ILANUD – um projeto Latino-Americano para prevenir as intempéries dos espaços marginais
A teoria da contenção, formulada por George Kennan, em 1946, sustentou por meio de idéias realistas, o primordial posicionamento a organização dos Estados democráticos em conter a ameaça socialista. A prescrição teórica indicava a sistematização de bloqueios operados pela convergência funcional das agências de inteligência e defesa estadunidense com as similares instituições estratégicas latino-americanas.
Diante da ameaça comunista materializada na URSS, os EUA definiam que “o único modo de ter êxito contra o comunismo era modernizar, internacionalizar e coordenar de maneira centralizada o planejamento e as operações dos serviços de inteligência [...]; essa idéia [portanto] justificou o planejamento de segurança internacional dos Estados Unidos” (RODRIGUES, 2004, p.68).
A implementação da teoria da contenção ganhou espaço no governo de Henry Truman (1947-1953), corroborando com o desenvolvimento da doutrina Truman, quando, em seu discurso de 12 de março de 1947, assume o compromisso em defender o mundo capitalista contra a ameaça socialista. O argumento permite aos EUA defender uma política intervencionista internacional, em que os meios mais eficazes para isso seriam a ampliação de cooperações no plano econômico, social e mesmo policial.
Neste sentido, se o Plano Marshal foi uma iniciativa de complementaridade à doutrina Truman, com foco na reconstrução da Europa; em contra partida, na América Latina, prevaleceu uma ação mais incipiente voltada mais a alianças militares e ao comércio de armas. Este posicionamento apenas ganha maior dimensão econômica com a eclosão da Revolução cubana de 1961 e o aprimoramento do discurso militar, por um viés econômico- social em iniciativas de cooperação como A Aliança para o Progresso – esforço do governo americano em melhorar sua imagem na região e intimidar Cuba pela substituição de uma
199 revolução socialista, por uma democrática liberal. É o que reflete o discurso de J. Kennedy em ocasião do lançamento do programa:
Se formos bem-sucedidos, se nosso empenho for arrojado o suficiente e determinado o suficiente, então o final desta década será marcado pelo início de uma nova era na experiência americana. Os padrões de vida de cada família americana estarão crescendo, a educação básica estará disponível para todos, a fome será uma experiência esquecida, a necessidade de ajuda externa maciça terá passado, muitas nações terão entrado em um período de crescimento auto-sustentável e, mesmo que ainda haja muito o que fazer, cada república americana será a mestra de sua própria revolução (FICO, 2000, p.60).
Nas palavras de Kennedy sobressai o estímulo à auto-sustentabilidade dos governos, para superar uma situação de dependência, retratando anseios voltados à qualificação do país, na qual, a educação é o meio de crescimento econômico, mas também de independência. O intuito não é formar um bloco como no socialismo, uma única sociedade igualitária, mas permitir a cada Estado sua auto-concorrência liberal.
Os reais investimentos na região latino-americana apregoados por Kennedy não chegaram à grandiloqüência de seu discurso, confirmando o que Carlos Fico denominou como ações anti-surreitórias de uma expansão comunista.
A América Latina das décadas de 50 e 60 procurava gerenciar uma série de questões em contraponto às reais possibilidades de desenvolvimento e crescimento econômico. As ditaduras e golpes militares não eram os únicos elementos que figuravam em seus eventos políticos, mas, também, a questão indígena, a explosão demográfica e urbana, o descontentamento social, as disputas agrárias e disparidades econômicas internas.
Para os países latino-americanos, na lista do subdesenvolvimento, a aproximação estadunidense era uma oportunidade de obter vantagens econômicas, ampliar parcerias e investimentos, pois os Estados Unidos era a maior potência capitalista da época. Entretanto, a sua política externa estava interessada em estabelecer na região eficazes políticas de segurança.
200 Canais como a ONU tornaram-se uma fonte aberta significativa aos países tidos como subdesenvolvidos, para obter investimentos e parcerias com o propósito de crescimento para alcançar padrões humanitários da época, fundados, principalmente, na presença ativa da sociedade civil.
A idéia de sociedade civil no neoliberalismo é tratada por Foucault como uma nova área correlata que permite à nova arte de governar agir de acordo com a regras do direito em um espaço de soberania povoado por sujeitos econômicos. O desafio é viabilizar “um governo onipresente [...] que obedece às regras do direito, mas respeita a especificidade da economia” pois; apenas desta forma, “será um governo que administrará a sociedade civil” (2008b, p.403).
Frente ao impasse da sociedade civil, Foucault observa que este foi o mesmo conflito enfrentado, no século XVIII, na constituição da Nação, portanto, é possível que a ONU no século XX inaugure uma atualização, na disposição da prática governamental e da arte de governar equilibradas por uma auto-limitação que não infrinja nem as leis da economia nem os princípios do direito.
Por isso, os países latino-americanos apresentaram-se dispostos a intensificar suas relações com todos os setores das Nações Unidas, e a prevenção da delinquência bem como da criminalidade, aparecem como um dos impasses ao crescimento almejado e a qualificação técnica de seu operariado.
Nas lentes surrealistas de Bruñel, a delinquência assusta e apavora, coloca no meio da tela do cinema, o medo da sociedade, dos pobres dos bairros marginais ao público que padece com a crueldade vinculada ao jovem perigoso. A primeira cena do filme mostra grandes centros mas sem identificá-los: Nova Iorque, Paris, Londres e finalmente a cidade do México, um olhar universal. Los olvidados , a história de um grupo de meninos das favelas e ruas da