BİLGİLERİNİZE ARZ EDERİM
I.6. Hukuki Değerlendirme
I.6.1. Hâkim Durum Tespiti
I.6.2.3. AKDENİZ EDAŞ ve CK AKDENİZ Hakkındaki Kurul Kararı ve Görüşü
O encontro era iniciado com a aplicação do impresso (APÊNDICE H) onde os adolescente de forma individual registrava como estavam chegando, e em seguida prosseguíamos com as atividades propostas para o grupo.
1º Momento - Aquecimento: Iniciamos o grupo apresentando retângulos (10 X 4 cm) em branco, lápis de cores e uma prancheta, pedimos para cada participante escolher a cor que mais gostava e em seguida solicitamos que fosse ornamentada a prancheta que foi entregue a cada um deles, colocando seu nome no retângulo e pintando com sua cor preferida e, também, realizando desenhos de sua preferência. Foi comunicado que eles iriam trabalhar durante todos os encontros com suas pranchetas personalizadas.
2º Momento - Conhecimento mútuo Objetivo: Apresentar/conhecer o grupo. Técnica aplicada - O catálogo
Material: cola, cartolina, recortes de revistas, pasta com divisórias de sacos plásticos, papel A4 branco, papel madeira (1,5 X 1,0 m).
Esta técnica foi uma adaptação da técnica denominada Galeria (VITIELLO, 2004; MILITÃO; MILITÃO, 2000), onde são colocadas diversas gravuras/recortes de revistas de objetos, animais, alimentos, paisagens, pessoas, dentre outras, em um varal, de forma que os participantes do grupo andem pela sala e escolham as que representam os mesmos de alguma forma. Contudo, diante da dificuldade de mobilidade dos participantes, pois eles estavam sentados e dialisando, adaptamos para a apresentação das figuras em forma de catálogo. Foram elaborados dois catálogos com vários recortes de revistas e entregues aos adolescentes para que fossem passados entre os membros do grupo, e que eles pudessem escolher as figuras que, de alguma forma, tivessem algo em comum com eles. Em seguida entregamos uma folha em branco e pedimos que colassem as figuras escolhidas e apresentassem para o grupo, falando do que tinham representado ali. Neste momento de colagem foi solicitada a colaboração dos profissionais e/ou acompanhantes que estavam no período (20 minutos).
3º Momento - Fechamento / Avaliação: Pedimos que cada adolescente escolhesse uma das figuras previamente selecionadas e colasse no painel que representaria o grupo. Ao final, solicitamos aos adolescentes que verbalizassem o que significou para eles aquele momento, fazendo uma relação com o painel construído pelo grupo. Ao término do grupo, pedimos para cada adolescente falar como gostaria que fosse o local em que eles dialisam e o que gostariam de trabalhar no próximo encontro. Eles responderam: que tivesse mais cores, mais espaço, que a máquina de diálise fosse menor, tivesse música, menos barulho, brincadeiras e pessoas mais alegres, e o grupo escolheu falar sobre algo relacionado a sonhos, desejos, perspectivas.
Para finalizar era aplicado novamente o impresso (APÊNDICE H) onde os adolescente de forma individual registrava como estavam saindo após o encontro.
Observamos, antes do início das atividades propostas, que a conversa entre os adolescentes durante a diálise era quase inexistente e que os profissionais, basicamente, conversavam entre si sobre os procedimentos e assuntos particulares. Fomos bem recebidas; podíamos observar os olhos brilhando, pescoços “esticados” que traduzimos como curiosidade e interesse.
Após o aquecimento, ornamentação das pranchetas, momento que eles desenvolveram de forma entusiasmada, foi colocada a música “O sol – de Jota Quest”, e
pedido ao grupo para ouvir essa canção e dar as mãos, objetivando-se estimular o toque para aproximar o grupo e favorecer a interação. A escolha dessa música foi motivada pela sua letra e também por ser um público jovem. Neste período, tivemos um pouco de dificuldade, por conta das barreiras físicas, pois entre cada participante existia uma máquina de hemodiálise que interferia no contato visual e distanciava as pessoas em tratamento. Entretanto, tivemos a ideia de reorganizar o posicionamento das poltronas e, com a ajuda dos profissionais e autorização da enfermeira coordenadora, foi possível fazer esta reestruturação, de forma que permitisse aos adolescentes visualizar quem estava do seu lado e se aproximar, pois colocamos as máquinas mais próximo da parede, fazendo o contrário com as poltronas, o que possibilitou aproximar os adolescentes e permitir o contato visual e tátil. Com essa estratégia percebemos que eles ficaram muito animados, sorridentes, pelo fato de conseguirem ver e tocar as mãos dos colegas que estavam ao seu lado dialisando.
