As evidências cor r obor am claram ent e t ant o pelos dados quant ificados quant o pela analise dos m apas que os cam pos de dunas at ivos do lit oral do Rio Grande do Nort e est ão envolvidos em processos de ret ração e perda de cobert u ra sedim ent ar. Segundo Bailey & Brist ow ( 2004) , em Aber ffr aw , An glesey, nort h Wales por m eio de int erpr et ação de fot ografias áreas as dunas m óv eis ( bare sand) foram m onit oradas ent re os an os de 1940 e 1993, o panoram a pr opost o e os result ados quant it at ivos im plicam na redução gradat iva da cobert ur a sedim ent ar ( fig. 6.10) . O rit m o de r egr essão é sem elhant e ao cenário en cont rado n as dunas do lit oral do RN, onde as t axas de perdas sedim ent ares ( dim inuição da cobert ura de área) são m aior es qu e as t axas de deposição ( fig.5.2; fig.5.3; fig.5.5) .
Figur a 6.10 – Ev olução t em por al do cam po de duna m óv el em Aberffr aw , Anglesey, nor t h Wales. Regr essão da superfície sedim ent ar ent r e 53 anos da analise t em por al. Mapa pr opost o por Bailey e Br ist ow ( 2004) .
Na cit ação acim a a causa principal dos im pact os negat ivos iner ent es a diminuição de cobertura sedimentar é a “pressão” exercida pelas estradas sobre as dunas, enquant o, que no lit oral est udado, a r edução é j ust ificada pelo avanço das áreas urbanas sobr e os cordões dunar es fron t ais ( font e de sedim ent os) e pelos fenôm enos geológicos de ordem nat ural. Assim com o no RN, os aut or es afirm am que ainda há m igração, ent r et ant o o rit m o enfraquece na m esm a proporção qu e a área super ficial dim inui. Sob est as condições as dunas t endem a est abilização ou podem desapar ecer por com plet o send o subst it uídas por out ras cobert uras de origem ant r ópica e nat u ral.
O sensoriam ent o rem ot o ( SR) , principalm ent e at ravés da classificação de im agens m ult iespect rais, aliado ao uso do Sist em a de I nform ação Geográfica ( SI G) t em possibilit ado o invent ário desses r ecur sos ( dunas t ransgressivas) e seu s usos. I sso inclui a ident ificação da cobert u ra v eget al, solos, geom or fologia e geologia. O sensoriam ent o r em ot o e SI G forn ecem de um a m aneira eficient e em t erm os de cust o, o acesso a infor m ações am bient ais, além de possibilit ar at ualização periódica dos dados sobre ocor r ência, abundância e dist ribuição dos recursos na super fície do planet a ( Sam ple, 1994) .
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Capítulo 6
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Na Austrália, em “Barrier Island” Schlacher e Thompson (2008), que a densidade de veículos “off-road” 4x4 int ensificaram o deslocam ent o art ificial da areais present es nas dunas fr ont ais. Prat icam ent e 50 % da cobert ur a sedim ent ar (em grãos de areia) das “foredunes” foram deslocadas pelo impacto causado pelos car ros ( Luk e e Thom as, 2008) . Sem elhant e com os fen ôm en os de desm at am ent os, fazendo um a analogia sim plist a, é com o se as est radas form adas pelos car ros “fragmentassem” o campo de duna frontal afetando diretamente a estrutura e, o funcionam ent o no qu e se refere ao suprim ent o de sedim ent os para dunas int eriores ( fig.6.11; fig.6.14- f) .
Figur a 6.11 – Dunas m óv eis, nos m unicípios de Tour os ( a) e Max ar am guape ( b; c) . Est r adas ( set as t r acej adas) sobr e dunas front ais ( esquer da) e ent r e dunas int er ior es ( dir eit a/ abaixo) , ger alm ent e, const r uídas ar t ificialm ent e para deslocam ent o de v eículos e população local. Fot o do aut or - 2009.
