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0. ÂŞIKLIK GELENEĞİ VE MALATYALI ÂŞIKLAR

2.5. Şiirlerde İşlenen Konular

2.5.1. Aşk (Sevgi) Konulu Şiirleri

A ciência brasileira é, sobretudo, muito jovem, concentrando esforços para sua institucionalização a partir do final do século XIX, com a especialização das áreas do conhecimento e investimento na criação dos institutos de pesquisa, escolas e faculdades, na primeira metade do século XX, com a fundação das primeiras universidades, a multiplicação de sociedades e associações científicas, e o aumento gradativo de profissionais graduados e, posteriormente, titulados. Quando consideramos a priorização da pesquisa, com sua organização, delineamento de metas e o estabelecimento de linhas de financiamento governamentais, a história brasileira é ainda mais tardia, avançando até os anos 1950. É nesse período em que o Brasil passa a ter um desenvolvimento sistêmico de ciência e tecnologia e com o estabelecimento de metas políticas. Isso significa dizer que o país passou a ter condições de planejar e priorizar a ciência e a tecnologia, com vistas a um projeto de nação.

Embora, posteriormente, vá abordar a institucionalização existente, sobretudo, a partir da transferência da capital portuguesa para o Brasil, em 1808, o foco de interesse está em atentarmos para a recente tradição científica brasileira como pano de fundo para entender aonde nos levará esta busca frenética atual por igualar o país à condição dos países desenvolvidos, sobretudo, a partir das metas que melhorem os números, índices e contribuições mundiais relativos à produção e desempenho científicos nacionais. Parece que a ênfase na institucionalização da ciência recente do país não nega a existência de atividades científicas anteriores ao século XIX, mas prioriza o momento de concentração de esforços governamentais para impulsionar seu progresso.

Essa não era, porém, a visão dos historiadores que traçaram o desenvolvimento da ciência nacional até o final dos anos 1970 (Azevedo, 1955; Stepan, 1976)8. A historiografia reforçava uma visão de atraso científico durante o período imperial, como bem concluíram Maria Margaret Lopes (1997) e Silvia Figueirôa (1997), em trabalhos

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A criação da Sociedade Latino-Americana de História da Ciência em 1982 reuniu esforços de historiadores da ciência da região para estabelecer e desenvolver uma história da ciência regional. Emílio Quevedo V. In: Figueirôa (2000), p.51.

que se debruçaram sobre o desenvolvimento das ciências naturais e geológicas, respectivamente. Mais ainda, a ciência produzida na Europa servia de modelo e, portanto, deveria ser replicada em qualquer nação que desejasse desenvolvê-la.

As consequências dessa atitude, generalizada nas periferias [do mundo], fazem ressaltar as dificuldades, os limites e os ajustes necessários ao êxito da empreitada, nem sempre bem-sucedida. Tal abordagem, ao mesmo tempo, conduz à discussão do problema da expansão da ciência moderna, gerada na Europa nos séculos XVI e XVII, ao restante do mundo e de sua absolutização como a forma válida de ver esse mundo (Figueirôa, 1997. p.26)

Tomar as nações desenvolvidas enquanto modelo de desenvolvimento, em si, não é o problema. Mas é fundamental que o modelo possa ser adaptado e modificado de acordo com a necessidade e realidade locais, produzindo progressos e superações.

Essa visão eurocêntrica da história da ciência era reforçada pela própria percepção e vivência dos estrangeiros que, uma vez no Brasil, tentavam reproduzir as condições e formatos das instituições que dirigiram ou fundaram com equivalentes em seus países de origem, já que muitos naturalistas e cientistas europeus foram convidados pelo Império para fundar museus, instituições e laboratórios no país. Essa continuou sendo, posteriormente, a visão dos diretores de museus brasileiros, como pontuou Lopes.

Almejando sua inserção no mundo civilizado, no movimento internacional dos museus, na comunidade científica europeia e americana, os diretores de museus brasileiros buscaram suas referências, quer para seus trabalhos em seus campos específicos de conhecimentos científicos, quer para suas ideias museológicas nos seus países de origem, onde estudaram ou nos que constituíram museus e centros de investigações mais afamados do século passado [XIX] (Lopes, 1997, p.334).

