA15– Lateral Leste da Praça da
Alimentação.
FIGURA 16 – Lateral Oeste da Praça da Alimentação.
Quanto à escolaridade, é possível vislumbrar conforme o gráfico 07 que 60% dos entrevistados possuem Ensino Superior, 25% Ensino Médio, 5% Ensino Fundamental, 5% Ensino Fundamental incompleto e 5% são analfabetos. Também é possível verificar a predominância dos frequentadores com ensino superior, com destaque para a presença do grupo social de universitários, que frequentam assiduamente a Praça José Augusto.
GRÁFICO 07 – Escolaridade dos frequentadores da Praça José Augusto.
Fonte: Elaborado pelo Autor, 2012.
Em relação às ocupações dos entrevistados, destacamos que 55% trabalham e possui remuneração mensal fixa, os demais (45%) não possuem trabalho, mas alguns apresentam remuneração mensal fixa, a exemplo dos aposentados e bolsistas universitários, conformando uma média de renda bastante variada (Gráfico 08). Neste aspecto, também as ocupações se apresentam bastante variadas, com destaque para: donos de quiosque, funcionários de quiosque, funcionário da secretaria de segurança pública, funcionário público, professores, garçons e zelador da praça.
GRÁFICO 08 – Remuneração mensal dos entrevistados da Praça José Augusto.
A origem dos frequentadores da Praça da Alimentação se mostra bastante heterogênea. Apenas uma minoria é natural da cidade de Caicó, a maior parte é originária de outras cidades como: Natal, Santa Cruz, Janduís, Currais Novos, Ouro Branco, São Vicente, Jardim do Seridó, Acari, São José do Seridó no Rio Grande do Norte e Campina Grande na Paraíba. Em relação ao bairro de moradia na cidade de Caicó, temos a seguinte disposição: metade dos entrevistados mora no bairro Penedo, a outra parte distribui-se pelos bairros: Paraíba, Paulo VI, Vila do Príncipe, Castelo Branco, Barra Nova, Centro e uma minoria reside na cidade de Natal/RN.
A Praça José Augusto se localiza na região central da cidade de Caicó, e neste aspecto possui uma localização privilegiada. Vários meios de transporte são utilizados para a locomoção dos grupos frequentadores da praça, conforme poderemos ver no gráfico a seguir.
GRÁFICO 09 – Meios de locomoção utilizados no translado até a Praça da Alimentação.
Fonte: Elaborado pelo Autor, 2012.
Os grupos frequentadores costumam ir ao ambiente da Praça da Alimentação, geralmente sozinhos, indo ao encontro de colegas, amigos e familiares, sendo esta uma prática muito antiga e atestando, de certa maneira, o caráter aglomerador das sociabilidades nos espaços públicos urbanos.
O entrevistado T. S.M (73 anos) diz que frequenta a referida praça há mais de 20 anos e que viu a antiga Praça José Augusto – local preferido de encontro de muitas pessoas de Caicó, para conversar com os amigos ou tão somente contemplar o ambiente – pouco a pouco, transformar-se numa Praça de Alimentação. O entrevistado relata que, após a instalação do primeiro trailer vendendo comidas e lanchinhos por volta dos anos 1980, aos poucos, foi se aglomerando um numero maior de trailers até tornar a antiga Praça da José Augusto (como o mesmo se refere, fazendo menção ao nome oficial da praça, utilizado pela sua geração) em Praça da Alimentação. Destaca também o papel da última reforma ocorrida na praça,
afirmando que essa mudou totalmente sua configuração, destruindo quase por completo as referências que se tinha da antiga Praça José Augusto.
Foi possível constatar que o horário de maior movimentação ocorre a partir da 18:00 horas, diminuindo a medida que se aproxima das 23:00 horas, principalmente durante os dias da semana. Verificamos que no final de semana, o fluxo de pessoas na praça é bem maior, quando quase todos os quiosques ficam bastante movimentados até altas horas da noite. Pela manhã e início da tarde, apenas zeladores e trabalhadores dos quiosques realizam seus trabalhos de organização da praça para o turno noturno, alguns chegam a permanecer por mais de 8 horas no local de trabalho.
