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2.2. MUHTELĠF BAKIMLARDAN MEVLEVÎ ÂYÎNLERĠ VE ĠZMĠR

2.2.1. Mevlevî Âyînleri

2.2.1.2. Âyîn-i ġerîflerin Bestekârları

Conforme vimos até aqui, a proposta da CUT de instituir um “Sistema Democrático de Relações de Trabalho” pleiteava, ao mesmo tempo, reformar a legislação sindical (procurando “reequilibrar” as relações de poder no interior da estrutura sindical) e liberar o processo de livre negociação entre capital e trabalho. Este modelo, formulado em 1992 (e revisado anos depois), basicamente, foi a proposta apresentada pela CUT (leia-se pela Articulação Sindical) durante o início das discussões no Fórum Nacional do Trabalho. Atrelado a essa proposta estava a aprovação dos princípios que regem a Organização Internacional do Trabalho, principalmente, a Convenção 87, que estabelece os parâmetros de um regime de “liberdade” e “autonomia” sindical. A aprovação deste modelo implicaria, em última instância, o fim da unicidade e do imposto sindicais, bem como o poder normativo da Justiça do trabalho, abalando os pilares fundamentais da estrutura sindical corporativa.

Todavia, dada as dificuldades em se fazer aprovar um novo modelo de organização sindical baseado nos princípios que regem a Organização Internacional do Trabalho (pois, mesmo dentro da própria CUT várias correntes sindicais apresentavam-se recalcitrantes quanto às possibilidades de reformas na estrutura dos sindicatos oficiais), para acomodar divergências internas, a Articulação Sindical recuou em sua proposta de instituir um “Sistema Democrático de Relações de Trabalho” no país (que apontava para uma reforma profunda da legislação sindical brasileira), passando a defender a tese de uma reforma possível na estrutura sindical, ou seja, passando a defender a idéia de que a CUT teria a obrigação de lutar por mudanças possíveis na estrutura sindical. Conforme destaca João Felício, à época secretário-geral da executiva nacional da CUT, e membro da Articulação Sindical:

Desde sua fundação, em agosto de 1983, a CUT defende os princípios da Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho, como o fim da unicidade imposta pelo Estado, das contribuições compulsórias e do poder normativo da Justiça do Trabalho. Apesar desta resolução, aprovada em Congresso, a Central conviveu com posições divergentes no seu interior. Uma parcela de cutistas defende a unicidade; já outras pregam a total liberdade. Durante mais de duas décadas, a

CUT procurou contemplar estas posições, respeitando os diferentes pontos de vistas [...] Mas no debate atual sobre a reforma sindical, entendemos que é necessário buscar o máximo de consensos para que se consiga promover avanços no sindicalismo. Pensamos que é possível operar mudanças de acordo com os princípios originais da CUT. A aplicação automática da Convenção 87 da OIT, neste momento, não ajudaria na necessária unidade para que a reforma realmente ocorra [...] A CUT tem a obrigação de lutar por mudanças possíveis na nova

conjuntura aberta no país (Felício, 2004 p. 107-109) [grifos nossos].

Assim, a tese de uma “reforma possível” visava operar uma espécie de meio-termo entre continuidade e mudança, nem aceitando a eliminação definitiva dos pilares básicos da estrutura sindical corporativa, nem aceitando sua perpetuação intacta no tempo. A intenção era justamente “acomodar” as divergências internas, de forma a “conciliar” tanto aqueles que defendem uma reforma profunda da legislação sindical quanto aqueles segmentos que visualizam na estrutura corporativa um importante instrumento de luta dos trabalhadores. O fato é que, em meio às fortes resistências, a Articulação Sindical recuou de sua proposta de uma reforma profunda na estrutura sindical e passou a defender uma reforma a qualquer custo, ainda que não atendesse, na integridade, as reivindicações históricas de seus membros:

[...] não podemos perder este oportunidade histórica para promover as alterações

possíveis no sindicalismo brasileiro [...] não era possível manter intacta esta

estrutura sindical. O sindicalismo esta fragilizado e exige alterações urgentes. Não dava para continuar do jeito que está. Essa estrutura não serve aos trabalhadores; causa acomodação e falta de representatividade; cria inúmeras distorções e enfraquece nossas lutas. Alguma mudança deve ocorrer neste momento, que é mais favorável ao sindicalismo – este é o pensamento da ampla maioria da direção da CUT (Felício, 2004 p. 113) [grifos nossos].