a) b)
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Em dunas cost eiras de I srael, a int erpret ação de fot ografias em t orno de 50 anos, enfat iza a preservação das dunas de areia pela m anut enção da cobert ura veget al. É com um em zonas cost eiras, qu e o m osaico da paisagem sej a com post o principalm ent e pelas for m ações eólicas: dunas de ar eia ( m óveis) e dunas vegetadas (fixas), onde geralmente as “manchas” cobertura vegetal estão dispostas ou espacialm ent e inseridas na m at riz da paisagem dom inada pelas dunas m óveis. Sob est as condições, r esult ados confirm am que a m igração, pr ogr essão, r egressão e dim inuição em área dest as unidades arenosas dependem indiret am ent e da m anut enção da veget ação adj acent e as m esm as ( Levin E Bem - Dor , 2004) . Conform e descrit o por Schoem an ( 2002) e Rodrigues ( 2007) , a preser vação da veget ação na r egião cost eira dim inui a m obilidade das dunas. Part indo do pressupost o cit ado, é int uit ivo afirm ar que a dinâm ica da paisagem cost eira no RN e localm ent e em TZM é pr ovavelm ent e sensível aos m esm os efeit os. Esse com port am ent o j ust ificaria hipót ese de su bst it uição das dunas de ar eia para for m ação de bacias de deflação geralm ent e veget adas pela rest inga ( fig.6.14 - c) e, explicaria o aspect o da t ransição ent r e aum ent o das concent rações urbanas em det rim ent o da r egr essão das dunas front ais. Resum indo, o cenár io de alt erações nos padrões da paisagem sugere um relativo efeito “cascata”; onde ao longo da ev olução t em poral, a r et irada da duna veget ada afet a a est rut ura e m anut enção das dunas m óveis que por sua v ez dim inuem em ár ea, cedendo espaço as ocupações urbanas que avançam sobr e dunas fr ont ais ( fig.6.12) e int erior es.
Figur a 6.12 – Duna front al ( polígono t r acej ado) localizada na pr aia de Per obas, m unicípio de Tour os. Fundam ent al no apor t e de sedim ent os par a cam po de duna m óv el que m igr a at iv am ent e cont inent e adent r o. Fot o do aut or - 2009.
No México, usando o m esm o principio m et odológico de avaliar a dinâm ica t em poral de áreas cost eiras por m eio de m apeam ent o, classificação supervisionada e quant ificação das difer enças, Ruiz- Luna e Berlanga- Robles ( 2003) , obt iveram com o r esult ados m ais significat ivos dos seus m apas, a t ransição de ár eas nat urais ( lagunas e dunas de areia) para progressão de áreas urbanas. Eles afirm am que no
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Capítulo 6
Discussão dos Resultados
decor rer dos 24 anos da escala t em poral a cobert u ra cor r esponde às ár eas ant rópicas ( urbana e agricult ura) cresceu aproxim adam ent e 104 % .
No Rio Grande do sul, nove cam pos de dunas m óveis foram m onit or ados sob o pont o de vist a da ev olução t em poral por m eio de fot ogr afias aér eas com plem ent adas pela observação de produt os LANDSAT dos sensor es ETM+ , TM e MSS. Apesar de não t er sido feit o m apeam ent o e quant ificação da área, analise visual dos produt os de sensoriam ent o r em ot o foi suficient e para verificar com o padrão principal, a regressão das dunas fr on t ais e t ransgr essivas. A perda em cobert ura de sedim ent ar pode ser explicada por dois aspect os: pr essões ant rópicas sobr e as dunas fr ont ais pela influência das est radas e aum ent o da ocupação urbana ou se explicaria pela est abilização n at ural do cam po de duna t ransgr essivo ao se afast ar da linha de cost a e das front ais, que funcionalm ent e represent am font es de suprim ent o ar enoso par a as dunas t ran sgr essivas int eriores ( fig.6.12; 6.14 - b) . Est a pesquisa rev ela ainda que as diferenças m or fológicas ent re os nove cam pos de dunas podem ser explicadas pela variação de um a serie de fat or es ( gradient es t opográficos, chuva, v elocidade e direção do vent o, forn ecim ent o de ar eia, energia das ondas, t ransport e de sedim ent os lit orâneos) que diferem consideravelm ent e ao longo da linha de cost a sulriograndense em cada cam po de duna ( Mart inho et al. 2010) . Mudanças na est rut ura e com posição de paisagens cost eiras podem ser facilm ent e m apeadas e quant ificadas at ravés do uso do SI G j unt am ent e com produt os de sensoriam ent o r em ot o ( Klem as et al., 2000) .