A técnica proposta - (O catálogo) foi realizada sem maiores dificuldades, todos conseguiram entender, seguindo as orientações da coordenadora do grupo. Com este primeiro grupo foi possível percebermos que três adolescentes (A2, A3 e A4) eram desinibidos, participavam de forma ativa e gostavam de se expressar verbalmente; de forma intermediária participaram A1, A6 e A7, que precisaram de estímulo para responder, e dois adolescentes A5 e A8 permaneceram muito sérios, introspectivos, de forma bastante observadora, contudo, participaram das atividades, mas respondendo com frases curtas. Estas foram impressões percebidas no momento em que eles tinham que socializar os motivos das suas escolhas, e a maior dificuldade que tiveram foi de falar para o grupo, pois isso não era uma prática comum entre eles, o que os deixava envergonhados. Pelas escolhas dos participantes do grupo, pôde- se perceber que eram pessoas que valorizavam a família, que gostavam de coisas alegres, mas que também se sentiam diferentes por causa da IRC e que viviam com bastante dificuldade econômica e social, pois nas suas justificativas relataram fatos relacionados a violência, coisas que gostariam de ter e a falta de apoio.
Ao final foi elaborado, com a ajuda dos profissionais e acompanhantes, um painel que representava a avaliação do grupo sobre eles e aquele momento vivenciado. Eles verbalizaram que, apesar de cada um ser diferente, eles tinham gostos semelhantes e a maioria valorizava as mesmas coisas. Todos foram unânimes em colocar a família em papel de destaque como apoio para enfrentar a doença. Em relação à realização das atividades em grupo, eles relataram que foi interessante e legal poder falar sobre eles e poder ouvir os outros falarem de si, pois, assim, eles podiam conhecer melhor as pessoas que conviviam com eles
na clínica e que por meio desse grupo e do que foi sugerido eles tiveram esta oportunidade; além disso, aproveitaram o tempo da diálise, o que ajudou até a passar o tempo mais rápido.
Como resposta ao instrumento (APÊNDICE H) que lhes permitia manifestar como estava chegando e saindo do grupo, foi possível realizar uma avaliação relacionada a oficina, pois este tinha como finalidade coletar os sentimentos dos adolescentes antes e após a realização dos encontros, conforme tabela abaixo:
Tabela 1 - Representação dos adolescentes relativo a como estavam se sentindo antes e após a participação nas oficinas vivenciais. Fortaleza-CE, 2012.
Em resposta a esse instrumento aplicado, sete escolheram o rosto que significava mal, chateado e/ou triste, apenas um registrou que estava bem, alegre e/ou feliz. Os motivos relatados para não estar bem foram: sono, raiva, solidão, medo e cansaço e o adolescente que respondeu estava bem, justificou que estava animado, disposto e tranquilo. Ao término todos os adolescentes registraram que estavam saindo bem, alegres e/ou felizes e justificaram com as seguintes palavras: leve, animado, legal, contente, diferente, atenção e importante
Com base no que foi expresso e verbalizado, percebemos que a primeira oficina possibilitou a expressão de pensamentos e sentimentos, mesmo que de modo ainda contido para alguns, emergindo assuntos latentes, favorecendo a comunicação, reflexão e aproximação do grupo.
Humanizar na atenção à saúde é entender cada pessoa em sua singularidade, tendo necessidades específicas, e, assim, criando condições para que tenha maiores possibilidades para exercer sua vontade de forma autônoma, tratar as pessoas levando em conta seus valores e vivências como únicos, evitando quaisquer formas de discriminação negativa, em sua singularidade, complexidade e integralidade. A humanização do setor saúde implica movimento; um movimento que institui o cuidado e a intersubjetividade das e nas relações como valores centrais desta prática social (FORTES, 2004; AYRES, 2006).
É necessário repensarmos sobre as atitudes e habilidades utilizadas na assistência ao paciente, ou seja, é preciso repensar algumas questões da assistência à saúde, que agregam o
Oficina Como estou chegando (nº de adolescentes)
Como estou saindo (nº de adolescentes)
uso de tecnologias leves como: a comunicação, acolhimento, respeito e valorização das experiências e necessidades individuais (MACHADO; HADDAD; ZOBOLI, 2010).
O acolhimento implica assumir um caráter de produção de mudanças para a proposição de reformulação do modelo de cuidado. Estas podem ser pensadas na medida em que, antes do ato específico da técnica existe algo que modula a relação que está vinculada ao contato, à escuta sincera e aberta e à valoração do saber do outro, fazendo este ser um espaço de respeito e partilha de conhecimento (REICH, 2003; ALVES; DESLANDES; MITRE, 2009).
A vivência experimentada por meio desta técnica autoexpressiva em grupo pode permitir que o adolescente verbalize o que a doença e o tratamento significam para ele, pois a manutenção de ideias pré-concebidas sobre seu processo de adoecimento pode influenciar o modo como cada um utiliza mecanismos de adaptação à condição de saúde ora vivenciada.