5. ARAŞTIRMA SONUÇLARI
5.2 Pratik Maliyet Hesaplama Tablosunun Bazı Ülkelere Uygulanması
5.2.2 Yerel şartlarda kurulmuş firma gözüyle
Os modalizadores argumentativos utilizados durante as falas das lideranças clérigas e leigas são amenizados por um discurso religioso inclusivo que abarca homens e mulheres como pessoas “valorosas” e iguais em direitos, contudo não é capaz de disfarçar a predileção masculina no que tange às funções de primazia e liderança exercidas. Em outros termos, no contexto religioso estudado ficou claro em todos os âmbitos da igreja que o homem tem uma posição de destaque ratificada pelo próprio Deus. Esta proeminência também se expõe no convívio familiar e é explicada pelo Pastor Mantoam da seguinte forma:
Existe um Sistema de Governo de Deus que rege o Universo e todos os que nele habitam, e de forma simplificada podemos dizer que, na família segundo o padrão de Deus, o esposo se torna presença substitutiva de Deus, liderando e contando com a cooperação da esposa (2006: 30).
De um lado, o homem na CG é compreendido como o ser viril e forte que tem o dever de proteger e liderar a sua mulher, considerada o sexo frágil. Por outro, a mulher é aquela que completa e supre com suas características pessoais as carências observadas no homem. Afirma-se na igreja que não existe nenhuma recompensa divina para aquele que exerce a liderança e aquela que auxilia o líder, seu marido. Todavia, descumprir as funções designadas por Deus para as pessoas do sexo masculino e feminino acarreta em “praga” ou “cadeias espirituais” para a vida (Bezerra, 2006b: 11).
Ao esposo é requerido que tenha uma postura diante de sua mulher a mais próxima da imagem bíblica de Jesus Cristo. Três características do fundador do
133 Sobre este tema ver o artigo Carreiras homossexuais no contexto do pentecostalismo: dilemas e
cristianismo devem ser desempenhadas, a saber, a de rei, profeta e sacerdote. O marido, ao exercer a função de rei, demonstra que ele tem o poder de comando e a autoridade “divina” para governar sobre a sua esposa e os filhos. Por ter recebido a incumbência de ser o governador do lar, o homem também deve ser o principal provedor material e afetivo em sua casa. Mantoam recomenda a esse homem que, na relação familiar, ele “tenha atenção, tempo disponível, paciência para ouvir, ânimo para sentar no chão e brincar com os filhos, iniciativa de sair com a esposa para um sorvete a sós, (...) gentileza e romantismo como no namoro” (2006: 33). O marido cristão também tem a obrigação de atuar como profeta. Isso significa que ele é um religioso convicto e entendido a respeito dos ensinamentos da igreja. Portanto, para qualquer situação vivenciada pelos seus familiares, especialmente as consideradas negativas, ele sabe proferir as palavras motivacionais corretas na perspectiva da sua religião. E o último atributo cristão que o esposo realiza é a de sacerdote. Tomando como base o ensino desta igreja, Jesus se sacrificou pela humanidade por amor a fim de salvá-la. Logo, o homem deve dar a sua vida pela família servindo-a, catequizando-a, orientando-a e investindo tempo em oração a favor dela. Em suma, o marido é o pastor da mulher e da prole.
Deste homem crente, que é rei, profeta e sacerdote, solicita-se que exerça uma liderança e gestão familiar eficazes. Para a concretização destas, a igreja sistematiza o seu pensamento e ações a partir de uma fusão entre preceitos religiosos e as elucubrações do escritor norte-americano Steven Covey, nos livros 7 Hábitos de pessoas altamente eficazes (2005) e Os 7 hábitos das famílias altamente eficazes (2000), que faz um mix entre assuntos da Administração e conselhos práticos de tipo “auto-ajuda”. Nestes dois livros citados, Covey motiva as pessoas a utilizarem suas características e competências próprias para serem bem sucedidas como líderes em suas empresas e famílias. O autor destaca ainda que os indivíduos devem adequar os seus perfis à missão empresarial e familiar, procurando se capacitar para a tarefa de liderança, valorizando os talentos dos liderados e ajudando-os na ampliação de uma visão corporativa, interdependente e lucrativa. Os discursos religiosos não somente validam as ponderações deste autor como ampliam-no com o seu ideário concernente à liderança.
