AŞKIN VARLIK VE VAROLUŞ
3.3. Aşkın Varlık ve Varoluş İlişkisi
As propostas aqui apresentadas devem ser entendidas como medidas prévias, devendo ocorrer levantamentos financeiros para viabilidade destas soluções. É importante ressaltar também que estas medidas precisam estar de acordo com as legislações vigentes, como a implantação de medidas estruturais. Quanto às medidas não estruturais, as soluções só dependem dos setores envolvidos na gestão do risco e em empregar soluções técnicas por meio de parcerias que podem contribuir nas tomadas de decisões, a solução mais viável sempre é o trabalho em equipe, por meio de uma gestão compartilhada, Figura 6.31. Em um primeiro momento, será apresentadas as soluções não estruturais, em seguida as soluções estruturais a cada área de estudo.
Figura 6.8 - Esquema proposto para a gestão de riscos compartilhada
Salienta-se que esta medida proposta, foi pensada para a estrutura organizacional municipal vigente em Ouro Preto/MG, tendo em vista que cada gestão política, pode propor cenários e organizações diferentes. O que é importante frisar, é que a comunicação e a tomada de decisã, deverá ser feita aliando todos os setores administrativos que possam lidar, diretamente, com o assunto de áreas de risco geológico-geotécnico.
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A seguir foi feita uma proposta para atividades e criação de um sistema integrado para a gestão de riscos na cidade de Ouro Preto, como forma de minimização dos eventos catastróficos. Esta proposta tem a base de uma gestão compartilhada, onde a comunicação é o ponto chave para alimentação de sistemas para as tomadas de decisões e medidas de prevenção:
Banco de dados
Sistematização e organização de bancos de dados e fichas integradas de campo a todas as secretarias que lidam com as áreas de riscos – integração dos dados em um único banco de dados. Sistema integrado e dinâmico.
Parcerias com a Defesa Civil e processos de capacitações
Implantação de NUPDECs – Núcleos de Defesa Civil nos bairros; capacitações sistêmicas aos agentes municipais e aos NUPDECs; palestras informativas, educativas às comunidades; parcerias com instituições de ensino para troca de informações e cooperações técnicas; parcerias com empresas privadas.
Planejamento urbano
Atualização de ferramentas de orientação ao ordenamento territorial; atualização de mapeamentos das áreas de risco como orientadores ao planejamento urbano; atualização do Plano Diretor, como forma de obtenção de novos vetores de crescimento urbano, áreas de interesse social, rearticulação das legislações em áreas de alto risco, com minimização da taxa de ocupação nestas áreas e articulação para regularizações fundiárias nos assentamentos precários.
Sistemas de Monitoramentos
Imageamento com Drones para controle de ocupação desordenada e análises apuradas das encostas; sistemas de Interferometria Radiométrica – Técnicas InSAR; Geofísica; reativação de inclinômetros já instalados e capacitação do corpo técnico da defesa civil para geração de dados e controle técnico; aplicativos sistematizados e integrados para as leituras aos equipamentos; dispositivos de alerta para evacuações.
Aliado à gestão compartilhada que são medidas não estruturais sugere-se, também, para as áreas, as medidas estruturais:
140 Serra do Veloso
Execução de sistemas de drenagem pluvial urbano, com cálculos das contribuições das drenagens naturais da encosta, bem como o redimensionamento das redes de drenagem existente. Para a encosta, sugere-se sistemas de retaludamento na face mais íngreme, com dispositivos de drenagem superficial, e, posteriormente, revegetação.
Morro da Forca
Para esta encosta, a proposta é a instalação de sistema de contenção em redes de alta resistência, com malhas confeccionadas em arames de aço. Atualmente o uso da tela é mais indicado já que não interfere na geometria do maciço rochoso. Estes sistemas são ideais para o revestimento e proteção de taludes rochosos, podendo ser cobertos por vegetação. Por estar em área de Proteção Especial, as medidas precisam preservar ao máximo a área e manter a característica visual da encosta, contrastando o mínimo possível, com o patrimônio tombado.
Taquaral
O bairro Taquaral é o que apresenta a maior complexidade urbanística e geológica- geotécnica, das três áreas analisadas. Inicialmente, é de grande urgência, reformulações nas legislações urbanísticas de ordenação físico-territorial, para que sejam estabelecidas as áreas com possibilidades de obras de urbanização, bem como obras de contenções e drenagem pluvial. Salienta-se da necessidade de estudos aprofundados sobre o movimento do tipo rastejo, que é encontrado na área. Para a situação atual, recomenda- se medidas técnicas de monitoramentos dos movimentos existentes na encosta.
Para todas as propostas apresentdas, é necessária a avaliação da viabilidade financeira destas obras e das medidas técnicas de monitoramento. O poder público tem por missão, entender quais as melhores formas de minimizar os riscos de uma maneira viável e que possa contemplar um maior número de pessoas possível. Do contrário, recomenda-se a retirada das famílias das áreas de risco inaceitáveis. É preciso, também, entender a urgência do controle das ocupações nestas áreas, como forma de minimizar as consequências de futuros eventos.
141
CAPÍTULO
7
7. CONCLUSÕES E PROPOSTAS PARA TRABALHOS FUTUROS
O objetivo da aplicação metodológica de um índice de risco no Distrito Sede do Município de Ouro Preto/MG, através de 3 áreas modelo, foi alcançado pela análise estatística de um banco de dados de eventos de Movimentos Gravitacionais de Massa. A atuação desta ferramenta de manter dados atualizados e ainda de criar fichas de cadastros para a coleta dos dados, foi um dos pontos de maior dificuldade para esta pesquisa.