Pela manhã e início da tarde, os alunos do Grupo Escolar Senador Guerra (localizado na extremidade sul da praça) usam os bancos da mesma e trafegam de bicicleta pelos seus cantos, gerando discórdias com o principal zelador do ambiente. As territorialidades construídas na Praça da Alimentação ocorrem em diferentes horários e dias, conforme os modos específicos de apropriação de cada indivíduo e agregado social.
Mesmo apresentando essa dinâmica cotidianamente, alguns meses do ano demonstram variações quanto aos horários e fluxos de pessoas na praça, sendo possível verificar que nos meses de fevereiro/março e julho, por causa das festividades do Carnaval e da Festa de Santana, há o aumento considerável na movimentação da praça. Constata-se também que estes são os meses favoritos pelos donos de quiosques, que alegam que o lucro gerado nestes períodos recompensa os demais meses do ano, com movimentação mais fraca.
A maioria dos entrevistados possui uma ligação muito forte com a referida praça. Muitos a consideram o principal local de lazer e encontro de Caicó, outras destacam o papel que esta tem na gastronomia da cidade. Os que trabalham no ambiente salientam a sua importância na geração de emprego e renda, afirmando que, por mais que a Ilha de Santana tenha despontado nos últimos anos como a melhor opção de lazer para cidade, muitos caicoenses ainda preferem a Praça da Alimentação, mesmo que os serviços e opções oferecidas por essa, sejam limitados ao consumo de bebidas e alimentos. Esse caráter agregador da praça a legitima como um dos principais espaços públicos da cidade.
Neste sentido, grande parte dos entrevistados considera a Praça José Augusto um lugar bastante seguro, pois nunca presenciaram nenhum momento de tensão que ameaçasse a sua segurança. Entretanto, um grupo de pessoas não considera a praça um lugar seguro, pois se sentem ameaçados por alguns de seus frequentadores, como pedintes e trombadinhas que são encontrados facilmente frequentando o lugar. Podemos dizer que estes grupos
marginalizados, são resultado da fragmentação intrínseca aos espaços públicos da contemporaneidade. Desse modo, as territorialidades da Praça José Augusto também se mostram em conflito, tendo em vista que alguns grupos não concordam com a presença de outros no respectivo espaço.
A Praça da Alimentação não tem esse nome por acaso. Após a sua última reconfiguração entre 2008-2010, esta assumiu preponderantemente a função de ser o principal local a oferecer uma grande variedade alimentícia da cidade (Quadro 03). No entanto, o seu uso não se dá apenas em função da gastronomia oferecida pelo local, muitos frequentadores a utilizam com outros intuitos como: trabalhar, encontrar amigos, passear, lazer, conversar, namorar, enfim, conhecer e sociabilizar com as pessoas, demostrando uma variedade de usos neste espaço. Neste aspecto, os grupos sociais se territorializam por todos os espaços da praça, nos boxes, nas mesas dos quiosques e nos bancos públicos (Fig. 17).
QUADRO 03 – Lista de Quiosques da Praça da Alimentação.
Quiosques Nome Fantasia
1 Eunice Lanches
2 Mega Lanches
3 Big Hangus
4 Pizza Nostra Casa/Pizzaria bom sabor 5 O Piranhão 6 K’sttênios 7 Quiosk do Geovanny 8 Quiosque da Eulália 9 Creps Lanches 10 Big Burg 11 Bomboniere e Sorvetes 12 Ki Lanche
13 Bomboniere e Cigarreira do Nezinho
14 X-tudo
15 O comilão, Bar e Restaurante 16 Caicozão
17 DK Pizza, Lanches e Sorvetes 18 Noite a Fora
19 Asa Branca
20 Quiosque do Joaozinho
21 Mania
22 O Beirute
Fonte: Elaborado pelo Autor, 2012.
