• Sonuç bulunamadı

2.1. MEVLEVÎLĠK VE MEVLEVÎLĠKTE MUSĠKÎ

2.1.2. Mevlevilîkte Musikî

2.1.2.7. Ġzmir 1907 Numaralı Elyazmasındaki Mevlevî Âyînlerinin Yazarı veya

A vitória de Lula em 2002 reacendeu as esperanças de uma reforma profunda da legislação sindical e trabalhista no Brasil. O principal objetivo anunciado pelo governo com a instituição do Fórum Nacional do Trabalho era democratizar as relações de trabalho e adequar a legislação trabalhista às novas exigências de concorrência do capitalismo mundial, fortalecendo o sindicalismo e ampliando os espaços de negociações entre capital e trabalho. A CUT que, desde o governo Collor, vinha recusando mesmo as propostas de reforma que em

alguns aspectos mexiam com os pilares da estrutura corporativa, como a questão do fim do imposto sindical levantada pelo governo Collor, desde o princípio, optou por participar das discussões do Fórum, por entender que se tratava de um espaço democrático onde seria discutido o futuro do sindicalismo brasileiro. “É neste fórum que está sendo debatida as propostas para uma nova estrutura sindical que será enviada ao Congresso Nacional. Neste cenário a classe trabalhadora terá que travar grandes embates para garantir a liberdade e autonomia sindical e a ampliação dos seus direitos fundamentais” (CUT, 2003b p. 1).

Em linhas gerais, logo no início das atividades do Fórum, a CUT procurou defender o modelo de organização sindical que foi sendo construído ao longo de seus Congressos e Plenárias, reafirmando sua bandeiras históricas de luta: “liberdade” e “autonomia” sindical (com a quebra do monopólio da representação exclusiva dos sindicatos oficiais); reconhecimento jurídico-institucional das Centrais Sindicais; organização sindical por ramos de atividade econômica; garantia de organização por local de trabalho; fim das contribuições compulsórias em favor da deliberação dos trabalhadores, em assembléia, sobre a sustentação financeira do sindicato; criação da figura do Contrato Coletivo de Trabalho nacionalmente articulado; fim do poder normativo da Justiça do Trabalho, com o fortalecimento do processo de livre negociação entre capital e trabalho.

Esse modelo consubstanciado em sua proposta de instituir um “Sistema Democrático de Relações de Trabalho” no país foi, portanto, o modelo defendido pela CUT no início das atividades do Fórum. “Sobre a reforma sindical, não vamos reinventar a roda, a CUT possui um importante acúmulo de debates e resoluções sobre o que mudar na estrutura sindical e nas relações de trabalho no Brasil. É o chamado Sistema Democrático de Relações de Trabalho, que é a base da proposta da CUT para a reforma sindical” (CUT, 2003 a). Conforme destaca, esse modelo iria assegurar o fortalecimento do sindicalismo (com o fim da estrutura sindical corporativa), democratizando as relações de trabalho e ampliando o poder de intervenção dos sindicatos no processo de negociação coletiva, através de um conjunto de regras que iriam garantir uma maior “igualdade” de condições para que os sindicatos pudessem negociar com o capital as formas de uso e remuneração do trabalho em um patamar menos desigual:

Mais do que propor o fim da unicidade sindical e do imposto compulsório, a proposta de reforma da estrutura sindical que a CUT defende no Fórum Nacional do Trabalho, moderniza a legislação sindical em vigor há mais de 60 anos. O trabalhador tem o direito de escolher livremente como se organizar em seus sindicatos, ter mecanismos que assegure proteção contra todo ato que possa prejudicar essa representação e, efetivamente, ter a representação sindical dentro do local de trabalho para recorrer à proteção contra os ataques aos seus direitos. Outra característica da proposta de Sistema Democrático de relações de Trabalho da CUT é o conjunto de regras que deverão estabelecer igualdade de condições

ultratividade dos acordos (ou seja, o acordo tratado permanece enquanto um outro não for estabelecido entre as partes), a substituição processual, a fiscalização do trabalho e o estabelecimento do Contrato Coletivo para todos os segmentos da economia (CUT, 2003b p. 4) [grifos nossos].

Dessa forma, a democratização das relações de trabalho implicaria, por um lado, no estabelecimento de um regime de “liberdade” e “autonomia” sindical (conferindo aos trabalhadores o direito de livremente se organizarem e de constituírem uma ou mais organizações sindicais em qualquer empresa, profissão ou setor de atividade econômica sem nenhum tipo de intervenção do Estado, o direito dos trabalhadores livremente definirem, em assembléia, a sustentação financeira dos sindicatos, bem como o direito de organização a partir dos locais de trabalho). Por outro lado, a democratização implicaria também no fortalecimento do processo de contratação coletiva, ampliando o poder dos sindicatos de definirem as regras de regulação do mercado de trabalho brasileiro. Em um documento publicado em 2003 pela CUT, Artur Henrique Santos, à época secretário nacional de organização da CUT, define o que significaria a democratização das relações de trabalho no país:

Democratizar as relações de trabalho significa conferir aos trabalhadores o poder de definir as regras que regulam as relações dentro e fora do local de trabalho. Significa construir e fortalecer o poder sindical limitando o poder absoluto da empresa de definir as regras do trabalho, ampliando a capacidade de influência do sindicato na regulação das relações de trabalho do conjunto de um ramo produtivo, através da contratação coletiva. Esses processos implicam, em primeiro lugar, no reconhecimento das Centrais Sindicais, suas estruturas de representação e seus sindicatos filiados, como organizações livres e independentes do Estado. Significa também, o reconhecimento por parte do Estado e da sociedade dos princípios que

fundamentam o direito de organização e ação sindical, tal como consagrados nas Convenções da Organização Internacional do Trabalho. Esses tripé –

liberdade e autonomia sindical, direito de organização no local de trabalho e contratação coletiva – constitui a base fundamental do processo de democratização das relações de trabalho (CUT, 2003b p. 2) [grifos nossos].