Com isso, havia a percepção de que a ciência eventualmente produzida em outras nações, sobretudo nas colônias – e, hoje, nos países subdesenvolvidos – jamais seria autônoma e ficaria sempre à margem do modelo europeu (ou desenvolvido) e, portanto, não contribuiria para o avanço da ciência internacional. Era frequente uma abordagem historiográfica que tratava das contribuições da América Latina para a ciência universal – geralmente muito raras – e valorizando, inclusive, os cientistas latinos que obtiveram reconhecimento na Europa como “gênios excepcionais” (Figueirôa, 2000. p.8). Essa não é, como se pretende mostrar, uma visão que foi totalmente abandonada, pelo menos pelos gestores de ciência e tecnologia e também cientistas da atualidade. O progresso científico de países desenvolvidos ainda é almejado e a qualidade da ciência produzida

no Brasil – o que também valeria para a América Latina – é medida, sobretudo, por suas contribuições para a chamada ciência internacional (cada vez mais norte-americana) e aqueles que nela se destacam passam a ser reconhecidos, celebrados, valorizados. Fato que poderia ser visto com entusiasmo, não fosse a falta de um dimensionamento e de uma contextualização nacionais. Não se trata de nacionalismo simplório, mas sim de medir até onde interessa às nações em desenvolvimento transcrever os modelos estrangeiros, sobretudo de política científica e tecnológica para a sua realidade, e até onde é preciso considerar e solucionar obstáculos ainda postos ao Brasil e que são característicos de uma nação, até pouco tempo (e por tanto tempo), subdesenvolvida.

O debate na historiografia avançou com contribuições que trouxeram à tona a importância da ciência desenvolvida local e nacionalmente, de acordo com as influências socioculturais e demandas econômicas que se distinguem daquelas do modelo europeu. Xavier Polanco, apropriando o termo “ciência-mundo”9 análogo à “economia-mundo” de Fernand Braudel, por exemplo, deu um grande passo nessa direção (Apud Figueirôa, 1997. p.29-30). Polanco definiu o processo de mundialização da ciência como um espaço hierarquizado, com centro, semiperiferia e periferia dispostos concentricamente, reunindo espaços e ciências distintos, que recuam e avançam conforme a ação da ciência. O ponto forte desse modelo, segundo Figueirôa, é quebrar com a noção de linearidade na produção da ciência e tecnologia, dando um pouco mais de mobilidade. Embora a autora reconheça que o modelo contém contradições, porque é, afinal, uma forma de eurocentrismo, ela enfatiza a importância da periferia não ser tomada apenas como receptora da ciência produzida no centro, mas também sendo responsável por impulsionar e desenvolver as atividades científicas do centro.

Nesse sentido, a historiografia brasileira produzida nos últimos 30 anos lançou importante luz sobre o processo de institucionalização da ciência brasileira ao lembrar que apesar do país ter, inicialmente, buscado modelos europeus para seus museus e instituições de pesquisa, ela é detentora de identidade nacional e se desenvolveu de acordo com suas demandas econômicas, mas também socioculturais. Isso não quer dizer que o Brasil tenha conquistado ou precise conquistar independência no fazer científico, já que a ciência é constantemente influenciada e influencia a construção do

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O termo ciência-mundo permite entender o processo de difusão das ciências e das tecnologias a partir do ‘centro’ (Europa) para as periferias.

conhecimento entre áreas, setores da sociedade e nações. Mas é preciso retomar esse debate como forma de iluminar as análises mais atuais sobre produção científica de países em desenvolvimento ou, de forma mais enfática, dos considerados emergentes, como o Brasil, que se esforçam ainda mais para se aproximarem dos desenvolvidos. Portanto, o olhar histórico sobre a ciência brasileira é fundamental na compreensão acerca das demandas e configurações da produção científica nacional atual.

Na sede por atingir os níveis de produção científica de países desenvolvidos, o Brasil atropela sua história e identidade. Há uma corrida para se atingir os níveis de excelência de países com longa tradição acadêmica, como os europeus, ou com sistemas de C&T amadurecidos, como é o caso dos Estados Unidos e Japão. Essa competição se intensificou, no Brasil, com a profissionalização dos cientistas e o consequente crescimento da produção científica, que gerou demandas para organizá-la e medi-la, sobretudo a partir da segunda metade dos anos 1970, por meio da crescente valorização da cientometria e, mais fortemente, nos anos 1990, quando o Brasil incrementou sua fatia na produção científica mundial. Não se quer aqui negar a importância da inserção, cada vez maior e melhor, da ciência brasileira no cenário mundial, ou da necessidade de investimentos para se atingir padrões de uma ciência internacional (ou melhor, desenvolvida). Mas se quer atentar para as condições que nos levaram a chegar onde, hoje, a ciência se encontra, buscando ser altamente competitiva, internacional, de alto impacto e visibilidade, com enfoque nos índices relativos à publicação de artigos científicos. Nesse cenário, tomo como objeto de análise a supervalorização de periódicos considerados de alto impacto, como a Science e a Nature, e a progressiva elevação das demandas por qualidade (traduzidas em índices cientométricos) na produção científica nacional, visando atingir os padrões mais desenvolvidos. Acredito que estudar os caminhos da institucionalização da ciência no Brasil possa servir como os primeiros elementos para decodificar as exigências e os desafios que hoje nos são postos.

1.2. A institucionalização da ciência no Brasil e a cultura de

Benzer Belgeler