FIGURA 17 – Vista da parte sul da Praça da Alimentação, com destaque para os quiosques e o Grupo Escolar Senador Guerra.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2012.
Além da praça em foco, outras da Área Central de Caicó surgiram nos depoimentos dos entrevistados, como os principais espaços públicos da cidade, a exemplo da Praça do CDS, da Praça do Coreto, da Praça de Santana e da Ilha de Santana. Os grupos sociais da Praça José Augusto também territorializam outras praças da cidade, de modo que, em determinadas épocas do ano, cada praça possui um tipo de atrativo, seja por congregar eventos das duas principais festividades de Caicó, seja por sediar feiras e exposições, ou simplesmente pelo fato de serem espaços agradáveis para passeio na cidade.
As relações de sociabilidades produzidas no âmbito da Praça José Augusto estão relacionadas aos laços desenvolvidos entre os grupos que conhecem ou mantêm vínculos de proximidade. Neste ponto, alguns trailers foram apontados como os favoritos, como: Quiosque do Joãozinho (de propriedade do Sr. Joãozinho) e a Pizzaria Bom Gosto (administrada pelo Sr. Aires), mostrando-se como os quiosques mais aconchegantes, em que os clientes sempre elogiam os serviços e a simpatia dos trabalhadores. Há também os entrevistados que demostraram gostar da presença de vendedores ambulantes na praça, pois afirmam que estes vendem produtos que muitas vezes são de interesse dos frequentadores e que sabem que estas pessoas estão ali trabalhando para o seu sustento.
No que se refere ao pessoal que cuida da organização e limpeza da praça, muitos entrevistados alegaram não conhecer a pessoa ou os responsáveis, acreditam que a prefeitura possui funcionários específicos para tal desígnio. Os trabalhadores e donos de quiosques afirmaram que apenas um senhor faz a limpeza e cuida dos canteiros da praça (podando e regando as plantas); há também, duas senhoras que cuidam da limpeza dos banheiros e os
próprios empregados limpam os arredores dos quiosques onde trabalham. Muitas vezes, a sociabilidade entre estes grupos que trabalham na praça só ocorre de modo formal.
Apesar da Praça da Alimentação (Fig. 18), na sua atual configuração, ter sido construída há pouco tempo, alguns frequentadores sugerem que ela deve passar por mais uma reforma para melhorar a sua estrutura física, pois da forma com está construída, faltam banheiros suficientes para suportar a demanda dos frequentadores. Os donos de quiosques reclamam da falta de espaço nos boxes e dizem que a única churrasqueira da praça não é suficiente para atender a demanda de todos os quiosques, beneficiando apenas os que estão nas suas proximidades.
FIGURA 18 – Planta baixa do projeto de reforma da Praça Dr. José Augusto, em 2009.
Fonte: Secretaria Municipal de Infra-Estrutura Urbana, Caicó, 2011. Falta também na praça um espaço dedicado à música ao vivo, onde as bandas possam se apresentar. E neste sentido, falta espaço para quem não está consumindo, a praça precisa de mais bancos públicos para as pessoas se sentarem sem que sejam obrigadas a consumirem nos quiosques. Além do mais, na visão dos entrevistados a prefeitura municipal deveria cuidar melhor das praças.
A pesquisa de campo também mostrou que a maioria esmagadora dos grupos frequentadores da praça não conhece e nunca ouviram falar da Legislação Municipal sobre praças e espaços públicos da cidade de Caicó. Algumas pessoas declararam conhecer parcialmente esta legislação. Deste modo, fica difícil inferir quais são as obrigações legais da prefeitura no gerenciamento das praças e quais são os direitos e deveres dos habitantes no seu
usufruto, principalmente quando não há conhecimento dos aspectos normativos do espaço em uso.