O pai como líder é o catalisador das idéias administrativas e ideais cristãos. Ele tem a autorização e o dever de servir à organização familiar em nome do Deus que o escolheu para este labor. Na tarefa de arregimentar sua família e fazer dela uma colaboradora consigo e com Deus, ele precisará demonstrar que é o indivíduo ideal para este intento. De tal modo, seu comando estará calcado nos valores que a CG preza. O primeiro aspecto exigido da liderança é o amor. Ao mesmo tempo que se trata de romantismo, a igreja ensina que amar é tomar uma atitude prática de expressar o amor (amor-ação) às mulheres com declarações verbais afetuosas e honrá-las com carinhos, presentes, mudanças de hábitos, proteção e segurança. Cada cônjuge deve também liderar sua mulher respeitando o princípio da renúncia, isto é, entregando-se à mulher para servi-la. Sobre isso o Pastor Mantoan exemplifica: “à mesa, o esposo cristão primeiro atende à esposa e aos filhos, por último a si. A melhor parte do frango é para a família cabendo-lhe a carcaça, pescoço e os pés. Foi assim que Deus fez, ofereceu o melhor para nós: Jesus” (2006: 34).
Sob pena de perder sua esposa para algum outro homem e depois ser cobrado por Deus pela sua atitude negligente, o marido é incumbido e exortado a ser sensível, romanesco durante o ato sexual, presente e gentil no tratamento conjugal diário. A sensibilidade mencionada diz respeito à solidariedade aos problemas enfrentados por sua mulher e à destreza em corrigir sua família quando ela procede contrariamente às regras da religião. Com a ênfase de que o marido deve ser alguém presente no lar ele é alertado sobre a prioridade que sua esposa e filhos tem para fazer refeições conjuntas, passeios e aconselhamentos. E por fim a polidez das ações, a gentileza e o amor romântico são valorizados porque “refletem o amor que Cristo demonstrou à sua igreja” (2006: 35). É na eficiente modelação e expressão corporal em resposta às exigências religiosas sobre o papel masculino na família que o homem se mostrará um crente “valoroso” e, conseqüentemente, honrado pelo grupo e satisfeito por reproduzir o ethos da CG (Durkheim, 2001). Agindo assim, Mantoam garante ao marido:
Você será a segurança e a alegria de sua esposa. Você mostrará o caminho a trilhar pelo seu filho homem. Ele falará como homem, se vestirá como homem, terá atitudes dignas e honradas, o que as suas mãos tocarem prosperará e será poderoso na terra. Você mostrará o perfil de homem que sua filha deverá escolher para desposar. Você
conduzirá a Jesus, os vizinhos, amigos e companheiros de trabalho (Mantoan, 2006: 35).
Somando-se o amor-atitude ao amor-romântico vive-se o “amor bíblico” entre pais e filhos, podendo estendê-lo aos amigos – principalmente os candidatos a prosélitos. E acrescentando aos dois primeiros o erotismo pratica-se o “amor bíblico” no âmbito conjugal. Aqui não se leva em consideração que esta forma de amor é uma concepção moderna e secularizada, como pontua Vainfas (1986), que condiciona a leitura das origens da religião. A preocupação eclesiástica está em considerá-lo como religiosamente correto porque encontra fundamento na Bíblia. O ethos e a visão de mundo desta igreja estão intimamente relacionados e experimentados cotidianamente formam uma unidade autônoma sólidas e, até mesmo, inquestionável.