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Em função da relevância que o ativo imobilizado possui para as operações do FII e, conseqüentemente, em sua posição patrimonial e financeira, especial atenção é dada à análise dos aspectos contábeis e de avaliação relacionados a esse elemento do ativo, mesmo que parte análise seja de natureza introdutória.
Como primeira referência à definição do ativo imobilizado, cita-se importante obra nacional de autoria da equipe de Professores da FEA/USP17, coordenada por Iudícibus (2006, p. 207), que assim o define:
O Ativo Imobilizado é a parcela do Ativo que se compõe dos bens destinados ao uso [...] e à manutenção da atividade da empresa, inclusive os de propriedade industrial ou comercial. São elementos que servem a vários ciclos operacionais da empresa, às vezes por sua vida toda.
Essa definição, ainda que introdutória, é fundamental para o entendimento da natureza do principal ativo do FII. Pode-se, também, citar a definição de ativo imobilizado proposta pelo IBRACON, na NPC 07 - Ativo imobilizado - item 06:
[...] compreende os ativos tangíveis que: a) são mantidos por uma empresa para o uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para locação a terceiros ou para finalidades administrativas, e b) conforme a expectativa deverão ser usados por mais de um período.
A definição proposta pelo IBRACON caminha em linha com a prevista na Norma Internacional de Contabilidade, no caso, o pronunciamento IAS nº. 16, o qual trata, especificamente do ativo imobilizado.
Como parte do entendimento da definição de ativo imobilizado é pertinente comentar suas características. Algumas das características gerais citadas na obra de Hendriksen e Van Breda (1999, p. 362) são as seguintes: 1. Os ativos representam bens físicos mantidos para facilitar a produção de outros bens e a prestação de serviços à empresa ou seus clientes, no decorrer normal das operações; 2. Todos esses ativos possuem vida útil limitada; 3. Esses ativos são de natureza não monetária, ou seja, seus benefícios decorrem de seu uso ou da venda de serviços, e não de sua transformação em recursos; 4. De forma geral, os benefícios são obtidos durante um período mais longo do que um ano ou um ciclo operacional da empresa.
Após breves comentários a respeito da natureza do ativo imobilizado, pode-se, agora, trabalhar na discussão de seu critério de mensuração, ou seja, no critério a ser adotado para se atribuir valor a esse ativo. De acordo com a Instrução CVM n° 206/94, o critério de avaliação aplicável a esse ativo corresponde ao seu custo de aquisição.
Para Martins et al (2001, p.28), o custo de aquisição, ou histórico, representa uma das opções de mensuração patrimonial compreendidas no conceito de valores de entrada, o qual, por sua vez, representa o sacrifício que a empresa fez, no passado, para adquirir um determinado recurso, disponível para venda ou para uso. Esse autor relaciona as seguintes outras opções de mensuração patrimonial compreendidas nesse conceito: custo histórico corrigido; custo corrente; custo corrente corrigido e custo de reposição futuro.
Uma outra opção de avaliação patrimonial refere-se ao conceito de valores de saída. Contudo, em função das restrições dessa abordagem de avaliação para a contabilidade financeira, sua conceituação não é, por ora, comentada; sua analise é retomada, de forma breve, ao se abordar a exigência de aplicação da análise de impairment sobre o ativo imobilizado do fundo.
Retornando ao conceito de valores de entrada, Iudicibus e Marion (2006, p. 146), definem custo de aquisição como:
É o valor original da transação, isto é, quanto custou à empresa adquirir um determinado ativo ou quanto custaram os insumos contidos no ativo, se foram fabricados.
Martins et al (2001, p. 29) acrescenta o comentário de que a ampla opção pelo uso de valores de entrada é, em geral, respaldada por três importantes conceitos: 1) o fato de o lucro ser visto como uma diferença entre o caixa advindo do negócio e o caixa que nele foi desembolsado ou investido; 2) a facilidade na obtenção da informação e 3) o fato de os valores estarem consignados em documentos e, portanto, serem de fácil verificação e comprovação.
Nesse mesmo tema, Iudícibus (2006, p. 149) menciona que a adoção de valores de entrada para a avaliação de ativos não monetários, é conseqüência das características de objetividade e verificabilidade desse critério.
Assim, a Instrução CVM dos FIIs parece ter sido concebida exatamente com base nesses conceitos, requerendo que os itens do ativo imobilizado sejam avaliados e registrados pelo seu custo de aquisição.
Em termos de norma, o IBRACON, através da NPC 07 (Ativo imobilizado), define custo de aquisição, como:
[...] o montante pago em dinheiro ou equivalente, ou o valor justo de outra forma de pagamento ou sacrifício econômico para adquirir o ativo na data de sua aquisição ou construção.
A definição de custo de aquisição proposta pelo IBRACON, acompanha a definição proposta pela Norma Internacional de Contabilidade.
Hendriksen e Van Breda (1999, p. 306), ao tratarem da definição de custo histórico, mencionam:
O custo histórico é definido pelo preço agregado pago pela empresa para adquirir a propriedade e o uso de um ativo, incluindo todos os pagamentos necessários para colocar o ativo no local e nas condições que permitam prestar serviços na produção ou em outras atividades da empresa.
Entre as vantagens na adoção do custo histórico, Martins et al (2001, p. 33) apresenta argumenta semelhante à Iudícibus, afirmando que: “[...] é o valor de entrada que melhor atende aos conceitos de objetividade e praticabilidade [...].”
Por outro lado, é comum o entendimento desses renomados autores, nacionais e internacionais, de que o custo histórico apresenta desvantagens, podendo em determinadas situações, não representar a melhor opção de uma abordagem de avaliação.
Outro aspecto, previsto pela Instrução CVM dos FIIs, é o reconhecimento de que ativos imobilizados possuem uma limitada vida útil e, portanto, aplica-se o reconhecimento contábil da depreciação do bem, de acordo com sua vida útil estimada.