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Ahmed b Ebî Duâd Ferec b Cerîr b Mâlik el-İyâdî (ö 240/854):

A. MİHNE UYGULAMALARINA ÖNCÜLÜK EDEN VE BU

3. Ahmed b Ebî Duâd Ferec b Cerîr b Mâlik el-İyâdî (ö 240/854):

Os prejuízos causados por infecções parasitárias para o indivíduo e comunidade dependem de diversos fatores, como o parasito em questão, a intensidade e o curso da infecção, interações existentes entre espécies que ocorrem simultaneamente, estado nutricional e imunológico da população acometida, fatores socioeconômicos bem como sazonalidade e fatores climáticos (WHO, 1987). Estimativas globais indicam que existam cerca de 807 milhões de pessoas parasitadas por Ascaris lumbricoides, 604 milhões de pessoas abrigando Trichuris trichiura, 576 milhões de pessoas infectadas por parasitos da família Ancylostomidae e 30 a 100 milhões de indivíduos parasitados por Strongyloides stercoralis. Para esses parasitos, as regiões com maiores prevalências são países em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina. Estima-se ainda que 207 milhões de pessoas alberguem alguma espécie de Schistosoma, sendo S. haematobium prevalente na África sub-sahariana, S. mansoni prevalente tanto na África sub-sahariana quanto no Brasil e S. japonicum encontrado na China e Ásia. Além disso, infecções por filárias e por outros platelmintos são freqüentes, embora com menores prevalências (HOTEZ et al., 2008).

Diversos levantamentos epidemiológicos para verificação da prevalência de parasitoses têm sido conduzidos em diferentes localidades no Brasil e no mundo. No entanto,

não estão disponíveis levantamentos atuais que englobem a população geral de países, existindo apenas estudos pontuais e estimativas de prevalências.

As prevalência das parasitoses variam, geralmente, com a idade da população em estudo, regiões geográficas e com o parasito em questão.

Em Minas Gerais, estudo recente para avaliar a eficácia do Programa de Controle da Esquistossomose (PCE) verificou uma redução significativa na prevalência e contagem de ovos de S. mansoni em amostras de fezes, obtidas de indivíduos residentes em 256 municípios mineiros. Os autores observaram prevalências menores que 10% em 44% dos municípios, prevalência entre 10 e 20% em 36% dos municípios e prevalência superior a 20% em 20% dos municípios. No município de Amparo da Serra, escolhido para avaliar a eficácia do programa, observou-se redução da prevalência inicial de 14,3% para cerca de 5,3% (DRUMMOND et al., 2010). Neste trabalho, não foram apresentadas informações sobre outras parasitoses.

Em um levantamento epidemiológico conduzido na população do município de Americaninhas, região nordeste de Minas Gerais, foram identificadas prevalências elevadas de ancilostomíase (69,8%), ascaridíase (50,8%) e esquistossomose (45,2%), diagnosticadas por meio de exames parasitológicos de fezes, além de outras parasitoses com menores prevalências. Neste estudo, verificou-se que as crianças com até nove anos de idade apresentaram menores índices de infecção por parasitos da família Ancylostomidae e S. mansoni e elevados índices de infecção por A. lumbricoides, comparado aos demais estratos da população (JARDIM-BOTELHO et al., 2008).

Entre escolares de sete a 17 anos residentes no município de Jequié (BA), Brito et al. (2006) verificaram prevalência elevada de infecção por helmintos como A. lumbricoides (63%), S. mansoni (55,5%), Trichuris trichiura (74,8%) e ancilostomídeos (15,7%).

Embora muitos trabalhos não relatem a prevalência de protozooses, em Itinga – MG foram observadas prevalências relativamente baixas para as helmintíases (inferiores a 2%), embora a infecção por Giardia duodenalis tenha sido encontrada em 26,3% das crianças de seis a 71 meses envolvidas no estudo (SILVA et al., 2009).