Em Sant a Cat arina, assim com o n o lit oral do RN, o desenv olvim ent o do set or t uríst ico apóia- se nas caract eríst icas nat urais e nas belezas cênicas da região. Belas praias, paredões de falésias, corais, passeios de v eículos sobre dunas de areia, t êm sido os at r at ivos principais para o cr escent e int eresse sobr e essas ár eas. Ressalt a- se que as dunas são feições nat urais da m aioria das praias aren osas do m undo, consider adas por alguns cient ist as com o um ecossist em a a p art e ( fig. 14 - b) . Elas recebem cont ínuos aport es de areia, t ran sport adas pelos v ent os dom inant es, sendo car act erizadas pela influência m út ua de areia com as praias e das praias com dunas front ais que por sua v ez fornecem sedim ent os para dunas int eriores ( geralm ent e t ransgressivas) . Exist e um sist em a dinâm ico que originalm ent e com eça a t ransport ar sedim ent os de origem m arinha para praia, dest as para dunas front ais e, consequ ent em ent e para dunas m óv eis int eriores. Reciprocam ent e est e m odelo se r econst it ui nat uralm ent e ( Klein et al., 1999) . O m esm o aut or alert a que o avanço desr egrado das áreas urbanas ( do t urism o e ocupações t radicionais) sobr e dunas front ais pode im pact ar negat ivam ent e o sist em a r esult ando em m udanças indesej áv eis à paisagem lit orânea.
O m onit oram ent o da dinâm ica dunar de um corpo de dunas localizado na praia de Lagoinha, na cidade de Paraipaba/ CE, nos anos de 2002 e 2007 , foi aplicado at ravés de levant am ent o t opográfico nos dois períodos e m osaico de fot ografias aér eas. Port ant o, ent re os an os de 2002 e 2007, exist iu deslocam ent o pont ual das dunas em direção à cidade, o deslocam ent o foi de 24.63 m , 21.21m e 6.29m , r espect ivam ent e, em t r ês níveis ent re a duna e área u rbana. Obser va- se que os m enor es deslocam ent os est ão associados às áreas com m aior concent ração de v eget ação. A m igração das dunas em direção à cidade m er ece at enção porqu e pode t om ar m aior es pr oporções ao t ranspor a área que cont ém v eget ação, ou sej a,
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as dunas podem t er m aior facilidade em deslocar - se pela ár ea urbana ( Machado et al., 2011) . At ravés de m ar cação de pont os e r egist ros fot ográficos par a levant am ent o de afloram ent os geológicos, Fer nandes e Am aral ( 2010) , na praia de Maracaj aú em um ano de m onit oram ent o m ensal ( out ubro 2009 a out ubro 2010) , ident ificou dinâm ica espacial sem elhant e ao ocorrido na praia de Lagoinha/ CE. Est a m ovim ent ação m erece at enção devido ao risco de pr opagação da duna at iva sobre est r adas, casas e fiação elét rica ( fig.6.13; fig.6.14 - a; fig.6.14- d) .
Figur a 6.13 – Duna m óv el adj acent e a pr aia de Mar acaj aú. Fot o relat iv a a m igr ação at iv a da duna em função do deslocam ent o e alt ur a do nív el de sedim ent os sobr e um post e elét r ico de r ua ( Fer nandes e Am ar al, 2010) .
Ocasionada pela int ensa ação de pr ocessos cost eiros do m eio físico e por fort e influência de ações hum anas e at ividades sócio- econôm icas, no lit oral set ent rional do Rio Gr ande do Nort e, além do t urism o, o desenvolvim ent o da indúst ria pet rolífera em função do risco acident al de derram am ent o de óleo em zonas cost eiras, j ust ifica o m onit oram ent o am bient al por pr odut os de SR ( Silva et al., 2005) . Dados fr equent em ent e at ualizados em am bient es SI G, ev ent ualm ent e, auxiliam órgãos de pr ot eção am bient al sobre com o as cat egorias de uso do solo e ocupação hum ana na orla do est ado do RN, est ão ocor r endo ( Sout o, 2002; Grigio, 2003) . Na m esm a r egião, o m apeam ent o das unidades geoam bient ais nas proxim idades do sist em a est uarino Açu - Piranhas/ RN, fundam ent ados na int erpr et ação de im agens m ult iespect rais do sist em a I KONOS ( alt a r esolução) , resultou na quantificação do uso e ocupação do solo onde a classe “duna” cont ribuiu som ent e com 10% de ár ea no m osaico da paisagem t ot al ( Fer reira et al., 2005) .