Analisar os dados de forma eficiente e averiguar estes dados em campo, é um trabalho complexo que exige tempo e dedicação, o que pode e deve ser feito, é a atualização constante do banco de dados existente, para que se tenha informações de alta confiabilidade para a replicação desta metodologia para as outras áreas da cidade e outras cidades do país.
Os resultados obtidos através da metodologia proposta, se mostrou eficiente para entender os cenários urbanos do risco geológico-geotécnico e, em como os locais podem se comportar para minimizar estes riscos. Foi observado nos cálculos que os parâmetros da vulnerabilidade e o fator de correção, tem grande influência no índice de risco, o que sugere que uma eficiência no planejamento urbano (legislações urbanísticas físico-territoriais), a implantação de obras de engenharia e a eficiência nas construções de edificações, de forma a atender a requisitos técnicos básicos de segurança, podem minimizar os efeitos de um evento adverso.
Um dos pontos observados é que a área com o índice de risco maior, é a área do Bairro Taquaral, e neste local, prevalece os assentamentos irregulares, motivo esse, que se faz necessário tomadas de decisão acerca das legislações e regularizações fundiáras para, no que concerne a lei, adotar medidas mitigadoras do risco, como obras de infraestrutura urbana (drenagem pluvial e contenções de encostas). O que dificulta todo o processo são legislações ineficientes e que não podem ser aplicadas em áreas de alto risco, como a regularização fundiária. Tendo em vista que a lei de Regularização é vetada para áreas de alto risco geológico-geotécnico.
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A equação do iR proposta, possibilita a quantificação e hierarquização das áreas de risco, encontrando no final o risco individual. Salienta-se que a metodologia pode ser reformulada para o cálculo do risco social, para a quantificação da população exposta e confecção de curvas F x N. O presente estudo focou no risco individual das áreas, tendo em vista que a coleta de informações acerca do número de pessoas por área não foi o objetivo central. O risco individual, através de parâmetros internacionais, foi analisado para os cenários da cidade de Ouro Preto/MG, e este fato colocou as áreas em estudo em situação de alta fragilidade quanto a tolerabilidade dos níveis de risco. As áreas, devido a situação apresentada, se mostraram em patamares de risco intoleráveis.
Devido ao grau de intolerabilidade das áreas aos processos geodinâmicos, as medidas estruturais e/ou não estruturais são impostas para a minimização deste cenário. As informações dos riscos individuais, serviram para esboçar um cenário de grau de risco que cada pessoa está exposta. Apesar de não ter apresentado as curvas F x N com o risco social, o risco individual já serviu como parâmetro para hierarquização das áreas. A metodologia proposta cria uma dinâmica da quantificação do risco e da identificação das áreas expostas aos eventos de movimentos gravitacionais de massa. Essa lógica é de extrema importância para a manutenção destas áreas por meio dos agentes de defesa civil, onde poderá ocorrer aplicações da metodologia para novas situações e para o restante das áreas já mapeadas, ou que possam apresentar novos eventos.
É visto também, que as áreas inadequadas podem sair de exposição alta para áreas ALARP, através das medidas estruturais e/ou não estruturais. Informações, monitoramentos, bancos de dados integrados, gestão compartilhada, se mostram também como ferramentas para diminuir a exposição da população aos eventos de desastres socioambientais.
A nova visão apresentada para as áreas de risco através de dados de frequência de eventos, probabilidades de novos eventos, cálculos de vulnerabilidades e o fator de correção, foram situações inovadoras para o município. Também é uma grande mudança, a adoção da ideia de aceitação ou não do risco pela comunidade, que incentiva a busca por melhores informações e apoios comunitários à gestão do risco. O estudo ainda possibilitou a sugestão de melhores medidas a serem implantadas e os locais que precisam com mais urgência destas obras. Esta situação contribui com a gestão pública nas tomadas de decisão e na busca por verbas para implantações de obras de contenções ou sistemas de drenagem pluvial urbanos. Mas, para isso, é preciso que
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os gestores estejam abertos a entenderem o processo das áreas de risco e não manterem clientelismos políticos que acabam por gerar ainda mais problemas às áreas de alta vulnerabilidade social e geotécnica.
A questão política de atuação na remediação da exposição da população aos eventos de movimentos gravitacionais de massa, deve ser um ponto de grande atuação, sem empenho político para estas ações, as áreas de risco tendem a aumentar e o cenários de desastres também. A gestão de risco é de responsabilidade do município e manter uma comunicação eficiente entre todos os setores envolvidos, é uma obrigação tanto dos gestores, como dos técnicos envolvidos.
Por fim, a gestão de ricos urbanos só será eficaz com o envolvimento de toda a comunidade em prol da segurança, com uma gestão compartilhada, com o envolvimento político, com políticas públicas eficientes, com o uso de métodos de quantificações para hierarquização e tomadas de decisão, bem como legislações urbanas físico-territoriais efeicientes e próximas à realidade de cada área.
Para trabalhos futuros sugere-se:
Replicação da metodologia a outras áreas da cidade de Ouro Preto/MG pelos agentes de defesa civil, como forma de obtenção de nuvens de pontos de riscos individuais;
Criação de aplicativos para as fichas cadastrais de campo, como forma de abastecimento direto ao banco de dados;
Criação de aplicativos para monitoramento das áreas de alto índice de risco, com alta exposição da população aos processos de movimentos gravitacionais de massa. Este método pode contribuir com a proposta de criação de alertas a futuros eventos e gerar possibilidades de simulações de evacuações de emergências.
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