A prevalência de infecções por parasitos entre crianças freqüentadoras de creches na cidade de Belo Horizonte – MG foi igual a 24,6%, sendo 6,6% das crianças infectadas por mais de um parasito. Foi baixa a prevalência de helmintos, uma vez que apenas 3,0% das crianças estavam infectadas por A. lumbricoides, 1,1% por T. trichiura e 0,2% apresentaram infecção por S. stercoralis. Dentre os protozoários, observou-se maior prevalência do

comensal Entamoeba coli (14,0%), seguido por G. duodenalis (9,5%) e outros com menores prevalências (MENEZES et al., 2008).

Entre crianças cadastradas na Pastoral da Criança com idade entre seis e 84 meses provenientes de Santa Isabel do Rio Negro – AM foram observadas prevalências variáveis entre helmintíases e protozooses. A. lumbricoides foi o helminto mais prevalente (40,1%) seguido por T. trichiura (24,4%), enquanto dentre os protozoários patogênicos, G. duodenalis (29%) e Entamoeba histolytica (12,1%) merecem destaque. Outras infecções também foram diagnosticadas, porém com prevalência inferior a 10% (CARVALHO-COSTA et al., 2007).

Corroborando as estimativas globais, trabalhos desenvolvidos em países africanos indicam elevadas prevalências de parasitoses e ainda destacam a ocorrência de poliparasitismo.

Entre crianças que residem nas proximidades dos lagos Albert e Victoria na Uganda observaram-se diferentes níveis de prevalência de parasitoses. A prevalência de esquistossomose variou entre 40 e 46%, enquanto a ancilostomíase foi observada em cerca de 2% das crianças do Lago Albert e em 13% das crianças do Lago Victoria. Apenas 0,2% das crianças apresentaram infecção por A. lumbricoides e 4,6% apresentaram infecção por T. trichiura entre as que residem próximo ao Lago Albert e, naquelas residentes nas proximidades do Lago Victoria a prevalência de ascaridíase foi igual a 6,4% e de tricuríase igual a 14,5%. Essas regiões ainda são acometidas por infecções por Plasmodium e muitas crianças apresentam carga parasitária elevada para este parasito (GREEN et al., 2011).

Uma avaliação da prevalência de geohelmintos entre crianças menores de 12 meses residentes na Ilha de Pemba, Zanzibar, identificou 13,6% de infecção por A. lumbricoides, 24,0% por T. trichiura e 7,6% por parasitos da família Ancylostomidae. Os autores observaram ainda casos de coinfecção entre A. lumbricoides e T. trichiura. Essa prevalência foi significativamente elevada, considerando a baixa idade dos participantes (GOODMAN et al., 2007).

Entre escolares de cinco a 17 anos do Zimbabwe, a ocorrência de S. haematobium foi verificada em 60% dos participantes. S. mansoni foi diagnosticado em 17,1% dos escolares, enquanto parasitos da família Ancylostomidae (11,0%), A. lumbricoides e T. trichiura (1,0%, cada) foram encontrados com menor prevalência. Infecção por P. falciparum foi observada em 15,3% dos escolares e a ocorrência de poliparasitismo foi também verificada, envolvendo as espécies de Schistosoma, P. falciparum e geohelmintos (MIDZI et al., 2008).

Dentre 500 indivíduos com idade entre cinco dias e noventa anos residentes em uma vila de Costa do Marfim, observou-se a ocorrência de infecção concomitante por pelo menos

três parasitos em 75% da população. Foram identificados tanto helmintos (S. mansoni – 39,8%, ancilostomídeos – 45%, T. trichiura – 6,0%, A. lumbricoides – 2,0%) quanto protozoários intestinais (E. coli – 64,0%, E. histolytica/dispar – 42,2%, G. duodenalis – 10,8% e outros comensais), além de infecção por diferentes espécies de Plasmodium, com destaque para P. falciparum (76,4%). Os autores destacam a ocorrência do poliparasitismo, bem como as morbidades associadas aos mesmos (RASO et al., 2004).

Além de estudos que identificam a prevalência de parasitoses, investigações sobre os efeitos das mesmas em distúrbios nutricionais e anemia tem sido desenvolvidos. As relações que se estabelecem entre o parasito, o homem e seu sistema de defesa indicam a complexidade das interações e podem trazer inúmeras conseqüências para o ser humano.