De um modo geral, embora não contemplasse, em todos seus aspectos (e na integridade), o modelo defendido pelos setores majoritários da CUT, o projeto de reforma produzido no âmbito do Fórum acabou obtendo o apoio da Central. Em 2005, logo após a conclusão dos trabalhos realizados no Fórum, a 11ª Plenária Nacional da CUT aprovou o texto base apresentado pela Articulação Sindical (intitulado “O desafio de mudar a estrutura sindical brasileira”), onde expressava seu apoio ao projeto de reforma. “Para nós, da CUT, a proposta finalizada traz avanços significativos rumo à liberdade e autonomia sindical, ainda que não atendam na integridade as bandeiras históricas da CUT, pois caminha para a extinção dos pilares do corporativismo: a unicidade, o imposto sindical e o poder normativo da Justiça do Trabalho” (CUT, 2005 p. 48). Entre as principais mudanças o texto destaca:

- Reconhecimento das Centrais Sindicais e suas estruturas (artigos 14 e 15 do PL – Projeto-de-Lei);

- Organização sindical por ramo de atividade ou setor econômico e não por categoria (art. 18 do PL);

- Os trabalhadores decidem, em assembléia, a forma de organização a ser adotada pelo sindicato (se liberdade ou exclusividade, arts. 38 a 41 do PL);

- A substituição das taxas compulsórias por uma contribuição negocial aprovada em assembléia dos trabalhadores (art. 4 inciso IV da PEC e arts. 45 a 47 do PL);

- O fortalecimento do processo de negociação coletiva, com a obrigatoriedade da negociação permanente entre as partes (arts 93 a 99 do PL);

- A regulamentação legal da organização no local de trabalho com garantia de estabilidade para os representantes da base (art. 81 – inciso I do PL);

- O contrato coletivo nacional por ramo de atividade (art. 97 do PL) (CUT, 2005 p. 50). A nosso ver, mesmo que não tenha sido aprovada a Convenção 87 da OIT, ou seja, mesmo que não tenha sido decretado o fim definitivo da unicidade e do imposto sindical (uma vez que, no caso da unicidade, os sindicatos anteriores à nova lei poderão adquirir o direito de representação exclusiva, e, no caso do imposto, a nova taxa de contribuição negocial será descontada de todos os trabalhadores em folha de pagamento, o que não exclui o caráter compulsória do imposto); e, por mais contraditório que seja o projeto, na medida em que busca estabelecer um regime sindical misto (operando um meio-termo entre unicidade com um regime de pluralismo sindical restrito), a proposta de reforma elaborada a partir das discussões no Fórum Nacional do Trabalho, de um modo geral, acaba contemplando o modelo defendido pelos setores majoritários da CUT.

Em primeiro lugar, o projeto de reforma do Fórum aponta para um fortalecimento da cúpula do movimento operário, principalmente Centrais Sindicais. Pelo mecanismo de representação derivada, as entidades de nível inferior que não conseguirem atingir os critérios de “representatividade” (que, no caso dos sindicatos de trabalhadores, teriam que atingir um mínimo de 20% de trabalhadores sindicalizados em sua base), poderiam, ao invés de comprovar sua própria “representatividade”, filiar-se a uma entidade de nível superior com “representatividade” comprovada. Neste caso, a “representatividade” é transferida da entidade de nível superior para a entidade de nível inferior, ficando esta totalmente vinculada à estrutura organizativa da entidade que lhe conferiu existência legal, devendo se submeter ao seu estatuto. As entidades de grau superior também poderão criar entidade de nível inferior como parte de sua estrutura organizativa. Este mecanismo é o reconhecimento do modelo de sindicato orgânico defendido pelos setores majoritários da CUT que, conforme vimos, provocou uma forte resistência das correntes minoritárias que acusam tal modelo de eliminar a autonomia dos sindicatos de base.

A organização sindical por ramo ou setor de atividade econômica e o estabelecimento do contrato coletivo nacionalmente articulado se referem a duas medidas aprovadas pelo projeto do Fórum que também contemplam o modelo defendido pela Articulação Sindical. Essas duas medidas, somadas ao fortalecimento da cúpula do movimento operário, permitiria que os setores ligados à Articulação Sindical (que detêm a hegemonia no interior da CUT) controlassem o processo de negociação coletiva em âmbito nacional, onde seriam discutidos (e negociados) os direitos mínimos aplicados a todos os trabalhadores de cada ramo ou setor de atividade econômica. A partir daí, o processo de negociação coletiva iria se adaptando conforma a realidade econômica (e social) dos diferentes setores da economia. Conforme vimos, com essa proposta a CUT mantém seu projeto de divisão dos trabalhadores em ramos (que seria uma forma de aglutinar e unificar as lutas), mas, por outro lado, abre a possibilidade de negociar mais livremente na base, permitindo o reforço dos particularismos, uma vez que no nível mais geral (isto é, nos ramos) seriam negociadas as garantias mínimas, enquanto nos níveis inferiores se efetivariam as conquistas mais abrangentes, de acordo com a situação específica de cada setor ou empresa.

3.2.5 A CORRENTE SINDICAL CLASSISTA E O ACIRRAMENTO DAS