Um aspecto bastante levantado foi a falta de guardas e seguranças na praça. Como se trata de um local com a presença de bebida alcoólica, os entrevistados alegaram que algumas brigas já aconteceram, mas que não havia ninguém que pudesse controlá-las. Os mesmo apontaram a falta de organização e de administração do espaço, salientando que o atendimento deveria ser melhorado e que os quiosques deveriam abrir pelo horário da manhã. Isto é, há grupos que embora gostem muito do lugar, reconhecem os seus defeitos apontando- os como forma de divulgá-los para que sejam melhorados. Este é um dos papéis ativos dos sujeitos no processo de territorialização da Praça José Augusto.
Outras sugestões de melhoria do espaço foram: construção de um parque infantil, melhoria na iluminação do ambiente, arborização dos canteiros, aumento da quantidade de quiosques, promoção de mais apresentações culturais (bandas, artistas) e aumento da vigilância sanitária. Apesar da grande reforma ter dado ares de limpeza e organização na praça, a presença da vigilância sanitária na fiscalização dos quiosques ainda se dá de forma muito precária.
Talvez seja por causa de tais indicadores que muitos entrevistados indicam a Ilha de Santana como o espaço público mais agradável da cidade, apontando em seguida a Praça da Alimentação. A Praça de Santana e da Liberdade também apareceram como espaços públicos agradáveis.
Em relação aos setores preferidos da praça, seus subespaços ou microterritórios, os mais citados foram: as proximidades do Colégio Senador Guerra (quiosques e bancos da praça), o quiosque do Big Hangus, a parte central da praça próxima à churrasqueira, os bancos próximos aos banheiros. Estas preferem demonstrar que, apesar da padronização arquitetônica, a praça é apropriada em seus diversos territórios, e estes despertam vínculos na medida em que os grupos estabelecem relações de afinidade com os mesmos. A esse respeito, algumas histórias interessantes foram brevemente relatadas sobre as vivências na Praça José Augusto, destacaremos algumas a seguir.
Uma das histórias relata que segundo seus pais, no período da festa de Santana, geralmente a praça servia de palco de concentração da população jovem à espera dos eventos que faziam parte da festa, eram momentos muito bons, a ansiedade e a expectativa do começo da festa marcavam o momento (A.M.L.D., 25 anos); outra história marcante refere-se a uma discórdia política ocorrida nos anos 70, que resultou na morte de uma pessoa nas
dependências da Praça José Augusto. A política sempre teve um papel muito forte nas relações de sociabilidades desenvolvidas na praça desde os tempos mais remotos (RGD, 56 anos); tendo sido destacado também a dinamitação do busto de José Augusto por motivos de desavenças políticas. Esses acontecimentos entraram para a história da praça, e na época em que ocorreu foi assunto por muito tempo entre as pessoas que frequentavam a mesma (T.S.M., 73 anos).
Uma última história interessante diz respeito ao processo de transformação da Praça José Augusto para Praça da Alimentação. Um entrevistado relatou que por volta dos anos 1970, onde hoje existem os quiosques da praça, havia um parque infantil, lugar constantemente frequentado por muitas crianças. Mais ou menos no mesmo período, uma barraquinha de vender lanches e “baganas” começou a se instalar na praça. Posteriormente outros foram chegando e se aglomerando, até a chegada dos trailers antes da reforma, reconfigurando assim as funções da praça (C.A.S., 57 anos).
Os entrevistados relataram alguns momentos marcantes que presenciaram na Praça da Alimentação. Um frequentador relata que, quando vê as famílias frequentando o ambiente se sente muito tocado, pois acha emocionante a interação que as pessoas têm com as que trabalham nos quiosques, destacando que esse tipo de relação evidencia um tipo de sociabilidade que também caracteriza os espaços públicos do consumo. Relataram igualmente que gostam quando a praça está cheia de turistas, pois acreditam que estas pessoas vieram para este lugar da cidade, principalmente por achá-lo agradável.
Outro acontecimento destacado na fala de um dos entrevistados refere-se à reforma que resultou na retirada dos trailers. Por mais que estes fossem cheios de problemas, por