Segundo Sout o ( 2004) , a ut ilização de SI G´ s aplicado ao ordenam ent o da região cost eira e das at ividades socioecon ôm icas exist ent es na região da Pont a do Tubarão apr esent a diversas vant agens, que incluem o benefício da int egração das t écnicas de processam ent o digit al de sensor es rem ot os e a classificação t em át ica
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Dia 29/ 10/ 2010 Dia 07/ 10/ 2009
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Capítulo 6
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com a análise espacial. O m apeam ent o realizado nest a r egião localizada na por ção do lit oral set ent rional considerou que os depósit os de origem eólica, ou sej a, as dunas m óveis e fixas est ão inseridas na cat egoria de vulnerab ilidade alt a a m uit o alt a, em t erm os quant it at ivos ist o repr esent a aproxim adam ent e 75 % da paisagem t ot al. Vale salient ar que a m aior part e das du nas at ivas m apeadas est ava inserida na classe vulnerabilidade de “alta”, fato que remete uma atenção especial quant o a fragilidade dest es ecossist em as dunares.
Figur a 6.14 – Fot os: Feições t ípicas dos ecossist em as dunar es dispost as no m osaico da paisagem cost eir a do lit or al or ient al do Rio Gr ande do Nor t e. a) fot o t ir ada em fr ent e a face de av alanche do cam po de duna m óv el em Zum bi; b) duna front al Zum bi; c) Duna m óv el, duna v eget ada e bacia deflação ocupada por Rest inga em Mar acaj aú; d) sot av ent o duna m óvel Mar acaj aú; e) lagoa int erdunar em Tour os, f) est r ada cor t ando duna veget ada em Tour os. Fot o do aut or - 2009.
a) b)
c) d)
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Realm ent e, exist e um a fort e dinâm ica na paisagem do lit oral orient al do Rio Grande do Nort e dirigindo os padr ões espaço- t em porais dos cam pos de dunas m óv eis. Mer ece at enção part icular a disposição dest as dunas de ar eia ent re os anos de 1993 a 2001 ( fig.5.5 ; fig.5.7; fig.5.9 – nos result ados) . Em bora, não sej a possível afirm ar com ex at idão as causas do aum ent o de área nest a t erceira j anela t em poral para os cam pos de dunas de Tou ros, Zum bi e Maracaj aú , em int ervalo de t em po sem elhant e, alguns est udos evidenciam ocor rên cia dos fenôm enos El Niño/ La Niña ( ENOS) com o agent es cooperador es para aport e sedim ent ar de origem m arinha e para gênese dos cam pos de dunas. Onde as alt erações do nível relat ivo do m ar decorr ent es das oscilações de t em perat ura na superfície do ocean o podem descobrir e expor à cost a ( zona de pr aia) rica em sedim ent os ar enosos e quart zosos ( Meir eles, 2 011) , condição clim át ica sugest iva para aum ent o de ár ea em decor rên cia do increm ent o sedim ent ar .
A fr equência de event os ( precipit ação e v ent os) m ais sev er os est eve diret am ent e associada aos m eses de m aio, j ulho e agost o, principalm ent e nos anos de El Niño com o os de 1983, 1987, 1990, 1992, 1995 e 1997 , considerados com o ocor rên cia fort e e m oderada ( Her rm ann & Mendonça, 2007) . A lit erat ura t em m ost r ado que est es fenôm enos cont ribuem na m odulação da circulação at m osférica e nas anom alias das chuvas. Geralm ent e, as oscilações de t em perat ur a prov ocam excesso de pr ecipit ação no Sul do Brasil durant e sua fase quent e, ao m esm o t em po em que um a dim inuição da precipit ação pode ocorr er no Nordest e do Brasil ( Soppa, et al., 2011) . Consequent em ent e, cont ribuindo com forn ecim ent o de sedim ent os e vent os com pet ent es para t ran sport ar o volum e de areia necessários à edificação das dunas m óveis e int erior es, que cont inuam at ivas m igrando cont inent e adent r o. Ev ent ualm ent e, os dois episódios do El Niño que ocor reram em 95 e 97 podem j ust ificar o acréscim o de ár ea ent r e 1993 e 2 001 apresent ado nos r esult ados do m apeam ent o t em át ico.